Just Sex
4 Três – Aula de natação, parte 1: Aquecimento.
Notas iniciais
Mas olhem só que milagre, hoje tomei um café da manhã decente. Acho que porque, incrivelmente hoje foi um dos raros dias em que não tive pesadelos. Então dormi bem, acordei na hora certa e comi como uma jovem adolescente normal.
Não, esqueça o normal.
Mas sei que tudo isso é uma ilusão. Talvez porque os deuses sabem que hoje o dia vai ser difícil para mim, tenham aliviado um pouco minha barra. Tenho que enfrentar as meninas e principalmente a Erza. Por causa de ontem. É a calmaria antes da desgraça. E algo me diz que não para por aí.
Chego cedo no inferno, mas não tanto quanto ontem. As criaturinhas saltitam como cabras para lá e para cá, no meio do pátio. Não sei como esse povo pode ter tanta animação pela manhã. Chega a ser irritante.
Porém, mais irritante ainda é o ato involuntário que tenho de procurar aquele desgraçado assim que ponho os pés aqui dentro. Eu sou masoquista, ou o que? Pelo menos nem ele e sua trupe está por aqui, por isso vou andando diretamente para o prédio. E se ele estivesse, o que eu faria? Obviamente, esperaria ele notar minha presença, o que sempre acontece. Pelo menos acho que não sou apenas eu que faço isso. Não existe relação mais bizarra que a nossa.
Quando chego aos degraus de entrada, me deparo com Erza, Levy e Juvia. Eita, que é agora. Pronuncio-me quando chego até elas:
– Olha, meninas. Eu...
– Nós te desculpamos, Lu-chan. – Levy me interrompe, toda sorrisos.
Fico sem palavras. Mas o quê? Quem disse que ia me desculpar?
– Eu não ia pedir desculpas! – Rebato, como se ela fosse louca. Na verdade, acho que ela é mesmo.
– A gente sabe que sim. – completa Erza.
Olho pasma para as duas.
– Quem disse isso a vocês? Porque acham que eu pediria desculpas?
– Nem precisa dizer, te conhecemos.
Ah, mas não conhecem mesmo.
– Eu, ein. Vocês andaram lambendo sabão?
– Tudo bem, Lu. – Levy diz, e em seguida as duas me abraçam. – Te desculpamos.
Fodeu.
– Vocês duas estão malucas. – digo, depois que elas me soltam do abraço onde fiquei totalmente apática. – Não poderia pedir desculpas, porque não fiz nada de errado. E não pensem que com isso vão me amolecer, continuo não concordo com o caso mafioso de vocês.
– Mafioso? – Levy indaga, incrédula. Em seguida, bate na própria testa. – Olha, Lu-chan. Você não tem que concordar com nada. Porque se for assim, também não concordo com o jeito que você trata o Natsu.
Sempre batendo nessa tecla, argh!
– Nem vem! Isso é completamente diferente.
– Não é, não. – Erza se intromete. – Não venha medir problemas, porque cada um tem o seu e reage do seu jeito. Se quer que te respeitemos, nos respeite também.
Olho raivosa para as duas, mas desisto de tentar. Respiro fundo.
– Tudo bem, façam o que quiserem. – desdenho com as mãos. – Só não digam que não avisei, e nem venham chorar para o meu lado quando vocês se foderem com esses caras.
Levy arregala os olhos e Erza suspira, balançando a cabeça de olhos fechados. Agora pronto, estou sendo julgada por falar a verdade!
– Isso dói, Lu-chan. – diz Levy. – Nem sei porque ainda me impressiono com você. Mas a única coisa que me conforta, é que vou te fazer pagar com a língua.
– Deixa, Levy. – Erza me olha ameaçadoramente. – Deixa só o tempo agir. Um dia, essas mesmas palavras voltaram contra ela.
Olho entediada para as duas.
– Se isso é algum tipo de praga, pode esquecer – Gesticulo com as mãos. – Já tenho tantas nas costas que a fila está tão grande, de modo que ficou difícil para as forças do mal porem os trabalhos em dia. Talvez daqui a cinquenta anos isso se concretize.
– Tagarela como sempre. – Gray surge ao meu lado no meio da conversa.
– De onde tu surgiu, criatura?
– Acabei de chegar.
– Oi, Gray. – Dizem Erza e Levy. Só então me lembro de que Juvia também está aqui, e olho para ela esperando que se pronuncie. Mas isso não acontece, e ela apenas abaixa a cabeça.
– Oi meninas. Juvia.
Opaaaa! Senti um clima, ele a cumprimentou separadamente. Muito suspeito, ainda mais porque ela nem se quer o olhou, apenas balançou a cabeça.
Que porra está acontecendo? Cadê aquela Juvia stalker e apaixonada?
Antes que eu possa falar qualquer coisa, o sinal toca.
– Vou indo na frente! – Grita Gray, que rapidamente some pelos corredores.
– Todos estão agindo mais bizarramente que o normal... – Comento, me dirigindo a sala. Mais um dia tedioso e...
– Onde pensa que vai?
Erza me puxa antes que eu chegue à porta, fazendo-me andar ao seu lado.
– Indo para sala, ué. Não me diga que a certinha da classe está me chamando para furar aula?
– Claro que não sua idiota, esqueceu qual a primeira aula de hoje?
Fico confusa.
– Alzheimer?
– Ah, Lu-chan. Hoje é a avaliação de natação com todos os terceiros anos.
Puta. Que. Pariu.
– Ai, caralho. Tinha me esquecido dessa desgraça! Oh, meu bom Zeus. Não quero usar aquele maiô ridículo. – balanço a cabeça e esfrego os braços para espantar os arrepios. É muita humilhação. — Espera aí, você disse terceiros anos?
– Sim.
– Como assim? Não é só o nosso?
– Claro que não. Vão ser todos ao mesmo tempo, de modo que vai tomar todo o primeiro tempo das aulas de hoje.
Choramingo mentalmente. Será que dá pra ficar pior?
***
Esqueça o que eu disse. Tudo sempre pode ficar pior.
– Pelos sete infernos! Eu juro que depois de hoje, serei presa.
– Calma, Lu-chan.
– Calma uma pinóia! Pegue sua calma, e enfie você sabe onde!
Porque toda essa alegria? Simples, porque a porra do maiô é pequeno demais para mim, fazendo com que pareça que meus peitos querem pular para fora.
– Droga. Mil vezes droga.
– Deixa de escândalos, Lucy. – diz Erza, com desdém.
Olho para ela, que coube perfeitamente no traje de banho azul escuro. Estamos sozinhas no vestiário, quando todas as outras garotas já estão lá fora. Se bem que eu as espantei mesmo.
– Você diz isso porque não está no meu lugar! Que macumba foi essa? Seus peitos são maiores que os meus!
Ela joga uma touca na minha cara.
– Isso é culpa sua, quem manda nunca fazer educação física? Eu pedi para fazerem do meu tamanho.
– A Aquarius-sensei não vai te deixar nadar assim. – Juvia me dirige a palavra pela primeira vez do dia. – Além do mais, vai atrapalhar. Diminui a velocidade se não... Estiver tudo no lugar.
– O que quer que eu faça? – Ralho por seu comentário. – Eu bem que não queria fazer essa porcaria, mas se eu não for, reprovarei de ano.
– Toma. – ela diz, e fico confusa até que me estende um outro traje. – Temos o mesmo corpo e estava no meu armário, então...
Nossa, não sei se fico surpresa ou assustada. Pego a roupa de suas mãos.
– Valeu, eu acho...
– Não tem de quê.
Vou para uma das cabines me trocar e fico pensando no quanto Juvia está estranha. Algo aconteceu e eu vou descobrir o que é.
Quando saímos, vemos várias filas enormes, separadas entre as duas piscinas. Uma para os meninos e outra para as meninas. Como cada uma tem espaço para oito nadadores, consequentemente há oito filas em cada. Lá do outro lado podemos ver os escravos voluntários da vez que Aquarius arrumou para cronometrar nossos tempos.
Ai, eu mereço.
Enquanto andamos em direção a fila, sinto todos os olhares sobre mim. Puta merda, sou a porra do centro das atenções agora. Passo as mãos roupa colada, tendo consciência de que está tudo no lugar. Nada de fio dental ou decotes saltadores. As garotas cochicham e olham pra mim, provavelmente procurando algum defeito no meu corpo. Desprezível. Já os garotos do outro lado parecem não ter me notado no meio de tantas outras com toucas e maiôs iguais. Ótimo, melhor assim.
Mas assim que me enfio numa fila qualquer, sinto um olhar sobre mim. O que é meio ridículo por que tem muitos olhares em mim agora! Olho para o lado e quem está lá? Ah, claro que só podia ser o cabeça de algodão doce. Não sei por que ainda acho esquisito essa estranha capacidade que tenho de perceber quando estou sendo observada por ele. Dragneel me olha com uma face satisfeita, como se suas imaginações sobre meu corpo estivessem mais que certas. Tarado.
Mas, cara. Porque fui olhar pra baixo mesmo? Alguns garotos por ali ficam totalmente ridículos com aquela sunga. Mas ele não. Os músculos de seu tórax eu já conheço bem, mas e aquelas pernas torneadas? E a bunda! Não, é demais pra mim. Sinto meu corpo esquentar e chego a conclusão de que nem preciso me aquecer, de tanto calor que sinto agora.
Acho que fiquei o olhando como uma idiota, já que ele exibe o típico sorrisinho sacana. Imbecil.
Mostro o dedo do meio e ele pisca para mim.
Argh!
– Filho da puta.
– Fica calma, Lucy-san.
Praticamente dou um salto quando escuto a voz de Juvia perto do meu ouvido. Olho para trás assustada, mas perco a fala quando ela me empurra bruscamente por consequência de ter sido empurrada também. Fecho a cara e olho de cara feia para as outras atrás dela, que fingem não me notar.
– Desde quando está aqui, pessoa esquisita? – digo, ainda surpresa. É impressão minha ou ela está me seguindo?
Juvia sorri torto e esfrega as mãos estendidas na frente do corpo.
– Eu queria... Conversar com você.
Está bem, essa me pegou de surpresa. Mas não demonstrei isso. Mas só se considerar abrir a boca escandalosamente um ato de discrição.
– Nossa. Confesso que não esperava por essa. – Andamos mais um pouco na fila, dessa vez normalmente. Ao longe posso ouvir os apitos soando e a gritaria de Aquarius, que nos incentiva carinhosamente nos chamando de lesmas e derivados. – Mas então, sobre o que é?
Ela parece ficar envergonhada, porque cora um pouco e olha para o lado. Mas percebo que seus olhos estão marejados.
Então eu tenho um estalo.
– Ah, nem precisa me dizer o que é. É sobre o Gray, não é? – Ela me olha assustada, mas ainda assim balança a cabeça. – Só que... Na boa? Porque logo comigo? Convenhamos que, eu sou a última pessoa que poderia te dar conselhos, ainda mais amorosos. Humpf. – reviro os olhos. Se me perguntarem como agir em algo, vou aconselhar que cuspam um "foda-se" ou partam para porrada, não importando qual seja a situação. – E cá entre nós, você me odeia.
Ela parece horrorizada.
– Isso não é verdade!
Arqueio minhas sobrancelhas. Ela não pode estar falando sério!
– Tudo bem, eu agi de modo terrível com você desde o início. – Admite, num suspiro. – Mas é que eu tinha ciúmes... Uma coisa idiota, sei lá.
– Espera aí, "tinha"? – fico surpresa. – Agora não tem mais? O que diabos aconteceu entre você e o Gray?
– É exatamente isso que quero conversar. – dá uma pausa para respirar fundo. – Não é nada demais, é que eu só... Não consigo entendê-lo. – Me olha com súplica, como se eu fosse a solução para tudo. Eu, ein.
– Não olha pra mim não, minha filha. Eu nem me entendo, quanto mais os outros.
– Eu sei, mas...
A voz de Juvia ficou distante quando olhei casualmente para o outro lado. Dragneel continua a me analisar com a mesma intensidade. Seus olhos faíscam e eu sinto uma mistura de raiva, excitação, negação... Tudo ao mesmo tempo. Raiva por ele ainda ter a cara de pau de demonstrar que quer apenas o que há no meio de minhas pernas. Excitação pelo meu ventre que queima como uma fornalha toda a vez que me encontro com aquele par de ônix densos e misteriosos que são seus olhos. E, por último, o sentimento de negação que tenho a isso tudo. Tenho ciência de que o que sinto é real, tão concreto que se demonstra com sinais no meu corpo. Mas, eu simplesmente não aceito sentir isso. Não devo, não quero, ao mesmo tempo em que sim.
Eu desejo... mais. E isso é tão forte, que tenho vontade de bater minha cabeça milhares de vezes na parede para ver se essa coisa que está impregnada em mim me deixa em paz. Cruzes, estou cheia de encostos.
–... E eu também queria me desculpar. – Ouço Juvia dizer alguma coisa, interrompendo meu raciocínio.
– O que disse? – pergunto, ainda sem parar de olhá-lo. Não sei com que cara devo estar agora, mas deve ser algo muito instigante pra ele passar a língua tão sensualmente pelos lábios como esta fazendo agora. Só então percebo que estou mordendo o lábio e cruzando as pernas.
Merda. Remexo-me inquieta. Estou molhada! Ainda bem que vamos entrar na água daqui a pouco.
– Eu disse várias coisas. – Juvia suspira. – Mas o que importa é que quero pedir desculpas a você. – Arqueio as sobrancelhas. – Eu sei que você e o Gray são apenas amigos, por isso agi de modo incorreto.
Respiro fundo.
– Bem. Você nunca fez nada de mais, só era irritante mesmo. – faço uma careta. – Mas, queira ou não, nos conhecemos há anos e por isso de certa forma me importo com você, mesmo que não pareça. – O que diabos estou dizendo? – E, me parece que está pedindo algum tipo de ajuda. Eu não sei se serei de grande coisa, mas se é sobre o Gray, posso te ajudar em algo. Mas antes, preciso saber o que diabos aconteceu entre vocês.
Ela parece ficar desconfortável e coça a sobrancelha enquanto olha para o lado.
– É complicado... Mas eu te contarei, sim. Você é a melhor amiga dele, com certeza poderá me ajudar.
– Tudo bem, me chama pra conversar qualquer dia.
Juvia nada diz, apenas sorri para mim e balança a cabeça. Enquanto chegamos mais perto da nossa vez, um burburinho se forma do lado dos garotos. Tendo esquecido momentaneamente do maldito, olho novamente para lá e vejo os garotos ao seu redor rirem de alguma coisa. Ele olha para mim, mas sua expressão está estranha... Eu diria que até cômica. Fico sem entender até que o treinador dele sai de perto da piscina e vai até lá, apenas para gritar em sua face coisas que não escuto direito, mas que pude ouvir a palavra "pervertido" no meio.
Não acredito!
Desço os olhos pelo seu corpo e percebo que ele está cobrindo o seu "colega" com as mãos. Os outros idiotas zombam dele, enquanto o mesmo se mantém com uma cara de poucos amigos.
Começo a gargalhar no mesmo instante, uma gargalhada daquelas que vem do fundo da garganta. Ai, meu bom Zeus.
Ele teve uma ereção!
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