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13 Capítulo 11 - Culpa


Notas iniciais
Em primeiro lugar eu gostaria de pedir mil desculpas a todos que acompanham a fic pela demora. Pois é, quase um mês. Tive que me afastar um pouco devido a escola, muitas provas e trabalhos pra fazer, e então, como se não fosse o bastante, tive um pequeno bloqueio e não consegui escrever nada bom, então peço desculpas pelo capítulo também. Agora deixando o lado sério de lado, gostaria de contar que RECEBI A SEGUNDA RECOMENDAÇÃO DE JUST LISTEN!!! Gente, socorro! Como eu pulei, gritei, esperneei e comemorei quando li aquele conjunto de palavrinhas maravilhosas! Me emocionei muito, sério. Muitíssimo obrigada à tatyelle_uchiha! Adorei tudo, linda! Capítulo super dedicado a você, espero que goste =D É extremamente gratificante receber um bom feedback de vocês, então fica aí a dica: se não quiser deixar um comentário, seja o motivo que for, favorite, compartilhe e/ou recomende a história. É uma forma de me ajudar e também me recompensar, de alguma forma, se acharem que mereço, claro. Enfim, boa leitura! Ah, só pra visar, as partes em negrito são os pensamentos da Sakura, ok?

Culpada.

Traidora.

Hipócrita.

Falsa.

Mentirosa.

Não queria sair da cama. Não queria ir para a escola. Não queria fazer nada além de se remexer sobre os lençóis, afogada nos travesseiros, tampando sua visão de tudo.

Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora.

Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora.

Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora.

Você é uma mentirosa, traidora, falsa.

Não é atoa que é sozinha!

Você merece isso.

Tinha vergonha de si mesma.

Falsa. Falsa. Falsa. Falsa. Falsa. Falsa. Falsa. Falsa. Falsa. Falsa. Falsa.

Era tudo que se passava por sua cabeça.

Havia cometido o erro que mais abominava dentre todos. O mesmo que de seu pai.

E o pior de tudo era que não estava arrependida.

Não.

Sentia.

Uma.

Maldita.

Gota.

De

Arrependimento.

Como podia ser tão horrível a esse ponto? Logo ela, que sabia, já conhecia, tudo aquilo na pele, o quão terrível e abominável uma traição poderia ser. Porém era só se lembrar dos lábios cálidos e levemente úmidos sobre os seus, que sentia a pele formigar novamente.

Por que Sasuke se aproximara dela a esse ponto? Como deixou que as coisas terminassem dessa forma?

Necessidade. Essa era a resposta.

Quanto mais perto ele chegava, quanto mais se olhavam, sentiam aquela vontade de continuar, se aproximar, de tocar. Uma necessidade impossível de se negar.

Mas Karin também beijou Suigetsu.

Às vezes tentava se confortar com esse pensamento, porém sabia que isso não era justificável.

Não pra ela. Não pra isso.

Ela era a pessoa que mais odiava a traição do mundo inteiro. Então como pôde...?

Fora de uma traição que seus problemas se originaram, uma traição que acabara com sua família.

E agora lá estava ela, se corroendo por ter feito a mesma coisa que um dia lhe trouxera tanto remorso e infelicidade. Chegava a ser até irônico.

Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora.

Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora.

Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora.

E ela sabia que ambos não cederam por fraqueza, longe disso, o desejo era fácil de combater; o problema era quando seus próprios sentimentos se tornavam mais fortes que o desejo.

Ela sabia que aquilo já não se tratava uma simples atração.

Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora.

Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora. Traidora.



Ao ouvir o celular tocando, esticou o braço sobre o sofá, tateando o tecido um pouco áspero até seus dedos tocarem na superfície sólida e fria do aparelho, apertou o botão para atender a chamada e logo reconheceu a voz do outro lado da linha.

— Está pronto? — perguntou o homem. Tão direto ao ponto, extremamente previsível, quando se tratava dele em especial.

— Quando quiser — respondeu logo, antes que o homem se chateasse.

— Vou encontrar com você na entrada da escola — disse-lhe rapidamente e logo desligou.
O garoto então levantou-se, guardou o celular em um bolso traseiro de sua calça e assoviou, chamando seu companheiro para que pudessem sair.

— Vamos, garoto! — disse-lhe enquanto segurava-se nele e lhe fazia uma suave carícia — Parece que somos necessários hoje.

E então deu um número certo de passos, enquanto a palma direita deslizava sobre a parede. Quando chegou a porta, destrancou-a e saiu.

— Cento e cinquenta, e então virar para a direita; mais duzentos e direita de novo; quarenta e então virar para a esquerda...

Tudo era só uma questão de números.

— Ficou muito encrencada? — perguntou Sai enquanto arrumava sua mochila.

— Sim — suspirou a loira — Vou ter que cumprir uma tarefa por tempo indeterminado depois das aulas.

— Mas você não parece arrependida — observou o moreno.

— Não — ela o encarou sorrindo — Valeu totalmente a pena, apesar de minha mão ter doído horrores depois de tudo.

— Acho que agora que viram que você é perigosa vão parar de encher o saco — disse enquanto olhava os demais alunos encararem a loira para logo depois desviarem o olhar; as pessoas nunca faziam o menor movimento para se aproximarem dela.

— Espero que sim — ao avistar o diretor grisalho esperando-a ao lado da porta, despediu-se do amigo e caminhou em direção ao homem.

— Está pronta, senhorita? — perguntou ele.

— Se eu dissesse que não você me deixaria ir embora? — ele a encarou sério — Eu tinha que tentar — deu de ombros pôs-se a acompanhá-lo.

— Você poderá ficar em qualquer área exterior da escola e os lugares comuns do interior do prédio, e isso excluí as salas de aula — ele suspirou enquanto encarava alguns alunos quase se engolindo nos jardins em uma bela imagem de romance adolescente com seus benditos hormônios a flor da pele — Dessa forma, terá que permanecer aqui durante algumas horas — ela dava passos rápidos para conseguir acompanhá-lo, até que finalmente pararam em frente a portaria principal, a qual ficava na frente da escola.

Kakashi olhou ao redor como se procurasse algo e, quando aparentemente o encontrou, voltou a andar apressado até parar em frente a um garoto de cabelos castanhos arrepiados que segurava, através de uma coleira, um enorme cachorro de pelos claros.

Não fazia a menor ideia da raça do animal – Ino certamente detestava cachorros, e ainda mais aqueles que quando sobre as duas patas traseiras eram quase tão altos quanto ela mesma.

O diretor então tocou o rapaz no ombro e Ino não pôde ver seus olhos quando o garoto virou, pois estavam cobertos pelas lentes escuras de seus óculos de sol, portanto a loira analisou as partes visíveis do garoto e o achou atraente – bonitinho até, porém comum, nada de especial.

— Olá, Kiba — cumprimentou Kakashi estranhamente animado, nem parecia aquele mesmo homem que vivia resmungando pelos corredores. Isso a fazia pensar em porque diabos o Hatake havia aceito o cargo como diretor de uma escola, tendo em vista que ele detestava adolescentes. Certamente não era pelo salário.

— E aí, Kakashi? — sorriu o garoto, tomando a mão que o homem oferecia.

— Quero que tome conta de uma pessoa pra mim, acha que pode fazer isso?

— Sem problemas — Kiba então ergueu a mão e Ino tomou sua palma, apertando levemente em um cumprimento, assim como Kakashi havia acabado de fazer.

— Esta é Ino — apresentou-a para logo depois olhar para ela — Venho avisar quando sua atividade extra acabar — em resposta ela resmungou qualquer coisa, que fora ignorada pelo mais velho, e logo Kakashi saiu andando para entrar novamente na escola, para fazer qualquer coisa que Ino não tinha o mínimo interesse em saber.

— Então, o que foi que você fez pra ter que ficar presa aqui depois do horário? — perguntou Kiba, chamando a atenção de Ino para si.

— Quebrei o nariz de alguém — respondeu somente, arrancando uma gargalhada de seu acompanhante — E então, qual é a do cachorro monstruoso? Não acho que ele pode ficar aqui na escola — comentou logo após cruzar os braços. O bicho era mesmo grande.

— Este é Akamaru, ele é um golden retriever — esclareceu enquanto acariciava as orelhas do cachorro — Também acho que não aceitam animais aqui, mas era o único jeito para eu vir.

— Que seja — resmungou mal humorada. Queria estar em casa, fazendo qualquer outra coisa que não fosse ficar na escola. Não sabia quanto tempo duraria aquilo tudo, mas já estava detestando — Por algum motivo, tenho que ficar com você até que Kakashi esteja satisfeito, então o que é que vamos fazer?

— Você poderia ler pra mim — ele respondeu sorrindo mais uma vez. Na verdade, desde que havia o encontrado, ele jamais tinha escondido aquelas fileiras de dentes brilhantes.

— Não acha que você está um pouquinho grande pra isso? — ela o olhou dos pés a cabeça. Não sabia quantos anos ele tinha, mas parecia ter idade suficiente para ser capaz de ler sozinho — Não aprendeu a ler? — ele somente gargalhou em resposta.

— Eu sei ler, mas os livros que consigo enxergar são mais difíceis de achar, então Kakashi disse que arrumaria alguém para ler para mim durante a tarde e aqui está você, minha leitora oficial.

Ino então abriu a mochila e ofereceu-o um livro que estava consigo – aquele castigo que a professora de literatura havia imposto – porém o garoto ignorou totalmente seu gesto.

— Aqui — disse ela oferecendo o livro novamente, ele então levou suas mãos para a frente, tateando o ar até encontrar o objeto retangular que a garota oferecia.

— O que é isso? — perguntou ele, enquanto movia seus dedos pela capa.

— O que mais poderia ser? — perguntou ela impaciente, aquele cara lesado já a estava irritando — Um livro! Você não queria ler?

Ele então moveu as sobrancelhas e abriu o livro, passando os dedos sobre as palavras e depois levou o papel ao rosto, cheirando a página, para logo oferecê-lo de volta.

— O que? Você não queria um livro?

— Não consigo ler esse — respondeu entregando o objeto a ela.

— Sei que não é o livro mais legal, mas... — ela se interrompeu pelo riso divertido que escapava do garoto a sua frente — O que?

— Não conseguiria ler nem se fosse a história mais legal do mundo — ele sorriu novamente.

— Por quê? Você tem dislexia ou... — ele balançou a cabeça para ambos os lados.

— Sou cego... Ino, não é? — a loira o observou apontar em direção aos olhos totalmente perplexa. Kiba então fez um leve movimento na guia do cachorro e caminhou sobre a grama, deixando-a para trás — E é por isso que você vai ler para mim.

A primeira coisa que pensou foi na total perda de tempo que teve quando escolheu uma de suas melhores roupas e se maquiado mais que o normal, imaginando se tratar de algo que precisasse manter uma boa imagem, mas parecia que Kakashi tinha apenas zombado de sua cara e colocado ela para ser uma babá de um garoto cego.

— O que diabos tenho que fazer com isso? — sussurrou para si mesma antes de correr até Kiba que era guiado por seu cachorro monstro, Akamaru, resmungando sobre ter de andar sobre a grama úmida em suas sapatilhas novas.

Total perda de tempo.



Logo que o sinal soara – e a luz vermelha na parede piscara –, Suigetsu jogou rapidamente seu bloco de anotações, assim como o resto de seu pobre material escolar, em sua mochila e se levantou antes que Karin abrisse o zíper de sua bolsa.

Pegando suas coisas de qualquer jeito, a ruiva saiu de seu lugar e correu para encontrar o garoto que agora agia como se ela fosse qualquer estranha ou até mesmo invisível.

Sabia que isso era resultado de todas as vezes que o tratara mal, porém não esperava que ele a levasse a sério ao ponto de ignorá-la como vinha fazendo há dias.

— Suigetsu, espera! — gritou ela quando finalmente o avistou no estacionamento, prestes a subir em sua moto. Porém, diferente do que esperava, o garoto continuou com sua ação e subiu na motocicleta, pegando o capacete em mãos — Você é surdo, droga?!

— Não, você é? — ele devolveu rapidamente. Ela o olhou com uma sobrancelha arqueada e ele percebeu seu erro — O que você quer?

— Por que está me ignorando?

— Estou seguindo seu concelho, pode sair da frente?

— Eu não...

— Já chega, Karin! — interrompeu-a irritado — Pode correr para o seu namoradinho agora, quem já não quer mais saber sou eu, tá legal?

— Mas eu achei que...

— Achou errado — vestiu o capacete e ligou a moto, para logo depois sair em disparada estacionamento afora, deixando a ruiva encarando sua figura até que sumisse de vista.

— O que está fazendo, espantalho escarlate? — perguntou o primo sorridente que brotara ao seu lado — Sabe, esse seria um nome interessante pra você, caso fosse uma super-heroína, pena que é sem graça demais pra isso.

— O que é que você quer? — perguntou irritada.

— Avise ao Sasuke que não vou voltar com vocês hoje.

— Mais estudo? — perguntou maliciosa, o loiro bagunçou-lhe os cabelos em repreensão.

— Um de nós dois tem que deixar a burrice de lado, já que, pelo visto, isso é genético, bobinha.

— Não acho que a tia Kushina gostaria de você estar a chamando de burra — cruzou os braços vendo o primo arregalar os olhos.

— Como eu ia dizendo... — porém não foi capaz de continuar, pois a figura do amigo passou entre os Uzumaki, tirando a vista de Karin sobre suas mãos — Hey, Sasuke, tenha mais educação e pare de passar na frente quando tem outros conversando!

Porém o outro somente arqueou sua sobrancelha negra enquanto destravava seu carro.

— Estava dizendo pra Karin que não vou poder ir com vocês hoje, então leve Sakura pra casa, tudo bem? — perguntou Naruto, fazendo com que o Uchiha ficasse tenso. Porém, antes que ele respondesse, a garota a quem se referia anteriormente saía pela porta, sendo acompanhada pela amiga morena que tanto chamava a atenção do loiro.

— Cuidado para não babar, idiota — avisou Karin antes de entrar no automóvel do namorado, mas o primo somente a ignorou.

Quando Naruto se virou para Sasuke, pegou o amigo distraído, mordendo o interior de sua bochecha enquanto olhava para o chão. Teria ficado observando o moreno por mais tempo, porém sua atenção logo fora desviada com a chegada das garotas.

— Animado? — perguntou Hinata assim que chegou ao seu lado. Naruto encarou a figura pequena, lhe devolvendo um sorriso.

— Estudar geografia, totalmente empolgante — respondeu em um tom falsamente animado enquanto lhe mostrava o polegar erguido.

— Achei que estivesse tomando jeito — Sakura balançou a cabeça — Tia Kushina ficaria desapontada agora.

— Pelo menos eu tirei uma nota azul em química — voltou-se novamente para a morena — Estou recuperando os pontos que estava devendo graças a você, mente brilhante!

Hinata por sua vez sentiu as bochechas formigarem e assentiu desviando o olhar dos azuis que insistiam em lhe deixar nervosa.

— Nem me lembre disso — resmungou Sakura desviando o olhar.

— O que aconteceu? — perguntou Hinata ao perceber a expressão de desgosto da amiga.

— Sakura tirou vermelho na prova — sussurrou entregando a rosada, que o fuzilou com os olhos verdes raivosos, bufando.

Hinata apenas a encarou surpresa. Sakura era quase como ela mesma, sempre buscando as melhores notas. Poderia contar nos dedos quantas vezes vira a garota tirar uma nota inferior a sete. Dentre as demais garotas do grupo, ela era a que mais se preocupava com os estudos, até mais que a própria Hyuuga.

"Eu ir embora, prova amanhã" Sinalizou Sasuke antes de se encaminhar para sua porta, atraindo o olhar da rosada para ele por breves instantes, que se desviou logo após.

Estranhou a atitude da amiga assim como a distração de Sasuke. Naruto sabia que os dois estavam agindo de forma bastante estranha e, quando parou para pensar, o Uchiha também não tinha ido muito bem no teste. Seria coincidência os dois passarem a agir de forma atípica logo após o fim de semana, de forma simultânea?

Naruto encarou o moreno e percebeu quando este estreitou os olhos e cerrou o maxilar, em um sinal claro de raiva; procurando o motivo de tal atitude, movimentou a cabeça para o outro lado e pôde enxergar um garoto próximo à Sakura, conversando animadamente com ela.

Estaria o poderoso Sasuke com ciúmes? Naruto balançou a cabeça para espantar tais pensamentos ridículos. Sasuke não pensava em Sakura dessa forma e vice-versa, certo?

— Você ouviu alguma coisa que eu te falei? — perguntou Sakura irritada enquanto agitava suas mãos na frente do rosto do loiro.

— O que foi?

— Disse que vou resolver umas coisas antes de ir embora. Qualquer coisa me ligue quando for sair, assim vamos juntos — despediu-se e foi embora acompanhada pelo garoto, Lee se não lhe falhara a memória.

— Vamos? — chamou Hinata incerta. O loiro assentiu e logo a seguiu, olhando rapidamente para trás, captando a prima de olhos fechados e com a cabeça encostada no vidro – totalmente desanimada – e Sasuke mexendo no espelho retrovisor.

E Sasuke nunca mexia naquele objeto ou permitia que alguém o fizesse.

Uma vez o próprio loiro mexera no ângulo do espelho, alegando ter uma melhor visualização do trânsito, para quase perder a mão para os dentes de um Sasuke raivoso logo depois. O Uchiha era um tremendo pé no saco quando se tratava do carro que ganhara do pai não muito tempo antes.

E por algum motivo, Naruto tinha a ligeira impressão de que o amigo só estava fazendo isso para conseguir enxergar Sakura, que agora já se encontrava no fim do estacionamento, com aquele idiota animado.

Era apenas impossível estar rolando algo entre Sakura e Sasuke. Eles não eram nem amigos de verdade. Era tudo apenas coincidência, inclusive a parede invisível que um erguia quando o outro estava perto, assim como a irritação presente nos dois atualmente, certo?

Isso estava tão ridículo a ponto de nem mesmo ele acreditar em seus próprios pensamentos.

— Hey, Hinata, posso te fazer uma pergunta? — a garota balançou a cabeça enquanto o olhava pelo canto dos olhos — Sakura tem agido estranho há alguns dias ou disse algo sobre o fim de semana?

Hinata fez uma expressão pensativa, tentando se lembrar de algum comentário ou conversa que Sakura tivesse tido consigo ou com Ino, porém não pôde se lembrar de nada que não fosse a Yamanaka reclamando sobre ter de pagar penitência após as aulas por ter cometido tamanho pecado em defender a amiga.

Na verdade, a Haruno parecia estar perdida em pensamentos durante a maior parte do tempo que esteve em sua companhia, porém isso não era nada fora do normal. Ao contrário de sua melhor amiga Ino, a rosada era bastante quieta na maior parte do tempo.

— Não disse nada — ela o encarou, parando de andar — Acha que pode ter acontecido algo? — Perguntou preocupada. Havia pedido para a amiga se encontrar com Tenten em uma lanchonete perto da escola para que pudessem resolver alguns tópicos relativos à banda e Hinata se sentiria extremamente culpada por pedir algo a ela se alguma coisa tivesse ocorrido.

— Talvez — respondeu pensativo, reproduzindo as cenas em que estava na companhia dos dois amigos, porém não obteve uma resposta definitiva.

Talvez alguma outra pessoa soubesse o motivo do estranho afastamento de Sasuke e Sakura, assim como suas ações completamente atípicas, mas quem?

— Deixa pra lá! — desconversou ao perceber a preocupação estampada na face da garota ao seu lado — Deve ser coisa da minha cabeça.

E ele realmente torcia para que realmente fosse.
Seria extremamente problemático se eles estivessem interessados um no outro.

— Conversaremos quando estivermos mais próximos da data, mas agradeço por terem aparecido, meninas! — disse o alegre senhor — Vão querer alguma coisa?

— Um milk-shake, por favor — pediu a morena, que teve seu pedido rapidamente anotado.

— E você? Recomendo essas tortinhas de maçã, estão uma delícia! — Sakura rapidamente negou e pediu uma água, o que acabou por desanimar o senhor.

— Sabe, eu queria pedir desculpa por ter me mantido longe durante esse tempo — disse Sakura puxando conversa.

Você é uma egoísta. Só está querendo fazer as pazes com os velhos amigos, porque sabe que vai perder os novos.

Talvez ela nem te perdoe. Você não merece.

— As coisas estão diferentes agora — respondeu Tenten sorrindo de lábios colados. Ela sentia falta das amigas, de todas elas. Pensava que depois de tudo o que passaram juntas, elas se tornariam mais unidas, porém não foi assim que aconteceu.

— Sim, mas quero pedir desculpas por ter me afastado — tomou uma respiração profunda — Como tem passado?

— No silêncio, eu acho — brincou a outra, soltando um breve riso — É estranho ver bocas mexendo e não ouvir nenhum som.

— Sua audição não voltou nada? — perguntou a rosada preocupada, recebendo uma negativa. A morena agradecia mentalmente pela amiga ter a preocupação de fazer diversos gestos enquanto falava, por isso baseava sua resposta de acordo com o movimento de suas mãos. Deveria ser porque a rosada agora convivia diariamente com dois surdos, Sasuke e Karin.

— Mas, diz aí, quem era o garoto barulhento com quem estava até agora pouco? Belo contraste, já que você e Sasuke andam mais próximos de uns tempos pra cá — comentou interessada, tomando a atenção da cor-de-rosa. Tenten no começo havia estranhado; Sakura não era uma pessoa que se sentia confortável para falar com qualquer pessoa, como ela e Ino, a Haruno era fechada demais pra isso; e então aparecer com um garoto – que não era o loiro convencido e nem o Uchiha – de uma hora para outra? Isso sim era algo inédito.

— Como sabe que ele é barulhento? — a morena deu de ombros.

— É uma das coisas de ser surda. Consigo saber que ele é barulhento só de olhar pra ele — riu baixo — Deve ser uma compensação por não conseguir ter uma conversa decente — respondeu. Durante todo o tempo em que passaram na lanchonete, Tenten teve de perguntar à Sakura diversas vezes sobre o conteúdo da conversa, já que conseguia mantê-la por si mesma.

— Um dos amigos do Sai ou algo assim — deu de ombros — Disse que me traria aqui, já que é caminho para casa dele, não lembro bem. Estava me perguntando sobre as aulas de biologia avançada.

Tenten a encarou, examinando o rosto da Haruno enquanto essa bebia sua água gelada.

— O que aconteceu? — Perguntou ela — Você parece um pouco desanimada.

— Nada de importante — suspirou e voltou a encará-la, procurando mudar de assunto. Ainda não estava pronta pra contar sobre o que fizera

— Hinata me disse algo sobre seu pai estar te procurando.

— Sim, Neji me disse que ele quer conversar — apoiou seu rosto em uma das mãos.

— Você... o perdoa depois de tudo que aconteceu? — Sakura perguntou incerta. Sabia que não era justo comparar, mas às vezes o fazia, comparando ambos os patriarcas, criando milhões de cenas nas quais ela reencontrava seu próprio pai e, sabendo que Tenten estava mais próxima daquilo do que ela, deixava a Haruno curiosa sobre os pensamentos da amiga.

Porém Tenten não respondeu, apenas encarou o guardanapo todo despedaçado sobre a mesa, incerta de seus próprios sentimentos. Não era como se nunca tivesse pensado na hipótese de encontrar aquele homem de novo, na verdade o fazia de vez em quando, mas saber que aquilo estava para acontecer a deixava sem rumo e com medo.

Despertou de seus pensamentos quando percebeu que recebera uma mensagem de Neji no celular. Deu qualquer desculpa à Sakura e saiu apressada após deixar alguns trocados sobre a mesa, torcendo para que tenha sido o bastante para a bebida que tinha comprado.

Quase havia esquecido sobre a primeira conversa que os dois teriam pela webcam – que ele mesmo havia comprado pra ela justamente para essa finalidade.

Sakura por sua vez encarou o lugar onde antes Tenten ocupava, se perguntando se teria sido intrometida demais. Isso deveria se dar por viver agora com os Uzumaki, já que eles não se guardavam para si, sempre perguntando sobre a vida dos outros.

Percebendo que já não tinha o que fazer naquele lugar, escreveu uma mensagem para Naruto, perguntando se a sessão de estudos havia acabado.

Largou o celular na mesa e alcançou o papel amassado que guardara entre as folhas do caderno; desdobrou-o e leu aquelas palavras que já estavam gravadas em sua mente, impregnadas em seu cérebro, só para sentir aquela velha dor já tão conhecida.

A caligrafia da mãe ainda era a mesma, elegante de forma que somente ela conseguia fazer, mesmo quando se desmanchava em lágrimas sobre aquele mesmo papel. Àquelas palavras pareciam assombrá-la, principalmente depois do que ocorrera com Sasuke.

Seus olhos pareciam se prender em algumas palavras em especial.

Outra mulher.

A única.

História juntos.

Traidora

Palavras que eram como vespas que lhe atacavam a pele.

Aquilo lhe dava um nó no estômago, e sabia que era masoquista só por ler tudo aquilo de novo; mas ela precisava daquilo, precisava da culpa, para que tirasse aquelas ideias mesquinhas da cabeça e enterrasse no mais profundo de sua mente, onde não seria possível desenterrá-las, para que então conversasse com Sasuke e se resolvessem. Colocando um ponto final para terminar com toda e qualquer frase que começasse com “E se”.

Ela não precisava de nenhuma suposição.

A vibração sobre a madeira acabou por estourar sua bolha de culpa e ela não poderia estar mais grata por isso, sentia que estava prestes a chorar e se maldizer como havia feito nos últimos dois dias. Porém acabou por se surpreender com o nome escrito na tela.

Não era Naruto como ela esperava que fosse.

Sasuke: Está realmente tão chateada por causa da prova?

Ergueu a cabeça e olhou ao redor, encontrando-o parado em frente ao balcão, próximo a porta; se perguntou por quanto tempo ele estava ali.

Quando percebeu os olhos verdes em sua direção, o Uchiha foi caminhando lentamente até ela, sentando-se onde Tenten estava anteriormente.

Ela não sabia o que responder. Ele sabia o motivo de sua chateação – talvez não inteiramente – e só queria começar de algum ponto; mas ela não sabia se postergava mais um pouco ou simplesmente ia direto ao ponto.

Optou pela segunda opção. Não aguentava mais a culpa a impedindo até de respirar. Aquilo era como bile emperrada na garganta que somente a sufocava e tirava seu sono.

Sakura: Acho que precisamos conversar

Sasuke leu seu visor e assentiu uma vez.

Sakura: Você primeiro?

Ele sorriu de canto, negando.

Sasuke: Damas na frente

Porém a garota negou firmemente. Por mais que quisesse vomitar aquela infinidade de frases, uma série de pontos de interrogação acompanhava a maior parte delas.

Maldita coragem que lhe escorregava pelos dedos.

Sasuke: Juntos?

Ela então concordou. Seria como tirar um curativo; de uma vez só.

Mesmo não sabendo o que ele digitava sobre a tela com suas digitais hábeis, ela não se deixou influenciar em sua própria confissão. Isso precisava terminar e agora, antes que as consequências fossem inalteráveis.

Sakura: É claro pra mim que atraímos um ao outro, que daríamos certo se a situação fosse diferente. Você é interessante, um pouco assustador e completamente intenso, e isso com certeza tem um efeito sobre mim. Não vou mentir e dizer que aquilo na piscina foi do momento (mesmo que parte tenha sido), foi a coisa mais forte que já senti ao estar próxima de alguém, mesmo que tenha me afogado em culpa também (você não me ensinou que bater as pernas nessa situação não adiantaria, o que o torna um péssimo professor).

E apesar de tudo isso, de acreditar em nós, não acho que isso está certo. Você está com a Karin e eu com certeza não quero essa culpa. Não estou pronta pra isso tudo (mesmo que as vezes você me faça pensar que eu posso), mas mesmo assim espero que ainda sejamos amigos.

Quer dizer, você ainda precisa de ajuda em biologia, certo? ;)

Porque eu sinceramente ainda preciso de uma mão em física!!!

Sasuke: Em primeiro lugar, me desculpe. Eu sinto muito. Sinto muito por te deixar sozinha quando você poderia ter se machucado (logo depois de ter tido uma experiência péssima em uma piscina), mas eu não conseguia mais ficar perto, não quando tudo que eu mais queria era continuar.

Não sei o que pensar sobre você. Não sei o que pensa e isso só em instiga a continuar perto e descobrir cada vez mais. Isso nunca aconteceu comigo antes, Sakura, não sei o que devo fazer, não sei nem se é certo ou errado, mas tudo é tão espontâneo que quando percebo as coisas já aconteceram.

Mas não importam as possibilidades que passem pela minha cabeça, já estou com uma pessoa e eu a conheço há muito tempo, da mesma forma que ela me conhece. Nós somos iguais e acredito que nos entendemos de uma forma que você e eu nunca conseguiríamos. E eu gosto da forma que está.

Mas também não vou mentir para nós dois, mesmo que as coisas não avancem, ainda não estou pronto para desistir de transformá-la em uma nadadora olímpica. Porque se tem uma coisa que tenho certeza, é que conseguimos fazer dar certo.

Sua respiração estava presa até o momento em que seus pulmões gritaram por oxigênio novamente. Estava orgulhosa de si mesma por colocar seus pensamentos para fora – sabia que era o certo a se fazer – mas não sabia que isso a deixaria tão ansiosa.

Sakura: Uau. Tia Kushina ficaria orgulhosa agora em saber como somos adultos

A rosada pôde ouvir de novo aquele som presente em seus sonhos da noite passada. Sua risada era rouca pela falta de uso da voz, mas completamente embriagadora.

Ela mudara de ideia. Preferia que ele se mantivesse em silêncio, porque sabia que se ele dissesse ao menos uma palavra, ela voltaria atrás com as suas.

Sasuke: Será que deveria agradecer por você não estar arquitetando uma vingança maligna depois de me ver com Karin?

Sakura: ??

Sasuke: Naruto colocou vinagre em todas as jarras de suco da geladeira, não percebeu?

A garota deu de ombros.

Sakura: Não tomei café da manhã hoje

O moreno a encarou com a testa franzida e bateu as pontas dos dedos sobre a superfície da mesa, refletindo.

Sasuke: Alguma ideia de como revidar?

A rosada parou para pensar em algo – lembrando-se quando Naruto comera todo o seu bolo no último aniversário que passara na cidade;justo aquele pedaço que ela estava guardando para comer mais tarde.

Sakura: Acho que tive um ideia

Então se levantaram – deixando as notas de Tenten sobre a mesa, que era o bastante para a bebida das duas e mais uma pequena gorjeta; ação que a Haruno estranhou, já que a morena nunca fora tão mão aberta assim – e foram andando até o carro do Uchiha, que estava estacionado na frente do estabelecimento.

Sasuke, antes de se sentar no banco, tomou o celular em mãos e respondeu a mensagem que o amigo loiro o enviara antes que saísse de casa, em direção a lanchonete.

Sasuke: Estou levando Sakura pra casa. Já que demorou demais, aproveite a caminhada

Sasuke: Não que isso seja da sua conta, mas já me resolvi com ela. Então pare de se meter em meus assuntos.

Só depois de deixar Hinata na porta de casa que o loiro tomou o celular do bolso, só para ler o amigo sendo chato e estúpido como sempre fora.

Pelo menos, as coisas tinham se resolvido.

Naruto: Mal agradecido

Sakura: Pegou tudo?

Sasuke: Claro que sim. Continue vigiando!

Após todas luzes serem apagadas e todos em suas devidas camas, os dois, Sasuke e Sakura, caminhavam na ponta dos pés até a cozinha, armados com pasta de dentes e pacotes de bolachas recheadas; a garota não conseguia se controlar e soltava risinhos agudos que a mão sobre a boca não abafava completamente.

Sasuke: Abra o pacote e me passe as bolachas. Vou colocar o recheio.

A Haruno então retirou cuidadosamente a fita que circulava o pacote, descolando-a da embalagem, e retirou o primeiro doce redondo da pilha, entregando-o a Sasuke, que desmontou as duas partes, retirando o recheio de uma delas e abriu o tubo de pasta de dente para substituir aquela pequena massa de baunilha que retirara do doce, colocando um novo recheio de creme dental sabor hortelã, para enfim tornar a formar um sanduíche.

Sasuke: Pelo menos ele não vai ter que escovar os dentes mil vezes antes de encontrar a sua amiga traça de livros

Ela o encarou com uma sobrancelha arqueada.

Sakura: E ele faz isso?

Sasuke sorriu ao entregá-la a última bolacha de sabor alterado.

Sasuke: Todo dia depois do intervalo

Sakura soltou mais uma risadinha antes de lacrar o pacote novamente e colocar sobre a prateleira no armário, tomando cuidado para deixá-lo na ponta, pois sabia que o amigo não procurava nada, optando sempre pelo mais fácil e o que estava na frente de seu nariz.

Sasuke sorriu de canto ao ver a porta do armário ser fechada. Finalmente suas contas com o loiro tinham sido acertadas.

Isso é por ter envolvido minha mãe, cretino — pensou enquanto empurrava a garota escada acima, torcendo para que não tivessem feito nenhum barulho ou movimento suspeito.



Notas finais
Bom, é isso. O que acharam? Como estou de férias, vou poder postar mais rápido (já estou até escrevendo o próximo), mas isso também depende de vocês, certo? Quase 80 acompanhamentos significa que a fanfic está crescendo, então deixem-me saber a opinião de vocês ;) Vimos a entrada de mais um personagem, Kiba! Alguém aí esperava por ele? Sei que alguns estavam querendo a entrada do Gaara, e eu quero muito colocá-lo, mas, infelizmente, ele seria um personagem secundário (na verdade, estava pensando algo mais como terciário). Vocês o querem por aqui? Me respondam e assim vou poder me preparar e ajeitar tudo por aqui, já que tenho algumas ideias. Contem-me também o que acharam da conversa de nosso casal mais amado e idolatrado. Ps: não sei se vocês perceberam, mas esse capítulo mostrou todos os personagens mais "ativos" de Just Listen. Até os sumidinhos HAHA