Just Listen
6 Capítulo 4 - Ciúmes
Notas iniciais
Quando o relógio despertou de manhã — fazendo o maior escândalo, em sua opinião — ela sentia-se ainda mais cansada, apesar de ter apagado assim que se deitou no colchão macio.
Abriu os olhos devagar e viu que a ruiva ainda dormia. Ela não mexera um músculo em resposta ao barulho.
– Karin? — chamou-a. Por não obter resposta, chamou um pouco mais alto, porém a outra nem se movera.
Levantou-se, bateu no relógio para que este ficasse em silêncio e atravessou o quarto. Abriu o armário que dividia com a ruiva, onde pegou seu uniforme — que consistia em uma saia xadrez azul escura, uma camisa branca e uma gravata azul acompanhada de um colete, o qual era opcional e que ela, logicamente, não usou. Gastar sua mesada com aquelas roupas com certeza não estava em seus planos — e rumou para o banheiro que ficava ao fim do corredor.
Após feita sua higiene, colocou a saia juntamente com camisa branca e seu sapato preto, mas ao ver seu reflexo, detestou a imagem que via. Em uma tentativa de cobrir-se, optou por colocar suas meias 7/8 também pretas.
Todo aquele estresse de tentar melhorar sua imagem, a fazia pensar em deixar de comer pelo resto do dia, porém, por saber que não teria como fugir do café-da-manhã, rumou para a cozinha derrotada.
– Bom dia, querida! — Kushina cumprimentou-a assim que pôs os pés no cômodo — Tem pães e frutas hoje e também estou fazendo café.
– Eu fico com a maçã — disse encarando a mesa farta. Já havia perdido a conta de quanto tempo fazia desde que havia tomado café-da-manhã — Obrigada.
Antes que Kushina retrucasse, provavelmente a ordenando comer mais alguma coisa, Minato e Naruto desceram as escadas, sendo que o menor vinha coçando os olhos com cara amassada de sono.
– Bom dia meninas — disse o homem sorridente encaminhando-se até a ruiva, depositando um beijo rápido em seus lábios. Naruto entrou na cozinha, imitando os passos do pai, porém parou em frente a Sakura.
– Bom dia menina — o loiro copiou o mais velho, porém deixou um beijo leve em sua bochecha — Eu estou morrendo de fome!
– E quando é que você não está? — Kushina perguntou rindo, levando o café até a mesa.
Sakura olhou ao redor, ouvindo as brincadeiras matinais tão comuns entre os Uzumaki e sentiu-se em um verdadeiro lar. Aquilo lhe dava uma sensação de calor no peito, que há tempos não sentia.
– Não pense que me esqueci de você, mocinha — a ruiva ralhou com Sakura — Vamos, coma esse pão aqui e tome um copo de suco — quando abriu a boca para recusar, Kushina apressou-se — Só vai sair daí quando eu ver tudo limpo!
Sakura riu baixo e olhou para o pão que a "tia" lhe dera. Partiu-o ao meio, para então pegar uma das metades — a menor — e despedaçá-la em várias porções menores, para só depois começar a comer comê-las bem devagar. Mesmo com fome, sentia seu estômago embrulhar.
Você vai ficar ainda maior comendo essas coisas
Quando a vontade de vomitar aumentava, Sakura respirava fundo e empurrava o pequeno pedaço com o suco.
– Terminei — anunciou para Kushina que mantinha uma forte vigilância sobre si e seu prato, no qual havia várias migalhas de pão.
– É por isso que está tão magra, come feito um passarinho — resmungou a ruiva, para depois lançar um olhar feio para o filho, que deu de ombros, ao comer pela segunda vez.
★~ Just Listen ~★
Abriu os olhos sem nenhuma razão aparente, mas ao perceber que o quarto já estava mais claro devido a pouca luminosidade do sol que conseguia penetrar a janela, olhou para o relógio e se assustou com os números.
Droga.
Estava atrasada e Sasuke odiava atrasos.
Levantou correndo pegando a roupa que já havia deixado separada e a vestiu rapidamente assim como o sapato. Correu para o banheiro e enquanto escovava os dentes, a escova de cabelo já puxava seus fios vermelhos, desembaraçando-os.
Voltou ao quarto e viu a cama ao lado da sua. Impecável, com os lençóis esticados e edredom dobrado perfeitamente.
Nem pra garota metida lhe acordar!
Foi até a sua cama e a arrumou, porém, devido a pressa, eles não haviam ficado devidamente arrumados. Abriu a janela e pegou seus óculos e seu aparelho auditivo na cômoda que ficava entre as duas camas de solteiro.
Descendo as escadas rapidamente, parou na entrada da cozinha ao ver sua família sorrindo e brincando como sempre faziam, porém sem sua presença. Na verdade, na presença da outra. Outra que ocupava seu lugar a mesa.
– Karin — chamou Kushina, agitando as mãos para chamar a sua atenção. Karin desviou seus olhos fulminantes da garota e olhou para sua tia — acordou tarde, querida.
– Esqueci de acionar o meu despertador — respondeu. Pegou uma maçã na mesa — nem pra me chamarem, não é mesmo? — comentou de mau humor.
– Eu chamei — Sakura respondeu prontamente — Você nem se mexeu.
– Chamou meu nome? — perguntou, sua voz transbordava irritação — Não ouço você, esqueceu? — apontou para os ouvidos. Sakura arregalou os olhos e os abaixou, mirando seus dedos trêmulos entrelaçados embaixo da mesa em seu colo, totalmente sem graça.
Naruto percebendo a tensão levantou-se, assustando a todos.
– Isso foi uma buzina? — perguntou olhando todos se entreolharem. Ninguém havia escutados nada — É, acho que foi. Estamos indo — disse empurrando-as enquanto acenava — Amamos vocês!
Kushina e Minato sorriam enquanto acenavam para os garotos que saíam apressados porta a fora.
– Esqueci da foto do primeiro dia de aula — Kushina suspirou abatida.
– Ele ainda irão pra escola amanhã — respondeu, puxando a mulher para um abraço.
★~ Just Listen ~★
Ao chegarem na calçada, Karin soltou-se do primo e penteou os cabelos com os dedos, na tentativa de arrumá-los.
– Sabe que Sasuke detesta companhia de estranhos, não sabe? — Karin perguntou ao ver a porta da garagem dos Uchiha abrir. De lá saiu um carro preto que Sakura não sabia identificar qual era. Não faria diferença.
– Eles já se conhecem — retrucou Naruto — Para de criar caso.
Quando Sasuke estacionou em frente aos Uzumaki, Karin abriu a porta e levantou o banco do passageiro para que Naruto entrasse, e assim ele o fez para depois esticar a mão para que Sakura se apoiasse.
A garota olhou o carro e a mão estendida, porém não se moveu de onde estava. Karin ergueu uma sobrancelha.
– Sakura? — chamou Naruto de dentro do veículo. Até mesmo Sasuke pôs-se a observar a garota que permanecera estática.
– Eu vou a pé — virou seu corpo e colocou-se a andar. Naruto saiu do carro rapidamente e segurou seu braço.
– Vamos logo, Karin está só de mau humor. Acho que está de TPM ou sei lá — explicou coçando os cabelos que ficavam próximos a nuca. A garota negou e soltou seu braço, continuando a andar.
– Eu sei, só.. — olhou o carro novamente e balançou a cabeça — quero ir a pé, tudo bem? Te encontro na escola.
Naruto observou a amiga estranhando a atitude dela. Porém lembrou-se da conversa que tiveram — logo após ele salvá-la de Mikoto — e teve vontade de se estapear. Ela havia sofrido um acidente, era óbvio que não queria subir em um carro tão cedo!
Ele retornou até Karin em poucos passos e disse que acompanharia Sakura até a escola e pediu para que se encontrassem lá. A ruiva deu de ombros e abaixou o banco, para então sentar-se ao do namorado, que a olhou com uma sobrancelha arqueada.
– Vão nos encontrar na escola — disse enquanto sinalizava.
Sasuke observou a garota de cabelo cor-de-rosa antes de ligar o carro, não sabia que ela havia ficado com tanta vergonha que não podia nem ao menos ficar no mesmo lugar que ele.
Era estranho que alguém tão tímido pudesse ser amigo do loiro. Logo Naruto, que não tinha paciência para nada.
Ao passar pelos dois, ficou os observando pelo espelho, andando de mãos dadas pela calçada, até sumirem de vista.
★~ Just Listen ~★
Andava bem mais lento que o usual, devido a perna machucada. Por mais que tentasse andar normalmente, a dor o obrigava mancar.
Grande hora para que sua boca grande atrapalhasse tudo!
Quando sua respiração já se encontrava ofegante, pôde finalmente avistar o prédio de sua nova escola. Sabia que não seria fácil. Odiava o fato de ter que ser o aluno novo no meio do ano, já que seus pais não podiam esperar pelo término das aulas para mudarem de cidade.
Ao passar pelo estacionamento, viu uma cabeleira cor-de-rosa entre as demais, e sua atenção foi capturada por aquela figura. Cerrou os olhos na tentativa de conseguir enxergar melhor e pôde sentir as pernas bambas.
Sakura!
Sakura Haruno estava ali, bem diante dele!
Apressou os passos e, conforme as pessoas saíam da frente, conseguiu ver outras pessoas que a circulavam. Ino, Tenten e Hinata para ser mais exato.
Abriu o sorriso mais brilhante que conseguiu e colocou-se ao lado da rosada.
– Hãn... Com licença — coçou a garganta, para que sua voz pudesse sair e atravessar aquele bolo que já se formava — você por acaso se chama Sakura? — perguntou, odiando-se pela pergunta estúpida.
– Sim — ela respondeu incerta, mirando-o da cabeça aos pés — e você é...?
– Sai, muito prazer — estendeu a mão, pegando a dela e chacoalhando-a para cima e para baixo — estava passando pelo estacionamento e vi seu cabelo e eu tinha que vir até aqui — ele abriu seu melhor sorriso — sou tipo seu fã número um e... — abriu a mochila que levava nos ombros, vasculhando dentro — Só um segundo — quando seus dedos bateram na superfície de plástico, ele agarrou o objeto — você poderia me dar um autógrafo?
Ao ver a cara de espanto da garota, seu sorriso sumiu.
– Ah, desculpe — disse ao se afastar.
– Não — ela deu um passo a frente e tomou a caixinha plástica que estava em suas mãos — tudo bem, mas preciso de uma caneta — disse sorrindo para si. Teve certeza que seu coração falhou algumas batidas — eu não tenho nada comigo.
Ele vasculhou a mochila novamente atrás do estojo e lhe entregou a caneta que usava para desenhar. Ela pegou o objeto e nessa hora, suas mãos se tocaram. Ao invés de se sentir — mais — eufórico, olhou com estranhamento as mãos femininas que tremiam. Não estava nada frio, na verdade, a temperatura estava por volta dos vinte e cinco graus.
Sakura puxou sua mão de volta rapidamente e retirou a tampa da caneta com os dentes. Ao encostar a ponta com tinta no plástico, os traços ficaram extremamente trêmulos.
– Ino — chamou ela — preciso de apoio — A loira foi para seu lado e lhe ofereceu seu fichário, porém, diferente do que esperava, Sakura não o pegou para si e sim apoiou a pequena caixa de CD em cima, tentando de novo.
Vendo que a amiga estava com muita dificuldade, a loira tomou o objeto e assinou seu próprio nome e entregou ao garoto.
– Imagino que seja meu fã também, não é? — sorriu ela. Sai a olhou e balançou a cabeça assentindo — Quer que as outras assinem também? — Ino não esperou por uma resposta, apenas puxou o garoto para longe de Sakura, que ainda encarava suas mãos.
Hinata pegou a caixa que Ino lhe oferecia com as bochechas coradas, não imaginava que encontrariam alguém que as conhecesse em um lugar tão longe de casa. Escreveu seu nome e entregou de volta.
Tenten olhava o garoto que sorria e acompanhava Ino conforme ela andava. Não sabia o nome do garoto, mas pelo que entendera, ele as conhecia e até gostava da banda, já que pedia autógrafos.
Quando Ino chegou perto de si, oferecendo a caixa, Tenten encarou o garoto que a olhava com os olhos brilhantes de expectativa.
– Como é o seu nome? — perguntou ela.
– Sai — respondeu prontamente. Tenten fez uma careta em confusão.
– Como? — perguntou novamente. Ino se meteu na frente e apontou para o nome do garoto que estava escrito na capa e logo foi até Sakura, que logo escondera as mãos atrás das costas. A morena após ler, pôs-se a assinar.
– Vi o que a Ino postou no blog — comentou Sai para a morena — sobre a pausa de vocês. Por que pararam? — ele continuou a falar, porém os olhos da garota nem ao menos saíram das letras que escrevia.
– Pronto — disse ao terminar. Entregou a caixa para o dono e saiu andando, seguindo as amigas que já adentravam na escola.
Sai as observou andando a sua frente, magoado por ter sido ignorado. Logo elas, que pareciam ser tão simpáticas com todos em seus vídeos. Guardou o CD dentro da mochila, nem se preocupando em ler o que elas haviam escrito para si, e colocou-se a andar.
Ainda teria um péssimo dia de aula pela frente.
★~ Just Listen ~★
Tinha certeza que a aula já tinha começado quando estacionou sua moto em frente a escola, mas não se alarmou por isso.
Após estacionar o amor de sua vida — sua Harley -, foi andando calmamente pelo estacionamento até alcançar as grandes portas, as quais abriu para logo encontrar um corredor silencioso e vazio.
Claro, afinal aquela era uma escola para surdos. Não fazia sentido ter barulho.
Encaminhou-se para a sala, cujo número estava escrito em seu papel no qual mostrava seu horário de aulas.
Biologia.
Bateu na porta e aguardou alguém vir abri-la para si. Logo uma mulher apareceu e ele deu um sorriso de canto.
– Está atrasado — disse ela.
– Desculpe — respondeu — é que me perdi nessa escola gigante — ironizou. A escola, que antes era pública, era xtremamente pequena. E após ser privatizada, algumas partes não estavam liberadas para o uso, tornando o espaço ainda menor — Não consegui achar o laboratório
– Agora que já sabe onde é — disse saindo da frente para que o garoto adentrasse a sala — espero que isso não aconteça novamente.
– Isso não vai acontecer de novo — respondeu piscando um dos olhos.
– É, não vai mesmo, senhor...?
– Hozuki — sorriu de canto sem se importar com os quinze pares de olhos em cima de si — Suigetsu Hozuki
– Ótimo — sorriu a professora varrendo os olhos pela sala, que era formada por três fileiras com cinco bancadas em cada uma, sendo que em cada mesa cabiam duas pessoas. Como o número de alunos da sala eram ímpares, apenas um aluno ficara sem parceiro — sente-se com a senhorita Uzumaki, na terceira fileira e quarta bancada, por favor.
Karin apenas bufou em irritação.
Além de Sasuke e ela ficarem em turmas separadas, agora teria que carregar um encostado em biologia. Seria um golpe de sorte se esta fosse a única matéria que ela não dependesse de Sasuke.
Pena que a vida é uma vadia.
Uma vadia gorda que gosta de ferrar com a vida dos outros.
A sua em especial.
Tinha vontade de arrancar aquele sorriso presunçoso com as unhas.
★~ Just Listen ~★
Estavam no intervalo e, enquanto Hinata ia atrás de algo para comerem, Tenten ficara responsável por encontrar uma mesa. Já estava sentada esperando o retorno da morena quando sentiu seu celular vibrar pela segunda vez.
Uma ligação.
Olhou no visor lendo o nome de quem a procurava e rejeitou a chamada.
Nem se quisesse responder poderia.
Quando Hinata retornou, ficou a encarando.
– O que foi? — perguntou entediada.
– Achei que fosse ficar mais interessada — respondeu ela lhe entregando um sanduíche — Uma escola cheia de pessoas iguais a você e tudo mais.
Tenten suspirou.
– A maior parte das pessoas aqui já nasceram desse jeito ou então perderam a audição quando eram crianças — a encarou — quase ninguém aqui se lembra de como é ouvir.
– Tem razão, mas ficar choramingando pelos cantos não vai resolver nada — disse colocando uma das mãos no ombro da amiga.
– Não tenho que ouvir isso de alguém como você, ou melhor, ver sua boca se mexer e deduzir que é isso que você esta dizendo, já que não escuto mais porcaria nenhuma! — ao ver os olhos azuis claros arregalados, se arrependeu no mesmo instante de tudo o que dissera — Me desculpe, estou nervosa e descontando tudo em você.
Hinata deu um sorriso fraco e pegou uma pasta de plástico em sua mochila e a entregou para Tenten.
– O que é isso? — perguntou.
– Depois da aula ensinam a linguagem de sinais em uma das salas. Inscrevi nós duas.
– Linguagem de sinais? — perguntou incerta.
– Você viu que alguns professores sinalizam e falam ao mesmo tempo na aula, alguns são realmente surdos, e tem a ajuda de intérpretes — Tenten assentiu. Realmente reparara nisso — Imagina não precisar ler os lábios de ninguém, imagina não precisar deduzir mais nada.
Voltou os olhos para os papeis em suas mãos e constatou que as aulas começavam nesse mesmo dia. Voltou-se para a amiga.
– Obrigada — sentiu os olhos marejarem e chegou mais para o lado, para que seus braços alcançassem Hinata, para ser capaz de abraçá-la — Não sei o que eu faria sem você — admitiu enquanto enterrava-se no mar negro que eram os cabelos de Hinata.
– Nem eu — riu baixinho, devolvendo o abraço.
Ao sentir algo vibrar em seu bolso, soltou-se de Hinata e buscou o aparelho. O mesmo número. Rejeitou novamente a chamada e jogou o celular em cima da mesa.
– Quando tempo mais vai fugir dele? — Hinata perguntou.
– Não estou fugindo de ninguém — deu de ombros.
– Tenten, desde quando ele foi te ver no hospital e você o mandou embora que você vem ignorando ele — a repreendeu — não acha que ele merece explicações?
– Nós terminamos! Acabou! — elevou a voz, querendo encerrar o assunto, chamando a atenção de alguns alunos que passavam.
– Uau, me digam que eu não perdi nada — disse Ino ao puxar uma cadeira — porque vocês sabem que nada acontece sem minha presença, né? — Ino puxou Sakura pelo braço a obrigando sentar e entregou a metade de seu lanche e uma garrafa de suco — E falando nisso, eu realmente detestei o fato de nós estarmos em salas separadas. Isso é ridículo! E além do mais, você perdeu a entrada triunfal de Suigetsu — comentou com a rosada.
– Quem? — perguntou Sakura. Não que estivesse muito interessada nas conversas de Ino, mas era melhor ouvir tudo o que a loira tivesse para falar do que sofrer as consequências depois.
– Aquele ali — disse Ino apontando discretamente para um garoto que estava sentado perto do chafariz que havia no jardim. Estava sozinho, apesar de várias garotas passarem por ele tentando chamar sua atenção — Nota A, não é?
Enquanto Ino e Sakura discutiam sobre o novo garoto, Hinata encostou levemente no braço de Tenten, para fazer com que a outra morena olhasse para si.
– Não é justo o que está fazendo com ele.
– Não vou prendê-lo, Hinata — respondeu — Não vou obrigá-lo a ficar com alguém que seja menos do que ele merece. Ele não precisa de alguém que não seja perfeito ao seu lado.
– Como?! — Ino intrometeu-se na conversa — As pessoas não são perfeitas, Tenten — disse segurando os dois lados do rosto da amiga, obrigando-a a olhar para si — Você não escuta mais, e daí? Sakura não come, Hinata não peida, eu sou materialista. As pessoas são diferentes! — Tenten riu do discurso da loira enquanto Hinata sentia as bochechas arderem, implorando para Ino falar mais baixo.
– Estamos em uma escola de surdos — respondeu a loira — ninguém aqui nos ouve, que chatice.
– Você é realmente ótima em animar as pessoas, Ino — resmungou Sakura levantando-se para jogar o seu lanche fora.
★~ Just Listen ~★
– Vai ficar mesmo bem? — perguntou Naruto. Pela conta de Sakura, essa era a quinta vez que ele fazia a mesma pergunta desde que deixaram a sala e ele a acompanhava onde haveria aulas de linguagem de sinais.
– Eu já não te disse que sim? — retrucou, parando ao lado dos armários. Por sua aula ter acabado poucos minutos mais cedo, ainda não havia ninguém nos corredores.
– Sim, mas pra usar os sinais você precisa das mãos — disse lhe mostrando as suas palmas. Sakura ergueu uma sobrancelha.
– Sim e daí? — perguntou.
– Percebi que suas mãos não estão legais — disse coçando a cabeça, havia ficado um pouco sem jeito ao conversar sobre isso com a amiga — quer dizer, você nem trouxe material e tudo mais.
Sakura respirou fundo e encostou-se na parede.
– É. Eu ainda não consigo escrever — disse encarando os próprios pés — mas pensei que não faria mal se eu apenas assistir.
– Não tem problema nenhum é que.. — ele fez uma pausa — os professores que dão essas palestras geralmente tem a ajuda de alguns alunos voluntários que já sabem sinalizar — Sakura o olhou, instigando a falar exatamente o que queria — Eles estão lá pra te ensinar, Sakura. Então eles vão fazer vocês repetirem os gestos.
– Eu quero tentar — suspirou lembrando-se do intervalo — Tenten está mal com tudo isso e essa é a primeira vez que eu tenho amigas em que posso confiar — encarou o amigo, mantendo a voz serena — Elas me ajudaram demais, nada mais justo que eu retribua isso, não é?
– A amizade não pede retribuição de nada, Sakura — esclareceu, colocando uma mecha de cabelo rosado atrás de sua orelha.
– Eu sei — a garota então levou o dedão a boca, onde mordiscou a pele — Mas eu quero tentar. Por ela.
– Tudo bem — ele levantou os braços em rendição — Vou estar lá no fundo, nas piscinas porque tenho Polo agora, mas me liga — puxou a mão da garota para si e retirou uma caneta do bolso. Escreveu seu número na palma dela — vou ver se consigo deixar meu telefone com algum calouro.
– Faça isso — brincou ela — Coloque seu celular para tocar em uma escola de deficientes auditivos, menino surdo — sorriu ela. Sakura o analisou da cabeça aos pés — Polo, hein? Achei que garotos de sunga não faziam seu estilo.
– Engraçadinha — Naruto bagunçou seus cabelos e se encaminhou para a saída ao ver uma luz vermelha piscante na parede. O sinal do término da aula.
– Me liga — disse ele lhe mostrando a mão elevada até a orelha, com o dedão e o dedo mínimo erguidos, imitando um celular.
Sakura revirou os olhos e continuou aguardando as amigas chegarem.
★~ Just Listen ~★
Karin guardava seus livros em seu armário, agradecia por tudo que era sagrado por ter ajudado — assistido — Sasuke a estudar física, quando viu a cena no corredor.
Naruto e a intrusa estavam conversando e, pelo que parecia, ela aguardava o início da aula de sinais começar.
Não sabia porque, mas logo que a garota chegara em sua casa, sentira uma antipatia por ela — que logicamente piorou quando ficou sabendo que a garota viera para ficar -. Sakura não havia feito nada de mal, mas ela sentia que precisava agora disputar a atenção que antes recebia sem fazer esforço.
A ruiva sabia que o sonho de Kushina era ter uma filha e saber que Sakura vinha antes de si, fazia seu interior borbulhar, afinal Karin tinha o sangue dos Uzumaki correndo por suas veias. Ela não era uma agregada qualquer!
Quando o primo se despediu da menina, Karin teve vontade de vomitar.
Como era possível o loiro estar caidinho por alguém em dois dias?! — obviamente ela não contava sua paixonite quase instantânea por Sasuke -. Trancou o armário, batendo a porta com força e se encaminhou para a sala na qual Sakura estava parada em frente.
Estava na hora de ela ajudar alguns ouvintes estúpidos a como se comunicar com pessoas surdas.
– Como se eles se importassem com isso — resmungou baixo só para si.
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