Just One Night

9 Capítulo 8 – Tempos felizes


Notas iniciais
Oi gente!!! Postando o capítulo mais cedo, como está pronto, porque esperar né? Bom, espero que vocês gostem E nos vemos lá embaixo nas notas finais...

Caroline

Eu sou uma idiota, sou uma completa idiota.

Quando descobri o grande segredo de Stefan decidi que não sossegaria até consegui ajudá-lo a perder a virgindade e logo a conclusão foi que eu mesma tinha que fazer, afinal, somos amigos, temos bastante intimidade e é isso que uma boa amiga faz, não é nada demais. E esse foi o meu primeiro erro…

Aquele beijo que trocamos na sala dele já foi diferente, depois de cinco anos de amizade nunca pensei que algo assim pudesse me abalar tanto, mas abalou. Então, ouvir meu melhor amigo dizer que tinha se sentido da mesma maneira foi o suficiente para que eu quisesse beijá-lo outro e dessa vez teria ido mais além, se não fosse pela Elena.

Agora eu estou aqui, há apenas algumas horas de ir para o apartamento dele para transarmos, exatamente como combinamos há quatro dias. E eu não poderia estar mais temerosa.

Pode parecer infantilidade da minha parte, mas eu queria poder ficar deitada o restante do dia…, quem sabe se eu não aparecesse, Stef esquecia dos nossos planos e assim tudo voltaria ao normal?

— Muito bem, Caroline, deixa de ser covarde – falei ao mesmo tempo – Você nunca foi assim e não é a hora de começar a ter medo….

Mesmo um pouco relutante, fui me arrastando até o banheiro. Já debaixo do chuveiro deixei a água cair pelo meu corpo, enquanto lembrava de outros tempos mais simples e, posso até dizer, mais felizes.

*Flashback*

Bom acho que isso é tudo – e professor comentou depois de escrever no quadro exatamente o que queria no trabalho que ele tinha acabado de passar e todos no local anotavam tudo freneticamente – O trabalho é apenas para daqui há dois meses, mas eu sugiro que comecem o mais rápido o possível, pois valerá metade da nota na matéria e, sem querer pressioná-los, isso determinará como vocês passaram o restante do curso.

O trabalho consistia, basicamente em criar uma empresa fictícia e explicar como iria administrá-la para que fosse um sucesso e rende-se bastante lucro… Estou na faculdade ha pouco mais de um mês e admito que estou tentando bastante dificuldade com as aulas, mas é claro que não pode saber, ele está muito orgulhoso da sua filha estudar administração de empresas para seguir os seus passos.

Vocês podem ir embora depois de terminarem de copiar – completou – E vocês já podem começar a formar as duplas para o trabalho.

Eu tinha terminado de anotar tudo, comecei a arrumar todo o meu material imediatamente.

Acho que não preciso dizer que quero você como a minha dupla no trabalho, não é mesmo? — Stefan, que estava sentado ao meu lado, já perguntando.

Acredite, essa era a minha ideia desde o momento em que o professor falou que o trabalho seria em dupla – avisei.

Desde que os conhecemos no primeiro dia de aula, Stef e eu nos tornamos grande amigos e ele também é a pessoa que mais tem me ajudado com os estudos da faculdade e acho que se não fosse assim, acho que eu tinha desistido antes do fim da primeira semana. Por isso não pude deixar e agradecer mentalmente por esse trabalho ser em dupla.

Perfeito! — sorriu com a minha resposta – Só preciso passar na empresa para pegar uma coisa que esqueci lá, mas depois estou livre pelo restante da tarde livre para começarmos o trabalho.

Então eu vou com você, também não tenho mais nenhuma aula hoje – eram poucas as aulas que não tínhamos juntos, por isso nossos horários eram parecidos – E onde vamos para fazer o trabalho? Vamos voltar aqui para o campus e ir para a biblioteca?

Acho que é uma perda de tempo fazer isso – respondeu – Por que não vamos para o meu apartamento? E Jenna está lá hoje e pode até nos fazer um lanche.

E o seu irmão também pode chegar a qualquer momento – lembrei, fazendo uma careta – Você sabe, eu ainda estou meio traumatizada com a maneira… direta dele.

Stefan já tinha me alertado sobre seu irmão galinha e eu pude comprovar que era mesmo verdade quando ele não perdeu tempo de dar em cima de mim no instante em que nos conhecemos. Obviamente eu deixei bem claro que não tinha o menor interesse e ele pareceu entender.

Relaxa, tenho certeza de que meu irmão aprendeu a lição da última vez – garantiu – Mas se você prefere, por que não vamos para o seu apartamento? Eu ainda fui lá.

Meu apartamento comparado com seu não é nada – avisei – Não quero que você se sinta desconfortável.

Eu não me importo com isso, Care, pode ter certeza de que eu não vou me sentir desconfortável – garantiu – Assim eu também conheço as suas amigas, e você fala tanto delas…

Certo, já que é assim… — concordei – Bom, vamos logo, quanto mais rápido nós formos, mais rápido nós começamos o nosso trabalho.

Você manda… — ele também já tinha terminado de anotar o que estava no quadro, então começou a guardar tudo para podermos sair.

**

Eu já sabia que Stefan ajudava o irmão com a agência de publicidade da família depois da morte dos pais, isso antes mesmo de entrar no Ensino Médio. Mas eu não tinha ideia de que a empresa era tão grande.

Fiquei maravilhada no instante em que entrei no prédio e fiquei observando todos os cantos enquanto meu amigo me arrastava até a sua sala, que era fabulosa exatamente como o resto.

Uau… — comentei enquanto ele ia até a sua mesa – Você não estava brincando quando disse que já tinha um emprego garantido depois que se formasse. E é um belo emprego: sócio e administrador de uma grande agência de publicidade.

Bom, estou apenas levando adiante o negócio da família, eu tive sorte – deu de ombros – E eu ainda não sou o principal administrador, mesmo de Miami, meu tio ainda me ajuda muito; só vou assumir o trabalho integral depois de formado.

Mesmo assim, é uma grande responsabilidade – comentei.

Mas eu não sou o único aqui que tenho um emprego garantido depois de formado – lembrou – Não mesmo, senhorita vou herdar a fazenda na minha família?

Eu apenas soltei um longo suspiro e me encostei na porta, passando a encarar os meus próprios pés.

O que foi, Care…? — Stefan quis saber – Eu disse alguma coisa errada?

Sabe, quando eu era pequena eu dizia que aquela fazenda seria toda minha um dia – foi impossível não dar um sorriso bobo com aquela lembrança – Eu tinha uns três ou quatro anos, quando meu pai me levava para passear a cavalo e eu achava tudo aqui um máximo. Mas hoje em dia, eu não me vejo mais presa na mesma cidade pelo resto da vida, quero fazer outra coisa que não seja administrar uma fazenda, eu nem sei mesmo se administração de empresas é a profissão certa para mim.

Você deveria largar o curso e fazer algo de que goste – sugeriu – Sabe que eu te dou o maior apoio e, pelo que você fala, suas amigas pensarão da mesma maneira que eu.

Acredite se eu pudesse faria isso, mas não é uma opção – disse – Meu pai nunca aceitaria.

Não tem como saber se não perguntar – insistiu – Você devia conversar com ele, dizer que está infeliz com o curso e que queria fazer outra coisa.

Aquela realmente parecia uma boa ideia, mas, com certeza, nunca daria certo. Bill Forbes pode ser muito teimoso quando quer, eu puxei isso dele.

Sonhar é mesmo muito bom… — fiz uma careta – Mas, no momento, nós precisamos começar o nosso trabalho. Ainda não achou o que tinha esquecido aqui?

Já peguei… — ele me mostrou um molho de chaves antes de colocar no bolso – Agora vamos.

**

Espalhamos os livros e anotações por toda a mesa da sala e ainda peguei o notebook para possíveis pesquisas na internet. Já estávamos ali há quase duas horas e conseguimos fazer um grande progresso com o trabalho.

Será que nós podemos fazer uma pausa? — meu amigo pediu – Eu estou começando a ficar cansado…

Acho que podemos parar por hoje – concordei – O que você acha de um lanche? Tem alguns rolinho primavera do jantar de ontem e eu posso trazer um suco também?

Acho uma ideia perfeita – ele respondeu – Estou mesmo com um pouco de fome.

Antes que eu pudesse levantar da cadeira, ouvi barulho de chave na porta. E um segundo depois, Elena entrou no apartamento.

Ah, oi! — ela disse, enquanto olhava para mim e para o Stefan repetidas vezes – Não sabia que você estava com visitas, Care…

Lena, esse é o Stefan, meu amigo da faculdade, eu já te falei dele antes – comecei a fazer as devidas apresentações – Nós viemos para cá fazer um trabalho, totalmente de última hora, por isso não avisei nada para vocês.

Sem problemas – garantiu – É um prazer, finalmente, te conhecer, Stefan, acredite, a Care fala muito de você.

Espero que apenas coisas boas – brincou – Também é um prazer conhecê-la, Elena, certo? — olhou para mim enquanto fazia a pergunta.

Sim, essa a Elena – afirmei – A Bonnie ainda deve estar na faculdade e só deve chegar a noite, mas garanto que não faltará oportunidade de para você conhecê-la.

Acredito que não… — concordou.

Bom, Lena, eu estava indo até a cozinha pegar alguma coisa para comermos – expliquei – Você vai querer alguma coisa?

Para ser sincera, estou começando a ficar com fome – respondeu – Mas não se preocupe, vou até a cozinha com você.

Então seguimos juntas para o outro cômodo. Eu coloquei todos os rolinhos primavera na micro-ondas para esquentar e peguei uma caixa de suco pronto e coloquei um pouco em três copos, enquanto isso minha amiga estava encostada na bancada da pia me encarando.

Sei que você deve estar querendo falar alguma coisa – eu conhecia Elena bem o suficiente para ter certeza disso – Então, pode começar…

Agora eu entendo porque você está sempre com ele na faculdade – estava com um sorriso malicioso no rosto – Ele é um gato… — sussurrou essa última frase, provavelmente com medo que Stef pudesse nos ouvir da sala.

Sério? Eu não tinha reparado… — aquilo não era bem uma verdade, eu já tinha reparado na beleza dele, não sou cega, mas não é como se fosse a coisa mais importante.

Ora, Care, por favor… — revirou os olhos – Vai me dizer que você ainda não tirou uma casquinha? Por favor, diga-me, pelo menos, que pensou nisso…

Stefan e eu somos amigos, Elena – disse – Ele tem me ajudado muito e tem sido muito respeitoso comigo e isso é tão raro nos caras hoje em dia.

Bom, eu duvido que as coisas continuem assim por muito tempo – continuou – Meu palpite é que vocês estejam namorando até o final do semestre.

O micro-ondas apitou e eu tirei os rolinhos primavera lá de dentro.

Pois o seu palpite está errado – completei – Agora vamos lá para dentro que o Stefan está nos esperando.

Eu só quero um – avisou, enquanto pegava um rolinho do prato – Vou ficar bem aqui, assim não atrapalho os “pombinhos”.

Só você mesma, Lena… — revirei os olhos antes de sair da cozinha.

*Fim do Flashback*

Essas lembranças me deixavam com ainda mais vontade de não ter feito promessa nenhuma para o Stefan. Apesar de tentar parecer segura, meu maior medo decididamente é que isso tudo estrague a nossa amizade.

Ainda acho que as coisas seriam mais fáceis se eu não tivesse a Elena, o Damon e até mesmo a Freya fazendo pressão e dizendo que formaríamos um casal legal. Nunca ficaríamos com essa dúvida do “e se…”, mesmo que a gente acabasse se beijando ou até mesmo transasse, seria mais fácil.

— Mas agora não adianta mais lamentar… — hoje eu decidi adquirir a péssima mania de conversar sozinha – O jeito é rezar para que nada mude…

Soltei um longo suspiro antes de desligar o chuveiro e então peguei a toalha para poder me enrolar antes de sair do boxe.

***

Depois de secar um pouco os cabelos e trocar de roupa, eu estava pronta para tomar meu café da manhã antes de ir ao trabalho. Pelo horário, pensei que minhas amigas já tivessem saído, mas foi uma grande surpresa encontrar Bonnie quando entrei na cozinha.

— Finalmente você apareceu… — ela comentou – Pensei que você não fosse sair do quarto hoje…

— Meu despertador não tocou hoje cedo e por isso acabei me atrasando – menti – Sorte que eu não tenho nada marcado no ateliê hoje, então não tem muito problema eu chegar atrasada.

— Realmente não tem tanto problema – concordou.

Peguei uma xícara e a enchi com café. Me apoiei na bancada da pia e comecei a beber lentamente.

— Você não vai comer nada? — Bonnie quis saber.

— Não estou com fome – e aquilo era mesmo verdade, só a ideia de comer alguma coisa nesse momento já fazia o meu estômago embrulhado, então eu prefiro ficar só com o café e eu compenso depois no almoço.

— Care, eu sei que você é adulta e sabe muito bem o que está fazendo e o que é melhor para você – comentou – Mas o café da manhã é a refeição mais importante do dia, tem certeza de que é uma boa ideia sair de casa com o estômago vazio?

— Eu vou ficar bem, Bon… — terminei o café e coloquei a xícara de na pia – Bom, acho melhor eu ir embora; Você também já vai sair?

— Na verdade, eu estava aqui só te esperando – foi só então que reparei que Bonnie realmente não estava comendo nada e não tinha nada na sua frente, ela estava apenas ali, sentada – Eu preciso ir até o ateliê para tirar as medidas do meu vestido de madrinha, lembra? Você até comentou isso comigo no início da semana.

Isso era verdade, os outros três vestidos das madrinhas do casamento da Freya e do Damon já estavam sendo feitos; apenas o da Bonnie que ainda não tinha nem mesmo começado. Sorte que ainda estamos com tempo, ou eu entraria em desespero.

— Oh sim! Você tem razão… — concordei, balançando a cabeça negativamente – Então vamos logo, imagino que depois você tem que voltar correndo para o trabalho, não é mesmo?

— Você está certa – afirmou enquanto se levantava – Eu só vou pegar a minha bolsa e já podemos ir.

***

Enquanto Emma tirava as medidas de Bonnie, eu ia até o provador para colocar o meu vestido para fazer a primeira prova. Ele era semelhante ao de Freya, desenhado justamente para combinar com o dela; era sem manga, todo de renda e com um fino tecido por baixo.

— Uau, você realmente não estava exagerado, Care – minha amiga comentou assim que me viu – O vestido é mesmo maravilhoso.

— Obrigada… — dei um sorriso sem graça – Acho que de todos os vestidos que eu fiz esse foi o que eu mais gostei e fiquei mesmo feliz da Freya ter escolhido ele.

— Caroline, agora é a sua vez de vir aqui… — Emma apontou para o banquinho de onde Bon tinha acabado de descer – Vamos fazer os ajustes necessários no vestido.

— Você manda… — brinquei, fazendo exatamente o que ela me pediu.

— Bom, Emma, se você não precisa mais de mim, eu já vou indo – Bonnie avisou – Tenho milhares de coisas para fazer na agência hoje e não posso mais me atrasar.

— Claro, Bonnie, você já pode ir – avisou.

— Tchau, Bon – me despedi dela com um aceno – Nós nos vemos hoje a noite, imagino…

— Na verdade não – respondeu – Enzo vai me buscar no trabalho hoje, ele vai me levar para jantar, depois vamos direto para o apartamento dele.

Bom, divirta-se então… — completei antes que ela passasse pela cortina.

Assim que ficamos sozinhas, deixei que Emma fizesse o trabalho em silêncio. Para a minha sorte, não tinham muitos ajustes a serem feitos e quando ela disse que já tinha acabado eu desci do banquinho e me sentei no pufe pois senti uma pequena tontura, provavelmente por causa do fato de eu não ter tomado café da manhã.

— Você está bem, Caroline…? — pareceu preocupada, de ajoelhando na minha frente.

— Estou bem sim, Emma – garanti.

— Espera que eu vou pegar água para você – tinha um frigobar dentro da área de costura, então ela só foi até lá e pegou uma garrafa – Aqui está…

— Obrigada… — peguei a garrafa e tomei um gole – Em…, eu posso te fazer uma pergunta um pouco pessoal?

— Claro – afirmou – Só espero que não seja nada muito íntimo, sabe que eu sou um pouco tímida para falar de certos assuntos.

— Não se preocupe, não é tão pessoal assim – ri – Só queria perguntar: você e o Julian, ainda estão juntos, não é mesmo?

— Sim, nós ainda estamos juntos – afirmou – E muito felizes, se me permite dizer.

— Que bom… — comentei – Vocês eram melhores amigos antes de começarem a namorar, não é mesmo?

— Exatamente – respondeu positivamente mais uma vez.

Nesse pouco mais de um ano em que trabalha aqui comigo já percebi que Emma era muito fechada em relação a vida pessoal. Uma das coisas que sei ao seu respeito é que ela e o namorado, Julian, se conhecem desde que crianças, eram melhores amigos e acabaram se apaixonando quando tinham 17 anos; e isso tudo eu descobri por intermédio de Cristina, que é próxima aos dois.

— E como é que foi isso para você? — insisti – A transição de melhores amigos para namorados, quero dizer…

— Bom, não posso dizer que foi fácil, pois seria mentira – deu de ombros – Fiquei com muito medo do que poderia acontecer, que se não desse certo isso poderia acabar com a nossa amizade, essas coisas todas…

— Imagino – observei – Mas o que te fez jogar tudo para o alto e viver esse relacionamento?

Não que eu estivesse querendo fazer a mesma coisa que ela, mas era sempre bom ouvir a experiência de alguém em relação a algo semelhante ao que você está vivendo.

— Eu estava apaixonada, valia a pena – sorriu – Durante anos eu pensei que Julian e eu éramos como irmãos, mas então um dia a gente se beijou e tudo mudou. E acho que posso dizer que valeu a pena arriscar.

Senti-me ligeiramente incomodada com aquelas palavras. Mas a verdade é que eu não tenho motivos para me preocupar, minha história com o Stefan é totalmente diferente da história da Emma e do Julian, não tem absolutamente nada a ver…

— E, se quer saber a minha opinião, você e o Stefan também tudo para serem um casal legal um dia – continuou – Acho que valeria a pena você arriscar também.

— O que faz você pensar que era exatamente por isso que eu estou perguntando sobre você e o Julian? — elevei um pouco o meu tom de voz.

— Não precisa ser um gênio para perceber isso, Caroline – concluiu.

— Olá, meninas… — nossa conversa foi interrompida pela surpreendente chegada de Freya – Desculpem entrar assim, é que Cristina avisou que vocês duas estavam aqui.

— Não tem problema, Freya – garanti, de certa maneira foi muito vê-la aqui, assim não precisaria continuar com aquele constrangedor assunto – Mas, se me permite perguntar, o que você está fazendo aqui?

— Trouxe para a Emma a sugestão flores para o buquê, exatamente como ela me pediu – mostrou a folha de papel que estava segurando – Eu não devo demorar muito, preciso voltar logo para a faculdade.

— Certo, enquanto vocês duas conversam, eu vou trocar de roupa – comentei, lembrando que ainda estava usando o vestido de dama de honra – Já volto.

Então fui até o provador para poder colocar as minhas roupas de volta; de lá eu podia ouvir as vozes de Freya e Emma, mas não podia decifrar o que estavam conversando.

Já arrumada e pronta para voltar para onde as duas estavam, voltei a sentir a mesma tontura de alguns minutos atrás. Infelizmente, desse vez não deu tempo de fazer mais nada, pois logo comecei a sentir minha visão embaçar e em seguida, tudo ficou escuro.

***

Quando recobrei a consciência, estava na minha sala, sentada na minha cadeira e com as pernas em cima de um pufe que pertencia a sala de costura. Em frente a mim estava Freya, que parecia muito preocupada.

— Finalmente você acordou… — disse – Eu estava começando a ficar preocupada, estava quase chamando um médico.

— Eu estou bem – tentei me levantar, mas voltei a me sentir tonta, então desisti – Acredite, e não preciso de médico…

— Com licença, senhorita Mikaelson – Cristina tinha acabado de entrar no local e trazia um sanduíche natural e um copo de suco de uva – Trouxe o que a senhorita me pediu.

— Oh, sim! Obrigada, Cristina – agradeceu, então ela me cumprimentou antes de sair.

— Para que tudo isso, Freya…? — quis saber, imediatamente.

— Bom, eu imaginei que esse seu desmaio só poderiam significar duas coisas: ou você não se alimentou direito ou você está grávida – enumerou – E, nos dois casos, vai ser bom que coma alguma coisa.

— Acredite em mim, Freya, eu não estou grávida e não tem a menor possibilidade de eu estar – garanti – Eu apenas não tomei café da manhã direito hoje, só isso.

Decidi dar uma mordida no sanduíche, era mesmo muito bom. Talvez aquilo fosse tudo que eu precisava mesmo.

— Bom, é mesmo uma pena que você não esteja grávida – lamentou – Eu ia gostar muito de ser tia.

Por favor, Freya, eu já tive problemas o suficiente essa semana; acho que para o resto da minha vida – reclamei – Não preciso que você faça insinuações sobre mim e o Stefan. Como todo mundo, aliás.

— Desculpe – disse – Bom, eu não queria, mas acabei ouvindo um pedaço da sua conversa com a Emma e vi que vocês falavam do Stefan. Não querendo “piorar” esses seus problemas, mas será que ele é causa dessa sua má alimentação de hoje?

Soltei um longo suspiro… A verdade é que eu precisava desabafar com alguém sobre o que está acontecendo e essa pessoa definitivamente não pode ser Elena, e Bonnie não tem tempo para ouvir os meus lamentos; acho que Freya pode ser a pessoa certa para isso.

— Por favor, Freya, só peço que não me julgue – pedi – É que eu e o Stefan vamos transar, hoje a noite.

— Como assim? — pareceu confusa.

— É uma longa história, não posso entrar em muitos detalhes – expliquei – Mas é para ser apenas uma noite, sem nenhum tipo de compromisso, você entende?

— Tipo para matar a curiosidade…, é eu não te culpo – concluiu – Mas qual é o grande problema, então?

— Quase aconteceu, na segunda-feira, lá no meu apartamento – já que eu tinha começado, melhor jogar logo a bomba toda – Se não fosse pela Elena, nó teríamos ido para a cama.

— Uau… — foi tudo que ela disse em seguida.

— Eu estou confusa – admiti – Por um lado eu gostei do beijo, gostei de tudo que aconteceu, mas também sei que o Stefan é meu melhor amigo e esse sentimento não mudou.

— Tudo que você sente por ele é desejo… — observou – É isso que você está tentando me dizer?

— Acho que é isso mesmo… — afirmei – Você acha que é melhor eu ligar para o Stefan e dizer que não é uma boa ideia levarmos isso adiante e desmarcar tudo?

— Não, não acho que esse seja a melhor ideia – respondeu – Vai ser pior ficar na expectativa o que realmente fazê-lo. Mas, será que você me permite um único concelho?

— Claro… — afirmei.

— Quando eu aceitei sair com o Damon pela primeira vez, percebi que ele era do tipo capaz de fazer qualquer coisa para levar uma mulher para cama e eu prometi para mim que não me deixaria seduzir – falou – Mas o tempo foi passando, sai com ele várias vezes e já me via totalmente envolvida. E no dia em que o Damon me pediu oficialmente em namoro, deixou bem claro que não tinha ficado com mais ninguém desde que nos conhecemos e isso foi o suficiente para eu dizer sim.

Foi impossível não sorrir ao ouvir aquela história. Era mais do que evidente o quanto Damon e Freya se ama e bom saber como isso tudo começou.

— A questão é: nós não estávamos juntos ainda, mas a ideia do Damon estar com outra me enlouquecia – revirou os olhos – Acho que é isso que você tem que se perguntar: Como você se sentiria se o Stefan arranjasse uma namorada? Acho que a resposta vai determinar se você realmente só sente desejo por ele ou se o ama.

Isso era muito fácil, é claro que eu me sentiria incomodada caso o Stef arranjasse uma namorada, mas da mesma maneira que ele fica quando eu começo a namorar ou como eu fiquei assim que Bonnie e Elena começaram a sair com Enzo e Liam. É ciúmes natural de amigo, aquele incomodo de quando você percebe que terá que dividir uma pessoa que é tão importante, não quer dizer nada…

— Eu tenho certeza do que eu sinto, Freya – garanti.

— Se você diz… — deu de ombros, e foi nesse momento que o telefone dela começou a tocar – Um minuto… Freya Mikaelson…

Ela começou a andar pela sala enquanto ouvia a pessoa que estava do outro lado da linha.

— Certo, eu estou indo para ai, agora mesmo – avisou antes de desligar – Care, eu preciso ir, teve um problema lá no laboratório e eu preciso ir resolver. Você vai ficar bem?

— Claro… — afirmei – Vai lá resolver os seus problemas de cientista maluca.

— Você parece até os meus irmãos falando – fez uma careta – E, por favor, termina de comer o sanduíche.

— Pode deixar – respondi antes de dar mais uma mordida no sanduíche.

— E fica tranquila que eu vou ligar para o Damon e intimá-lo a ir para o meu apartamento assim que sair do trabalho – avisou – Assim você e o Stefan terão privacidade.

— Eu agradeço, Freya – completei.

***

Por insistência de Emma e Cristina, eu fui embora do ateliê um pouco depois da hora do almoço. Já em que casa eu fiz uma coisa que não fazia há muito tempo, dormir a tarde, e posso dizer que isso me relaxou um pouco.

Perto das seis horas eu comecei a me vestir para sair… Apesar do meu desconforto, a ocasião existia algo bem… sexy…, então coloquei a minha lingerie vermelha favorita, toda de renda, fiquei desconfortável enquanto me olhava no espelho, mas a intenção disso tudo é dar ao Stefan uma boa primeira vez e é isso que eu farei.

Para completar, coloquei uma blusa branca sem manga, uma saia jeans, uma sandália de salto e uma jaqueta para completar o visual….

— Muito bem, Caroline, você consegue – suspirei pesadamente antes de falar, ainda me encarando no espelho – É só… É só o Stefan…

Peguei minha bolsa, pronta para sair. Confesso que foi uma surpresa encontrar Elena ali, sentada na mesa da sala e mexendo no notebook, eu estava tão distraída que nem mesmo a ouvi chegando em casa.

— Oi, Care – e deu para ver que ela estava tão espantada em me ver quanto eu a ela— Não sabia que você estava em casa.

— Pensei que você também não estivesse – comentei – Sexta-feira a noite, normalmente você sai.

— Eu até que gostaria, mas eu preciso terminar esse artigo e enviar para a minha editora até amanhã de manhã – revirou os olhos – Além disso o Liam está de plantão hoje, então…

— Entendo… — lamentei – Bom, eu estou de saída, vou para o apartamento do Stefan.

— Para o apartamento do Stefan? Interessante – vi um sorriso malicioso surgir nos seus lábios— Imagino que você não vá dormir em casa hoje…

— Provavelmente não, mas não pelo que você está imaginando – menti, tudo que eu não precisava nesse momento era de qualquer comentário fora de hora dela— Vamos assistir alguns filmes e se ficar muito tarde, talvez eu fique por lá e durma no sofá da sala.

— Como você é sem graça, Care… — revirou os olhos e fez uma careta – A Bonnie nem mesmo veio em casa depois do trabalho, foi jantar com o Enzo e depois vai direto para o apartamento, agora você está indo encontrar o Stefan. Enquanto isso eu fico aqui trabalhando no final de semana, sozinha e totalmente entendida.

— Você compensa amanhã – joguei um beijinho para ela quando cheguei a porta – Tchauzinho, Lena…!

***

— São trinta dólares, senhorita – taxista disse assim que parou o carro em frente ao prédio onde Stefan mora.

— Aqui, pode ficar com o troco – avisei, entregando duas notas de vinte e, em seguida, sair do veículo.

Passei pela entrada e o porteiro apenas acenou para mim, permitindo que eu passasse, exatamente como todas vezes em que eu vim até aqui. Fui para o elevador e assim que cheguei ao andar, toquei a campainha e não demorou muito para eu ouvir o barulho de chave.

— Care! — meu amigo abriu um enorme sorriso assim que me viu – Que bom que você veio, estava começando a pensar que você tinha mudado de ideia.

Notas finais
Pois é gente, deu para ver que a Caroline está mesmo bem abalada com o que aconteceu, mas continua negando que isso é mais do que apenas desejo, vamos ver quanto tempo ela continua assim..... E o que acharam dos concelhos da Emma e da Freya? *** E bom, como deu para ver nesse final, no próximo capítulo teremos a primeira vez Steroline e vai ser um big capítulo.... *** É isso Comentem e digam o que estão achando.