Just One Night
8 Capítulo 7 – Cartas na mesa
Notas iniciais
Stefan
O nosso final de semana entre amigos tinha sido muito bom e realmente deu para aproveitar bastante e até mesmo descansar um pouco, mas agora chegou a hora de votar a realidade.
E a semana não poderia começar de uma maneira “melhor”. Já na segunda-feira, durante o café da manhã, meu irmão anunciou que faria a apresentação do primeiro esboço da campanha do parque aquático dos Pétersons e queria que eu estivesse presente para ouvir, eu, é claro, não pude dizer não.
Enquanto a reunião não começava, eu fui para a minha sala dar uma olhada nos contratos que tinham sido enviados a mim por e-mail. Tinha várias coisas para ler e não foi difícil acabar me distraindo, tanto que mal ouvi a porta sendo aberta.
— Rose, avise ao Damon que já estou indo para a sala de reuniões – avisei, sem nem ao menos deixar de olhar a tela do computador – Apenas peça que ele espera uns cinco minutos.
— Não é a Rose… — foi só então de decidi encarar a recém-chegada, confesso que foi uma surpresa.
— Desculpe, Care, eu estava distraído… — aprecei-me em falar, ao mesmo tempo em que balançava a cabeça negativamente – É que o Damon vai fazer hoje a apresentação de uma campanha muito importante e quer que eu esteja lá.
— Não se preocupe, eu também serei breve, preciso ir para o ateliê – garantiu – Só vim aqui para te fazer uma proposta e achei melhor vir antes que eu perdesse a coragem.
— Por favor, não me diga que ainda é sobre aquela história de me ajudar a perder a virgindade? — já fui logo falando, Caroline pode ser muito teimosa quando ela quer, mas eu estou disposto a levar a discussão até o fim, até porque eu sinceramente porque ela ainda insisti nessa história de me “ajudar a perder a virgindade” – Pensei que, depois daquilo que eu te falei ontem, fosse te fazer mudar de ideia.
— Antes de mais nada, me escuta e depois diz o que você acha – pediu – A minha ideia agora é que você perca a sua virgindade comigo.
Como é…? Acho que estava esperando ouvir qualquer coisa nesse momento, menos isso…
— Com você? — verbalizei os meus pensamentos – Você não pode estar falando sério!
— Por que não? — deu de ombros – Nós somos amigos, eu sou uma pessoa próxima em quem você confia. Pensei que o problema fosse apenas que não fosse com uma desconhecida.
— Com certeza, é isso que eu penso –afirmei – Mas há dois dias você estava arrasada e se sentindo a pior das pessoas por ter dado em cima de mim quando estava bêbada e agora está me propondo exatamente a mesma coisa? É só isso que eu não estou entendendo.
— Bom… — ela passou a encarar os próprios pés nesse momento – Você mesmo disse que não era para deixar a nossa amizade ficar abalada e é justamente isso que eu estou propondo: a gente passa uma noite juntos, resolvemos o seu “problema” e continuamos a ser amigos, sem nenhum tipo de dano.
Me ajudar a perder a virgindade, fazer tudo de uma maneira que eu não ache ruim e ainda prosseguir com a nossa amizade intacta? Parece ser mesmo um plano perfeito, se funcionar…
— Acha mesmo que isso pode dar certo? — decidi perguntar.
— Stef, nós somos amigos – insistiu com o mesmo discurso – Nunca sentimos nada um pelo outro além de amizade, será apenas uma noite…
— Essa sua proposta pode funcionar, mas também pode ser… desconfortável – foi impossível não fazer uma careta – Nos dois nunca nem mesmo nos beijamos.
— Não seja por isso, vamos nos beijar agora – sugeriu como se aquela foi a solução mais obvia para a situação.
— Você está brincando comigo, não é mesmo? — ri – Você quer que a gente se beije? Aqui e agora?
— Você está reclamando que isso pode ser estranho por nunca termos nos beijado, então vamos fazer isso – prosseguiu.
Eu me levantei e dei a volta na mesa indo até ela. Assim que me aproxime o suficiente, peguei uma mexa solta do seu cabelo e coloquei para trás a sua orelha.
— Você tem certeza disso? — voltei a questioná-la, não queria que houvesse arrependimento de nenhum de nós dois – É isso mesmo que você quer?
— Eu quero te ajudar, Stef, e essa é a melhor maneira de fazer isso – foi tudo que ela respondeu – Vamos nos beijar…
E foi o que fiz…
Acho que nenhum dos meus sonhos mais esquisitos e insanos eu imaginei beijar Caroline Forbes. Seus lábios eram macios e se encaixavam perfeitamente contra os meus.
Care aprofundou o contato ao mesmo tempo em que colocava os braços em volta do meu pescoço e tudo que pude fazer foi colocar as mãos na sua cintura. Percebi que ela estava incomodamente na ponta do pé, decido a nossa diferença de altura; então fiz com que girássemos e fui caminhando, sem nos afastarmos um instante sequer e ajudei a se sentar na ponta da mesa, o que fez minha amiga sorrir.
Infelizmente, o ar nos foi necessário e com isso precisamos nos separar, então ficamos apenas nos encarando; fiquei pensando em milhares de coisas para dizer, mas nenhuma me pareceu adequada, aquilo foi… incrível… Então, antes que eu pudesse abrir a boca para finalmente falar algum coisa, o barulho da porta sendo aberta interrompeu aquele momento e fomos obrigados a nos afastar.
— Com licença, senhor Stefan – dessa vez era mesmo Rose, ela ficou olhando de mim para Caroline diversas vezes, parecendo receosa por não ser um bom momento, mas, mesmo assim, falou – O senhor Damon me pediu para te avisar que a reunião já está começando.
— Oh sim, obrigado, Rose – agradeci, talvez fosse mesmo uma boa ideia sair daqui nesse momento – Eu preciso ir agora, Caroline – completei depois de me virar para a minha amiga.
— Tudo bem – concordou – Mas o que você me diz? Sobre o que eu acabei de falar…, você aceita ou não?
Essa era a hora da verdade… O que eu responderei…?
— Acho que pode ser uma boa ideia – disse – Eu aceito sim – e no segundo seguinte sai da minha sala, apressadamente.
Quando cheguei ao hall dos elevadores, decidi que era melhor que eu fosse de escada. Estava precisando “respirar” um pouco antes de chegar a sala de reuniões.
***
— Stef… — meu irmão me olhou de cima a baixo quando eu passei pela porta – Você está bem?
Claro que eu estou bem, Damon – respondi – O que faz você pensar uma coisa dessas?
Você está com uma cara espantada, parece que viu uma assombração… — brincou.
Meu irmão mal sabe que ele realmente está certo. Eu não vi exatamente uma assombração, mas é tão assustador quanto, talvez até pior…
— Acredite em mim, irmão, eu estou bem – garanti – Bom, acho melhor você começar logo a apresentação logo, tenho certeza de que estão todos aqui esperando por isso – referi-me aos executivos que já estavam sentados nos seus lugares.
— Tem razão – concordou.
Damon então me entregou um papel antes que eu me sentasse em uma das poucas cadeiras vazias naquela sala de reunião.
***
Tinha consciência do meu irmão ali de pé falando, mas não conseguia me concentrar em nenhuma das suas palavras.
Tudo que eu consigo pensar é na Caroline: nos seus lábios nos meus, seus braços no meu pescoço e seu corpo colado no meu. Não era um cara experiente, mas tinha beijado algumas garotas ao longo da minha vida, mas nenhuma tinha sido como agora.
O que teria acontecido se Rose não tivesse nos interrompido há alguns minutos? Será que teríamos conversado sobre o que aconteceu? Será que teríamos nos beijado outra vez? E eu ainda aceitei perder a minha virgindade com ela e não posso dizer que não tenho receio de que isso mude alguma coisa. O que será que a Care está pensando? Será que ela ficou tão mexida quanto eu ou está encarando isso apenas como uma forma de resolver o meu “problema”?
A reunião acabou e todos começaram a se levantar para cumprimentar Damon antes de sair. Quando a sala estava praticamente vazio, ele estava conversando com o senhor Péterson e foi só então que decidi deixar as minhas preocupações de lado e fui até onde os dois.
— E ai está ele… — Damon colocou o braço em volta do meu ombro assim que eu estava perto dele o suficiente – O homem do momento…
— Homem do momento? — olhei para os dois, confuso – O que isso quer dizer?
— Eu estava aqui falando aqui com o seu irmão… — o senhor Péterson comentou – Confessei que estava com receio de trazer a conta do parque aquático de volta para a agência de vocês, não sabia que como estavam as coisas sob a nova administração. Mas você conseguiu me convencer naquela reunião de que era sim uma boa ideia.
— E hoje eu mostrei para ele que você estava mesmo certo – meu irmão estava com um sorriso convencido.
— Certamente será uma bela campanha – ele prosseguiu – A melhor do nosso parque aquático em muitos anos.
— Fico feliz em ouvir isso, senhor Péterson – claro que não tinha prestado atenção e não tenho ideia de como será a campanha, mas, mesmo assim, tenho certeza de que será muito bom – Damon aprendeu várias coisas com o nosso o pai a respeito de publicidade, mesmo antes de entrar na faculdade e tenho certeza de que está colocando tudo em prática aqui na agência, do jeito que ele queria.
— Da mesma maneira que o Stefan aprendeu muito sobre como administrar uma empresa com o tio Zach – Damon falou.
— Bom, agora eu preciso ir – o homem avisou – Mas eu já digo que estou ansioso para ver a campanha completa, Damon.
— E posso garantir, senhor Péterson, eu trabalharei em todos os detalhes dessa campanha pessoalmente – meu irmão garantiu – Não sei se o Stefan comentou, mas eu vou me casar em pouco menos de dois meses e provavelmente não estarei aqui quando a campanha foi entregue, mas posso dar certeza de que vigiarei tudo pessoalmente.
— Ora, meus parabéns! — disse, animado – Espero que você consiga equilibrar as duas coisas: a preparação do casamento e a campanha.
— Não é como se eu tivesse que fazer muitas coisas a respeito do casamento, minha noiva está fazendo tudo – respondeu – Então dedicarei 100% do meu tempo livre para a campanha.
— Se você diz – completou – Bom, agora eu vou mesmo, espero notícias suas em breve.
O senhor Péterson nos cumprimentou uma última vez antes de sair do local. Agora estávamos apenas eu e meu irmão na sala de reuniões.
— Você realmente achou que a ideia principal da campanha está boa? — ele perguntou em seguida, parecendo um pouco inseguro – Acha mesmo que ela pode ser um sucesso.
— Vou ser sincero com você, Damon – admiti – Não estava prestando atenção na sua apresentação, minha cabeça estava em outro lugar na hora. E, na verdade, ainda está.
— Eu sabia que você estava com algum problema – foi tudo que ele falou – Quer conversa comigo sobre isso? Saiba que eu estou aqui para o que precisar.
Não posso dizer que Damon seja a melhor pessoa para eu conversar sobre isso. Ele está fazendo piadas sobre minha amizade com a Caroline e dizendo que deveríamos estar juntos e se eu contar o que está acontecendo, só pioraria a situação.
Mas ele também é meu irmão, meu parente mais próximo vivo e é a única pessoa com quem eu posso desabafar.
— Aqui não é a hora nem o lugar para falar sobre isso – avisei – O que acha de almoçarmos juntos hoje, assim podemos conversar.
— Bom, eu tinha combinado de almoçar com a Freya hoje – respondeu – Mas posso falar com ela e combinarmos de nos ver a noite. Se meu irmãozinho precisa de mim, eu tenho certeza de que ela vai entender.
— Não diria que estou precisando de você – revirei os olhos – Mas vai ser bom conversar.
De alguma forma, eu tinha certeza de que meu irmão parecia saber do que se tratava. Ele abriu a boca para fazer qualquer comentário, mas pareceu mudar de ideia antes.
— Relaxa, irmãozinho… — deu um tapinha de leve no meu ombro – Conversamos na hora do almoço…
Ele se afastou, indo até a porta e eu fiz exatamente a mesma coisa que ele, alguns segundos depois.
***
Freya não viu problema algum em cancelar o almoço deles. Aparentemente, pelo que Damon me explicou, ela estava ocupada com alguma coisa na faculdade e então comeria um sanduíche no campus mesmo para não perder tempo e assim voltaria para casa mais cedo.
Decidi levar o meu irmão até o restaurante japonês do shopping que Caroline tinha me levado há duas semanas. Nós chegamos cedo e não demorou muito para sermos atendidos nem mesmo para recebermos os nossos pedidos.
— A comida daqui é mesmo muito boa – ele comentou depois de algum tempo, tínhamos conseguido uma mesa em frente a janela, de onde tínhamos uma vista ampla do caótico trânsito de Los Angeles – Já até esqueci da última vez que tinha vindo a um restaurante japonês.
— A Caroline ama comida japonesa e sempre que possível ela me arrasta para comer sushi – dei de ombros – Claro que eu não estou reclamando, eu até que gosto, tanto que estou vindo aqui mesmo sem ela.
Damon rui e começo a pensar que falar a respeito da minha melhor amiga agora não tenha sido uma boa ideia. Voltei a ficar em silêncio, me concentrando no prato a minha frente.
— Muito bem, Stef… — ele continuou – Você já pode me falar qual é o seu grande problema…
— Eu já disse que não tenho problema nenhum, Damon – revirei os olhos.
— Mas está preocupado com alguma coisa – insistiu – E tenho quase certeza de que essa preocupação tem nome e sobrenome: Caroline Forbes.
Não era necessário dizer nada, o meu silêncio já explicava tudo.
— Sem piadinhas ou comentários maliciosos, Damon – pediu – O que você acha da Caroline? De verdade…
— O que eu acho da Caroline? — parou um pouco, provavelmente pensando no que falar – Ela é uma garota legal, bonita, parece gostar muito você… e, como eu já disse milhares de vezes, seria uma ótima namorada para você.
— E ouço você falando isso há cinco anos – lembrei – Mas por que exatamente você acha isso? Por que ela seria uma boa namorada para mim?
— Como eu disse, ela é a pessoa que mais vem te aturando nos últimos cinco anos – respondeu – E vocês estão sempre juntos, indo ao cinema, andando de mãos dadas…, acho que qualquer um que olhe de longe imagina que vocês dois estão namorando. Vocês são perfeitos um para o outro, acredite…
— A Caroline não acha isso – murmurei – E eu também não acho, nós somos apenas amigos, pode acreditar…
— Mas algo aconteceu não foi? — arriscou perguntar – Ou você não estaria aqui querendo saber o que eu acho da Caroline ou por que eu acho que vocês seriam um casal legal…
Soltei um longo suspiro para tomar coragem de finalmente falar. Afinal, foi isso que e vim fazer aqui hoje.
— Eu a Caroline nos beijamos… — minha voz saiu bem baixa e também disse aquilo muito rápido, mas sei que foi o suficiente para o meu irmão compreender.
— Vocês o que? — ele gritou, fazendo com que algumas pessoas no restaurante olhassem na nossa direção – Quando isso aconteceu? Como? Stefan, você não pode falar que beijou uma garota que você considera ser “apenas uma amiga” como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Acredite, eu não acho que isso seja algo natural – garanti – Estou muito confuso com tudo isso…
— Explique-me – pediu.
— Nós nos beijamos hoje cedo, na minha sala — disse, por fim – Ela foi até lá falar comigo, nós conversamos e acabou acontecendo.
— Uau… — foi tudo que ele conseguiu falar – E o que isso quer dizer? Vocês agora estão…?
— Nós não estamos namorando – o interrompi antes que completasse a frase – Não é como se eu tivesse magicamente me apaixonando por ela algo parecido. Eu só fiquei confuso mesmo…, foi tudo tão inesperado e eu não sei o que fazer ou como agir a partir de agora.
— É muito simples, vá para a cama com ela – sugeriu.
— Como é…? — meu irmão me dar aquela “solução” realmente me pegou de surpresa— Eu digo que estou confuso e você diz para eu fazer uma coisa que podia piorar ainda mais a situação?
Aquela conversa parece que realmente poderia ser útil. Claro que eu não vou contar quais são os nossos “planos” para o Damon, mas admito que a ideia de transar com a Caroline realmente me apavora e agora eu posso pedir uns concelhos para o meu irmão.
— Que a Freya não me ouça, mas a Caroline é gostosa – deu um sorriso torto – Nenhum dos dois está apaixonado, como você mesmo disse, mas se a Caroline estiver tão abalada quanto você por esse beijo, é melhor que vocês levem toda essa tensão para a cama de uma vez por todas. É melhor acabar logo com isso do que ficar pensando como teria sido.
— Acho que você pode ter razão… — concordei.
— Stef, ouça o concelho do seu irmão mais velho aqui – prosseguiu – Você tem que ser sedutor, envolvê-la na situação e deixar tudo acontecer. Se der certo, a amizade de vocês não estará abalada.
— Não sei se vou conseguir ser “sedutor” como você diz – fiz uma careta.
— Você é um Salvatore, somos sedutores por natureza – insistiu – E mais uma vez eu peço, por favor, a Freya não pode saber dessa conversa. Ela odeia quando eu comento qualquer coisa da minha fase galinha.
— Pode deixar que de mim ela não vai saber de nada – garanti.
— Ótimo… — pareceu satisfeito – Mas, por falar em Freya, já tem dias que ela está enchendo a minha paciência, dizendo que o vestido dela já está pronto, o vestido das madrinhas também já estão quase prontos e que eu ainda vou fui ver o meu terno. Vou ter que ir lá no final de semana para ver logo isso.
— Se não se importa, eu vou junto com você – avisei – Também preciso ver o meu terno para o casamento, afinal, eu sou um dos padrinhos.
— É claro que você pode ir comigo, irmãozinho – garantiu – Agora vamos terminar de almoçar, ainda preciso fazer várias coisas na agência hoje de tarde.
Concordei com ele, então terminamos o nosso almoço, em silêncio.
***
Foi uma longa tarde…
Assim que chegou a hora de sair da agência, no final do dia, decidi fazer um caminho diferente da minha casa, mas era um caminho que eu conhecia muito bem e que já tinha feito milhares de vezes. Meu irmão tinha me dado um concelho, eu pensei muito e decidi segui-lo.
— Boa noite, senhor Salvatore… — o porteiro meu cumprimentou no instante em que eu entrei no prédio de Caroline, ela morava lá há tanto tempo quanto somos melhores amigos e todos os funcionários lá já me conheciam – Como vem passado?
— Muito bem, obrigado – agradeci – A Caroline está em casa?
— Chegou há pouco menos de vinte minutos – respondeu – O senhor pode subir, eu aviso no interfone que está subindo.
— Na Verdade, eu preferia que você não avisasse que eu estou aqui – pedi — Quero fazer uma surpresa para a Caroline.
— O senhor manda – concordou, então caminhei em direção ao elevador.
***
Não foi Caroline quem abriu a porta e sim Elena. Pela sua roupa, parecia que já estava em casa há algum tempo e pareceu surpresa em me ver parado bem ali.
— Stefan? — disse – A Caroline não disse que você vinha para cá hoje…, eu…
— Na verdade ela não está esperando por mim, apareci de surpresa mesmo – expliquei – Espero que não seja uma hora ruim, eu posso voltar depois se for melhor.
— Não precisa – abriu a porta, permitindo que eu entrasse no apartamento – A Care está lá dentro, disse que ia tomar um banho rápido e trocar de roupa, mas eu vou chamá-la.
Mas não foi necessário, naquele mesmo instante, Caroline apareceu na junção entre o corredor e a sala. E não parou de me encarar desde o instante em que me viu.
— Stefan… — seu tom de voz baixo demonstrou que parecia ligeiramente envergonhada, provavelmente por causa do “incidente” de hoje de manhã – Oi…
— Care… — disse, também sem deixar de encará-la – Eu… Eu vim aqui porque preciso falar com você. Eu pensei muito durante o dia inteiro e achei melhor vir logo aqui falar com você, antes que eu perdesse a coragem.
Ela deu um sorrio sem graça e então virou-se na direção da amiga que eu, sinceramente, tinha até se esquecido que estava aqui.
— Não precisam se preocupar comigo – ela já foi avisando – Eu já estava indo mesmo para o meu quarto.
— Espera, Lena, você não precisa ir… — Care avisou.
— Já disse, não precisam se preocupar – garantiu – Finjam que eu nem estou em casa…
Ela seguiu para o outro cômodo antes que minha amiga pudesse falar qualquer coisa.
— Posso voltar uma outra hora, se quiser – disse – Não é tão urgente assim, só achei que era uma boa oportunidade para…
— Stef, não precisa voltar uma outra hora – me interrompeu, nesse momento ela estava próxima de mim o suficiente e segurou a minha mão – Vem, vamos até o meu quarto, acho que lá vamos conversar mais à vontade.
***
Assim que entramos no quarto, Caroline trancou a porta. Fiquei levemente incomodado, mas não falei nada sobre isso, apenas me sentei na ponta da cama.
— Muito bem, você pode falar o que veio aqui para falar comigo – cruzou os braços e se encostou na parede – Estou aqui te ouvindo.
— Care a verdade é que eu não consigo deixar de pensar no nosso beijo – não consegui olhá-la nesse momento – Fiquei o dia inteiro revendo aquele momento na mina cabeça, até mesmo pedi um concelho para o Damon.
— Você contou para o Damon que a gente se beijou? — tinha certeza de que ela estava me encarando, totalmente incrédula – Você também contou para ele que nós vamos…?
— Não, eu só contei sobre o beijo sem maiores detalhes – apressei-me em dizer antes que ela completasse a pergunta – Por favor, não fica brava, eu só precisava desabafar com alguém, ele é meu irmão afinal de contas.
— Tudo bem, eu não estou brava com você, Stefan – garantiu – Mas você, pelo menos, escutou algum concelho útil da parte dele?
— Sim, eu escutei – afirmei.
Aquela foi a primeira vez que eu tive coragem de olhá-la desde que comecei a falar. Ela estava olhando para as próprias unhas que estavam pintadas de rosa, foi então que eu me levantei e passei a mão pelo seu rosto, exatamente como hoje de manhã.
— Care… — sussurrei, calmamente.
Então eu a beijei outra vez. Caroline foi pega de surpresa, mas acabou retribuindo; passei a mão pela extensão das suas costas até chegar a sua cintura.
Nós nos separamos minutos depois, ambos ofegantes…
— Stef, eu… — coloquei o dedo sob seus lábios, pedindo para não falar nada.
— Por favor, Care, deixa eu falar primeiro – pedi – Pode parecer precipitado da minha parte, mas a ideia de transarmos não sai da minha cabeça, desde que você me propôs isso hoje de manhã e talvez fosse melhor nos resolvermos isso logo.
— Você fala para transarmos hoje? Agora? — perguntou.
Exatamente – balancei a cabeça afirmativamente, não sei de onde eu tirei coragem para falar tudo aquilo, as palavras simplesmente estavam saindo – Mas antes eu quero que você ouça uma coisa: quando eu te conheci eu te achei linda e não posso negar que tenha pensado em te alguma coisa com você, mas eu fui tímido demais, então acabamos virando amigos e acabei desistindo de qualquer coisa além da nossa amizade.
Ela abriu e fechou a boca diversas vezes, mas não disse nada. Gostaria muito de saber o que está passando pela sua cabeça nesse momento.
— Caroline, por favor, me diz alguma coisa – pedi, enquanto passava a mão pela sua bochecha.
— Eu realmente não sei o que dizer – soltou um longo suspiro.
— Só queria que você soubesse, antes que acontecesse qualquer outra coisa – expliquei – Se você quiser desistir ou até mesmo deixar de ser minha amiga, vou entender, mas eu...
— Stef, tudo bem, eu entendo perfeitamente – foi a vez dela me interromper – Sabe, quando eu te conheci, você com aquele jeitinho, conversando comigo quando eu me sentei ao seu lado, realmente pensei que você fosse dar em cima de mim em algum momento, mas você não fez isso e essa foi uma das coisas que eu mais gostei em você.
— Care, isso que eu te contei não muda nada – garanti – Eu realmente prezo a sua amizade e não quero perdê-la,
— Você não vai me perder, nunca… — completou antes de ficar na ponta do pé e me beijar.
Eu imprensei um pouco mais contra a parede e segurei os seus joelhos, fazendo com que enganchasse as pernas na minha cintura. Quando percebi que estava presa o suficiente contra mim, comecei a caminhar na direção da cama e voltei a me sentar, fazendo com que ela ficasse no meu colo.
Caroline separou os lábios dos meus e passou a dar atenção ao meu pescoço, dando leves mordidas no local. Então começou a abrir os botões da minha camisa até que estivesse totalmente aberta e ela pude retirá-la e então ficou de pé para fazer o mesmo com o seu short.
— Para que a pressa, Care – ela estava próxima o suficiente para eu conseguir passar a perna pela sua panturrilha – Nós estamos aqui, sozinhos e com todo o tempo do mundo.
— Não estou com pressa… — ela voltou a sentar no meu colo, começando a brincar com o meu cinto – Quero aproveitar bastante tudo isso…
A próxima coisa a ir para o chão foi a minha calça, agora ambos estávamos apenas com nossas roupas íntima. Então nós deitamos na cama e Care ficou em cima de mim, beijando todo o meu peitoral e fazendo com que gemesse baixinho…
— Care… — consegui falar quando ela chegou a minha cueca e beijou meu membro por cima do tecido, foi impossível não ofegar – Care o que você vai fazer.
— Shhhh… — pediu antes de voltar a grudar os lábios nos meus.
Ela pegou as minhas mãos e as levou até o fecho do sutiã, me pediu silenciosamente para que eu o abrisse e então se levantou um pouco para poder retirar a peça, permitindo que eu visse os seus seios. Já tinha visto minha amiga sem roupa uma vez, quando acabei entrando no seu banheiro sem querer e ela estava saindo do banho, mas dessa vez é completamente; estava para acontecer e eu não poderia estar mais empolgado com aquela expectativa.
— Care…— a voz de Elena surgiu e ela tentou girar a maçaneta, por sorte a porta estava trancada – Care, você está ai?
Mesmo sabendo que ela não podia nos ver, Caroline ficou de pé imediatamente e pegou o seu sutiã no chão, votando a vesti-lo.
— Eu estou aqui, Lena… — disse, por fim – O que houve.
— Acabei de ver que nos estamos sem café, então eu vou ao mercado comprar — avisou – Você está precisando de alguma coisa?
— Não, eu não estou precisando de nada – respondeu – Mas obrigada por perguntar…
— Vou trazer alguma coisa para jantarmos também— avisou – Estava pensando em comida chinesa? O que você acha?
— É uma excelente ideia – concordou.
— Certo, daqui a pouco eu estou ai…— em seguida ouvimos passos se afastando.
Foi só então que Caroline voltou a me encarar. Ela cruzou os braços sob a barriga, como se estivesse tetando cobrir o próprio corpo.
— Está tudo bem, Care? — decidi perguntar.
— Acho melhor você ir embora, Stefan – avisou – Foi uma péssima ideia a gente ter tentando hoje…
— Você está assim só por que a Elena apareceu aqui? — sentei-me, ficando com as pernas cruzadas – Ela não pegou a gente no flagra, isso é o que importa, não é mesmo?
— Mas ela podia ter pego… — insistiu – Onde é que eu estava com a cabeça, transar sabendo que a minha amiga está em casa.
Eu me levantei e passei a mão delicadamente pelo seu braço.
— Care, você não precisa se sentir culpada, a culpa também foi minha – lembrei – Nós dois nos deixamos levar pelo calor do momento, mas tudo bem, nós podemos fazer isso um outro dia.
— O que acha de sexta-feira? — sugeriu – É final de semana e podemos ir para a sua casa.
— Sexta-feira, tudo bem… — concordei – Bom, é melhor eu ir embora então.
— Espera, Stefan, você não precisa ir embora – segurou o meu braço – Fique mais um pouco, a Elena vai trazer comida chinesa. E aqui em casa a gente sempre exagera com a comida, então ela deve comprar o suficiente para alimentar umas vinte pessoas.
— Acho melhor eu ir embora, preciso tomar um banho frio – dei um sorriso sem graça – A gente se fala uma outra hora, tudo bem?
— Claro – afirmou – Mas eu preciso repetir as suas palavras de alguns minutos atrás, não deixe nada disso abalar a nossa amizade, por favor.
— Nunca… — garanti antes de dar um beijo na sua testa.
Então eu troquei de roupa antes de ir embora. E de uma coisa eu posso afirmar: mal posso esperar para que chegue logo sexta-feira.
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