Just One Night
3 Capítulo 2 – Problemas
Notas iniciais
Caroline
Para comprovar a minha teoria de que teria sido melhor Stefan ir direto para o Shopping me esperar por lá, nós pegamos um grande engarrafamento depois de sair do ateliê. Já estávamos presos naquele transito há uns vinte minutos e não tínhamos conseguido andar nem mesmo um quilômetro.
— Será que em algum momento vamos conseguir almoçar hoje? — questionei – Se demorar um pouco mais, é melhor eu descer desse carro e voltar para o trabalho.
— Como você é dramática, Caroline Forbes… — meu amigo revirou os olhos – É claro que a gente consegue almoçar. Eu, pelo menos, não estou com a menor pressa.
— Mas eu estou, Stefan – lembrei – Caso você não tenha prestado atenção antes: a Freya vai ao ateliê hoje a tarde para fazer a prova do vestido e eu preciso estar lá para ver como ficou.
— A Freya vai se casar com o meu irmão, Care, ela não deve ser tão pontual assim – brincou – E mesmo que ela chegue ao ateliê um pouco antes de você, tenho certeza de que a Emma e a Cristina conseguem se virar por alguns instantes sem você.
— Espero que mesmo que você esteja certo… — murmurei, apoiando o braço no vidro da janela do carro.
— Care, nós dois estivemos ocupados demais nesses últimos dias e está claro que precisamos relaxar – retirou uma das mãos do volante e colocou rapidamente sob a minha – Esse é um momento para nós, para almoçarmos juntos e colocarmos o papo em dia, como você mesma disse. Então vamos fazer isso.
— Tudo bem, Stef você tem razão… — concordei – Uma ou duas horas sem pensar em trabalho nem nada disso. É do que estou precisando nesse momento.
— É assim que eu gosto – ele sorriu
Meu celular começou a tocar dentro da bolsa. Retirei o aparelho e quando eu vi o número do pai no identificador de chamadas, rejeitei a ligação no mesmo instante.
— Está vendo eu disse que não demoraria muito – Stefan falou quando o carro a nossa frente começou a andar – Chegaremos ao shopping em pouco tempo, você vai ver.
***
E a sorte parecia, finalmente, ter virado ao nosso favor…
Exatamente como o meu amigo tinha previsto, em pouco tempo estávamos entrando no estacionamento coberto do shopping e arranjamos uma vaga que ficava bem perto do acesso as lojas. E, apesar de ser hora do almoço, o restaurante que eu sugeri, não estava tão cheio, o que quer dizer que conseguimos um lugar para sentar assim que chegamos.
— Estou mesmo muito empolada de finalmente vir aqui – comentei quando o garçom se afastou depois de fazermos os nossos pedidos – A Elena veio aqui semana passada com o Liam e disse que a comida é mesmo ótima.
— Tenho certeza de que é deve ser mesmo – Stefan – Mas então… O que é que você me diz….?
— O que quer que eu te diga? — quis saber.
— Bom, não sei… — riu e deu de ombros – Por que você não me diz o que tem feito de bom nessa última semana? Fora trabalhar no vestido de noiva da Freya, é claro.
— Tenho desenhado mais vestidos de noiva, é claro – respondi – Acho que não tinha ideia da quantidade de casamento que são realizados em Los Angeles e as pessoas realmente não economizam dinheiro, aproveitam que estão na cidade das estrelas e fazem festas cinematográficas também.
— Isso é bom para você – disse – Pelo menos em relação aos vestidos. Agora você só precisa abrir uma empresa de festas, ai você estará realmente feita.
— É uma ideia – sorri.
E desenhar todos esses vestidos de noivas, vendo todas essas mulheres se preparando para o dia mais importante das suas vidas, não te dá vontade de se casar também? — a pergunta dele foi feita da maneira mais casual possível, mas, mesmo assim, eu fui pega totalmente de surpresa.
— Bom, não posso dizer que eu quero sim me casar um dia, Stef, mas não agora – disse – Até porque, para me casa, eu preciso de um noivo.
— Tenho certeza de que “arranjar um noivo” não será um grande problema para você – garantiu – O que aconteceu com aquele seu namorado? Mark o nome dele, não é?
Mark Blackthorn, eu o conheci através da Emma, que trabalha comigo. Nós dois saímos juntos algumas vezes e posso dizer que nos divertimos muito, mas nada sério o bastante para me fazer querer trocar o meu estado civil.
— O Mark é muito legal, sabe como tratar uma mulher e o sexo também era muito bom, é claro – admiti – Mas a verdade é que ele não é o cara certo para mim. Talvez o homem da minha vida esteja vagando por ai, só que eu ainda não o encontrei.
— Não deixa o Damon ouvir te falar uma coisa dessas – avisou – Ou ele vai responder que na realidade o homem certo para você sou eu e que nós dois temos que deixar de sermos teimosos.
— Acho que não só o Damon, a Elena diria mesma coisa – fiz uma careta – Ela já me disse várias vezes que meus namoros não dão certo porque no fundo eu estou procurando por você nos caras com quem eu saio. As vezes eu acho que ela devia ter estudado psicologia e não jornalismo.
— Se meu irmão não estivesse extremamente apaixonado pelo Freya, eu diria que ele e a Elena tinha sido feito um para o outro – completou.
— Por favor, nunca deixe a Lena te ouvir falando uma coisa dessas – pedi – Ela agora está bem com o Liam e parece ter seguido em frente, eu e a Bonnie não precisamos aguentar a Elena se lamentando pelo Damon novamente.
Damon e Elena tiveram o que podemos chamar de “rápido romance”; não posso dizer que em algum momento isso tenha passado de sexo casual, mas Lena não parecia pensar da mesma maneira e estava claramente se apaixonando aos poucos. Obviamente quando ele conheceu a Freya tudo mudou e foi o fim das ficadas ocasionais, mas minha amiga demorou um pouco mais do que isso para aceitar que tinha mesmo acabado.
— Mas o que o Damon e a Elena não sabem, existe um motivo maior para nós dois nunca ficarmos juntos – continuei – Quem seria o meu padrinho de casamento se você fosse o noivo? Isso nunca daria certo?
— Tem razão – concordou, rindo.
— Mas e quanto a você, Stefan Salvatore? — foi a minha vez de questioná-lo – Quando você pretende apresentar uma namorada para a sua melhor amiga aqui?
— Não estou querendo ser repetitivo, mas digamos que eu ainda não encontrei a garota certa – disse – Mas, quem sabe um dia.
Durante esses quase cinco anos que eu conheço o Stefan e somos melhores amigos, só me lembro de ter visto ele saindo com alguma garota, além de mim, uma única vez. Ele sempre foi do tipo tímido.
— Já vou avisando que quero ser uma das primeiras a saber quando você encontrar a garota certa – disse – E da mesma maneira que você será padrinho no meu casamento, também ser sua madrinha quando se casar.
— Pode deixar, você será a primeira a saber – garantiu.
Foi nesse momento que meu celular tocou mais uma vez e eu nem mesmo precisei olhar para o identificador de chamadas para saber que era o meu pai, ela já tinha ligado umas cinco ou seis vezes desde hoje de manhã. Não pensei duas vezes antes de desligar o telefone.
— Se quiser você pode atender – Stefan avisou – Sabe que não precisa ter esse tipo de formalidade comigo. Se for importante, você pode atender.
— Acredite em mim, não é importante – respondi – É o meu pai quem está ligando.
— O seu pai? — pareceu tão surpreso quanto eu depois da primeira ligação – O que ele pode querer com você? Quero dizer, como ele pode ter coragem de te ligar depois de tudo…?
Os Forbes são uma das famílias fundadoras de Mystic Falls, uma cidadezinha no interior da Virgínia onde eu nasci, fui criada e morei até meus 18 anos. Meu pai é uma pessoa muito influente e dono de uma das maiores fazendas produtoras da região e eu, por ser sua única filha, herdarei tudo um dia.
Foi um grande custo convencê-lo que eu queria vir fazer faculdade na Califórnia junto com Bonnie e Elena, mas, por fim, acabou aceitando quando prometi que estudaria administração de empresas, algo que me ajudaria futuramente. Eu realmente tentei, mas depois de seis meses cheguei a conclusão que aquilo não era para mim e decidi transferir o meu curso para designer de modas; meu pai, é claro, ficou irritado e parou de mandar dinheiro para mim todos os meses e de pagar a minha faculdade, eu arranjei emprego com uma estilista aqui em Los Angeles e minha mãe também me ajudou sem que ele soubesse e assim eu consegui me formar e ainda consegui juntar algum dinheiro para abrir meu próprio negócio. Desde então eu nunca mais nem mesmo falei com Bill Forbes.
Pelo menos até hoje…
— Nesse último mês minha mãe tem falado muito sobre o meu pai e sobre como ele parece arrependido pelo que fez comigo – soltei um longo suspiro – E agora ele começa a me ligar toda hora…
— Você acha que ele realmente está arrependido ou a sua mãe está fazendo ele ligar? — ai está a minha grande dúvida.
— Sinceramente, eu não sei – dei de ombros – Mas garanto que não vou ligar de volta, para mim ele está morto em enterrado.
Depois de falar, eu percebi que a gravidade das minhas palavras.
— Mas que incessibilidade a minha, falando isso do meu pai sabendo que você não tem mais o seu – apressei-me em dizer – Sinto muito, Stef…
Não tem problema, Care – garantiu – Você está com raiva.
— Mas não é motivo para o falar dessa maneira – continuei – Imagino que você sinta muita falta deles, dos seus pais, eu digo.
— Todos os dias – admitiu – Fico pensando em todas as coisas da minha vida e da do Damon que eles não estavam perto: a minha formatura no Ensino Médio, as nossas formaturas na faculdade, a maneira como temos cuidado da agência; eles nem mesmo conheceram a Freya, não estar no casamento dele ou conhecer os netos. Pensar nisso é muito difícil.
— Eu imagino… — coloquei a mão rapidamente sob a dele, tentando confortá-lo – E eu realmente gostaria de poder fazer alguma coisa, mas…
— Mas você não pode, eu sei – interrompeu a minha frase – Sabe, eu tenho certeza de que eles teriam gostado muito de você também, se tivessem te conhecido.
— Também teria gostado muito de conhecer eles – sorri.
Então o garçom retornou trazendo os pedidos, interrompendo a nossa conversa.
— Bom, melhor pararmos com essa conversa triste, ou dará indigestão – avisei – Agora vamos comer.
— Sim, vamos comer – concordou.
***
Quando cheguei ao ateliê depois do almoço, Cristina, minha recepcionista, estava sentada atrás da sua mesa e mexia em alguma coisa no notebook. Então ela parou e se virou para mim assim que ouviu o sininho da porta.
— Olá, Caroline! — ela sorriu para mim – Você parece feliz, pelo jeito o almoço foi de hoje foi muito bom.
— E foi mesmo, excelente – garanti – Eu estava mesmo precisando passar algum tempo com o meu melhor amigo.
— Fico feliz com isso – sorriu.
— Bom, mas agora precisamos votar ao trabalho – lembrei – Onde está a Emma?
— Lá na sala de costura – respondeu – Ela disse que tinha algumas coisas para arrumar antes que a Freya chegue.
— Bom, imagino por essa resposta que a Freya ainda não chegou, não é mesmo? — ela disse que chegaria logo no início da tarde, o que significa que ela não deve demorar muito para aparecer.
— Se quiser eu te aviso assim que a Freya chegar – avisou – Sei que você quer muito ver.
— Me avise sim, por favor, Cristina – pedi – Mas enquanto isso, eu tenho algumas coisas para resolver lá na minha sala.
Está bem, Caroline – concordou antes que eu me afastasse e caminhasse na direção da minha sala.
***
Assim sentei na minha cadeira, peguei o celular para poder religá-lo. Havia uma chamada não atendia, mas dessa vez era da minha mãe, fiquei curiosa e levemente preocupada, ela não costuma me ligar assim, ainda mais durante a semana. Por isso, decidi retornar a ligação.
— Caroline!— ela não demorou muito para me atender – Eu tentei te ligar mais cedo, mas o seu celular caia direto na caixa postal. Que bom que você me retornou.
— Sim, eu vi que você tinha ligado, por isso estou ligando de volta – expliquei – Desculpe-me não ter atendido antes, acontece que eu fui almoçar com o Stefan e acabei deixando o meu celular desligado – claro que eu não disse exatamente o porquê de ter realmente deixado o celular desligado.
— Não tem problemas, minha querida, o importante é estar retornando – garantiu – Mas já que você falou no Stefan, me diga: como ele está?
— Está muito bem – respondi – Ocupado com a agência, da mesma maneira que eu tenho tido muito trabalho aqui no ateliê.
— Imagino— comentou – Da próxima vez que eu você encontrá-lo, diga que eu mandei um beijo.
Quando eu me formei na faculdade, minha mãe esteve na cidade e foi quando conheceu Stefan pessoalmente. Antes de ir embora ela me confessou que estava temerosa por me deixar sozinha aqui em Los Angeles, mas que agora sabia que meu melhor amigo cuidaria de mim.
— Pode deixar que eu falarei – garanti – Mas… Imagino que não tenha sido para perguntar sobre o Stefan que você me ligou mais cedo. O que foi que aconteceu?
— Oh sim, claro!— continuou – Eu liguei porque seu pai comentou que está tentando te ligar desde cedo e você não atende ele.
— Sim, eu vi que ele tentou me ligar – não escondi o tom de descontentamento na minha voz – E, sendo sincera, eu não pretendo atendê-lo mesmo, ele pode me ligar mil vezes e eu rejeitarei a chamada as mil vezes.
— Caroline…— ela soltou um longo suspiro do outro lado da linha – Sei que você tem milhão de motivos para estar chateada, eu mesma fiquei semanas sem falar com o Bill depois que ele decidiu cortar o dinheiro da sua faculdade, mas ele é o seu pai.
Meus pais nunca tiveram o que eu poderia chamar de “casamento perfeito” e foram várias as vezes que eu presenciei os dois discutindo e até mesmo brigando quando eu era criança. Para falar a verdade, não sei como minha mãe ainda pode estar junto com ele depois de todos esses anos.
— Ele tem falado muito de você nesses últimos meses e como se sente orgulhoso por ter uma filha que teve coragem de seguir com os próprios sonhos— prosseguiu – Ele realmente parece arrependido e você deveria escutá-lo.
— Mãe, ele teve quatro anos para se arrepender – lembrei – E agora que eu já enfrentei todos os problemas, me formei no curso que escolhi e consegui construir a minha vida do jeito que queria ele se mostra arrependido? Por que agora?
— Isso não é uma coisa para conversamos pelo telefone, minha filha— limitou-se em explicar – Mas eu só vou te dar um concelho: você deveria conversar com o seu pai e se entender com ele o quanto antes, pois um dia ele não estará mais aqui e você terá perdido a sua oportunidade. Não quero te ver arrependida no futuro.
Imediatamente me lembrei do Stefan e da nossa conversa mais cedo: um dia ele tinha os pais com ele e uma vida perfeita, então de repente não tinha mais os dois. Esse realmente era algo para se refletir.
— Mãe, por favor… — insisti – O que você não está me contando?
— Seu pai teve um princípio de infarto há três meses— disse, por fim – Não foi nada muito grave e ele só passou uma noite no hospital de Mystic Falls, mas o doutor Gilbert disse que isso é algo para ficar alerta e ele está indo todos os meses para fazer milhares de exames de rotina.
— Um princípio de infarto – minha voz saiu como um sussurro e não pude deixar de ficar preocupada com essa notícia – Mas ele sempre levou uma vida saudável, não fuma, raramente bebe. Como foi que isso aconteceu?
— Caroline, você sabe que, apesar disso, seu pai nunca foi do tipo que se exercitou ou se preocupou com a alimentação – lembrou – Claro que isso é apenas um alerta, mas também não é para vermos como nada demais.
— E agora ele está com medo de que lhe aconteça alguma coisa antes de se resolver comigo – conclui – Não é isso?
— Exatamente… - afirmou – Olha, Caroline, eu sei que pode ser difícil ara você, mas, por favor, apenas tente.
— Eu vou tentar – prometi.
— Por que você não vem passar o natal aqui em Mystic Falls?— sugeriu – Sei que ainda falta um tempo para isso, mas você já pode começar a planejar a viagem; traga o Stefan se for se sentir mais à vontade com ele aqui. Tenho certeza de que o seu pai vai ficar feliz.
— É realmente uma ideia a se pensar – concordei.
A porta da minha sala foi aberta e eu estava tão distraída que cheguei até a mesmo a me assustar.
— Desculpe-me atrapalhar, Caroline – Cristina disse quando percebeu a minha reação – É que a Freya acabou de chegar e eu vim aqui te avisar, exatamente como você me pediu.
— Oh sim, Cristina, obrigada – agradeci antes de voltar a colocar o telefone no ouvido – Mãe, eu preciso voltar ao trabalho agora. Podemos falar melhor sobre isso depois?
— É claro, minha filha— respondeu – Não vou atrapalhar o seu trabalho, a gente conversa depois e com mais calma.
— Está bem – completei – E me dê notícias sobre o meu pai sempre que puder, por favor.
— Pode ficar tranquila— garantiu antes de desligar.
Coloquei meu celular em cima da mesa ao lado do computador e só depois voltei a me virar na direção da minha recepcionista, que continuava parada no mesmo lugar de antes.
— Está tudo bem, Caroline? — ela perguntou, por fim – Você parece preocupada com alguma coisa.
— Estou bem sim, Cristina – balancei a cabeça negativamente antes de me levantar – Vamos lá…
Claro que a notícia do princípio de infarto me preocupou, não estava preparada para escutar uma coisa dessas. Mas agora eu preciso deixar um pouco os problemas de lado e voltar a me focar no trabalho.
***
Assim que eu cheguei a área de costura e Freya já estava usando o vestido de noiva. Tinha ficado perfeito, exatamente como tinha imaginado que ficaria nela quando desenhei.
— Freya, você está, simplesmente, incrível – disse, fazendo com que ela se virasse para mim – Vai ser a noiva mais linda de Los Angeles.
— Obrigada, Care – deu um sorriso sem graça – Também gostei muito do resultado, está mesmo maravilhoso.
— E as medidas ficaram quase perfeitas – Emma comentou – Só preciso fazer alguns ajustes na cintura e mexer no comprimento da saia.
— Isso é mesmo ótimo – comentei – Bom, acho que já podemos fazer os ajustes agora então, não é mesmo?
— Só preciso pegar um sapato de salto para poder mexer na saia do vestido – avisou – É melhor fazer isso com um sapato do que descalça, para podermos ter uma noção melhor do comprimento que deve ficar.
— Sim, é uma ideia – concordei – Temos alguns sapatos de teste lá no estoque.
— Vou lá pegar. — Emma avisou – Esperem um minuto aqui.
Ela passou pela cortina. Então Freya caminhou na direção do espelho para poder se olhar melhor.
— Está tudo bem, Freya? — decidi perguntar.
— Isso tudo é tão surreal… — comentou, sem tirar os olhos do próprio reflexo – O Damon me pediu em casamento e desde então temos planejado tudo para a cerimônia: lista de convidados, igreja, festa…, mas experimentar o vestido, torna tudo tão real. Não posso deixar de sentir um pouquinho de medo.
— Você não precisa ficar com medo, Freya – tentei acalmá-la – Você e o Damon se amam e tem tudo para serem muito felizes.
— Tomara que você esteja certeza, Caroline – disse.
— Eu tenho certeza do que estou dizendo, Freya – garanti – Não teria aceitado ser sua madrinha de casamento caso não acreditasse nisso.
Ela sorriu, sinal de que estava mais relaxada depois do meu comentário, o que era muito bom.
— Falando nisso, você já desenhou os vestidos das madrinhas – quis saber em seguida.
Além do vestido da noiva, Freya também me contratou para desenhar o vestido das suas madrinhas de casamento. Essa tarefa estar se tornando um pouco mais difícil que a primeira, afinal eu serei uma das que usará o vestido.
— Eu desenhei três modelos diferentes de vestidos – respondi – Vamos até a minha sala quando a Emma acabar aqui e você já dá uma olhada.
— Perfeito! — concordou – Bom, serão quatro casais de padrinhos no casamento: você e o Stefan, a Bonnie e o Enzo, a Lexi e o Alaric e a minha irmã, Bekah e o namorado. Pensei que cada uma das madrinhas poderiam usar um vestido de cada cor: uma de azul, uma de roxo, uma rosa e uma de verde, o que você acha?
— Acho que me parece uma ótima ideia – afirmei com a cabeça – Mas o casamento é seu e acho que você tem que decidir todos esses detalhes.
— A minha ideia também é que cada um dos padrinhos use a gravata combinando com a cor do vestido do seu par – continuou – Vou até te deixar escolher a cor do seu vestido primeiro. Antes de todas as outras.
— Bom, acho que escolho azul – respondi sem nem mesmo pensar duas vezes – Sei que é a cor favorita do Stefan e ele vai gostar de usar uma gravata dessa cor.
— Então vocês ficaram com o azul, está resolvido! — completou – Os outros casais terão que se contentar com as outras cores.
— Está bem então – concordei.
Foi nesse momento que Emma retornou, trazendo nas mãos duas caixas de sapatos.
— Quando eu cheguei lá embaixo lembrei que não sabia o tamanho do salto você usará no casamento – explicou – Então eu doce dois sapatos diferentes para ver qual fica melhor.
— Bom, então vamos logo fazer isso… — avisei – Esse vestido tem que estar incrível até o dia do casamento.
***
— Sabe, Caroline, como você sabe eu tenho cinco irmãos – Freya comentou quando já estava em cima do banco enquanto Emma ajustava a bainha do vestido – Quem sabe você não pode se acertar com um deles no meu casamento?
— Bom, eu duvido muito… — estava sentada em uma cadeira observando todo o trabalho – Não que eu não ache que seus irmãos não seriam bons namorados, mas eles moram em Londres e eu aqui em Los Angeles…, não acho que daria muito certo…
— Finn, meu irmão mais velho, é casado e muito feliz, já o Henry, o caçula da família, só tem 13 anos e não acho que você esteja disposta a esperar até que ele tenha 18 anos – prosseguiu, ignorando totalmente o meu último comentário – Então sobraria o Elijah, o Klaus ou o Kol, qualquer um dos três seria perfeito para você. E nós duas seriamos cunhadas, não ia ser o máximo?
— Tenho certeza de que eles devem ser ótimos… — disse – Mas eu realmente não estou procurando por um namorado no momento, quero me focar na minha carreira.
— Bom, se você não quer saber dos meus irmãos… — deu de ombros – Existe uma outra maneira de sermos cunhadas.
— Por favor, Freya, não me diga que você quer me apresentar para a sua irmã? — a interrompi – Acredita, não tem a menor chance dela fazer o meu tipo.
— Relaxa, Care, você também não faz o tipo da Rebekah – brincou – Eu estava falando do Stefan…
— Você também não, Freya… — reclamei, revirando os olhos – Já bastante o Damon e a Elena insistindo que seriamos um casal legal. Agora vem você falando a mesma coisa?
— Pois os dois estão certos – afirmou – Você e o Stefan estão sempre juntos, se conhecem melhor do que ninguém, você sabe até mesmo a cor favorita dele. Tudo que falta e vocês dois deixarem de ser teimosos e se beijarem logo de uma vez.
— E o Stefan conhecemos nem um ao outro porque somos melhores amigos, nada mais do que isso – já perdi as contas de quantas vezes eu já tinha dito essa frase – Vocês que ficam vendo maldade onde não tem.
— Mas uma coisa você tem que admitir – continuou – O Stefan é um gato.
— Isso eu tenho que concordar com a Freya, o Stefan é mesmo um gato – foi Emma quem falou e nós duas nos viramos para ela – Não me levem a mal, eu estou muito feliz com o meu Julian e decididamente não quero outro namorado, mas ele é perfeito para Caroline.
— Eu mereço… — revirei os olhos.
— Care, a gente só quer o seu bem – avisou – E o melhor para você, com certeza, é ao lado do Stefan.
Para a minha sorte, o celular de Freya começou a tocar, interrompendo aquela conversa constrangedora.
— Care, será que você pode pegar o meu celular para mim? — pediu – Deve ser o Damon, ele está desde cedo querendo combinar da gente se encontrar mais tarde.
Então eu abri a bolsa dela e peguei o aparelho lá dentro. Como Freya tinha previsto, era mesmo o Damon ligando.
— Está vendo – sorriu antes de rejeitar a chamada – Deixe-me mandar uma mensagem para ele dizendo que agora não posso falar agora, mas que ligo para ele assim que terminar aqui.
Ela começou a digitar rapidamente e assim que enviou a mensagem me devolveu o telefone para voltar a guardá-lo.
— Eu levei o Damon para uma aula de tango e disse para ele que queria que essa fosse a dança do nosso casamento – contou – Agora ele está tentando me convencer do contrário. Claro que no final vou dizer a ele que é melhor ficarmos na valsa mesmo, mas ainda vou fazê-lo sofrer um pouquinho mais com isso.
— Coitado, Freya… — foi impossível não rir imaginando a situação.
— É assim mesmo que devemos tratar os nossos namorados/maridos, mostrando quem é que realmente manda – brincou – Vai aprendo e faça a mesma coisa quando estiver com o Stefan.
— Por favor, Freya, não começa com isso outra vez – voltei a me sentar na cadeira em que estava há alguns minutos.
— Tudo bem, não está mais aqui quem falou – prometeu – Um dia você me dará razão…
— Bom, já terminei de ajeitar a saia – Emma avisou – Agora vamos apertar um pouco mais a saia.
— Vamos lá – Freya concordou.
***
Assim como tínhamos combinado, assim que terminou o ajuste do vestido, Freya foi até a minha sala para ela poder escolher a roupa das madrinhas que eu tinha desenhado.
Nós conversamos por mais tempo do que estava planejando e quando percebemos, já estava escuro do lado de fora e Emma e Cristina já tinham ido embora. Então decidimos sair da loja juntas.
— Care, você quer uma carona? — ela perguntou quando eu estava terminando de trancar tudo.
— Pensei que você se encontrar com o Damon agora? — disse – O apartamento deles ou até a mesmo a agência é totalmente fora do caminho para o meu apartamento.
— Na realidade eu vou passar no meu apartamento antes de combinar alguma coisa com o Damon – avisou – Posso muito bem te dar uma carona até a sua casa, é caminho.
— Está bem – concordei – Eu aceito a sua carona.
Ela sorriu, satisfeita e nós duas seguimos para o seu carro, que estava estacionado há poucos metros da porta do ateliê.
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