Just Sex
16 Quinze – Proposta indecente, parte 1: Contrato.
Notas iniciais
Meu primeiro pensamento da manhã é a revelação que Laxus me fez ontem à noite.
Eu havia sido traída de novo? Pelo o quê? Por quem? Por mim mesma?
Cara... Eu até chorei. Ainda não consigo acreditar nisso, mas sei que tenho me esforçar para lembrar. A única coisa que me recordo é de que estava chovendo fracamente em meu rosto naquela noite. Só que depois do que o Loke e o Laxus me contaram, o que eu senti não foi nada mais que minhas próprias lágrimas molhando minha face. Mas por quê? Porque eu chorava? Quem eu vi, ou o que ouvi?
Droga de cérebro perturbado, devolva minhas memórias!
– Filha, você está bem? – Mamãe me pergunta com uma careta engraçada. Pisco um par de vezes quando ela senta ao me lado à mesa da cozinha e pega uma torrada onde passa geléia. – Você parecia encarar a cesta de pão como se quisesse que ela explodisse!
Desligo-me dos pensamentos anteriores e sorrio sem graça, limpando o farelo de bolo das pontas dos dedos.
– Eu só estou um pouco confusa com umas coisas que aconteceram comigo.
Quando ela fica calada e para a xícara de chá no ar, sei que espera que eu fale algo. Mamãe está sempre na expectativa de que eu conte meus segredos a ela, como melhores amigas. Sendo que eu não faço isso nem comigo mesma! Não é nada pessoal.
Acabo falando a verdade, omitindo algumas partes:
– É sobre o dia que tomei aquela injeção maluca. – Seu rosto se suaviza rapidamente quando ela exclama um "ah!". – Não consigo lembrar de nada.
– Não se preocupe, meu bem. São efeitos do remédio. Uma vez tomei uma para do nas costas e, numa hora estava caminhando até o carro, no segundo seguinte abri os olhos de volta no hospital.
– Deve ser isso mesmo. – Concordo com ela, mesmo algo dentro de mim dizendo que não é. Mudo de assunto: – Onde está papai e o Laxus?
– Seu irmão foi dormir com a Mira e ainda não voltou, já seu pai foi trabalhar.
– Sério? Isso é raro.
Papai saiu de casa para trabalhar? Isso sim é uma surpresa, mamãe parece até estar tensa com isso. Acostumada com o coroa dela em casa, já que a senhora Layla não trabalha desde que eu nasci. Segundo ela, teve filhos o suficiente para se aposentar mais cedo, o que me faz rir. Agora ela só curte a vida depois de deixar a empresa herdada de vovô para a minha tia. Diz ela, que se é mais feliz com pouco dinheiro. É uma coisa que admiro em mamãe.
Deixo a louça que sujei na pia e coloco minha mochila nas costas, pronta para ir ao o bordel que se chama escola. De certa forma, me sinto ansiosa em encontrar Dragneel depois do que fiz o ontem.
– Vou indo.
– Boa aula. – Ela se levanta da cadeira para me beijar no rosto, o que faz com que eu fique um pouco intrigada.
Mamãe sabe que não curto muito demonstrações de afeto, ainda por cima beijos. Mas ela parece ansiosa para alguma coisa, e isso está me deixando nervosa. Beijo seu rosto também, e ela sorri para mim antes de ir para a pia.
Penso em tudo o que aconteceu essa semana. Não é nessas horas que a filha abre o jogo com a mãe, e as duas passam a trocar experiências?
Engulo em seco.
– Mãe?
– Oi. – Ela se vira para mim de imediato, a expectativa é clara em seu olhar. – Você quer me dizer alguma coisa?
Ela sabe. Mas, não tem como ela saber realmente. Mamãe apenas... sente. Só que ainda não sou capaz de compartilhar isso com alguém.
Desculpe, mamãe...
– Nada não. Até mais tarde.
Droga, Lucy. Você é uma bosta.
***
Assim que passo pelos portões, lembro que tenho de tirar satisfações com uma certa albina que não tem medo de morrer. O grupo dos badboys e atletas – ou badboys atletas –, está reunido desleixadamente aos pés da escadaria, mas Dragneel não está no meio deles como sempre.
Dou nos ombros e sigo pelos corredores, onde encontro Erza remexendo em seu armário.
– Lucy.
– Oi, ruiva.
– Como foi o trabalho com Natsu?
Acho que empalideci. Droga, o que vou dizer? Tudo, menos que transamos loucamente até o amanhecer.
– Absolutamente insuportável. – Respondo com minha careta mais azeda. – Não sei como não morri de tanto tédio, além de querer socar sua cara a cada minuto que se passava.
Essa última parte é até verdade.
Erza suspira pesadamente.
– Vocês não têm jeito mesmo. – Minha expressão continua a mesma até ela dizer: – Mas fora isso, conseguiu falar com a Levy?
Ai, cacete. Esqueci completamente da Levy! Mas, espera...
– Como assim? Você não está conseguindo falar com ela?
– Não. – Ela faz uma cara preocupada. – Desde sexta, ligo, ligo e só dá caixa postal.
Isso não está me cheirando bem. Sinto que vou ter dor de cabeça e preocupações.
– Enfim, vai tentando você também com seu celular. – Retira uns papéis do armário e o fecha em seguida. – Preciso ir à coordenação entregar a ficha dos alunos que querem participar das Olimpíadas desse ano.
– Mais trouxas que vão desistir no treinamento. – Reviro os olhos quando ela me olha da cara feia. – Enfim, vou tentar ligar para ela.
Faço o caminho até a classe digitando no celular o número de Levy. A ligação cai instantaneamente na caixa de mensagens.
– Droga, Levy. Onde você se meteu?
– Aconteceu alguma coisa com a Levy?
Juvia me olha de modo preocupado, sentada em sua carteira. Ela parece abatida, com olheiras embaixo dos olhos aos quais tentou esconder com maquiagem, mas a situação está crítica. Pelo seu semblante, ela finge que nada está acontecendo, mas sinto um dedo de Gray nisso.
– Ela sumiu desde sexta com aquele namorado metaleiro dela! – Exclamo exaltada, jogando a mochila sobre a cadeira antes de me sentar no apoio desta. – Olhe, eu não sei o que farei com aquele desgraçado se algo tiver acontecido a ela.
– Espero que ela esteja bem...
Juvia está em outro mundo. Seu corpo está aqui, mas sua mente voa longe. O que será que aconteceu?
– E com você, o que houve? – Ela sai do mundo da lua e me olha com uma expressão confusa. – Você e o Gray.
– Shiu. – Arqueio as sobrancelhas quando ela põe o dedo nos lábios e olha ao redor. Ela está me mandando calar a boca? – Aqui não é o melhor lugar para conversarmos.
– Você está começando a me deixar nervosa... – E com raiva.
– Quarta-feira. – Ela diz. – Quarta nos encontramos depois da aula. Não adianta eu falar, você tem que ver o que eu vi.
O que diabos o Gray está fazendo?
– Certo... – Digo em resposta, sem ter mais o que falar. Juvia parece meio... Psicótica e isso me deixa uma pilha.
– Assunto encerrado, a Erza está entrando. – Juvia se acomoda na cadeira ao dizer, então vejo a ruiva entrar na sala.
– Ela não pode saber?
– Ainda não, quero falar apenas quando tiver certeza.
– Bom dia, Ju. – Erza a cumprimenta, mas logo muda sua expressão quando sente o clima estranho. – Está tudo bem?
– Estamos preocupadas com a Levy. – Trato em dizer rapidamente.
Ela parece engolir a desculpa.
– Eu também. Vamos continuar tentando, qualquer coisa passamos na casa dela no final da aula.
A professora de Português entra na sala e logo todos vão para seus devidos lugares. Olho para carteira vazia mais a frente. Será que ele não vem hoje?
– Com licença, professora.
Arqueio as sobrancelhas. É só falar no diabo, que ele aparece.
– Está atrasado, senhor Dragneel. – reclama a professora.
Ele nada diz e senta em seu lugar, mas não antes de olhar para mim de um modo estanho. Sorrio diabolicamente para ele, que não esboça reação alguma e, com um olhar distante, passa a prestar atenção na aula.
Okay, isso foi estranho até demais. A pantera cor-de-rosa parece abatida, seu semblante está... Desgastado. Não é possível que eu fiz isso tudo! Ou será que fiz...?
Balanço a cabeça. Não, provavelmente o nojento esteve com outras mulheres depois que saí, sei que isso é o que não falta em sua lista telefônica. Basta apenas um toque.
Que seja. Estava até receosa com uma suposta vingança vinda dele, mas agora posso ficar tranquila. Percebo que Lissana também não veio hoje. E mesmo eu tendo assuntos a tratar com ela, fico feliz por não ter que ver sua cara feia.
Talvez hoje seja meu dia de sorte.
***
As horas passaram rápidas e já estamos na última aula, que foi reservada para a inscrição e classificação de alunos a participar das Olímpiadas Escolares. Fui obrigada a vestir o uniforme ridículo de Educação Física: Uma regata branca super transparente e um micro short de lycra azul. Estamos separados por sexo em filas, com alunos do ensino médio ocupando um espaço considerável no Ginásio. Nem preciso dizer que estão cochichando a meu respeito. E para completar, os alunos do primeiro e segundo ano me olham com algum tipo de fascínio. Eu, ein.
Mas por dentro, me sinto aliviada por estar com a depilação em dia nas pernas.
– Próximo!
Vejo Dragneel ao longe, sendo atendido por um dos coordenadores. Ele não olhou para mim o dia todo, e não foi porque não me viu. Ele está me evitando. Isso é tão ridículo que tenho vontade de rir, mas admito que também é intrigante.
Observo quando ela vai até a parte de trás da bancada para ser testado fisicamente para definir sua classificação. Seu rosto está sério enquanto ele prática alguns exercícios aeróbicos pesados e me sinto nostálgica ao ver suas coxas torneadas desnudas com o short do uniforme. Às vezes ainda não acredito que toquei nelas... E em outros lugares também.
Depois de terminar, se apresenta ofegante e suado ao coordenador, que sorri e carimba sua ficha, fazendo com que ele comemorasse com os colegas de time que esperam sua vez.
Assim como eu, Dragneel faz parte da equipe de atletas da escola, mas isso não quer dizer que ele não deva ser testado para provar que está apto a cumprir seu papel. Quem quiser participar, deverá preencher uma ficha escolhendo sua modalidade, sendo testado aqui e, dependendo do resultado, poderá receber um treinamento especial para alcançar os padrões, ou seguir direto para o treinamento oficial. Como capitão do time de basquete, ele tem que ter boa resistência, além de receber a avaliação psicológica que é feita com os líderes. Lógico que ele não precisa de um treinamento especial, assim como eu, a Ezra e Juvia, já que somos mais experientes.
Lembro-me que justamente por isso somos líderes de nossas categorias e que, consequentemente, terei que fazer avaliação psicológica também. Droga, eu odeio isso. Ano passado não deu muito certo...
– Próximo. – Diz uma voz azeda. É a minha vez, por isso dou um passo à frente até Aquarius. Porque, lógico, eu tinha que ficar na fila dela!
– Lucy Heartfilia. – Me apresento educadamente, para seu espanto. Ela para de assinar alguns papéis e me olha desconfiada.
– Lucy. Se está doente, não poderá ser avaliada.
Reviro os olhos.
– Menos, Aquarius. Vamos acabar logo com isso, o resultado é sempre o mesmo de qualquer forma.
– E voltou a ignorância. – Quase gargalho com isso. Mas olha só quem fala, o poço de delicadeza. – Só não seja exibida, Lucy. Só porque está em forma não significa que não pode ser reprovada. Testes primeiro, respostas depois.
Com uma expressão desdenhosa, começo a fazer os exercícios. Pular corda, flexões, abdominais e por último um teste de peso. Como minha categoria é artes marciais, tenho que fazer coisas mais pesadas. Consegui levantar 50kg em cada braço por 37 segundos. Bem acima da média.
– Satisfeita? – Ironizo depois de terminar. Sabia que o resultado não mudaria, totalmente desnecessário eu ter que vir fazer isso.
– Ainda não. – Ela anota alguma coisa em minha ficha e em seguida aponta para o lado. – Suba na balança.
Faço o que ela manda. Aquarius mede minha altura e anota meu peso na ficha. Ela rabisca alguma coisa e em seguida me olha com um sorriso sinistro.
– Seu peso.
– O que tem? – Por dentro me sinto nervosa. Será que engordei?
– Abaixo da média.
Fico chocada.
– Como assim?
– Você está muito magra, Lucy. Seu IMC¹ está muito baixo. Não tem se alimentado direito?
– Não sou muito fã de comida. – Respiro fundo. – Isso é tão importante?
– Me pergunto se você é burra mesmo ou apenas se faz. – A olho de cara feia. – Trate de se alimentar, caso contrário você não poderá competir. Seu peso está baixo demais para sua categoria, e você não se encaixa numa inferior por causa da altura.
– Quantos gramas preciso ganhar?
– Gramas? – Aquarius ri com sarcasmo. – Quilos, Lucy. Você precisa ganhar quatro quilos.
Estou petrificada. Como foi que eu fiquei tão magra? O Laxus vai me matar se souber, ele sempre reclama que não cuido do meu corpo.
– Não vou te encaixar no treinamento especial porque não há necessidade, mas será avaliada semanalmente por um nutricionista. Amanhã mesmo você vai falar com ele. – Ela bate o papel contra meu peito e depois carimba minha ficha. – Temos três meses até o Evento, então, pelo amor de Deus: Coma!
Saio da fila carregando o papel com uma aura derrotada. Eu sou muito ruim de comer e ganhar peso, como vou fazer isso em tão pouco tempo? Que saco!
– Eu posso te ajudar com isso.
Dou um pulo quando sinto uma respiração quente em meu pescoço. Dragneel me olha maliciosamente, notando que fiquei arrepiada com seu sussurro.
Ele está... Normal de novo? Santo Zeus, esse cara devia ser estudado. Não existe ninguém mais bipolar.
– Por que eu iria querer sua ajuda? – Digo, depois de me recompor. – Se manca!
– Porque sou um ótimo cozinheiro. – Ele pisca um olho para mim e se aproxima da minha boca. – Eu cozinho pra você e você me deixa te comer.
Meu corpo treme com a aproximação, mas o empurro com força.
– Distância, seu filho da puta. Estamos em público, não quero que ninguém saiba o que aconteceu entre nós. – Ele ri quando ponho um dedo em sua cara. O agarro pela camisa. – Você me entendeu?
– Entendi. – Ele ergue as mãos e eu o solto bruscamente. De repente, seu rosto fica sério. – Tenho uma proposta pra te fazer.
Por algum motivo, sinto meu sangue gelar. Aí vem merda.
– Que proposta? – pergunto desconfiada.
Ele exibe um sorriso diabólico.
– Seja minha escrava sexual.
Reviro os olhos.
– Muito engraçado, Dragneel. Ha-ha. Anda, fala logo.
– Você não tem senso de humor. – Ele faz bico. – Tá, vou dizer com outras palavras. – Apenas fico olhando quando ele estende a mão em minha direção. – Se entregue a mim e eu dou o que você quer.
Desvio o olhar de sua mão para seu rosto de modo apático.
– Outra piada?
– Estou falando sério. – Agora ele parece irritado. – É uma troca. Eu te ajudo, você me ajuda e tals. Todo mundo sai ganhando.
Ignoro sua expressão maliciosa e vou direto ao ponto.
– Me ajudar? Eu não preciso de ajuda, ainda mais sua, seu desgraçado. E além do mais, eu não quero nada.
– Ah, quer sim. E também precisa de ajuda, os dois vem no mesmo pacote.
– É? E o que eu quero, então? – Sorrio ironicamente.
Então ela fala como se fosse a coisa mais convicta que já disse em sua vida:
– Eu. – Estreito os olhos em sua direção. – E antes que você venha negar, te digo que eu sou o único que pode te ajudar.
– Ajudar com o quê, criatura do demônio! – Estou perdendo a paciência com esse cara. – Você é maluco.
Quando me viro para ir embora, ele me puxa pelo braço e sussurra em meu ouvido:
– Medo.
– Medo...? – Repito, engolindo em seco. Ele se aproxima ainda mais, com uma voz sombria.
– É, medo. Medo de que outros homens façam o que eu fiz com você, ou até mesmo o que estou fazendo agora.
Afasto-me bruscamente, o olhando com raiva.
– Está insinuando que tenho medo de homens?
– Não estou insinuando, e sim afirmando.
– Você não sabe de nada. – É a única coisa que posso dizer.
Droga, estou ficando inquieta. Ele... Ele tem razão. Mas nunca admitiria isso. É uma coisa minha que guardo a sete chaves e o único privilegiado da história é ele. Nunca faria o que fiz com Dragneel com outro homem. Apenas a idea me deixa... Em pânico.
– Então vamos fazer uma aposta.
– Estou ouvindo.
– Lá fora.
Caminhamos para fora do Ginásio, onde muitos alunos que já terminaram os testes estão matando tempo. Algumas pessoas olham para nós, mas tanto eu quanto Natsu fingimos que não estamos vendo. Fico confusa quando paramos em frente à quadra aberta, onde alguns garotos jogam uma partida informal de basquete.
– Por que me trouxe aqui?
– Faz parte do teste. Tá vendo aquele cara ali? – Dragneel aponta na direção de um moreno de cabelos repicados, olhos verdes e corpo atlético. Ele joga assiduamente contra os outros.
– O que tem ele?
– É Mest, do primeiro ano. Ele tem um futuro promissor no basquete, e é um dos integrantes do time secundário. Mas estou pensando em colocá-lo como reserva no time oficial depois de ver seu bom desempenho e talento.
Arqueio as sobrancelhas.
– Não acredito que me chamou aqui apenas para me mostrar seu novo aspirante a escravo.
– Não. Quero saber o que achou dele. Fisicamente.
Abro a boca para responder, mas ele me interrompe como se eu tivesse dito algo errado, sendo que eu ainda nem falei nada.
– Responda como uma garota, por favor.
Uma veia lateja em minha testa, mas respiro fundo pensando bem antes de responder. Analiso melhor o tal de Mest: É um garoto bonito, tanto de rosto como de corpo. Parece ser carismático e com certeza tira suspiros das garotas quando passa, até as do terceiro ano. Exceto eu.
Olho para Dragneel.
– Quer mesmo que eu responda?
– Sou todo ouvidos.
– Ele é gostoso.
Dragneel parece incrédulo depois do que eu disse.
– Ficaria com ele?
Demoro alguns segundos para racionar o sentido de ficar.
– Claro. – Sorrio.
Claro que não! Mentira deslavada, mas não diria o contrário para o desgraçado não se achar exclusivo E o pior que ele é.
– Bom saber. – Dragneel responde com uma expressão estranha. E em seguida, faz algo que me faz congelar: – MEST!
– O que está fazendo?! – Praticamente grito depois que ele chama o cara.
– Você vai conhecê-lo. – diz de modo irritado, gritando de novo – Mest!
Por todos os deuses, que não seja o que eu estou pensando. O garoto deve ter no mínimo dois anos a menos que eu! Mas a quem estou querendo enganar? Nem que tivéssemos a mesma idade. Eu nunca...
– Natsu! – O garoto chega até nós, cumprimentando Dragneel com respeito. – Quer jogar com a gente? Sei que não somos tão bons, mas...
– Não, Mest. – Ele o interrompe. – Deixa para outra hora, agora quero que conheça alguém.
O tal de Mest me olha confuso.
Meu coração bate acelerado no peito, mas por fora estou completamente normal. Puta merda! O que esse idiota está fazendo?
Vamos lá, Lucy. Não deve ser tão ruim assim. Você é capaz de pelo menos encostar no cara, não é nada demais.
– Quem é essa? – Pergunta ele me olhando minuciosamente, e eu só reviro os olhos como se estivesse com tédio. Dragneel aperta o ombro dele com uma força a mais, o que fazendo Mest ficar sem graça.
– Essa é a Lucy. – Ele sorri quando nos apresenta.
– Lucy? – Indaga Mest. – Lucy... Lucy... – Espera, ele não me conhece mesmo? Mas de repente, ele grita: – Ah! Aquela Lucy...
Como assim, aquela Lucy? Ele está com uma cara de segundas intenções. Cadê o garoto aparentemente inocente e infantil?
Droga, estou tremendo. Faça alguma coisa, Lucy!
– Ela quer ficar com você. – Dragneel diz de repente, me fazendo arregalar os olhos e a boca.
– O quê?! – Meu grito sai fino.
Ele me olha com um sorriso falso e com um tique estranho no olho esquerdo. Seus braços estão cruzados e, olhando bem, eles parecem tremer um pouco. Eu que tenho que ficar assim, seu desgraçado!
– Ah, mas você disse, Lucy. Que ele era gostoso.
Todo o sangue fugiu do meu rosto e eu me sinto gelada. Meu estômago começa a se contorcer dolorosamente quando Mest me olha com um sorriso de canto.
Não... Não se aproxime!
– Isso é sério? – Ele pergunta e Dragneel confirma com a cabeça. Estou completamente paralisada.
– Na verdade, ela quer te beijar agora mesmo.
Pare, Natsu. Pare... Está começando, estou ficando sem ar.
– Nossa, não sabia que era uma paixão tão forte assim. – Mest cora de vergonha, mas dá um passo em minha direção. – Porque não vamos para um lugar mais reservado?
Se afaste de mim!, quero gritar, mas minha voz morreu de vez. Apenas retrocedo os passos com pernas trêmulas, querendo fugir.
– Não precisa ficar com vergonha...
Minha visão está desfocada e meus ouvidos ocos. Com a respiração completamente irregular, observo sua mão se aproximar de mim, como se eu tivesse corrido uma maratona e meu coração batesse tão forte que quase saísse pela boca.
Estou entrando em colapso.
– Vamos...
Tudo se apaga por alguns instantes e as coisas acontecem num piscar de olhos. Num segundo Mest toca meu rosto e no outro ele está gemendo de dor no chão.
Quando finalmente consigo enxergar, tudo está em silêncio, fazendo com que eu ouça minha pulsação acelerada. Em posição de combate, minhas pernas estão firmes no chão depois do golpe de defesa pessoal que apliquei em Mest, onde torci seu braço e o joguei no chão em seguida.
– Você é maluca, garota! – Ele se contorce de dor com o rosto vermelho.
Olho ao redor e percebo que todo mundo parou o que estava fazendo para olhar para nós.
– Lucy...
Olho para Dragneel, que parece espantando. Satisfeito, seu maldito? Quero gritar e socar sua cara, mas meus membros parecem moles como gelatina.
Droga, eu vou cair... Me agacho no chão, com os dois braços colados junto ao peito, no intuito de fazê-los parar de tremer.
Ouço Dragneel dizer:
– Mest, depois conversamos sobre isso. Não conte nada a ninguém, okay?
– Não estou entendendo, Natsu! – Ele parece assustado. – Essa garota é completamente maluca! Isso é algum tipo de teste?
– Digamos que sim. – Reponde rapidamente. Depois se dirige a mim, me levantando pelo braço. – Vem, Lucy.
Quero espancá-lo, mas apenas deixo que ele me leve para longe dali. Quando olho para Mest já em pé segurando o ombro, ele parece estar com medo de mim.
Idiota, não mandei encostar em mim! Mas não é culpa dele... Qual é a porra do meu problema?
Andamos o mais rápido que posso, ignorando os cochichos das pessoas em nossa direção. Quando chegamos num lugar isolado atrás da quadra, eu consigo empurrá-lo um pouco e me encosto na parede.
– Porque você fez isso?
– Eu queria ter certeza.
O olho com raiva, conseguindo mais firmeza na voz.
– Certeza de quê? Que sou perturbada?! Que tenho um instinto assassino toda a vez que me sinto ameaçada?!
Me viro de costas para ele, esmurrando a parede com os dois punhos violentamente.
– Porra, parem de tremer!
– Não, Lucy. – Ele puxa meu braço com força, fazendo-me virar para ele. Me encurralando na parede, seus olhos estão em brasa quando diz: – Eu queria ter certeza de que eu sou o único que pode fazer isso.
Seus lábios buscam os meus de modo desesperado. E assim como na primeira vez, seu beijo avassalador supera os efeitos da crise.
Eu realmente não queria que fosse assim. Porque não sou normal? Eu era... Mas isso é tudo culpa dele. Se ele não tivesse feito o que fez, meu cérebro não seria um caos.
Depois de alguns segundos de beijo, chuto sua perna com força, fazendo ele se afastar com uma expressão raivosa. Só porque ele consegue me acalmar, isso não significa que ele possa mexer os pauzinhos para que eu entre em crise sempre que quiser.
Com os sentidos de volta ao normal, aponto um dedo em sua direção.
– Eu não sou sua propriedade, Dragneel. Ponha-se em seu lugar, se isso acontecer novamente eu vou te bater tanto, quem nem cirurgia plástica resolverá.
Ele sorri vitorioso.
– Desista, Lucy. Você nasceu para ser minha. – Reviro os olhos e saio marchando para longe dele. – E a proposta, aceita?
Me viro em sua direção e sorrio ao lhe mostrar o dedo do meio.
– O que você acha?
– Nos vemos na sala do diretor. – Diz ele em despedida. Droga, esqueci da porcaria do castigo. Não vou me ver livre desse encosto tão rápido.
Vou embora antes que ele fale mais alguma coisa, o deixando para trás segurando a perna recém chutada. O filho da puta está sorrindo. Mas não vou entregar o jogo tão facilmente.
Com um sorriso maligno, sigo até o vestiário para trocar de roupa. As pessoas parecem abrir passagem para mim, provavelmente com medo do que eu possa fazer depois do que fiz a Mest. A fofoca aqui corre mais rápido que a velocidade da luz. Pego meu celular para digitar um número em especial.
– Lucy? – Diz uma voz surpresa no outro lado da linha. – Aconteceu alguma coisa?
– Oi para você também, Hibiki. – Ironizo. – E não, não aconteceu nada. Eu só preciso de um favor.
– Estamos aqui para isso. – Ignoro seu tom malicioso. – Do que você precisa?
– Você ainda faz aqueles contratos de namoro?
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