Just One Night

5 Capítulo 4 – Eu nunca, nunca, nunca…


Notas iniciais
Oi gente, sexta-feira e capítuo novinho para vocês Espero que gostem E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Caroline

— Então, nós passaremos três dias de viagem – estava com o telefone apoiado entre o ombro o ouvido enquanto terminava fechar a mala – Mas a casa dos pais do Liam ficam em Santa Barbara, que fica há pouco mais de uma hora daqui de Los Angeles e, pelo que a Elena falou, não fica em um lugar deserto e o sinal de telefone muito bom, então qualquer coisa pode me ligar.

Caroline, querida, está tudo bem com o seu pai, tenho certeza de que não acontecerá nada enquanto você estiver fora de Los Angeles— minha mãe garantiu – Relaxe um pouco…

— Só quero garantir que está mesmo tudo bem – me sentei na ponta da cama e fiquei olhando para os meus pés – Passei muito tempo sem falar com o meu pai e…

Ele vai ficar bem – garantiu, interrompendo a minha frase no meio – Vocês voltarem a se falar, com certeza, deu um novo ânimo para o seu pai. Faz muito tempo que eu não o vejo tão animado como nessa última semana, ele está até comendo todas as verduras que o médico mandou.

Isso era mesmo muito bom. Finalmente tinha tomado coragem de ligar para o meu pai no sábado passado, há exatamente seis dias, e, como prometido, Stefan tinha ficado o tempo ao meu lado durante aquela conversa.

*Flashback*

Será que realmente é uma boa ideia ligar agora? — estava sentada no sofá da sala com as pernas cruzadas e meu melhor amigo estava bem ao meu lado – Talvez esteja cedo demais, ele pode estar dormindo ainda. Lembre-se do fuso-horário.

Um fuso-horário de duas horas a mais do que a gente – revirou os olhos — Ou seja, lá em Mystic Falls já é quase meio-dia.

E ele pode estar ocupado com alguma coisa na fazenda – insisti – Melhor eu ligar mais tarde mesmo.

De maneira nenhuma, Caroline – pegou o meu telefone que estava na mesa de centro – e colocou entre as minhas mãos – Você me pediu ajuda e para estar aqui nesse momento. Você precisa fazer a sua parte agora.

Soltei um longo suspiro e fiquei encarando a tela de bloqueio no meu celular, que era uma foto minha e do Stefan durante uma tarde na praia nas férias do verão do ano passado.

Ele é seu pai, Care… — ele continuou a me encorajar – E ele já estava mesmo querendo falar com você, não tem porque estar tão temerosa assim.

Você tem razão – concordei – Por favor, fique aqui comigo.

Não vou sair do seu lado – garanti – Exatamente como eu prometi que faria.

Dei mais uma olhada no meu amigo antes de procurar o número do meu pai na agenda do telefone. Coloquei o aparelho no ouvido e não demorou muito para que ele atendesse.

— Bill Forbes falando— e ele continuava com a mania de não olhar o identificar de chamadas.

Pai… — minha voz saiu como um sussurro, tinha a impressão que tinha algo preso na minha garganta que me impedia de falar direito – Eu…

— Caroline!— me interrompeu, parecia mesmo bem animado com a minha ligação – Que bom, finalmente, ouvir a sua voz.

Digo o mesmo – admiti – Também é muito bom poder ouvir a sua voz, pai.

— Eu tentei te ligar na semana passada— explicou – Mas você imagino que você estivesse ocupada e não pudesse me atender.

Sim, foi isso mesmo que aconteceu – afirmei.

Na realidade, nós dois sabíamos perfeitamente bem que não tinha sido isso que tinha acontecido. Na semana passada eu ainda estava com raiva e não queria falar com ele, mas claro que não iriamos falar sobre isso abertamente.

— Isso é bom…— ele completou, por fim.

Um silêncio quase constrangedor se instalou nos minutos seguintes. Stefan percebeu o que estava acontecendo e colocou a mão no ombro, me incentivando a continuar a falar.

Mas o que você queria falar comigo, afinal? — decidi perguntar, puxando assunto.

— Caroline, há quatro anos, quando você decidiu largar o curso de administração, nós falamos coisas um para o outro, coisas realmente fortes— disse – Talvez seja tarde demais, mas quero que você saiba o quanto eu estou arrependido de tudo o que aconteceu.

Eu sei disso, pai – garanti – Acredite, eu também disse coisas naquela época das quais eu me arrependido.

— Você, com certeza, não está mais arrependido do que eu — prosseguiu – Eu sou seu pai e deveria ter te apoiado nas suas escolhas e não te forçado e continuar estudando algo que você não queria só para poder tomar conta da fazendo quando eu me for.

Por favor, pai, não fale sobre “quando você se for” como se estivesse próximo de acontecer – pedi fazendo uma careta, mesmo sabendo que ele não podia me ver – Você ainda vai viver muito, vai me ver casando, vai conhecer os seus netos… Você e a mamãe é claro.

— Sim, eu ainda pretendo viver muito, mas é preciso encarar a realidade de que eu não durarei para sempre— lembrou – Mas quando isso acontecer, sei que você cuidará muito bem de tudo isso aqui, mesmo não tendo se formado em administração.

Quero que você saiba que eu realmente tentei, mas administração de empresas decididamente não era para mim – já perdi as contas da quantidade de vezes eu tinha falado aquilo, mas não custava nada reforçar – A verdade é que eu sonho em ser estilista desde que eu tinha cinco anos e sou muito feliz com a profissão que eu escolhi.

— Sua mãe me mostrou alguns desenhos seus e as fotos dos vestidos prontos que você enviou para ela— continuou – Você realmente tem talento, Caroline, certamente fará sucesso ai na Califórnia.

Essa é justamente a minha intenção – dei de ombros – Ainda sou nova nisso e é cedo para falar qualquer coisa.

— Não sou um especialista nessa área, mas tenho certeza de que você será um sucesso— garantiu – Sua mãe disse uma outra coisa, que você vem para casa no natal esse ano, é verdade?

Ainda não é algo certo, mas eu quero sim – afirmei – Já faz tanto tempo que eu não vou a Mystic Falls e vai ser bom passar um natal em família depois de quatro anos.

— Eu e sua mãe vamos gostar muito se você vier— avisou – E ela disse que talvez você traga um amigo. Isso se ele for mesmo realmente só um amigo, sua mãe não entrou em detalhes sobre isso.

Ela sugeriu que eu convidasse o Stefan, meu melhor amigo aqui em Los Angeles – deixei isso bem claro, tentando ignorar aquela insinuação do meu pai – Ainda não conversei com ele sobre isso, mas…, quem sabe.

— Bill, está na hora do seu remédio — ouvi a voz irreconhecível da minha mãe, surgindo ao longe – Você sabe que não pode demorar muito para tomar o remédio antes do almoço.

— Eu já estou indo querida— avisou – Estou aqui falando com a Caroline.

— Com a Caroline?— sua voz estava mais próxima agora – Mas que maravilha! Mande um beijo para ela.

Diga que estou mandando outro beijo de volta – avisei, deixando claro que eu tinha escutado – E eu ouvi que você precisa tomar o seu remédio e não vou atrapalhar mais. A gente se fala depois.

— Tchau, minha filha, a gente se fala depois – completou, se despedindo – Ah, e mande um oi para a Bonnie e a Elena por mim.

Assim que eu desliguei foi como se um peso de duas toneladas saísse de cima de mim. Soltei um longo suspiro e passei a encarar o teto da minha sala.

Está vendo, acabou tudo bem… — Stefan colocou a mão sob a minha – Como você está se sentindo?

Ótima – admiti – Obrigada por estar aqui comigo, pode não parecer, mas foi muito importante para mim.

Eu seria um péssimo melhor amigo se não fizesse isso por você – sorriu – Sabe, eu não pude deixar de escutar: para onde a sua mãe sugeriu que você me convidasse.

Ontem depois de tudo eu esqueci de comentar isso com você – lembrei – Ela quer que eu vá passar o natal lá em Mystic Falls e queria que eu convidasse você para ir comigo. Isso se você quiser ir, é claro.

Passar um típico natal sulista com os Forbes? Quem não quer participar de uma coisa dessas? — respondeu – No natal já vai ter passado toda essa história de casamento do Damon e é quase certo que ele vá passar as festas de final de ano em Londres, com a família da Freya. Se eu for com você terei algo para fazer e ainda vou conhecer a fazenda em que você foi criada.

Eu já disse que você é o melhor amigo que eu poderia ter no mundo? — foi impossível não dar um sorriso bobo depois de fazer aquele comentário.

Sim, eu sei disso – brincou antes de dar um beijo no meu rosto.

Revirei os olhos e dei um tapa de leve no seu braços, mas a verdade é que eu estava muito feliz em ter o Stefan aqui comigo.

*Fim do Flashback*

— Caroline, o que você tanto faz ai dentro? — meu amigo apareceu na porta do quarto, pela sua cara parecia cansado de esperar – Desse jeito só vamos chegar a casa de praia no dia de Ação de Graças, talvez no natal.

Não sabia que vocês já estavam para sair – minha mãe lamentou do outro lado da linha – Já vi que estou atrapalhando.

— Não se preocupa, mãe, você não está atrapalhando – garanti – O Stefan que é apressadinho, nós estamos com tempo.

Caroline, eu te conheço muito bem, sei que vocês não devem estar com tempo— tinha certeza de que ela estava revirando os olhos agora – E não se preocupe, vai ficar tudo bem. Tudo estará aqui quando você voltar.

— Tudo bem – soltei um longo e pesado suspiro em concordância – Mas eu estou falando, mãe, qualquer coisa você pode me ligar. Não importa onde eu esteja ou que horas sejam.

Está bem, minha filha, agora tchau— então ela desligou antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa.

— Por que você não me disse que estava falando com a sua mão? — reclamou, preocupado – agora ela vai achar que eu sou mal-educado por ter interrompido a conversa de vocês.

— Relaxa, Stef, a minha mãe te ama – tentei tranquilizá-lo – Ela te acha um fofo e muito amável e tenho certeza de que nada do que você fizer destruirá essa primeira impressão.

— Só não me diga que a sua mãe também acha que seria legal se fossemos um casal? — só aquela simples pergunta fez com que eu fizesse uma careta.

— Ela é minha mãe, Stefan e me conhece muito bem – lembrei – Além disso, se estivesse acontecendo alguma coisa entre nós, eu já teria contado para ela.

— Acho que faz sentido… — concordou – Bom, já vi que sua mala está pronta, deixe-me levá-la.

— Sim, a mala está pronta – afirme – Só preciso pegar a caixa de jogos.

Stefan me olhou confuso, então eu fui até o meu armário e peguei a caixa com os jogos que eu e Elena tínhamos separado antes dela ir para a casa da praia com o Liam ontem a noite.

— Para jogarmos durante a noite – expliquei – Estaremos eu e você, Elena e Liam e Bonnie e Enzo, poderemos jogar em duplas.

— O que aconteceu com o bom e velho jogo de mímica? — questionou quando eu coloquei a caixa em cima da cama – Acho que eu nem lembro mais como se joga Detetive.

— Sua sorte que está olhando para a campeã regional de Detetive – apontei os dois polegares da minha direção.

— Campeã regional de Detetive? — me olhou de cima a baixo – Não existe campeonato regional de Detetive.

— Em Mystic Falls existe – respondi – Mas, se você está tão incomodado com o Detetive, a gente pode jogar Twister também.

— Você sabe que os caras só jogam Twister para ficarem perto das garotas sem parecerem tarados, não é mesmo? — me questionam.

— E aposto que você fazia muito isso quando estava na escola… — cruzei os braços sem deixar de encará-lo.

— Eu não – defendeu-se – Mas não se esqueça que eu sou o irmão caçula de um dos maiores mulherengos em recuperação de Los Angeles.

— Já devia saber… — revirei os olhos – Agora vamos logo, você mesmo disse que não queria se atrasar, lembra?

— Essa caixa deve estar pesada, deixa que eu levo – avisou enquanto pegava a caixa que eu segurava alguns segundos antes – Você leva a sua mala.

— Sim, senhor – coloquei a minha mala no chão e comecei a arrastá-la para fora do quarto.

***

— Bom, parece que é aqui… — Stefan parou bem ao lado do carro de Liam, o que indicava que estávamos mesmo no local certo.

Depois de uma cansativa de duas horas, finalmente chegamos a Santa Bárbara. Ainda de dentro do veículo podíamos ver a casa, ela era de madeira, pintada de branco e com as janelas azuis e já ali de fora dá para ver que lá dentro deve ser bem espaçoso.

— Vamos pegar as nossas coisas então – meu amigo retirou o cinto de segurança antes de abrir a porta, e eu repeti o seu gesto.

Ele foi até o porta-malas para pegar as bagagens e foi nesse momento que eu ouvi o barulho da porta da frente se abrindo: era a Elena.

— Finalmente vocês chegaram… — ela veio descendo a varanda na minha direção – A Bonnie ligou há mais ou menos uma hora, o Enzo teve uma emergência no trabalho e eles só devem chegar no final da tarde, já estava me perguntando quando vocês chegariam.

— Eu avisei que sairíamos de Los Angeles no início da tarde para evitarmos o engarrafamento da hora do rush – lembrei.

— Poderíamos ter chegado aqui antes se a Caroline não tivesse enrolado tanto para sair de casa – Stef aproximou-se, trazendo a caixa com os jogos – Eu já estava pronto para sair antes mesmo do almoço.

— Deixe de se dramático, Stefan, nós saímos na hora que estávamos planejando – revirei os olhos – E já estamos aqui, então está tudo bem.

— Essa não! Tem alguém me ligando – não estava ouvindo som algum de telefone, o que me fez imaginar que estivesse no silencioso – Care, será que você pode pegar o meu celular no bolso aqui no meu bolso?

O bolso que ele indicou ficava bem na frente da calça, próxima a uma área bem… íntima…, digamos assim, e eu já podia sentir o olhar malicioso de Elena em mim. Já estava pronta para dizer não, que não iria ajudá-lo, mas, por outro lado, era apenas um celular,

— Claro… — respondi por fim.

Mexi no seu bolso com todo cuidado, para não causar qualquer tipo de constrangimento e não pude deixar de suspirar aliviada quando peguei o aparelho. Imediatamente, vi o nome de Damon brilhando no identificador de chamadas.

— É o seu irmão… — avisei, mostrando a frente do telefone para ele.

— Será que você pode atender para mim? — pediu novamente – Essa caixa está pesada, preciso colocá-la em algum lugar.

— Pode colocá-la em cima da mesa da sala – Elena avisou quando ele passou por ela indo em direção a porta.

Assim que não podia mais ver meu amigo, já que ele tinha entrado na casa, decidi voltar as atenções para o celular dele. Então apertei o botão para atender a chamada.

— Damon? — falei assim que coloquei o aparelho no ouvido.

Ora! Olá, Caroline!— ele reconheceu a minha voz, mesmo eu não tendo dito que era eu – Que surpresa você estar atendendo o celular do meu irmão. Cadê ele?

— O Stefan está um pouco ocupado agora – expliquei – Você vai ter que se conformar em falar comigo mesmo, Damon.

— Hum, entendi… Ele está ocupado – era impossível não perceber o tom de malícia na sua voz.

— Credo, Damon…, não é nada disso que você está pensando – gritei sem conseguir não fazer uma careta – Nós acabamos de chegar na casa de praia dos pais do Liam e o Stefan foi levar umas caixas lá dentro e me pediu para atender o celular.

Tudo bem, cunhadinha, eu já entendi — riu da minha reação.

— Damon, eu não sou sua cunhadinha— reclamei – Já te disse isso milhares de vezes.

Certo, Caroline, você não é minha cunhada, por enquanto…— revirei os olhos, ele realmente não tinha jeito – Mas então…, vocês vão mesmo passar o final de semana todo ai em Santa Bárbara? Pois saiba que isso me magoa muito…

— Será que eu devo lembrá-lo que você foi convidado para vir? — argumentei – Você só está em Los Angeles por que quer…

— Exatamente, Damon, você não veio porque não quis – Elena gritou há alguns metros de distância, já tinha me esquecido completamente que ela estava aqui.

Caroline, você sabe perfeitamente porque eu não aceitei ir – sussurrou, provavelmente com medo de que a minha amiga escutasse – A Freya anda muito irritada por conta do casamento e não quero provocar a fúria dela a obrigando a ficar debaixo do mesmo teto que a Elena.

Quando ele e Freya começaram a namorar, Elena fez de tudo para tentar separá-los, até mesmo algumas coisas que sei que minha amiga se arrepende. Por esse motivo ela não gosta da Lena, nem ao menos a chamou para o casamento.

— Realmente, é melhor assim – concordei.

Foi nesse momento que o Stefan retornou de dentro da casa, agora com as mãos vazias. Ele se aproximou e estendeu o braço para mim.

— O Stefan está aqui – avisei – Vou passar o telefone para ele.

Meu amigo pegou o aparelho e se afastou um pouco para poder falar com o irmão. Foi nesse momento que Elena parou bem ao meu lado.

— Esse com certeza vai ser um final de semana e tanto – comento enquanto apoiava o braço no meu ombro – Ando tão atarefada na revista que estou mesmo precisando de um final de semana assim, entre amigos e só e preocupando em beber e namorar.

— Certamente será um bom final de semana – concordei.

— Você devia aproveitar, já que vai ficar no mesmo quarto que o Stefan, apenas vocês dois – estava me preparando para reclamar, mas ela me interrompeu – É só uma ideia, você não precisa segui-la, mas já está mais do que na hora de vocês dois admitirem o que todo mundo já sabe: que essa “amizade” de vocês, já não é só amizade há muito tempo.

Então ela voltou para dentro de casa antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa. Não demorou muito para Stef retornar e eu fui ajudá-lo com o restante das nossas coisas.

***

— É isso ai, ganhamos de novo… — foi impossível não abrir um sorriso vitorioso – Três vezes seguidas! Isso já é uma lavada.

Como prometido, Bonnie e Enzo chegaram um pouco depois de escurecer. Já era tarde demais para irmos a praia e nenhum de nós estava com vontade de ir até a cidade, decidimos ficar em casa bebendo cerveja e jogando Detetive.

— Caroline, confesso que não estava acreditando na sua capacidade de dedução – Stefan admitiu – Mas você realmente é boa nesse jogo.

— Eu te disse – ri, eu já tinha bebido uma garrafa inteira de cerveja e estava um pouquinho alta, mas não bêbada – É por isso que eu sou…

— Campeã regional de Detetive – minhas amigas me interromperam, falando em uníssono.

— Nos sabemos disso, Caroline – Elena completou – Você passou semanas se gabando quando isso aconteceu.

— Não posso fazer nada se vocês duas estão com inveja de mim – dei de ombros – Eu ganhei quando estávamos na sétima série e ganhei de novo hoje. E vou ganhar outra vez se jogarmos de novo.

— Acho que já jogamos Detetive demais – foi Enzo quem falou – Podemos jogar uma outra coisa agora.

— É uma boa ideia – Bonnie concordou com o namorado – Caroline, você trouxe o Imagem & Ação.

— Trouxe sim – afirmei – Acho que pode ser legal, vou pegar a caixa.

— Não, eu estou bêbada demais para desenhar ou tentar adivinhar qualquer desenho – Lena reclamou antes que eu pudesse me levantar – Por que não brincamos de “eu nunca”?

— Acho que eu não estou bêbada no suficiente para brincar disso – foi a minha vez de responder.

— Ah! Vamos, por favor! — insistiu – É tão divertido.

— Acho que eu nunca brinquei disso… — Stefan comentou – Quais são as regras?

— É muito simples – Elena explicou – Alguém diz alguma coisa que, teoricamente, nunca fez, e se você tiver feito, bebê um gole, se não tiver feito, não faz nada. Entendeu?

— Acho que sim – disse.

— A ideia é falar algo que sabe que, pelo menos, a maioria fez – completei – Assim você garante que vão beber bastante.

— Então eu começo… — Elena avisou, enquanto se encostava no sofá – Eu nunca, nunca, nunca sai escondida dos meus pais para ir a um show e me encrenquei por isso.

— É sério isso, Lena? — reclamei.

— Como você mesma disse, Care, você tem que dizer algo que saiba que as pessoas beberão – fingiu-se de inocente – Então, pode ir bebendo, ou melhor, vocês duas podem beber – apontou para mim e, em seguida, para Bonnie.

Então nós três bebemos um gole.

— Será que eu quero saber a resposta por trás disso? — Stefan decidiu perguntar.

— Isso aconteceu quando tínhamos 15 ou 16 anos – disse – Agora não me lembro exatamente.

— Tínhamos dezesseis anos, tenho certeza porque nós três já tínhamos carteira de motorista – Lena afirmou – Ia ter um show em Richmond que nós queríamos muito ir, mas como era dia de semana, nossos pais não deixaram.

— Então a Lena teve a “brilhante” ideia e fingirmos que íamos dormir um na casa da outra para podermos fugir e irmos ao show – prossegui com o relato – E foi o que fizemos.

— Não lembro da ideia ter sido minha – ela pareceu chocada com a revelação.

— Foi sim! — eu e Bonnie respondemos ao mesmo tempo.

— Mas em resumo: nossos pais descobriram o que fizemos e nós três ficamos de castigo – Elena completou – Agora chega, se formos explicar cada vez o porque de termos bebido, não vamos sair daqui nunca. Care, você é a próxima.

— Certo… — comecei a pensar em alguma coisa que todos ali precisariam beber – Eu nunca, nunca, nunca transei.

Como eu previ, todos pegaram suas cervejas para tomar um gole, mas algo naquela cena me chamou a atenção: Stefan pegou a garrafa e a levou aos lábios, mas não bebeu. Acho que fui a única a perceber isso…

— Stefan… — Lena falou e, por um momento, pensei que ela também tivesse prestado atenção – É a sua vez.

— Eu não tenho ideia do que vou falar – confessou.

— Diga qualquer coisa, Stef – sugeri – Não pense muito, diga a primeira coisa que vier na sua cabeça.

— Eu nunca, nunca, nunca… — parou, provavelmente pensando algo – Beijei uma garota.

Para o meu alívio, dessa vez ele bebeu. Pelo menos isso…

— Lena? — Bonnie pareceu surpresa; estava tão preocupada com o Stefan que não reparei que minha amiga também tinha bebido.

— Faculdade é uma época de experiências – deu de ombros – E, em minha defesa eu estava bêbada, mais até do que agora. Agora é a sua vez, Bonnie.

***

O jogo ainda durou um pouco mais, três rodadas para cada um, para ser mais; a maioria das “confissões” inclui algo constrangedor de infância ou de adolescência e um outro sobre ter beijado alguém nas últimas vinte quatro horas (que apenas eu e Stefan não bebemos, o que foi motivo de piada para Elena, afirmando que nós dois poderíamos resolver esse “problema” juntos). Claro que depois disso tudo, eu já podia afirmar que estava bêbada.

— Muito bem, chega de brincar de “eu nunca” — Liam reclamou – Ou vamos todos entrar em coma alcoólico desse jeito.

— Isso é sério, meu amor? — Lena tentou protestar – Por mim eu continuaria jogando “eu nunca” até amanhã de manhã.

— Eu concordo com o Liam, melhor pararmos por aqui – Stefan disse, dando uma olhada rápida para mim – A Bonnie sugeriu que a gente jogasse Imagem & Ação, imagino que ninguém aqui tenha condição de desenhar, mas podemos brincar de mímica.

Todos acharam uma boa ideia e concordaram com acenos de cabeça.

— Perfeito, eu vou pegar alguns papéis – Liam avisou enquanto levantava – Enquanto isso, vão pensando em algum tema para as mímicas.

— E eu vou pegar mais uma cerveja – Elena repetiu o gesto do namorado – Alguém quer que eu traga alguma coisa da cozinha?

— Eu quero uma outra cerveja também… — avisei, enquanto levantava a garrafa a minha mão, que estava vazia.

— Acho melhor você parar de beber, Care – meu amigo sugeriu – Não acha que já bebeu um pouquinho demais?

— Eu estou bem, Stef… — garanti.

***

E eu deveria ter seguido o concelho dele…

Por sorte Stefan estava lá, no banheiro do quarto em que estávamos hospedados, segurando o meu cabelo enquanto eu colocava para fora tudo que estava no meu estômago.

— Eu odeio vomitar— reclamei, ainda ajoelhada em frente ao vaso – Odeio mesmo.

— Não queria precisar dizer isso, mas… — ele deu de ombros – Eu avisei

Engraçadinho – fiz uma careta – Acho que é nesse momento que eu prometo nunca mais beber.

— Mas nós dois sabemos que você não cumprirá essa promessa – lembrou – Agora vem aqui, deixe-me terminar de te ajudar.

— Stef me ajudou a levantar, me guiou até a pia e me auxiliou a lavar o meu rosto. Em seguida, voltamos para o quarto.

— Você fica aqui – pediu me fazendo sentar na cama – Vou até a cozinha tentar preparar um café para você.

— Não quero café… — protestei como uma criança de cinco anos – Se eu colocar qualquer coisa no meu estômago, vou vomitar outra vez.

— Certo, sem café – concordou – Mas amanhã você, com certeza, vai pedir por uma aspirina. Espero que você ou uma das meninas tenham alguma aqui.

— Relaxa, Stefan, existem quatro coisas que eu não saio de casa sem – enumerei – Um absorvente para emergências, remédio para cólica, aspirina e a minha pílula anticoncepcional.

— Acho que isso foi um pouquinho mais do que eu queria saber – fez uma careta – Agora deixa eu trocar de roupa, depois eu posso te ajudar também, se quiser.

— Eu não preciso de ajuda para trocar de roupa – garanti – Agora vire de costas.

— Você manda… — disse, fazendo o que eu pedi.

Então eu me levantei, retirando a minha blusa com bastante dificuldade. Stefan também estava fazendo a mesma coisa e desabotoou a blusa antes de jogá-la no chão, me dando um vislumbre das suas costas musculosas.

Não sei se era efeito da bebida falando mais alto, mas meu melhor amigo estava estranhamente atraente nesse momento.

E, mais uma vez, não sei o que deu em mim, mas tudo que eu consegui fazer nesse momento foi me aproximar e colocar a mão nas suas costas.

— Care… — me olhou assustado quando se virou ficando de frente para mim – As suas mãos estão geladas.

— Desculpa – dei um sorriso tentando ser sedutora – Não era a minha intenção…

Ele voltou a me olhar de cima a baixo. Eu ainda estava usando o meu short, mas na parte de cima estava apenas com o meu sutiã azul-claro, não sei o que Stef estava pensando.

— Sabe, tenho certeza de que a Bonnie e a Elena devem estar transando com seus respectivos namorados nesse momento – comecei a contornar seu peitoral com o dedo indicador – Nós estamos bem aqui, sozinhos, o que você acha de fazermos a mesma coisa que eles.

— Infelizmente, o efeito da bebida não passa depois de vomitar – segurou meu pulso com delicadeza, me afastando dele – Você definitivamente precisa dormir.

— Só se for com você do meu lado, de preferência sem roupa – sussurrei, peguei a minha mão livre e passei pelo seu rosto – Falando sério, Stefan, nós já dormimos na mesma cama, vai me dizer que você nunca nem mesmo pensou na possibilidade.

Care, eu não vou mentir, você é linda e, como eu já disse antes que tudo seria mais fácil se nós tivéssemos nos apaixonado – lembrou – Mas você está bêbada e eu jamais faria alguma coisa com você desse jeito.

— Eu sei que você nunca fez isso – mais uma vez, a frase saiu sem que eu pensasse direito – Mas eu sou bem experiente nesse assunto e posso te ensinar tudo…, tudinho mesmo…

Em algum momento Stefan tinha me soltado e eu pude colocar o braço e beijar o seu queixo, várias vezes. Meu amigo soltou um longo suspiro antes de voltar a me afastar.

— Care, eu estou falando sério… — avisou— É melhor você ir dormir.

Ele me ajudou a deitar de um dos lados da cama, exatamente do jeito que eu estava, parcialmente vestida.

— Acho melhor eu dormir bem ali – apontou para o pequeno sofá de dois lugares que tinha dentro do quarto – Parece meio desconfortável, mas é mais… seguro.

— Não… — segurei a sua mão que estava mais próxima a mim – Dorme aqui comigo, prometo que não vou tentar te atacar a noite.

— Certo… — acabou concordando, por fim – Apenas deixe-me trocar de roupa.

E foi o que ele fez, colocou o seu pijama e deitou-se o meu lado. Essa é a última coisa que eu me lembro daquela noite.

Notas finais
É isso ai, foi uma noite entre amigos cheia de fortes emoções... O que acharam do segredinho do Stefan? E a Caroline dando em cima do Stefan? Os dois vão ter que conversar, sobre as duas coisas, como será que vai ser? *** Bom, é isso, comentem e digam o que estão achando Será que é cedo demais pra pedir recomendações?