Just One Night
21 Capítulo 20 – A descoberta
Notas iniciais
Caroline
Consegui entrar no salão e pegar a minha bolsa sem que ninguém me visse, não sei se conseguiria responder qualquer pergunta nesse momento, por sorte Stefan também não me seguiu, acho que teria sido pior assim. Tudo que eu quero nesse momento é sair daqui…
Quando cheguei ao lado de fora do hotel acabei esbarrando, literalmente, com Freya, ela estava parada próxima a escada e, imediatamente vi Damon um pouco distantes conversando com o motorista da limusine que tinha levado a noiva para a igreja e depois tinha trazido os dois até aqui.
— Care… — pareceu surpresa em me ver – O que você está fazendo aqui?
— Acho que posso fazer a mesma pergunta – desviei o assunto de mim – Você e o Damon deviam estar lá dentro curtindo a festa, e não aqui fora.
— É que o Damon veio falar com o motorista da limousine – explicou – Nós esquecemos de avisar que ficaremos aqui mesmo nesse hotel a noite e que não precisamos dos serviços deles para depois da festa, mas já está pago.
— Uau, que situação – comentei.
— Agora o Damon está lá resolvendo essa questão com ele – soltou um longo suspiro e deu de ombros – Mas pare de desviar o assunto, sua vez de responder: o que está fazendo aqui?
— Prontinho, meu amor, está tudo resolvido – aproximou-se de nós e foi quando percebeu a minha presença – Ora! Olá, cunhadinha!
— Damon… — eu o cumprimentei com um aceno de cabeça – A Freya estava me explicando a situação, como você conseguiu resolver? — tive que agradecer mentalmente por conseguir mudar de assunto novamente.
— Como já estava mesmo pago, eu pedi para ele levar você e o meu irmão quando a festa acabar – explicou – Está vendo, cunhadinha, isso prova como eu gosto de você, arranjei para vocês voltarem para casa de limousine.
— Parece bem interessante… — soltei um longo suspiro, encarando os meus pés.
— Care, você, está bem? — Freya colocou a mão no meu ombro, preocupada – Você está pálida… Está se sentindo bem?
A verdade é que não, eu não estava bem. Aquela nova declaração do Stefan tinha mexido mais comigo do que eu gostaria de admitir, já estava começando a sentir o meu estômago revirando.
— Sim, Freya, eu estou bem – dei um sorriso fraco, tentando disfarçar – Hoje foi um dia cheio, acho que eu só preciso ir para casa.
— Mas já…? — pareceu chateada – Os garçons já vão começar a servir o bolo, que parece estar uma delícia e daqui a pouco eu vou jogar o buquê…
— Parece mesmo bem divertido – comentei – Mas eu realmente prefiro ir embora para casa. Que vocês façam uma boa viagem, divirtam-se muito em Buenos Aires e a gente se vê quando vocês voltarem.
— A Care, apesar de você estar dizendo que é apenas cansaço, você não parece bem… — minha amiga prosseguiu – Não posso deixar vocês sair daqui sozinha, não dessa maneira.
— Eu vou chamar o meu irmão… — Damon avisou – Tenho certeza de que ele não vai se importar de te lavar para casa.
— Você não precisa incomodá-lo, Damon – garanti – Vou pegar um táxi aqui na porta, vou ficar muito bem.
Os dois não pareceram muito confiantes, mas acabaram me deixando ir. Já tinham alguns táxis parados na entrada do hotel, então não foi tão difícil assim de conseguir um.
***
*Flashback*
Apesar os protestos de Bonnie para me acompanhar, consegui convencê-la a ficar no nosso apartamento e continuar ajudando Rebekah com a arrumação da despedida de solteira da Freya, afinal a minha intenção era mesmo não demorar.
Cheguei ao hospital e logo me falaram que a médica não demoraria muito para me atender. Eu precisava tirar essa dúvida da minha cabeça, sei que provavelmente não deve ser nada, mas agora sei que não vou conseguir relaxar enquanto não tiver certeza.
— Senhorita Forbes – eu estava distraída folheando uma revista quando a mulher na recepção me chamou – A doutora Baker irá atendê-la agora. A senhorita pode seguir pelo corredor, o consultório dela é a última porta a esquerda.
— Está bem, obrigada – agradeci enquanto me levantava.
**
A doutora Baker não parecia ser muito mais velha do que eu, provavelmente não deveria ter muito tempo de formada. Ela estava sentada, mas dava para ver que não era muito alta, seu cabelo era castanho e seus olhos também, me lembrava um pouco a Elena…
— Você deve ser a Caroline – me cumprimentou assim que eu entrei no local – Eu sou a doutora Baker, por favor, sente-se e vamos conversar.
A médica indicou uma das cadeiras a sua frente e eu fui imediatamente para lá. Assim que me sentei, passei a mão pelo cabelo e ajeite a bolsa no meu colo.
— Bom…, eu tenho certeza de que não é nada – já fui logo avisando – Mas nessas duas últimas semanas eu tenho sentido muito cansaço, sono em excesso e até mesmo um pouco de dor de cabeça.
Eu tenho ajudado Freya com os preparativos finais do casamento, ainda tem o trabalho no ateliê e, é claro, o fato de que não falo direito com o Stefan há duas semanas, tenho certeza de que esse é o motivo para o meu mal-estar atual. Claro que, quando Emma percebeu ontem que eu não estava me sentindo bem, insistiu para que eu visse ao médio e, como eu só tive tempo para isso hoje, aqui estou…
— Eu tenho trabalhado demais – continuei – Por isso acredito que seja apenas estresse.
— Sim, realmente pode ser estresse – afirmou – Mas, mesmo assim, é melhor que eu faça alguns exames, apenas para ter certeza.
— Tudo bem – acabei concordando, ela abriu a gaveta ao lado da mesa e retirou os estetoscópio e o aparelho de pressão.
— Bom, Caroline, eu vou apenas medir a sua pressão e verificar os seus batimentos cardíacos – avisou enquanto se levantava e ia até mim – Mas antes me responda uma coisa, você tem sentido mais alguma coisa além desses sintomas que você me disse? Tontura? Talvez enjoo?
— Tontura e enjoo – afirmei – Mas não foram muitos, apenas quando eu fiquei muito tempo sem comer.
— Entendo… — foi tudo que ela disse.
A doutora Baker auscultou o meu coração e depois mediu a minha pressão. Ela levou um tempo nesse processo.
— Bom, a sua pressão está um pouco baixa – avisou enquanto voltava a se sentar – Acho que isso pode explicar a sua tontura e eu aconselho que você se alimente direito também.
— Certo, eu entendi – falei – Então, o que eu tenho não é nada demais, certo, doutora?
— Eu anda não acabei, Caroline – prosseguiu – Diga-me mais uma coisa: como está a sua menstruação?
Sendo sincera, eu nunca me preocupei com essas coisas de ficar vigiando o ciclo menstrual, mesmo assim, eu fiz umas rápidas contas e eu estava com cinco dias de atraso. Claro que eu nunca fui muito regular, nem mesmo depois de começar a tomar pílula.
— Para falar a verdade, está atrasada – respondi – Mas eu ainda não entendi, o que isso tem a ver?
— Tudo bem, Caroline, eu vou ser direta – disse – Você não pensou na possibilidade de estar grávida?
Grávida? Não, ela não pode estar falando sério… Isso seria um completo pesadelo, eu não posso ter um filho, não agora…
— Isso é impossível – afirmei – Não exite nenhuma chance de eu estar grávida, nenhuma chance.
— Então você não manteve relações sexuais regulares nos últimos meses sem preservativos? — perguntou – Se você disser que não, então realmente não tem nenhuma chance de você estar grávida.
— Eu tomo pílula, há muitos anos – expliquei.
— Pílula podem falhar, é raro, mas pode acontecer – deu de ombros – Por isso sempre recomendamos o uso de preservativos, mesmo com a pílula, até por que ele evita doenças sexualmente transmissíveis.
Sei que deveria ter usado camisinha, mas eu tinha plena confiança no Stefan, até porque ele nunca teve outra mulher além de mim…
— Acontece que e o… e o possível pai do bebê, estamos passando um momento complicado – soltei um suspiro – Uma gravidez nesse momento não seria a melhor coisa do mundo.
— Infelizmente, bebês não escolhem o melhor momento para virem ao mundo – completou – Então, antes de mais nada vamos fazer um exame de sangue para tirar qualquer dúvida sobre vocês estar ou não grávida.
— Tudo bem – suspirei – Vamos tirar logo essa dúvida de uma vez por todas.
Então doutora Baker pegou o telefone para chamar uma enfermeira, que não demorou muito para aparecer.
**
A enfermeira, então, me levou para outra sala onde ela retirou meu sangue para o exame de gravidez. Infelizmente, o resultado só vai ficar pronto na segunda-feira de manhã, então eu vou passar o final de semana inteiro ansiosa para saber qual seria o resultado.
Mas, não tem outro jeito, a única solução é esperar mesmo…
*Fim do Flashback*
***
Assim que coloquei os pés no meu apartamento, corri na direção do banheiro e coloquei para fora tudo que eu tinha comido naquele dia. Não sei se isso foi causado pelo estresse de agora pouco, pelo balanço do táxi ou uma mistura dos dois.
Fui para o quarto, me joguei na cama e comecei a chorar. O Stefan dizendo que ama…, sinceramente, não sei como vai ser se eu realmente estiver grávida; qual será a reação dele? Será que vai ficar feliz ou vai ficar com raiva? De qualquer maneira, as duas serão péssimas.
Estava tão cansada de chorar que acabei caindo na inconsciência.
***
Acordei com meu celular tocando sem parar. Minha cabeça estava explodindo, mas, com muita dificuldade, tateei até encontrar o meu telefone em cima da mesinha e quando o peguei para olhar o identificador de chamadas, vi que era Elena.
— Lena… — minha voz saiu como um sussurro e também pude perceber como ela estava rouca.
— Care! Eu te acordei?— pareceu extremamente preocupada – Eu esqueço da diferença de fuso-horário entre Nova York. Que horas são ai?
— Sinceramente, Lena, eu não tenho ideia – respondi – Acabei de acordar, não sei nem onde eu estou direito, imagina se eu vou saber que horas são.
Pela fresta aberta da minha cortina dava par ver o sol entrando no quarto, já estava um pouco forte, o que significa que já devemos estar perto das dez horas da manhã.
— Eu ligo uma outra hora então— avisou – Você deve ter dormido tarde ontem, por causa da festa de casamento e eu aqui enchendo a sua paciência.
A festa de casamento… De repente as lembranças de tudo que aconteceu ontem a noite passaram pela minha mente e foi impossível não revirar os olhos.
— De jeito, nenhum, Lena, sou eu quem não vou atrapalhar a sua viagem romântica fazendo você me ligar outra hora – disse enquanto me sentava – Me diga, como é que estão as coisas com o Liam ai em Nova York?
— Um sonho…— tenho certeza de que minha amiga estava sorrindo – O Liam pode ser muito romântico quando ele quer e, acredite, ele está sendo muito romântico durante essa viagem.
— Que bom – estava realmente feliz, pelo menos uma de nós estava sendo feliz no amor.
— E como foi a festa de casamento ontem?— foi a vez dela perguntar – Será que eu posso arriscar dizer que tem um certo Stefan Salvatore ao seu lado na cama, ou talvez você esteja na cama dele?
— Nenhum dos dois – soltei um longo suspiro – Digamos que as coisas ontem a noite não tenham sido exatamente como eu imaginava que seriam…
—O que foi que aconteceu, Care?— já quis saber – Por favor, não me diga que você e o Stefan brigaram?
— Acho que posso dizer que foi exatamente isso – disse – Mas não é uma coisa que eu gostaria de falar ao telefone, ainda mais no meio da sua viagem romântica, não quero atrapalhar você e o Liam.
— Care, o Liam deu uma saída, disse que tinha uma surpresa para mim— explicou – Falar com você enquanto espero ele voltar é melhor do que ficar aqui sem nada para fazer.
— Certo… — concordei – O Stefan se declarou para mim ontem a noite, disse que me amava e que se eu sentisse o mesmo, era para arriscarmos e tentarmos ficar juntos, agora par valer.
— Eu sabia!— Elena elevou o tom de voz – Só cego para não ver como vocês estavam apaixonados um para o outro, só faltava mesmo um de vocês criarem vergonha na cara e se declararem logo de uma vez.
Mesmo sabendo que ela não estava me vendo, revirei os olhos. Como era possível que todo mundo “tivesse certeza” que eu e o Stefan estamos apaixonados um pelo outro, não é possível que todos enxergavam isso e eu não.
— Mas eu não estou entendendo, Care…— continuou – Você disse que vocês dois brigaram…, por favor, não me diga que você não correspondeu os sentimentos do Stefan?
— Eu não podia fazer isso, Elena, eu não sinto a mesma coisa – choraminguei – O Stefan é meu melhor amigo, eu gosto muito dele, mas não o amo e isso só vai é estragar a nossa amizade e tudo que construímos juntos nesses cinco anos.
— Pelo jeito é você quem está acabando com a amizade de vocês— observou – Por que eu duvido que o Stefan tenha brigado com você por não corresponder aos sentimentos dele. Eu te conheço muito bem, Caroline Forbes sei exatamente do que você é capaz.
— Eu precisava de um tempo, Lena, foi muita informação para uma noite – disse – O Stefan é muito importante para mim, é claro que eu não vou continuar brigada com ele, só realmente preciso de um… tempo, para colocar a cabeça no lugar.
— Um tempo para colocar as coisas no lugar?— minha amiga soltou um suspiro pesado – Care, eu também te conheço suficiente para saber que tem nessa história toda. E é bom você começar a contar, agora mesmo…
Eu também conheço Elena Gilbert muito bem e sei que ela não vai sossegar enquanto eu não contasse tudo…, tudo mesmo…
— Eu acho que estou grávida! — disse aquilo rápido demais, mas sei e Lena tinha sido capaz de entender muito bem.
— Você o que?— voltou a gritar – Como assim você está grávida, Caroline? É bom você me contar direitinho essa história!
— Você sabe como esse tipo de coisa acontece, Lena, e se não souber, está em uma grande encrenca… — revirei os olhos – E eu não disse que estou e sim que eu posso estar grávida. Fiz o exame na sexta-feira, mas ele só fica pronto amanhã, então até lá vou ficar com essa dúvida na minha cabeça, pode ter um bebê meu e do Stefan a caminho, ou não…
— E eu imagino que você não tenha contado nada para o Stefan — completou.
— Eu estava esperando o momento certo para contar para ele, nós terminamos a nossa amizade colorida, não posso simplesmente chegar e dizer para ele que posso estar grávida – lembrei – E depois da declaração, tudo piorou, não sei qual poderia ser a reação do Stefan. Ele poderia me pedir em casamento ou então ficar com muita raiva por jogar uma bomba dessas depois de deixar claro que eu não o amo.
— Na verdade, você colocou um fim na amizade colorida de vocês, não ele— lembrou – E você sabe a minha opinião, você ama o Stefan, só não percebeu ainda.
— Lena, por favor – choraminguei – Você não está piorando a situação.
— Independente de como a sua situação com o Stefan, ele merece saber que pode ser pai— continuou – Mas, ainda acho que você deveria pedir desculpas pelo seu comportamento também. Não levando em conta os seus sentimentos românticos pelo Stefan, você mesma confessou o quanto ele é importante para você e também está na cara o quanto está sofrendo por essa briga, então coloque um fim nisso e de uma maneira bem fofa, como sempre foi o relacionamento de vocês.
— Acha mesmo que essa é a coisa certa a fazer, Lena? — fiquei um pouco incerta sobre isso.
Antes que ela pudesse responder ouvi um barulho de chave na porta do outro lado da linha. Provavelmente era Liam chegando.
— Care, agora eu tenho que ir — avisou – Mas tenho certeza de que você fará a coisa certa… Tchauzinho, a gente se vê amanhã…
Ela desligou sem que eu pudesse falar qualquer outra coisa. Soltei um longo suspiro e passei a mão pela barriga, percebo que é a primeira vez que eu faço isso desde que descobri a possibilidade de estar grávida; talvez não tivesse nada aqui dentro, mas se tiver…, eu preciso aprender amá-lo ou amá-la, apesar de tudo.
— Bom, acho que é isso, bebê… — comecei a falar – Você pode ou não existir, mas o seu pai precisa saber dessa possibilidade.
Eu me levantei e fui até o meu armário procurar uma roupa qualquer para vestir.
***
Comi apenas uma barrinha de cereais e sai do meu apartamento.
Peguei um táxi que me deixou na frente do prédio em que Stefan mora. O porteiro deixou que eu subisse, cheguei ao andar, toquei a campainha e fiquei esperando.
Enquanto eu estava ali, voltei a ouvir o barulho do elevador chegando ao andar, mas não olhei para ver quem tinha chegado.
— Care… — me virei e dei de cara com o meu melhor amigo, que parecia bem surpreso em me ver— O que você faz aqui?
— Oi, Stefan… — dei um sorriso sem graça— Desculpa ter vindo tão cedo, é que eu preferi vir logo antes que acabasse perdendo a coragem.
— Não tem problema, eu acordei cedo mesmo – explicou— Fui levar o Damon e a Freya ao aeroporto, a essa hora, eles já até devem estar dentro do avião, esperando a decolagem.
— Oh sim, você tinha mesmo dito que iria levá-los ao aeroporto – lembrei— Uma viagem de lua de mel para Buenos Aires, deve ser mesmo muito romântico, pelo menos a Freya parecia bem animada com a viagem.
— O Damon também estava bem empolgado – completou— Bom, eles estão recém-casados, apaixonados, com certeza qualquer lugar do mundo seria o mais romântico para os dois.
— Isso é verdade… — concordei.
Então ficamos ali nos encarando, em total silêncio. Esse era o momento certo, só preciso abrir a boca e fala “Stefan, eu acho que estou grávida”, era simples, mas não sei se o som sairia caso eu abrisse a boca.
— E então, o que você veio falar comigo? — ele perguntou depois de alguns segundos.
— Eu vim te pedir desculpas, Stef… — sussurrei, era melhor começar pelo mais fácil afinal— Tudo aquilo que você me falou ontem…, eu não tinha o direito de reagir daquela maneira, nem te tratar daquela maneira.
— Tudo bem, você teve as suas razões, talvez eu pudesse ter escolhido uma outra maneira de expressar os meus sentimentos – soltou um longo suspiro – E você também não tem a obrigação de corresponder.
Nós somos amigos há tanto tempo, eu não quero perder isso – olhei rapidamente para os meus pés antes de continuar – Tem um motivo para eu ter reagido e não tem nada a ver com você, quero dizer, até tem, mas não com o que você me falou.
— O que você está dizendo, Care? — ele quis saber, já me olhando curioso.
— Eu não tenho certeza, ainda, mas é algo muito importante e que pode mudar tudo para nós… — muito bem, chegou a hora, era agora ou nunca— Stefan, eu…
Mas antes que eu pudesse completar aquela frase, o barulho de chave abrindo a porta, o que foi muito estranho, já que estávamos os dois aqui. Uma garota apareceu no vão entre a sala do apartamento e corredor do prédio, seu cabelo estava molhado e ela usava uma das camisas de botão do Stefan, foi então que eu a reconheci, aquela era Katherine, a amiga que Freya me apresentou ontem no casamento, a mesma que eu vi dançando com meu melhor amigo.
Fiquei olhando de uma para o outro, repetidas vezes. O que está acontecendo aqui?
— Eu ouvi a campainha, mas estava debaixo do chuveiro – ela explicou – Pensei que pudesse ser você, Stef, que tivesse esquecido a chave ou algo parecido.
Stef? Revirei os olhos… Eles se conheceram ontem a noite, que intimidade é essa agora?
— Foi a Caroline quem veio falar comigo, ela não sabia que eu não estava em casa – Stefan disse – Então, quando eu cheguei, ela estava aqui.
— Bom, acho melhor eu ir embora – avisei – Já passei tempo demais aqui, não quero atrapalhar o sábado de vocês.
—Espera, Care… — ele segurou o meu pulso, impedindo que eu fosse até a porta do elevador – Você disse que tinha algo para falar comigo e não terminou da falar o que disse que estava escondendo de mim.
— Quem sabe a gente não conversa em uma outra hora – dei de ombros – Você parece ocupado demais com a sua “amiguinha” — não tentei esconder o desprezo no meu tom de voz enquanto dizia essa última frase.
Ele se virou novamente para Katherine, que estava com os olhos arregalados. Era mais do que obvio que tinha rolado alguma coisa entre eles ontem a noite, só sendo idiota para não perceber.
— Care… Eu… — ele voltou a falar – Eu posso te explicar, só me escuta, por um minuto…
— Você não precisa me explicar nada, Stefan! — elevei um pouco o meu tom de voz, só havia um apartamento no mesmo andar do de Stef e sei que ele está vazio, pois também pertence aos Salvatores e nesse momento está sendo reformado para receber Damon e Freya – Ontem a noite você se declarou, me propôs namoro, foi extremamente fofo; e hoje eu te encontro aqui, depois de passar a noite com essa mulherzinha.
— Mulherzinha? — foi a vez de Katherine gritar – Tudo bem, você está com raiva, mas eu não vou admitir que você me ofenda dessa maneira.
— Eu falo da maneira que quiser, e sim, eu vou te ofender – falei da mesma maneira que era – E você é sim, uma mulherzinha de quinta categoria que transou com um cara que conheceu ontem mesmo. Tenho um nome até “melhor” para você, mas sou educada demais para dizê-lo.
Nesse momento Katherine já tinha se aproximado o suficiente e deu um tapa no meu rosto, imediatamente senti o local ardendo.
— Não te conheço e não deveria fazer um prejulgamento seu, mas você é uma idiota – voltou a falar – O Stefan é um cara um incrível, gentil e apaixonado por você, quando ele se declara você simplesmente despreza o cara. Sinceramente, nem sei porque ele está perdendo o tempo tentando se explicar com você.
— Você não tem o direito de se meter na minha vida, nem dizer o que devo ou não fazer a respeito do meu melhor amigo – acho que nunca senti tanta raiva na vida como nesse momento.
Estava prestes a devolver o tapa a ele quando Stef se meteu entre nós duas.
— É melhor vocês duas pararem agora – ele avisou – Kath, por favor, vai lá pra dentro, é melhor eu conversar com a Caroline a sós.
Ela soltou um suspiro pesado, mas acabou fazendo o que ele pediu. Assim que voltamos a ficar sozinhos, meu amigo virou-se novamente para mim.
— Sabe, vocês formam um casal adorável – usei meu tom de voz irônico – Vocês deveriam se casar, quem sabe você não me convida para ser madrinha, isso se sua futura esposinha me quiser no casamento, é claro.
— Por favor, Care, não tem nada entre mim e a Katherine – revirou os olhos – Tudo bem, eu admito que passamos a noite juntos, mas não passou disso, apenas sexo casual e não vai se repetir. Nada do que eu falei para você ontem era mentira.
— Bom, parece que eu não sou mais a única mulher que você teve na vida então – soltei uma risada nervosa – Sexo casual com uma mulher que você mal conhece, meus parabéns, Stefan, você acabou de fazer aquilo que mais despesava no mundo.
— Será que eu tenho que te lembrar que foi você quem me sugeriu isso: procurar outra pessoa para passar a noite e talvez te esquecer – comentou – E agora que eu finalmente fiz isso, segui em frente, você tem essa reação.
— Então quer dizer que você me esqueceu? — perguntei – E você realmente queria que eu acreditasse nos seus sentimentos por mim quando dá para ver claramente como foi fácil para você me esquecer.
— Eu nunca disse isso – colocou a mão nos meus ombros – Caroline Forbes, eu te amo e o que aconteceu entre mim e Katherine não muda isso. E o fato de eu ter ficado tão irritada só prova como você também sente o mesmo.
Abri e fechei a boca várias vezes sem consegui pensar no que falar. Será que eu realmente estou apaixonada pelo Stefan e precisei vê-lo com outra e foi preciso vê-lo com outra para me dar conta disso? Ou isso é apenas um ciúme de melhor amiga e pelo fato dele ser o pai do filho que eu posso estar esperando?
Para que continuar negando, está na cara que é a primeira opção…
— Acho que foi um erro vir até aqui – concluí – Melhor eu ir mesmo embora; adeus, Stefan.
Por sorte o elevador continuava no andar e não precisei ficar esperando. Stefan não ofereceu resistência e me deixou ir sem problemas.
***
— A senhorita está bem? — o motorista de táxi perguntou, estávamos mais ou menos na metade do caminho entre o apartamento do meu antigo melhor amigo e o meu.
Passei a mão no rosto e limpei as lágrimas que escorriam por ele, não tinha percebido que estava chorando.
— Sim, eu estou bem – afirmei – Acho que só precisava de um choque de realidade, mas eu vou ficar bem;
Certo… — deu de ombros e voltou a prestar atenção na estrada na sua frente.
Dei uma olhada na janela ao meu lado e voltei a colocar a mão na minha barriga. É meu filho/minha filha, agora somos apenas nós dois.
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