Just Smoke

2 O Garoto Das Últimas Palavras


Notas iniciais
Olá! Eu demorei, mas acabei escrevendo logo. Espero que gostem, eu me esforcei. ;D

Coronel havia me convidado para nos encontrarmos no lago dali a pouco tempo,mas eu preferi os seguir. Encontrar o Takumi no caminho seria ótimo, porém não era minha prioridade, como havia dado a parecer.

Eu os segui uns vinte segundos após eles saírem, seguindo por pessoas que me diziam "Oi" e sorriam. Eu retribuíra, mas eles me importavam. Os dois pareciam seguir para a praia-falsa-que-Águia-gostava-de-dizer-que-era-real, ou prainha, e eu decidi os deixar. Tinha minhas próprias coisas para cuidar. Mas foi engraçado, o fato de antes de eu sair, ver que Gordo era um péssimo fumante. Eu ri quando ele quase vomitou.

Eu segui meu caminho lentamente até o dormitório de Takumi, e, quando cheguei, dei três batidinhas contidas na porta. Ao abrir, pulei nele, contando a minha história atropelando letra por letra. Ele ria, com gosto.

– Estava com saudades, Alasca. Nem me mandou mensagens nas férias.

– E eu tive tempo, japonês? Tive muito o que fazer com minha mãe.

"Mentira." Era mentira. Meus olhos se desviaram, e meu sorriso desapareceu um pouco. Realmente, eu apenas havia passado as férias com Jake, e, quando ele estava ocupado, eu ficava junto ao túmulo dela. "Ela. Alasca errou, Alasca matou a mamãe. Alasca se culpou, Alasca odeia papai"; Sua antiga canção vinha a cabeça. Mas não podia se deixar levar. Ela apenas voltou a sorrir, ao abraçar Takumi.

– Quer ir para a cama ou fazer na frente dos caras? — Takumi riu, e eu dei uma espiada dentro de seu quarto. Haviam cerca de cinco homens lá dentro, com bebidas proibidas.

Eu ri, pois vi Águia passando por ali. Não iria avisar a eles, apenas a Takumi, por que não queria que ele se fodesse.

– Ei, vi o mala por aqui.

Ele deu um sorriso e meio, fazendo seus olhos sumirem mais, e apenas me agradeceu.

– Obrigada, vou esconde-las agora. Mas tenho que ir, Alasca. Até mais.

Ele fechou a porta na minha cara, e apenas então que, por uma fresta, vi uma garota sentada na cama de baixo. Lara, aquela com sotaque estranho. Dei de ombros, me virei e saí dali.

Pensei diretamente em ir para a praia, então o fiz. Eu segui meus lentos passos com os chinelos nas pontas dos pés, traçando meu caminho até lá. Quando cheguei, vi Gordo de pé, então, entrei em meu mode de "Alasca-misteriosa";

– É verdade que você coleciona últimas palavras? — Perguntei, com um canto da boca se forçando a não sorrir.

Corri até o lado do garoto, segurando o ombro dele e o forçando a se sentar novamente, em meu lado.

– É sim. Quer um teste? — Ele perguntou com as sobrancelhas arqueadas, porém hesitante.

– JFK. — Retruquei.

– "Mas isso é óbvio."

– É? — Me senti estúpida.

– Não. Essas foram suas últimas palavras. Alguém disse: 'Sr. Presidente, Dallas ama o senhor.', e ele: 'Mas isso não é óbvio?' e tomou um tiro.

Eu ri, um riso verdadeiro e inocente, apesar da morbidez.

– Credo, que horror! Não devia estar rindo. Mas vou rir, mesmo assim. — E ri novamente — Então está bem, Sr. Garoto-Das-Últimas-Palavras, tenho uma para você.

Eu peguei uma mochila abarrotada da qual escondia lá, nem Coronel sabia, e tirei o livro. O livro que me fez pensar. O livro que me fez uma suicida. O livro que mudaria minha vida, junto ao garoto de meu lado.

– Gabriel García Márquez. O general no seu labirinto. É um dos meus prediletos. É sobre Simón Bolívar. É um romance histórico, então não sei se é verdade, mas, no livro, sabe quais foram as últimas palavras dele? Não, não sabe. Pois então vou lhe dizer, Señor Últimas-Palabras.

Eu estava nervosa e tremia, implorando a um Deus inexistente para ele não reparar. Peguei um cigarro, e dei uma tragada normal para mim, mas Gordo parecia espantado. Eu tragava forte, eu queria morrer jovem, morrer um mistério. Joguei a fumaça ao ar, e comecei a ler para o garoto.

– "Ele estremeceu diante da revelação de que a corrida alojada entre seus males e seus sonhos estava chegando ao fim. O resto eram trevas. 'Droga', ele suspirou, 'Como sairei desse labirinto?'.

Eu o via me devorando com o olhar. Ele me enojava. Só um pouco. Gordo não era alguém feio. Mas eu amava Jake, mesmo que doesse para ele quando eu fosse. Eu mexia meus pés e pernas para o balanço ir mais rápido, junto a ele, na escuridão. Ele era bonito.

– E o que seria esse labirinto? — Ele perguntou, fitando-me.

Eu me aproximei dele o bastante para sentir seu cheiro leve de cigarro e suor.

– Esse é o mistério, não é? O labirinto é a vida ou a morte? — Eu me contive para não chorar, não podia. Meus lábios tremiam em um sorriso falso — Do que ele está tentando escapar — Do mundo ou do fim do mundo?

Eu me calei, a espera de uma resposta daquele menino iluminado pela lua.

– Hmmm, não sei. — Decepcionante. — Você realmente leu todos aqueles livros em seu quarto?

Eu ri baixo, pela mudança repentina de assunto.

– Não, claro que não! Talvez tenha lido um terço daquilo. Mas vou ler todos. — "Mentira" — Eu os chamo de Biblioteca Da Minha Vida. Desde pequena, percorro as vendas de garagem em busca de livros que pareçam interessantes. — "Verdade" — Então sempre estou lendo algum livro. Mas há tanta coisa para fazer; tantos cigarros para fumar, tanto sexo para fazer, tantos balanços para balançar. Terei mais tempos para os livros quando ficar velha e chata. — "Mentira".

E continuamos o ritmo da conversa, falamos sobre Coronel, e sobre como eram parecidos quando ele entrou, inteligentes e entediantes. Sobre as namoradas que eu, a incrível Alasca arranjei para ele. Sobre o primeiro trote dele. Chip e Coronel, meus melhores amigos, dois diferentes. Um transformante e outro transformado. Eu acendi a outro cigarro, usando a ponta do anterior. Traguei-o, rindo em meio a conversa.

– Você é inteligente como Coronel. Só que mais calado. E mais bonitinho. Só que não me ouviu dizer isso, porque gosto de meu namorado. — Eu ri.

– É, você também não é feia. — Disse ele, receoso — Mas não me ouviu dizer isso, porque gosto da minha namorada. Ah, não. Espera. Não tenho namorada. — Novamente, soltei um riso.

– Certo. Não se preocupe, Gordo. Se tem uma coisa que posso arranjar para você é namorada. Vamos fazer um acordo: Você descobre o que é o labirinto e como fazer para sair dele, e eu lhe arranjo uma transa.

– Fechado! — E demos as mãos suadas, com um acordo feito. Engraçado, minha opinião mudou. Estava começando a gostar dele.

Mas eu infelizmente já sabia a resposta para a saída do labirinto. Rápida e diretamente.

Notas finais
Minhas mãos estão doendo de escrever. D; Então, até o próximo capitulo, e espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e tal. ;3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.