Just One Night
19 Capítulo 18 – Rejeição
Notas iniciais
Stefan
A festa de casamento do meu irmão estava mesmo incrível, preciso admitir que Freya conseguiu organizar tudo com perfeição e todo o estresse que eu sei que os dois passaram nos últimos meses, com certeza valeram a pena.
Depois das fotos, dos brindes e dos noivos abrirem a pista de dança, decidi dar uma volta para cumprimentar alguns clientes da agência que tinha sido convidados para a cerimônia e para a recepção. Dei uma rápida olhada na direção da nossa mesa e vi Caroline sentada lá, sozinha… Meu primeiro impulso foi ir até lá chamá-la para dançar e assim eu teria um momento perfeito para conversar com ela sobre ontem a noite, é agora ou nunca…
— Stefan! Finalmente eu consegui te encontrar! — me virei a tempo de encontrar meu tio Zach e, ao seu lado, estava minha prima, Sarah – Será que podemos conversar um minuto? Prometo que não tomarei muito do seu tempo.
Voltei a olhar na direção de Caroline, agora ela estava conversando com Freya, que tinha acabado de se aproximar da mesa. Acho que não tem problema parar alguns minutos para conversar com meu tio e a minha prima; minha amiga não vai a lugar nenhum.
— É claro – afirmei, por fim.
— Talvez esse não seja o melhor lugar para falar sobre isso, mas estamos voltando para Miami na segunda-feira e sei que não teremos tempo de conversar em outro momento – explicou – Não sei se você sabe, mas a Sarah se forma na faculdade no meio do ano que vem.
Sarah é a única prima que eu e Damon temos, já que nosso pai tinha apenas um irmão e nossa mãe era filha única; é apenas dois anos mais nova que eu e praticamente crescemos juntos, éramos muito próximos até que ela se mudou com só pais para Flórida quando está com 15 anos e eu com 17. Sei que ela está fazendo o mesmo curso que eu, administração de empresas, em Duke.
— Ora, Sarah, meus parabéns! — disse – Eu já me formei na faculdade há mais de um ano, mas eu ainda recordo desse dia com bastante carinho.
— Obrigada… — ela deu um sorriso sem graça – Eu ainda estou um pouco receosa de deixar a faculdade e precisar decidir o que vou fazer pelo resto da vida, mas eu ainda tenho alguns meses para me preparar psicologicamente para isso.
— E é por isso que quero conversar com você – meu tio avisou – Estava falando com a Sarah sobre a possibilidade dela vir aqui para a Los Angeles e trabalhar na agência da família.
— Acho realmente uma ótima ideia – concordei antes de me virar para ela – Sarah, você um dia será dona dessa agência tanto quanto eu e Damon, acredite, você seria mais do que bem-vinda na nossa “equipe”. Não precisa ficar temerosa sobre o que fará depois da formatura.
— Muito bem, agora vai o meu pedido – ele continuou – Estava pensando de você deixar a Sarah acompanhar o seu trabalho por uma semana. Assim ela vê exatamente o que você faz na agência.
— Claro, será um prazer – afirmei – Quando você pode vir, Sarah? Imagino que atualmente você deva estar ocupada com as aulas e provas na faculdade e não poderá ficar uma semana em Los Angele.
— Sim, atualmente está um pouco complicado…- fez uma careta – Como no recesso de final de ano também é complicado. Sei que está longe ainda, mas o que acha do recesso de primavera? Eu tenho duas semanas sem aula, então eu passo uma semana em casa e uma semana aqui trabalhando na agência.
— Parece perfeito para mim – concordei – Está combinado então.
— Mais uma vez, muito obrigado, Stefan – meu tio voltou a agradecer – Se você pensar melhor e achar que será trabalhando demais, não tenha medo de me ligar e dizer que mudou de ideia.
— Eu não vou mudar de ideia, tio Zach — garanti – Não será trabalho nenhum, pode ter certeza.
— E ai está o meu cunhado preferido – me virei a tempo de encontrar Freya parada atrás de mim, ao seu lado estava uma garota que era apenas alguns centímetros mais alta do que ela, seus olhos e seus cabelos eram castanhos – Espero que não esteja atrapalhando a conversa de vocês.
— Você não está atrapalhando nada, Freya – garanti – Nós já terminamos a nossa conversa, não é mesmo? Tio Zach? Sarah?
— Sim, nós já terminamos a nossa conversa – ele confirmou – Agora, se me dão licença, vou procurar a minha esposa.
— E eu vou dar uma olhadinha na mesa de doces – foi minha prima quem disse em seguida.
Então os dois se afastaram e eu voltei me virar para minha cunhada e a amiga.
— Mas que falta de educação a minha, esqueci de fazer as devidas apresentações – Freya disse – Kath, esse é o Stefan, meu cunhado; e Stefan, essa é a Katherine, que trabalha comigo lá na UCLA.
— É um prazer conhecê-la – estiquei os braços na direção de Katherine, que retribuiu o gesto imediatamente.
— Digo o mesmo… — deu um sorriso sem graça, mirando por alguns segundos os próprios pés – Bom, acho que eu devo te parabenizar pelo casamento do seu irmão. Imagino como você esteja feliz por ele e pela Freya.
— Sim, estou muito feliz, principalmente porque agora terei o apartamento só para mim – não sei o que deu em mim, não costumo fazer piadas, principalmente na frente de alguém que acabei de conhecer, mas eu simplesmente não resisti em falar – Mas falando sério, não conheço duas pessoas que se amem mais do que o Damon e a Freya, eles merecem toda a felicidade do mundo.
— Ora, obrigada, Stefan – minha cunhada ficou extremamente sem graça com aquele comentário.
— Mas eu estou falando sério – voltei a afirmar – Agora me diga, Katherine, você está gostando do casamento?
— Maravilhoso, tanto a cerimônia quanto a festa – respondeu – Está tudo tão incrível que me deu até vontade de dança, infelizmente, eu não tenho um par que eu possa arrastar para a pista de dança.
Quando ela falou em dança, imediatamente me lembrei de Caroline e voltei a procurá-la, ela estava dançando com o meu irmão. Pelo jeito vou precisar esperar mais um pouco para conversarmos.
— Bom, Katherine, não sou o melhor dançarino do mundo e, com certeza, pisarei várias vezes no seu pé – comentei – Mas, se você quiser, eu posso dançar com você.
— Tem certeza? — pareceu confusa com o meu convite – Não quero te forçar a nada, Stefan, eu comentei aquilo apenas por comentar.
— Você não está me forçando a nada, eu quem quero te chamar para dançar – garanti – Só não fique com raiva de mim se você acabar com os dois pés doendo, já vou avisando.
— Pode deixar que não ficarei com raiva de você – voltou a sorrir – Eu aceito o seu convite para dançar.
— Perfeito….! — imitei o seu gesto.
Eu segurei a mão de Katherine e então a puxei na direção da pista de dança improvisada.
***
Exatamente como eu tinha alertado a Katherine, tive a capacidade de pisar no pé dela cinco vezes apenas nos primeiros passos da música, ela fez algumas caretas de dor, mas não reclamou em momento algum.
— Sinto muito – desculpei-me, quando pisei no seu pé mais uma vez – Bom, não posso dizer que foi por falta de aviso, eu falei que era um péssimo dançarino.
— Relaxa, Stefan, eu não estou reclamando… — garantiu – Para falar a verdade, eu também não sou uma boa dançarina, nem sei qual foi o milagre de eu ainda não ter pisado no seu pé.
E quase como se estivesse esperando fazer esse comentário, Katherine pisou no eu pé. Foi bem de leve e não chegou a doer, mesmo assim não pude deixar de perceber a sua cara de preocupação.
— Está vendo… — revirou os olhos.
— Somos os dois ruins então – ela começou a rir e não pude deixar de imitar o se gesto – Acho que tudo que nos resta a fazer e tentar não pisar no pé um do outro, o que você acha?
— Acho que é uma boa ideia – concordou – Só não garanto que vá conseguir.
Então começamos a dançar lentamente e, para a nossa sorte, conseguimos não pisar um no pé do outro. Aquela dança estava mesmo muito divertida e realmente consegui me distrair, mas isso não significa que não tenha vista quando vi Caroline passar por nós e ir na direção da saída do salão de festas, onde será que ela foi?
— Stefan, está tudo bem? — Kath perguntou no exato momento em que eu parei de dançar – Você está com a testa franzida e parece preocupado, o que houve?
— Está tudo bem, sim, desculpa… — balancei a cabeça negativamente – Espero que não se importe, mas eu preciso resolver uma coisa lá fora.
— Sabia que a minha falta de jeito com dança ia acabar te espantando… — fez uma careta.
— Não é isso, Katherine – apressei-me em corrigi-la – É que eu realmente preciso ir. Quem sabe a gente não dança mais um pouco depois?
Ela concordou, então eu eu dei um beijo na sua testa e segui na mesma direção que minha melhor amiga seguiu alguns instantes antes.
***
Comecei a caminhar pelo hotel até que cheguei a uma porta que dava acesso a um belo jardim. Conhecendo Caroline Forbes tão bem quanto eu conheço, sei que esse é um lugar que ela usaria perfeitamente para se “esconder”.
E eu estava mesmo certo, eu a encontrei sentada em um banco em meio as flores.
— Finalmente te achei… — ela parecia distraída, mas se virou assim que ouviu a minha voz – Você saiu do salão com tanta pressa, pensei até que você estava passando mal.
— Fico surpresa de você ter percebido – revirou os olhos, era claro que estava sendo irônica – Estava tão distraído dançando com a sua nova amiga, Katherine…
Agora eu entendi o que estava acontecendo, Care raramente age daquele jeito, ainda mais comigo. Ela só pode estar com ciúmes.
— Você está com ciúmes, Caroline Forbes – foi impossível não sorrir enquanto perguntava, ao mesmo tempo em que sentava ao seu lado no banco.
— Claro que eu não estou com ciúmes, você pode dançar com quem você quiser – apressou-se em responder – Só estava observando mesmo.
— Eu estava conversando como tio Zach sobre deixar a Sarah trabalhar comigo durante o próximo verão, já que ela está para se formar em administração e ela também é sócia da agência, foi quando a Freya apareceu e me apresentou para a Katherine – decidi explicar – Ela disse que queria dançar, e como você estava dançando com o meu irmão, decidi chamá-la para dançar.
— Você não precisa se explicar para mim, Stef – apesar de a sua reação anterior, ela falou.
— Mas eu quis te explicar – deixei claro – O que acha de voltarmos para o salão, então podemos dançar.
— Daqui a pouco – disse – Antes, eu queria conversar uma coisa com você, se não se importa.
E aquele era o momento que estava esperando. Caroline não acreditou em mim quando liguei para ela ontem, provavelmente por já estar bêbado e depois não consegui conversar com ela mais cedo na porta da igreja; mas agora nós estamos sozinhos e eu estou sóbrio, nada pode me atrapalhar.
— Claro, tudo bem – concordei – Para falar a verdade eu também tenho…
— Espera, Stef, me deixa falar primeiro – pediu – O Damon comentou que você é apaixonado por mim e está tentando se declarar desde ontem, eu sei que isso não é verdade, é claro, mas queria ouvir da sua boca que é mentira.
Por essa eu não esperava. Care realmente não quer acreditar que eu sinta algo por ela além de uma simples amizade e eu simplesmente não entendo o porquê dessa reação.
— Stef… — quando eu permaneci em silêncio, ela voltou a falar – Por favor, me diz que isso que o Damon falou era mentira.
— Eu não posso… — minha voz saiu em um sussurro e eu, imediatamente, segurei a sua mão — O Damon está falando a verdade, eu te amo, Caroline.
— Não – disse com o tom de voz um pouco mais alto do que o normal e afastando a mão da minha – Isso é mentira, Stefan, você não me ama, apenas pensa que me ama e…
— Nunca pensei que isso fosse acontecer, eu te considerava apenas minha melhor amiga, eu te achei bonita quando nos conhecemos, mas só isso – continuei, tentando ignorar a sua reação – Mas tudo mudou depois daquela nossa primeira noite juntos.
— Eu deveria saber que aquela história de te ajudar a perder a sua virgindade era uma péssima ideia – lamentou, balançando a cabeça negativamente – Como pude ser tão idiota por pensar que poderíamos transar uma única vez e as coisas voltarem ao normal?
— Por favor, Care, me deixa continuar – foi a minha vez de pedir – Eu não conseguia deixar de pensar em você depois daquela noite, conversei com o Damon e ele sugeriu aquela história de amizade colorida, pensei que isso fosse resolver tudo, mas então eu te beijei aquele dia no pub e foi quando eu percebi que estava me apaixonando; eu ia me declarar naquele dia que você pediu para acabarmos com a nossa amizade com benefícios e não tive nenhuma outra oportunidade, até agora.
— Preferia não saber disso – admitiu – Stefan nós somos só amigos, essa amizade colorida serviu para mostrar que não podemos ter nada diferente de uma simples amizade.
— Amizade colorida não era um relacionamento de verdade – lembrei – Todos: Damon, Freya, Elena, até mesmo Bonnie sempre disseram que tínhamos tudo para ser um casal. Por que não tentar?
— E se der errado, as coisas vão piorar mais do que pioraram – ela revirou os olhos – Vamos encarar os fatos, ou somos apenas amigos, ou melhor a gente se afastar.
— Não faz isso, Care… — praticamente implorei, não podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo – Eu não sei o que seria de mim se não tivesse você, nem lembro como as coisas eram antes de te conhecer
— Então é melhor você esquecer esses sentimentos que você acha que tem por mim – avisou – Nunca vou retribuí-los, eu não posso retribuir, não posso colocar em risco tudo que construímos nesses quatro anos de amizade.
— Essa é a sua palavra final…? — quis saber, sem tentar esconder o tom de decepção na minha voz.
— Sim, essa é a minha palavra final – afirmou – Aliais, talvez seja melhor nós ficamos longe um do outro por um tempo, quem sabe assim você não percebe que está confundindo os seus sentimentos por mim – completou e então se levantou.
— Care, espera…. — tentei chamá-la, mas já era tarde demais, ela já tinha se afastado.
***
Não sei exatamente como eu consegui retornar ao salão, quando me dei conta já estava de volta a festa de casamento. Eu estava duplamente arrasado, não só tinha acabado de ser rejeitado pela mulher que eu amo como também acabei de perder a minha melhor amiga, não tinha como as coisas serem piores do que isso.
Caroline não estava em lugar nenhum, acho que depois da nossa conversa ela tinha decidido ir embora e, sendo sincero, foi melhor assim. Como ela mesma disse: vamos ficar um tempo longe de um do outro.
Um garçom perto de mim com uma bandeja de bebidas e eu peguei um copo de whisky e foi para a minha mesa. Não queria de maneira nenhuma estragar a noite do meu irmão e da minha cunhada, então ficarei aqui, no meu canto e bebendo.
Beber até esquecer tudo que aconteceu…
— E ai esta você! — Katherine puxou uma cadeira e sentou-se ao meu lado – Já estava me perguntando onde é que você tinha ido parar. Comecei até a pensar que aquilo de “precisar resolver uma coisa lá fora” tivesse sido apenas uma desculpa para se livrar de mim e você tinha até mesmo ido embora da festa.
Eu não disse nada, apenas soltei um logo suspiro, tomando mais um gole da minha bebida.
— Stefan… — ela continuava a me encarar seriamente – Está tudo bem? Você está com uma cara péssima…
— Acredita em mim, Kath, eu sou uma péssima companhia nesse momento – falei, por fim.
— Sim, isso é percebi – apoio o cotovelo na mesa – Bom, aqui vai um fato que poucas pessoas sabem a meu respeito é que quando eu era pequena queria ser psicóloga. Posso ter mudado de ideia antes de começar a faculdade, eu garanto que ainda sou uma ótima ouvinte.
Preciso admitir, Katherine está sendo simpática comigo sem obrigação nenhuma, nós nem nos conhecemos direito. Apesar a minha vontade no momento ser começar a gritar, não podia ser grosso com ela.
— Eu realmente agradeço por isso, Kath – disse – Mas eu realmente preciso ficar sozinho agora, se não se importar.
— Tudo bem, eu entendo – acabou concordando – Se precisar de mim, eu estarei por ai – então ela se levantou.
— Você já se apaixonou? — a questionei antes que pudesse se afastar, acho que no fundo não queria realmente ficar sozinho – Não falo de uma paixonite qualquer, mas se se apaixonar de verdade, do tipo que te faz acreditar que a vida não fazia sentido até você conhecer essa pessoa.
— Uau, isso é bem profundo… — observou enquanto voltava a se sentar – Eu já tive alguém e ele foi, ou melhor, ele ainda é, bem especial para mim. Mas acho que não é exatamente da maneira que você falou.
— Desabafe… — a incentivei a continuar.
— Você está falando sério? — revirou os olhos – Pensei que a ideia aqui fosse te ajudar, e não falar a respeito da minha vida amorosa.
— Acredite, se você falar, vai me ajudar – insisti – Apenas não me deixe perder a cabeça e estará me fazendo um grande favor.
Ela ficou um tempo apenas me encarando e pensando se eu realmente era capaz de fazer aquilo que estava “prometendo”.Por fim, acho que preferiu não arriscar.
— O nome dele é Mason, nós fomos vizinhos lá em Atlanta durante a vida inteira; ele era dois anos mais velho e acho que foi isso que acabou me atraindo inicialmente e, por alguma razão, ele também pareceu interessado em mim – começou, seu olhar estava distante em enquanto recordava – Nós ficamos pela primeira vez quando eu tinha apenas 15 anos e acabei perdendo a minha virgindade com ele, alguns meses depois, mas um dia Mason foi embora, sabia que seu sonho era ser bombeiro e ele decidiu se mudar para a Califórnia para entrar na academia, acho que esse foi um dos principais motivos para eu ter escolhido a UCLA para estudar.
— E você conseguiu reencontrá-lo aqui em Los Angeles? — quis saber, não sei por que, mas precisava saber que, pelo menos, a história deles teve um final feliz.
— Sim, eu o encontrei – afirmou, seu tom era monótono, o que já me fazia imaginar onde ela queria chegar – Sempre soube que o Mason era um galinha e também sabia que eu não era a única com quem ele ficava lá em Atlanta; mas a minha parte romântica realmente chegou a acreditar que isso tinha mudado, afinal, já tinham se passado dois anos e ele estava mais velho e com isso teria amadurecido nesse ponto também. Só que, infelizmente, eu estava enganada.
— Sinto muito… — coloquei a mão sob a sua, tentando consolá-la.
— Você pode me achar um completa maluca agora, mas nós ainda ficamos as vezes; em algumas festas, algumas noites de carência quando ele me procura…, obviamente sei que continuo não sendo a única, mas… — suspirou pesadamente, dando de ombros – As vezes tenho vontade de ficar com outros caras, dar o troco nele, mas simplesmente não consigo.
— Muito bem, solteiras de plantão! — antes que eu pudesse falar alguma coisa, a voz de Freya interrompeu a nossa conversa – Eu vou jogar o buquê, então, quem quiser ser a próxima a se casar…
Várias garotas, incluindo Bonnie, a irmã e as cunhadas da noiva, se reuniram onde ela estava. Todas elas pareciam bem animadas para participar da brincadeira.
— Por que você não vai até lá? — sugeri para Katherine – Você não quer ser a próxima a se casar?
— Sendo sincera, eu não acredito muito nessa história de “aquela que pegar o buquê será a próxima a se casar” — fez uma careta – E, mesmo que eu acreditasse, não é como se eu tivesse algum candidato a noivo no momento.
— Ora, Katherine, onde está o seu espírito de aventura?- insisti – Além disso, você não sabe e o buquê pode ser mágico; você pega hoje e conhece o cara da sua vida amanhã.
— Até parece… — revirou os olhos – Mas tudo bem, eu vou até lá, só para você parar de dizer que eu não tenho espírito de aventura – levantou-se, totalmente decidida.
— É assim que se fala, garota – ri enquanto ela caminhava na direção das outras.
***
Eu estava observando tudo de longe e realmente foi uma grande surpresa quando Katherine pegou o buquê. Na realidade, ela nem mesmo se esforçou para isso, o objeto praticamente voou até a sua mão, parecia mesmo que tinha sido o destino dando um empurrãozinho…
— Por favor, não fala nada… — pediu quando retornou a mesa – Eu nem sei como foi que isso aconteceu.
— Não estou falando nada – levantei as mãos em sinal de rendição – Mas acho que isso merece uma comemoração…, garçom! — eu o chamei e o homem aproximou-se de nós – Eu vou querer mais uma dose de whisky e você, Katherine, vai querer o que?
— Eu vou querer uma taça de vinho branco – respondeu em seguida.
— Tragos as suas bebidas e um minuto – balançou a cabeça afirmativamente antes de voltar a se afastar.
Kath tinha colocado o buquê em cima da mesa e não pude deixar de olhá-lo; ele era feito de margaridas, a flores favoritas da Caroline e imaginei qual teria sido a sua influência nessa escolha. A volta do garçom com as nossas bebidas me tirou dos meus devaneios, então eu o agradeci, tomando um gole do meu whisky.
— Muito bem, eu praticamente desabafei toda a minha vida amorosa com você – Kath lembrou, enquanto também bebia – Acho que está na hora de você fazer a mesma coisa, não acha?
— Acredite em mim, minha vida amorosa não é tão emocionante quanto a sua – admiti – Mas certo…, o que você quer saber?
— O que acha de começar contando o que aconteceu naquela hora que você sumiu? — sugeriu – Isso tem alguma coisa a ver com a sua namorada?
— Namorada? — a olhei, confuso – O que faz você pensar que eu tenho uma namorada?
— Aquela garota loira que fez par de madrinha no casamento – disse – Caroline, não é mesmo? O seu irmão se referiu a ela como “cunhadinha”, então eu pensei…
— O Damon chama ela de “cunhadinha” pra provocá-la, mas eu e a Caroline não somo namorado – claro que tem o detalhe do Damon também achar que somos perfeitos juntos, mas esse detalhe eu preferi ocultar dela, ou seria maus uma coisa para explicar – Nós somos melhores amigos, a gente se conheceu no início da faculdade, teoricamente não é muito tempo, mas sabe aquela pessoa que você conversa apenas alguns minutos e já parece que você conhece ela há séculos? Não sei se isso é coisa de outras vidas, mas é assim que eu me sinto em relação a Caroline.
Foi impossível não sentir um aperto no coração ao falar tudo aquilo sobre a Care. Só de pensar que tudo isso que vivemos pode ter simplesmente acabado depois de hoje a noite…
— Vocês podem até ser apenas amigos, mas você queria que fossem algo mais – observou – Desculpa…, é que eu sou observadora demais e as vezes os comentários saem sem pensar. Eu não tenho nada a ver com isso…
— Tudo bem, você está certa, não era a minha intenção sentir isso, mas simplesmente aconteceu – disse – É uma longa história, mas, em resumo, eu e Caroline transamos há algumas semanas, era para ter sido apenas uma noite, sem envolvimentos, sem qualquer sentimento envolvido, só que não foi bem assim que as coisas acabaram acontecendo.
— Sei que não estou aqui para dar sermão e eu, na realidade, eu nem posso te julgar, levando em consideração a minha vida amorosa – lembrou – Mas você foi para a cama com a sua melhor amiga e queria que as coisas continuassem da mesma maneira, isso era meio impossível, não acha?
— Em algum momento eu achei que a Caroline estivesse sentindo o mesmo que eu, mas, mais uma vez, eu estava enganado – continuei – Eu me declarei e ela disse que nunca poderia corresponder e ainda me aconselhou a ficar com outra.
— Sinto muito… — completou, e foi a sua vez de colocar a mão sob a minha.
— Acho que esse não é um assunto para se conversar em uma festa, principalmente em uma festa de casamento – lamentei – Devo estar patético demais nesse momento.
— Claro que você não está patético, Stefan, apenas precisava desabafar – me corrigiu – Acho que nós dois temos problemas amorosos parecidos.
— Ambos estamos insistindo em relacionamentos que não tem futuro, deveríamos seguir em frente com outras pessoas, mas mesmo assim, não fazemos isso – revirei os olhos – É, acho que nossas histórias são mesmo parecidas.
Começamos a rir e foi só nesse momento que eu realmente olhei dentro dos olhos castanhos de Katherine e ela parecia fazer o mesmo com os meus.
Não sei exatamente quem tomou a iniciativa primeiro, mas, no segundo seguinte, nós estávamos nos beijando. No instante em que entreabri os lábios, Kath soltou um pequeno gemido, como um incentivo para que eu continuasse, então coloquei a mão na sua nuca e trouxe seu rosto para mais perto do meu.
Claro, não é como se meu primeiro beijo tivesse sido com a Caroline, porque não foi, mas era estranho estar com outra garota depois de tudo aconteceu entre nós. De qualquer maneira, foi ela mesma quem me aconselhou a fazer isso.
Katherine foi a primeira a se afastar…
— Stefan, eu sinto muito! — apressou-se em se desculpar – Nós começamos a falar sobre nossas vidas amorosas fracassadas, sobre seguir em frente e então…
— Kath, você não precisa se desculpar por isso – a interrompi – Eu quis esse beijo tanto quanto você.
— Ai está você… — meu irmão praticamente se materializou na nossa frente, Freya estava com ele – Stef, nós já estamos subindo, a festa está muito boa, mas agora chegou a hora de ficarmos sozinhos – colocou o braço em volta da cintura da esposa.
Damon e Freya passaram a noite de nupcias em uma suíte aqui mesmo nesse hotel e amanhã cedo embarcaram para Buenos Aires, onde passaram das semanas.
— Por favor, Damon, poupe-me dos detalhes a respeito desse “queremos ficar sozinhos” — fiz uma careta – Acredite, eu não quero saber o que vocês farão na sua noite de nupcias.
— Relaxa, irmãozinho, eu também não ia falar nada… — garantiu – Bom, sairemos da maneira mais discreta possível, sem falar com ninguém, só queríamos avisar para você.
— Está bem… — acenei com a cabeça.
— Só mais uma coisa – lembrou – Esquecemos de falar com o pessoal da limousine que não precisaríamos do carro depois da festa e agora eles estão aqui esperando. Para não precisarmos pagar a toa, você podia pedir para eles te deixarem em casa.
Da mesma maneira que ontem a noite, na despedida de solteiro do meu irmão, como eu sabia que beberia, decidi ir de táxi para a igreja e depois para o hotel.
— Está bem – voltei a afirmar com a cabeça.
— Leve a Katherine com você – continuou – Vocês estão aqui conversando, então seja um cavalheiro e a leve para casa… — foi impossível não notar o tom malicioso na voz do meu irmão, então simplesmente o ignorei, já Kath, que não estava acostumada com ele, ficou claramente envergonhada.
— O que você acha, Kath? — decidi perguntar, tentando quebrar a tensão do momento.
— Acho que eu nunca andei de limousine antes – admitiu – Me parece uma maneira bem glamourosa de viajar.
— Então está combinado, vocês dois usaram a limousine – completou – Agora está na hora de irmos embora, não é mesmo, Freya.
— Claro… — deu um selinho nele – Vamos logo.
Então eles se afastaram, deixando eu e Katherine sozinhos mais uma vez. De repente, todo o constrangimento por causa do beijo, voltou de uma só vez.
— Stefan, eu realmente sinto muito por aquele beijo – ela voltou a se desculpar logo em seguida – Eu não tenho ideia de onde estava com a cabeça naquele momento e…
— Você quer sair daqui? — a interrompi, minha pergunta saiu um pouco mais apressada do que eu estava planejando – Nós podemos pegar a limousine e dar uma volta na cidade, ou ir até uma lanchonete, caso você ainda esteja com fome, ou então podemos ir para a minha casa.
Não sei exatamente porque sugeri aquilo. Tudo que minha vinha a cabeça era Caroline me dizendo que eu precisava conhecer outra pessoa e tentar esquecer os meus sentimentos por ela, de uma vez por todas.
E é justamente o que eu quero fazer…
— Claro, Stefan – ela pareceu um pouco confusa com o meu pedido, mas, mesmo assim, acabou respondendo – Eu adoraria conhecer a sua casa.
— Perfeito… — não pude deixar de sorrir.
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