O príncipe pegou a mão da garota ruiva e a mesma sorriu, tudo o que ela mais queria era poder tirar aqueles saltos, não seria possível correr com eles, mas não disse nada, achou melhor não dizer. O garoto começou a correr, ainda segurando a mão da garota, mas depois de uns minutos correndo ela já não aguentava mais e parou de correr, ele olhou para trás e riu.

– Quer tirar esses sapatos? – perguntou e ela sorriu agradecendo. Ele abaixou e ajudou a tirá-los, segurou-os e os dois continuaram a correr.

– Para onde estamos indo alteza? – perguntou a garota. O príncipe simplesmente riu.

– É surpresa. E por favor, me chame de Théo. – ele pediu e ela assentiu sorrindo.

Mais alguns minutos de corrida e o príncipe parou, a garota estava exausta, o vestido era longo e apesar de ser leve, já estava a incomodando. Quando reparou que o príncipe tinha parado, suspirou em alívio.

– Chegamos. – exclamou e ela sorriu. Ela olhou em volta e só o que conseguia ver eram árvores, altas e com folhas bem verdes. Até que ele empurrou alguns galhos, dando lugar a uma vista incrível.

Um grande lago, com algumas árvores em volta, árvores estas que tinham uma folhagem com cores totalmente diferentes de todas aquelas verdes que havia visto segundos atrás, haviam muitas flores ali, de vários tipos e cores. Ela olhou para o lado e pousou o olhar em duas grandes toalhas estendidas no chão e uma cesta ao lado de uma delas.

– Uau. – foi a única palavra que saiu de sua boca.

– Que bom que gostou. Pensei que aquele jantar romântico não era o primeiro encontro que eu gostaria de ter, e conclui que pensariam o mesmo.

E foi então que a garota caiu em si, estava se importante demais com aquilo, pensando que ele havia preparado tudo aquilo para ela, mas se lembrou que a menos de uma hora atrás ele não sabia que seu primeiro encontro seria com ela. Ele havia preparado aquilo para qualquer uma delas, quem quer que fosse.

Ele voltou a segurar a mão dela e a convidou para se sentar na toalha ao lado dele. Ela o seguiu e ambos se sentaram, deitaram e começaram a conversar sobre assuntos meio aleatórios.

– Me conte um pouco mais sobre sua família. – pediu ele.

– Ah, tem meu pai, minha mãe e meu irmão Nate. Somos uma família como qualquer outra.

– Oh, vamos lá Victoria. Me conte mais, quero conhecer todas as famílias muito em breve, então quero saber um pouco mais sobre elas. Me conte como eles são, o que mais gosta neles, essas coisas.

– Ah, não somos muito interessantes, mas já que insiste. Meu pai, Gabriel, é a melhor pessoa do mundo, sabe, somos bem parecidos, gostamos das mesmas coisas, tirando o fato de ele ser loucamente apaixonado por medicina, ele ama cuidar das pessoas, ajudá-las. Não que eu não goste, é só que não é exatamente o que quero fazer para o resto da minha vida. Posso dizer que ele é a pessoa que mais amo no mundo, não tem ninguém melhor do que ele.

– Ele parece incrível, sempre quis saber como é ajudar as pessoas, alguns até dizem que é o que mais farei, mas não acho que dar dinheiro para que outras pessoas possam ajudar as pessoas seja exatamente do que eu estou falando, tenho em mente que ajudar é ver a pessoa a quem estou ajudando e dizer a ela que tudo vai ficar bem, que eu farei tudo o que puder para que ela fique bem.

– Oh, Théo. Entendo o que quer dizer, meu pai me disse algo parecido uma vez, algo como, se realmente quer ajudar alguém, dê a ela seu máximo e demonstre que sempre estará ali para ajudá-la, ela se sentirá amada e confortável, ficará feliz.

– Isso faz todo sentido, afinal, porque alguém lutaria pra viver se não tivesse motivos para ficar?

– Exatamente. – os dois sorriram um para o outro, olharam nos olhos, a garota ficou sem graça e voltou a olhar as estrelas.

– Me conte sobre sua mãe. – pediu o príncipe.

– Ah, somos muito parecidas fisicamente, mas não de personalidade, confesso que brigamos bastante, ela é incrível e reconheço tudo o que faz por nós e pelo meu pai. Sabe, ela era modelo, era dois, mas se apaixonou pelo meu pai e foi obrigada a descer de casta e deixar sua profissão. Não que ela se arrependa disso, é só que ela gostava do que fazia.

– Acho sinceramente que isto é um gesto muito nobre, deixar tudo o que tem para trás para seguir seu coração, ficar com seu grande amor e construir uma família. Quando as pessoas falam que subiram de castas com o casamento eu ainda assim me importo, porque por mais que as condições casta acima sejam maiores, na maioria das vezes você tem de deixar o lugar onde viveu sua vida toda, a profissão que conquistou desde pequeno e até mesmo aquilo que ama fazer, para poder ficar com alguém que ama.

– Entendo o que quer dizer, foi difícil para ela deixar de ser modelo, mas ela não tem um pingo de arrependimento, porque está feliz.

– Vocês parecem ser uma família ótima.

– Até que somos, tenho em mente que um dia conseguirei dar os netos que minha mãe tanto quer, mas não quero me apressar com isso, queria que meu irmão fizesse isto primeiro.

– Como é mesmo o nome dele?

– Nathaniel, sabe, ele me irrita muito. Nós até que somos unidos, é só que ele faz algumas coisas de propósito para me irritar, na maioria das vezes fica pela casa me filmando e fazendo comentários sobre o que eu faço no meu dia a dia.

– Oh, então ele gosta de câmeras? É um artista?

– Pode se dizer que sim, pelo menos é o que ele quer. Quer ser diretor de cinema, subir de casta e ser reconhecido.

– Parece um bom sonho, mas e você? O que você quer ser Victoria?

– Pra ser sincera quero ser fotografa. As vezes até fico tirando fotos em aniversários, de crianças, gosto do que faço.

– Grande coincidência, o que mais gosto de fazer também é tirar fotos, capturar momentos para sempre, ter aquela memória quando olhar as fotos, acho incrível.

Os dois ficaram conversando durante um bom tempo, rindo e até tiraram algumas fotos para recorda aquele momento. Acabaram por dormir olhando as estrelas.

No dia seguinte, assim que o sol nasceu os dois levantaram, olharam um para o outro e riram, sem nem sequer acreditaram que tinham dormido ali.

– Ah, minha nossa, precisamos sair daqui. Glória vai aparecer nos quartos logo cedo, preciso ficar pronta para o café da manhã e para as atividades de hoje.

– Se acalme, também tenho coisas a fazer, já vamos. Sei que não devíamos ter dormido aqui, mas fico feliz de ter feito isso com você, foi divertido.

– Totalmente, mas confesso que não pensei que duraria tanto, não só o encontro, mas a seleção. Não achei que eu passaria do primeiro dia.

– Você é incrível Victoria, é engraçada, gentil e determinada. Gosto disso.

– Oh, obrigada. – ela falou meio sem graça.

Os dois foram voltando para o palácio, e em menos de quinze minutos o príncipe estava deixando a selecionada em seu quarto.

– Eu adorei, obrigada por tudo. – ela agradeceu e ele assentiu.

– Tenho que dizer que foi bem melhor do que eu imaginei que seria. – ele falou e ela sorriu sem graça.

Logo entrou em seu quarto e o príncipe voltou ao seu, mal teve tempo de tomar banho e o rei já estava o chamando para ir as províncias, hoje era dia de visitar as escolas, depois fazer acordos e Théo ainda tinha mais dois encontros.

Laura acordou contente naquele dia, afinal, seria seu primeiro encontro de verdade com o príncipe, suas criadas Melanie e Saphira, logo a aprontaram para o encontro que seria logo depois do café da manhã.

– Meninas, acalmem-se. – falou Laura para suas criadas. – Posso fazer isso sozinha, não se preocupem. Se puderem arrumar meu vestido, ficarei feliz. – falou a garota e as criadas correram para fazer o que ela pediu.

Laura começou a rir sozinha, toda aquela dedicação era estranha pra ela, mesmo sendo dois não estava acostumada com tudo aquilo, aquela história toda de mal poder se mexer e não fazer nada sozinha.

Saphira trouxe o vestido, e Melanie ajudou a vesti-la. Laura estava linda, simples, mas deslumbrante.

No café da manhã, o príncipe não apareceu, as garotas conversavam quase histéricas para saber como tinha sido o encontro da noite passada. Victoria estava empolgada, mas com receio de contar as garotas que ela e o príncipe tinham passada a noite conversando e dormiram vendo as estrelas. Ela se limitou a falar que havia sido incrível, que tinham jantado e que ele a levou para um lugar escondido e romântico em um pedaço da floresta.

Quando o café acabou, as garotas ainda estavam em alvoroço, teriam a tarde livre, mas seria uma das poucos que ainda teriam, as provas e visitas ao palácio, organização de festas, começaram na semana seguinte, bailes reais e eliminações constantes.

– Senhorita Prince, pode me acompanhar ? – falou Felicia.

– Claro. – respondeu a garota, fazendo uma reverência antes de sair.