Just Sex

23 Vinte e dois – Destinos cruzados.


Notas iniciais
VOLTEI? VOLTEI! Gente, eu tô chocadan. Eu adiantei vários capítulos e não resisti em postar logo! Responderei os comentários depois e... Em falar nisso. Eu tenho notado uma baixa bem grande em JS. Antes, eu tinha visualizações bem maiores e mais rápidas nos capítulos, mas hoje em dia demora vários dias pra chegar uma quantidade de comentários legais. Não tô reclamando, amo vocês e enquanto tiver pelo menos um leitor, eu estarei postando. E parte disso é culpa minha, pela demora que fiquei para postar nos últimos tempos... MAS EU TÔ FICANDO COM GÁS! Então tenho que aproveitar, não é mesmo? Eu não tenho muito mais o que falar, apenas leiam! MHUAUUAUA Boa leitura!

Nunca fui uma pessoa que perdesse muito tempo da vida pensando em coisas profundas demais. Aqueles tipos de perguntas sem respostas: “Qual o sentido da vida?”, “Porque estou aqui?” ou “Deus existe?”.

Apesar de a resposta ser não para a última pergunta, pelo menos para mim, não é sobre religiosidade que ando pensando. Destinos cruzados, seria a melhor expressão. Muitos dizem que um poder divino é que guia o nosso destino, mas isso é uma puta besteira. As pessoas que se conectam, conscientemente ou não.

E então vem a pergunta que venho fazendo a mim mesma…

Quem conectou meu destino?

A primeira pessoa que vem a minha mente é Gajeel Redfox, mas isso seria egoísmo demais da minha parte. Mesmo que tudo ao meu redor esteja se despedaçando, meus amigos tendo suas vidas destruídas ou complicadas, eu sinto que a coisa é muito maior do que parece. Algo que veio antes de mim.

Meu pai que me fez pensar nisso. Ele anda estranho ultimamente e venho percebendo que todos da minha família parecem esconder alguma coisa de mim. Mas o quê? Não sei. Entretanto, o primeiro passo para ter a resposta é descobrir quem realmente é Gajeel e saber qual sua relação com o Gray. Entendendo isso, saberei de coisas suficientes para compreender outras e assim sucessivamente até que tudo seja esclarecido.

Infelizmente, fazer isso não é tão fácil quanto parece.

Nunca me senti tão atordoada por alguma coisa que descobri de alguém como hoje. Me jogar no sofá pareceu a opção mais convidativa para o cansaço mental assim que entrei na sala.

— Boa noite também, Lucy. – Só então percebi que meu pai estava sentando na poltrona do lado, lendo um livro.

Olhei para ele com desdém, revirando os olhos. Nunca acreditei que desconfiaria do meu próprio pai.

— O que você tem, Lucy? Que roupa é essa que está usando? – Ele me perguntou, parecendo intrigado e triste. Não costumo ser tão azeda com ele.

Mas é mais forte que eu.

— Mãe! – Gritei da sala, virando a cabeça para trás por cima do encosto. Jude não pareceu feliz por ter sido ignorado. – Cadê o Laxus?

— Já viajou, ele não te disse? – Ela apareceu do meu lado, enxugando um copo. – Que cara é essa?

A cara de quem também desconfia de você. O exílio repentino do meu irmão é só mais uma coisa para a minha listinha de atitudes suspeitas. Como a também a senhora Layla.

— Minha cara de sempre.

O sorriso da minha mãe morreu, e ela e o meu pai trocaram olhares.

— Sabe que você nunca apanhou?

A encarei seriamente quando me levantei.

— Talvez por quê a vida tenha me espancado demais, não foi preciso que você se desse o trabalho de fazer isso. – Sorri amargamente, e me virei para o meu pai. – Não é, Jude?

— Lucy!

Uma terceira voz quebrou o clima tenso. Levy apareceu na escada com uma expressão de urgência.

— Preciso falar com você.

Deixei meus dois pais zangados a ver navios e subi até meu quarto. Abri a porta rapidamente joguei minhas roupas no canto e me despi como se a roupa queimasse. Levy colou nas minhas costas iniciando um sermão.

— Que demora pra chegar, onde estava? E por que falou daquele jeito com seus pais? Você nunca fez isso antes. E que raio de blusa é essa?

— Não se mete, Levy. Eu tenho meus motivos. E nem me pergunte sobre essa maldita blusa. – Pisei em cima dela. – O que você queria falar?

— Bom. – Suspirou. – Eu descobri uma coisa, mas não sei como te contar.

Sentei na cama, a encarando minunciosamente. Estava nervosa.

— Acho que estou na mesma situação. Mas começa você primeiro.

Ela se sentou no meio da cama, abraçando os joelhos, o que fez com que eu me virasse. Antes mesmo que começasse a falar, parecia que não tinha certeza do que iria dizer.

Não foi a primeira vez que eu vi aquela tatuagem.

— O quê? – Indaguei descrente, depois de raciocinar. – Espera, tá falando sério?

— Uhum. – Balançou a cabeça. – Mas eu posso estar enganada. Eu era criança e ultimamente não estou confiando muito no meu estado mental.

— Não importa, Levy. Desembucha logo.

— Tá. – Respirou fundo. – Lembra que meus pais estavam se divorciando um pouco antes de ele, hum, morrer? – Fiz que sim com a cabeça. – Então, eu acho que descobri o motivo, ou mais ou menos isso. Uma vez eu peguei meu pai cuidando de um homem, estava mais para um garoto, desconhecido, dentro do escritório dele.

— E o que tem isso?

Ele tinha a mesma tatuagem do Gajeel nas costas.

O baque para mim foi imediato. Fiquei sem fala por alguns segundos.

— Você tem certeza?

— Não, esse é o problema!

— Também não confio muito nas coisas que eu lembro, mas… Vamos presumir que foi real. Isso quer dizer que o envolvimento é muito maior do que pensávamos!

Como imaginei que fosse.

— Será que era isso que ele quis dizer quando disse que você viu coisas que não deveria ter visto? – Perguntei.

Levy colocou a cabeça entre as pernas.

— Não sei. Ele me perguntou se eu não lembrava de nada. Na hora do pânico eu nem conseguia imaginar sobre o que ele estava falando. Mas hoje, depois de vê-lo, eu me lembrei.

Quase tive um treco.

— Como assim, depois de vê-lo?! Você viu ele? Ele te achou?

— Calma, ele não me viu. Fui parar na minha casa e o encontrei estacionado lá na frente.

— Isso não me deixa nem um pouco mais calma. – Esclareci, com ódio. – O que diabos mais ele quer?

— Eu realmente não faço ideia. Só espero que ele não vá atrás da minha mãe.

— Como assim?

— Ele ficou olhando ela pela janela da cozinha, mas…

Automaticamente me lembrei do Gray e seu trabalhinho extracurricular, mas não gostei da relação que minha mente fez.

— Puta merda!

— O que foi?

— Levy. Eu tenho coisa que não deveria te contar, mas a situação pede que eu esclareça tudo logo de uma vez. – Quando ela ficou visivelmente assustada, tratei de explicar. – Calma, não é nada muito sério, dependendo do ponto de vista. É que a Juvia queria falar pra vocês ela mesma.

— É sobre o Gray?

— A gente descobriu que ele está fazendo favores sexuais em troca de dinheiro. – Falei de uma vez.

Levy me olhou como se não acreditasse. Revirei os olhos.

— Não entendeu? Gogoboy, prostituto, gigolô, tá comendo as véia!

— Eu entendi da primeira vez, só não… Não consigo acreditar. O Gray?

— O próprio. Sabe a Laki Olietta? Eu e a Juvia vimos ele saindo da casa dela.

— Com a Laki?

— Não, a mãe dela!

— Puta merda! – Exclamou.

— Pois é.

— Mas o que isso tem a ver comigo?

— Olhando assim, nada. Exceto pelo fato de que depois de sair de lá, advinha quem apareceu numa moto maneira pra dar carona para o nosso amiguinho?

Ela não demorou um segundo para entender, mas quando falou seu nome, parecia torcer estar errada.

Gajeel. Você tem certeza disso?

— Tenho, cacete! Eu vi, o cara estava a uns metros de mim. Quase voei em cima dele, mas me controlei.

— Isso tudo é uma loucura, só que estou tão chocada que ainda não entendi a ligação

Levantei da cama, indo até o guarda-roupa pegar uma toalha limpa.

— Sua mãe, Levy. – Eu disse. – Se o Gray anda extorquindo as coroas por aí, tá envolvido com Redfox, mas ele não é flor que se cheire, ao que tudo indica por causa dessa tatuagem… Que você já viu dentro da sua própria casa… – Parei de falar, me confundindo nas palavras. – Porra, me perdi.

— Mas o que minha mãe tem a ver com isso? – Indagou, alterada. – A não ser que…

— O envolvimento seja muito maior do que pensávamos. – Completei.

Ela praticamente pulou do sofá e ficou andando de um lado para o outro.

— Então a nossa família também está envolvida.

Congelei.

— Nossa?

— Claro, Lucy. Nossa família! Nossos pais são amigos, e principalmente sua mãe da minha. Nunca vou me esquecer da tia Layla consolando minha mãe no velório.

— Mas isso não diz muita coisa. – Revidei, mesmo sabendo que tinha sentido. – Tá bom, nem eu acredito nisso. – Sentei de novo na cama.

Levy tocou meu ombro.

— É por isso que você está agindo desse jeito? Com seus pais?

Sabe quando você tem vontade de chorar, mas as lágrimas simplesmente não vêm? E só fica aquele vazio dentro de você. O aperto na garganta, a raiva.

— Cara, eu não acredito que isso está acontecendo. Meus próprios pais?

— Eu sei como é o sentimento. Também sei que isso não vai ajudar, mas… Seus pais estavam discutindo quando eu cheguei.

— Okay, vamos parar de se lamentar. – Peguei minhas roupas. – Levy, vamos olhar o que conseguimos daquela pesquisa depois que eu sair do banho. Depois, eu ligarei para o Loke.

— Loke? – Peguntou, já mexendo na mala. – Faz tempo que não o vejo, mas o que ele tem a ver com isso?

— A mãe dele. – Gritei, retirando o resto das roupas já dentro do banheiro. – Lembra dela?

— Não, ela nunca estava em casa.

— Mas ela lembra de mim. – Liguei o chuveiro. – E disse que era amiga da família. Muito estranho, não acha?

Esperei uma resposta, mas Levy não o fez.

— Levy, ainda tá aí?

No segundo seguinte ela apareceu no banheiro em pânico, suando como uma chaleira.

— O meu pendrive sumiu!

— O quê?

— Eu não acho em nenhum lugar! Tenho certeza de que estava na minha bolsa. – Andou de um lado para o outro, desesperada, até me encarar pelada dentro do box. – Lucy, que marcas são essas em você?

Maldito Dragneel.

— Treinando. – Desconversei. v Vamos falar de coisas importantes? Como assim o pendrive sumiu?! – Espalmei as mãos no vidro, fazendo-o tremer.

Levy se sobressaltou, e se encolheu.

— Por favor, não faça mais isso. – Ela se apoiou na pia. – Sim, sumiu. Não sei como.

— Puta que pariu! — Me ensaboei furiosamente.

— Lucy, eu não queria falar isso, mas…

— Eu sei, eu sei. – A interrompi.

Minha mãe. Só de olhar uma para cara da outra, sei que eu e a Levy desconfiamos da mesma pessoa. Eu queria estar errada, mas as evidências gritam. Mesmo que seja difícil de aceitar.

Afinal de contas, quem são meus pais?

Parece que eu vou ter que trancar meu quarto a partir de agora.



***



— Eu vou pro colégio com você. – Foi o que Levy me disse da manhã quando estava me vestindo.

— Nem pensar. – Retruquei. – Fique aqui e descanse mais um pouco, sei que ainda não está bem. Aproveita pra… – Me aproximei e sussurrei de modo conspiratório. – Sondar alguma coisa.

— Lucy, se eu ficar mais tempo aqui dentro, eu vou pirar.

— Por que você não vai para casa? – Sugeri, pegando a maçã mordida do criado-mudo. Talvez seja melhor ficar com sua mãe.

— Talvez você tenha razão, mas não sei se vou conseguir fingir estar bem perto dela.

— Não finja. – Falei com sinceridade. – Não precisa contar o que realmente aconteceu, apenas seja sincera com seus sentimentos. Você é boa nisso, não eu.

Ela piscou um par de vezes.

— Não sei se fico chocada com sua sugestão ou com o fato de você ter admitido que nega seus sentimentos.

Coloquei a mochila nas costas e fui até a porta.

— Eu não disse isso. E é sério, não quero te ver aqui quando chegar.

Desci as escadas pensando no que havia dito. Por que eu sempre falo as coisas sem pensar? Dizem que a sinceridade vem da espontaneidade, entretanto, eu já não sei mais até que ponto meu modo automático é honesto.

São nessas horas que sinto falta da Dra. Mavis. Tenho que ligar para ela.

— Lucy. – Ouvi minha mãe me chamar quando estava descendo os degraus da varanda. Layla me encarava de braços cruzados. – Precisamos conversar.

— Estou atrasada para a escola.

— Não agora. Vamos nos sentar à mesa e conversar.

— Não sei se vou chegar cedo…

— Não importa. – Me interrompeu bruscamente. – É bom estar aqui à oito para o jantar.

Me deixou sozinha depois de dar seu ultimato autoritário de mãe, e eu só pode rir e balançar a cabeça com descrença. Mesmo eu odiando ser mandada, nessas condições, eu não seria louca de desobedecer a minha mãe. Não quando a vejo falando tão sério assim. E talvez essa seja a minha grande oportunidade de arrancar alguma coisa deles.

Deixando mais esse problema de lado, tratei de me apressar para chegar cedo na escola. Outro local com fontes para mais problemas. Juvia me esperava na entrada, encostada a uma árvore e mexendo no celular, guardando-o quando me viu.

— Conseguiu dormir?

— Pode ser frio da minha parte, mas por incrível que pareça, sim. Foi muita coisa num dia só, e quando cheguei em casa não tive sossego. Quando finalmente deitei, dormi como um bebê.

— O que aconteceu?

Puxei-a de canto.

— Eu descobri uma coisa que pode dar sentido ao que o Gray anda fazendo, mas é só um palpite.

Parei de falar quando vi que ela não prestava atenção em mim, e sim em algo mais distante.

— Falando no diabo…

Virei para trás e vi Gray indo em direção à entrada. Trocamos olhares, ele me cumprimentou com a cabeça e sumiu no meio da multidão.

— Ele está sozinho. – Juvia observou, com um suspiro.

— O que isso quer dizer?

— Que ele está se afastando de todo mundo. Amigos, família.

— Por isso ele deixou o time.

— Sim, e esse foi só o começo das coisas. Também soube que ele e o Natsu não estão se falando.

— Será que ele sabe de alguma coisa?

— Não sei, mas vai ser difícil descobrir.

Automaticamente me lembrei da minha mais nova amiga. Cana Alberona.

— Sei de alguém que pode saber, então deixa essa parte comigo.

— Mas o que você descobriu?

O sino tocou, interrompendo nossa conversa.

— Vamos conversar no intervalo, daí eu te conto tudo.

Juvia concordou e foi na frente enquanto eu pegava no meu armário os livros das primeiras aulas. Quando me virei, dei de cara com a cara animada demais de uma morena decotada e peituda.

— Lucy, bom dia!

— Para você, por que o meu está péssimo! – Enfiei a mão na mochila e peguei a bendita blusa já lavada, mas todo amassada pela secadora. – Toma.

Ela fez uma careta.

— Nossa, você é sempre mau humorada assim? E de nada. – Balançou a peça no ar.

— Sou. Que tal desistir dessa amizade logo, agora que descobriu? Te pouparia do meu humor negro.

Nha, claro que não. – Desdenhou com as mãos e me empurrou de leve no ombro. – Gosto de você.

— Que pena que eu não posso dizer o mesmo…

— Nos vemos no treino. – Piscou um olho.

De repente como chegou, ela foi embora.

Cocei a cabeça com irritação. Estou com o rabo preso com essa desgraçada, mas posso usar isso ao meu favor. Se me lembro bem, ela sabe demais sobre muita coisa…

— E por que você acha que foi isso que aconteceu aqui dentro? – Perguntei ironicamente, minha mente buscando formas de me sair daquela situação sem dar na telha.

— Ah, não faz isso não, gata. – Ela riu como se realmente achasse graça daquilo. – Uma garota bonita com umas marcas suspeitas pelo corpo, com uma camiseta rasgada, escondida dentro de um banheiro aparentemente interditado? Tenho certeza de que se já tivessem câmeras por dentro do colégio, eu viria algum carinha gostoso saindo daqui minutos antes.

Fiz cara feia.

— Oh, então era garota?

— Vai se fuder!

Puta que pariu, eu realmente não sei atuar.

— Okay, okay. – Gesticulou com as mãos, como se pedisse calma. – Há rumores de que você curte umas mina, mas você não tem cara de lésbica.

— Ah, não? – Ironizei.

— Não, não. – Sorriu de modo sacana. – Tem mais cara de menina rabugenta que gosta de fingir que acha isso repugnante, mas adora uma boa foda proibida.

Arqueei as sobrancelhas, me controlando para não voar no pescoço da filha da puta. Mas ela completou sua análise sobre minha pessoa antes que eu pudesse até mesmo revidar com palavras.

— Mais precisamente com um tal de... Natsu, talvez?

Merda, merda, merda! Como ela sabe?, era só isso que eu gritava por dentro. Mas por fora, eu ri como se tivesse ouvido a piada mais hilária do universo. Ela pode até saber que eu estava transando com alguém aqui, porém não logo com ele. Se isso se espalhar pela escola, vai ser o meu fim. Não que eu ligue para reputação, porém outras coisas mais profundas estão envolvidas.

— Você é louca? Por que você acha que eu tenho alguma coisa com Natsu Dragneel? Você por acaso sabe que tipo de relação nós temos?

Ela deu nos ombros.

— Sei que vocês se odeiam, mas isso não diz nada. Já tive boas transas com gente que desprezo e não me orgulho disso. – Fez uma expressão de nojo. – O negócio é que esse lance de vocês fica muito óbvio quando se olha para o lugar certo, sabe? Ninguém desconfia de vocês por que vivem como cão e gato por aí. Mas eu sou do tipo de pessoa que nunca descarta uma possibilidade até que se prove ao contrário. Além do mais – Cana passou por mim e entrou na cabine onde eu estava, pegando o resto da minha roupa em cima do banco. – Só conheço um cara nessa escola que teria forças pra fazer isso.

Tirei a camisa de suas mãos e desdenhei.

— Pelo jeito que fala, você o conhece muito bem. Já teve uma demonstração dessa força?

Novidade, Natsu ampliando meus conhecimentos sobre quem foram suas peguetes no colégio.

— Sim, e tive com muito prazer. – Ela se abanou sugestivamente. – Mas eu e o Natsu somos apenas amigos. Tivemos uns rolos aí, mas nada que durasse muito. Ele prefere as loiras.

O jeito que ela olhava pra mim dizia claramente: “você está em minhas mãos, vadia”. E isso me enchia de ódio. Cogitei em jogar a cabeça dela contra a parede, quem sabe não apagasse e perdesse a memória? Mas sabia que não podia machucá-la, isso iria ser mais um problema para a minha pequena lista.

— Quanto você quer? – Cruzei os braços.

— Oi?

— Quanto você quer para me deixar em paz! – Praticamente gritei. – Fala logo que eu não tenho muito tempo para perder com você.

— De novo tentando me comprar. E o certo não seria “nos” deixar em paz? – Me corrigiu. – Relaxa, eu não quero nada de você. Não extorquiria a namorada do meu amigo.

— Nós não estamos namorando.

Não foi isso que ele me disse…

Arregalei os olhos. Porra, não acredito que ele abriu o bico.

— Filho da puta, desgraçado! – Chutei uma das portas. – Eu juro que vou te matar, Dragneel.

— Ah, então vocês tem mesmo alguma coisa?

Virei minha cabeça lentamente para olhá-la, sem acreditar no que ouvia e menos ainda que eu tinha caído no truque mais antigo da história. Mal tive tempo de ter raiva de mim mesma, pois fui logo jogando a cretina na parede pelas roupas.

— Você tá querendo morrer?!

Cana não estava com medo. Pelo contrário, ela sorria.

— Agora vejo por que ele escolheu você. É um desafio. Imagino como deve ser excitante te dominar.

— Você é que parece a lésbica por aqui.

— Bom, já tive minha fase, mas passou.

Usei mais força, já perdendo a paciência.

Última chance. O que você quer?

— É muito simples, Lucy. Seja minha amiga.

Esse pedido me pegou completamente desprevenida. Apática, a soltei.

O quê?

— Por favor, não ache que eu sou uma daquelas pessoas deprimidas e solitárias, isso é tudo o que eu não sou. – Riu. – Eu apenas… Tenho um interesse particular em você. Parte por causa do Natsu. – Ela encarou minha expressão perdida. – E então, pode fazer isso?

— Mas que porra. – Me apoiei na pia.

— Acho que isso é um sim. – Cana parecia realmente feliz com aquilo, e eu não conseguia falar nada. – Espera aí, vou buscar uma roupa pra você… Amiga.

Quando ela saiu e fechou a porta, eu me dei conta na merda que eu tinha me metido. Agora, tenho mais uma amiguinha para chamar de minha. Ela também se encaixa na seção problema, coisas irritantes e confusão. Me resta fazer com que ela também seja enquadrada nas minhas fontes confiáveis. Cana é popular, fala com tudo mundo, e melhor ainda: É amiga do Natsu e é da mesma classe do Gray.

Parece que eu vou ter que aumentar minhas habilidades fraternais para conseguir intimidade suficiente e confiar na sinceridade de Cana. E algo me diz que não vai ser tão difícil, mesmo que eu ainda não vá com a cara dela.

Mas como meu pai diz… Algumas coisas você simplesmente aprende a gostar.


***

Durante a aula tive a surpresa de ser esclarecida, junto com o resto da classe, que Lissana Strauss não viria às ultimas aulas da semana. Segundo o professor, ela estaria aproveitando o irmão que havia chegado de viagem.

Isso me fez pensar que ainda tinha assuntos pendentes com ela, e que também tinha que descobrir qual sua relação com o Sting. Meu irmão veio junto com essas pendências, por que segundo ele, a vinda do mais velhos dos Strauss era o motivo de seu distanciamento. Vi Elfman poucas vezes, e nunca realmente soube por que ele e meu irmão não se dão bem. Outra coisa não explicada na minha vida.

No intervalo, Dragneel resolveu me encher enquanto eu colocava meu almoço.

— Desde quando você e a Cana são amigas? – Perguntou casualmente, passando sua bandeja pela esteira.

Peguei um garfo e tentei cravá-lo em sua mão, mas infelizmente ele foi mais rápido e desviou.

— Ei, tá maluca? – Exclamou, levando a mão até si como se tivesse sido machucada. – Não danifique meu objeto de trabalho.

Punheteiro?— Alfinetei e ele fez cara feia. – Ah, que é isso. Eu sabia que você ia desviar mesmo.

— A cada dia que passa, você fica mais doida. – Coloquei mais uma colher de purê de batata abruptamente no prato. Ignorando minha irritação, ainda insistiu: – Então?

Me virei, apontando o garfo para ele.

— Na verdade, eu queria mesmo é enfiar isso aqui nos seus olhos. Por que sua amiguinha sabe de tudo. Sobre nós. — Sussurrei a última parte. – Parece que alguém não consegue conter a boca nervosa.

— Eu não falei nada! – Se defendeu. – Mas a Cana é muito esperta, ela meio que pressente as coisas. – Ele se remexeu, como se estivesse arrepiado. – É bizarro.

— Que seja. – Desdenhei, até vê-lo colocar mais comida… No meu prato! Puxei-o para longe. – Ei! O que está fazendo?

Ele sorriu.

— Você precisa comer e eu estou ajudando. Afinal, bem que eu gostaria de ver você com um pouco mais de carne. – Quando ia retrucar, ele apontou com o queixo para uma das mesas do refeitório. Aquarius nos olhava fixamente. – A demônia está de olho. E não faça essa cara, eu também entrei nessa dieta.

Estreitei os olhos debilmente.

— Espero que tenha dor de barriga.

Quando fui procurar uma mesa vazia, vi Juvia acenando para mim, sentada sozinha no canto. Dragneel foi para junto de seus parceiros, e como Juvia mesmo havia dito, Gray estava afastado. Comendo sozinho na bancada.

— Lá está o lobo solitário. – Suspirei. – Nunca achei que veria o Gray assim.

Juvia estava com as sobrancelhas tão contraídas que parecia estar tentando soltar laser pelos olhos.

— Eu queria mesmo era ir lá e estapear a cara dele até que me conte tudo.

— Acho que você está andando muito comigo. – Ri. – Mesmo que eu não goste, devemos ser frias e procurar outros meios de descobrir o que está acontecendo. Uma investida direta só faria ele se distanciar mais.

Suspirou, voltando a mexer no seu prato.

— Tem razão. Mas o que você queria me contar?

— A Levy me contou que viu o Gajeel. – Falei de boca cheia.

Juvia fez uma careta confusa.

— Sério? Mas isso não é perigoso?

Agora que estava a par de toda a história, que eu contei ontem na volta para casa, eu podia falar sobre minhas suspeitas com ela. Mas não tudo.

— Com certeza é. Ele pode ter ido só para sondar a Levy, mas a questão é que eu estou pensando em outra coisa… Já que ele estava de olho na mãe dela.

— Na mãe da Levy? Meu Deus, será que…

— Não, não. – Cortei seu raciocínio. – Não acho que seja isso. A tia Maggie é uma pessoa simples.

— Tem razão. – Juvia concordou. – Agora que você falou, eu percebi uma coisa. A Sra. Olietta não é a primeira mulher rica e poderosa que o Gray faz… Favores. – Falou como se quisesse vomitar. – Minha “tia”, a mãe da Kinnana, é advogada. E também tem várias outras…

— Eu realmente não estou entendendo aonde você quer chegar.

Do nada, ela bateu a mão na mesa.

— É isso!

Me encolhi. Será que é assim que as pessoas se sentem quando eu tenho um chilique?

— Juvia, fica calma.

É um álibi, Lucy. – Exclamou, seu sorriso parecia insano. – Se eles se chegam nas filhas visando as mães, provavelmente também foi isso que o Gajeel fez com a Levy!

Fiquei confusa.

— Mas se isso é mesmo verdade, o que raios ele iria querer com a mãe da Levy?

Assim que terminei a pergunta, me senti idiota. É claro! Os pais da Levy estavam se separando por causa de alguma coisa misteriosa, e depois do que ela disse ter visto quando era criança… Tudo está ligado! Após o pai da Levy morrer num acidente, só sobrou a mãe dela. Que provavelmente sabe de algo. Entretanto, ainda faltam algumas peças no quebra cabeça para que ele faça sentido.

— O que foi? – Perguntou ao ver minha expressão. – Você está com cara de ligou alguma coisa…

— De certa forma foi, mas quero ter certeza de algumas coisas antes. – Peguei em seu ombro. – Pode ficar de olho no Gray?

— Sinceramente, você nem precisa pedir isso.

— Eu sei, mas… Eu quero mesmo que você veja se ele não tem, ou vai fazer, alguma tatuagem suspeita.

— Você acha…

— Sim, acho. – Respondi, a acompanhando na careta de aflição. – Gajeel e Gray estão juntos, mas não sozinhos. Estão trabalhando para alguém, e eu vou descobrir quem!

— Você não vai atrás do Gajeel sozinha, vai? Sei que estou na mesma situação, mas pelo que vejo esse cara é muito mais perigoso. O Gray parece mais um pau mandado para serviços pequenos e humilhantes, o cara “dispensável”.

A encarei, surpresa. Juvia pode ser má com as palavras às vezes.

— É claro que eu vou. Eu prometi.

— Prometeu a quem?

Merda, falei demais.

— Esquece isso. – Olhei ao redor. – Agora vamos comer antes que a Aquarius venha até aqui e enfie a comida na nossa garganta.

Continuei o almoço em silêncio, pensando na tal promessa.

Prometi a Erza que encontraria a ligação do Jellal com esse cara, como também prometi manter em segredo a doença e tudo que a envolvia. Apenas por ter ouvido o nome do dito cujo, a mente já instável do Jellal teve uma quebra.

Nunca tinha visto a Erza tão aflita e temerosa como naquele dia. Com medo de que quando Jellal acordasse, ele não fosse mais a mesma pessoa.

— Não entendi o que você quis dizer com isso. – Fui sincera. – Você está com medo de que ele acorde mudado, é isso?

Ela balançou a cabeça, tomando um gole do café.

— Não, Lucy. Não é nada disso. Quando eu digo outra pessoa, é literalmente. Você realmente não sabe do que se trata a TDP?

Mordi o lábio.

— Não gosto muito dessas paradas psicológicas, já bastam as minhas com as quais eu tenho que lidar.

Erza respirou fundo.

— É como se fosse ter várias pessoas diferentes dentro de você, mas você não se dá conta disso sozinho. Pelo menos não logo. – Quando ela me olhou nos olhos, senti o quanto era sofrido para ela até mesmo falar sobre isso. – Imagine que depois de algum trauma, por menor que seja, físico ou psicológico, sua personalidade seja trocada. Mas não de um forma tão simples como gostos diferentes ou maneira de falar. E sim um outro alguém, com outro nome e que não se lembra de absolutamente nada de seu outro eu. Isso não tem cura, Lucy.

Engoli em seco.

— Nossa, que complicado. – Disse, sem saber o que falar. – Mas a pessoa não se dá conta da perda de memória?

— Ás vezes, sim. Mas tem casos em que a outra personalidade toma conta como se nada tivesse acontecido.

— Eu nem imagino o quanto isso deve ser difícil para alguém… – Toquei suas costas quando ela concordou de cabeça baixa. – E principalmente para as pessoas ao redor.

— É por isso que eu acreditei nele quando me disse que não se lembrava de nada do que tinha feito naquela festa. Mesmo que eu tivesse surtado assim que vi. Eu juntei as peças e logo depois descobri sobre a doença. Você presenciou junto comigo uma parte dela naquele dia.

Fiz que sim com a cabeça. O Jellal que encontramos com três garotas no quarto, era um Jellal completamente diferente. Debochado, irritante e obsceno. Eu pensei que aquilo era somente ele mostrando as verdadeiras garras, mas me enganei.

— Como você descobriu? – Perguntei, e ela me olhou espantada. – Não precisa falar se não quiser, é que às vezes botar para fora é melhor.

— Você está certa. – Concordou, jogando o copo vazio na lixeira ao lado. – Eu descobri quando ele veio me pedir perdão, alguns dias depois de eu tê-lo surrado.

Ela teria o matado se eu não estivesse lá, pensei, dando graças a mim.

— Ele estava normal quando apareceu. Chorava, parecia realmente arrependido, mas eu estava magoada demais para ouvir. Discutimos feio e eu disse coisas horríveis. Foi quando ele mudou completamente. Começou a me rebater com frieza, revidava de modo irritantemente racional tudo o que eu falava. Era loucura! Pirei e joguei água na cara dele, foi quando ele voltou ao normal.

Fiquei chocada enquanto imaginava a cena.

— Que horror.

— Ele quis fingir que nada tinha acontecido, mas eu percebi que ele ficou abalado com aquilo. Me recordei de outros reflexos esquisitos que ele tinha perto de mim, nada muito gritante, mas foi o suficiente para que eu entendesse. Aquilo não era culpa dele, então decidi que meu amor seria mais forte que aquilo. Eu… Estava disposta a passar por isso com ele, mas…

— Mas…? – Instiguei.

— Mas acabou sendo mais difícil do que eu pensei!

Quando ela levantou a cabeça, estava chorando. Por dentro, fiquei em pânico. Eu nunca sei consolar as pessoas.

— Ele não tinha tido mais recaídas, o que me deu uma falsa sensação de segurança. Até o dia em que de repente, aconteceu. Foi tão inesperado e ao mesmo tempo tão insignificante, que aquilo me apavorou.

Eu mal podia acreditar que a Erza estava chorando na minha frente.

— Eu fiquei com muito medo, Lucy. Quando eu acordei e vi ele olhando para mim, eu percebi que aquele não era o Jellal. Não era o meu Jellal. Era uma pessoa completamente desconhecida. E o pior de tudo: Eu descobri que tinha medo dela.

Nem precisei me esforçar muito para fazer alguma coisa por ela. Erza que se jogou no meu colo e chorou por vários minutos. Nunca a havia visto tão vulnerável. Minha amiga, a mãe de todos, a que sempre dá bronca, a que sempre está certa. A inabalável. Estava completamente frágil.

— Você tem que me ajudar, Lucy. – Ela me olhou com súplica, o rosto vermelho pelo choro. – Eu já tinha visto o Gajeel antes, com a Levy. E assim como você, soube que havia algo de errado com ele. Mas agora, depois do Jellal ter uma recaída só de ouvir o nome dele, eu não sei o que fazer. Está fora do meu alcance. Preciso ficar do lado dele nesse momento.

— Acha que o Jellal o conheceu e se esqueceu disso? – Perguntei, acariciando sua cabeça.

— É o mais provável. E eu realmente não sei o que ele faz quando está longe de mim. Se ele assume outra personalidade e vive outra vida.

Fiquei abalada. Isso é pesado, muito pesado.

— Eu vou fazer de tudo para descobrir, Erza. Pode deixar comigo.

— Me prometa duas coisas. – Ela se levantou e segurou minha mão. – Que não vai contar a ninguém sobre o Jellal e que não vai se por em perigo. Ao primeiro sinal de insegurança, fuja e não olhe para trás. Não sabemos com quem estamos lidando.

Quando balancei a cabeça, concordando, ela me abraçou e agradeceu. Entretanto, eu sabia que a última impossível de ser prometida. Por que eu não descansarei até saber de toda a verdade.

Gajeel Redfox, quem te fez cruzar nossos destinos?

Notas finais
Muitos babados de uma vez. E então? As coisas estão começando a fazer sentido? ¬u¬ Beijos da Annie!