Just Listen
19 Capítulo 17 - Descontrole
Notas iniciais
— Eu vou matá-la! Vou fazê-la em pedaços e jogar num rio! — Dizia a loira enquanto andava de uma extremidade à outra do cômodo em nervoso — Como podem estar tão calmas?
Tenten revirou os olhos assim que entendeu o que a loira dissera, sem necessariamente precisar da tradução em sinais de Hinata.
— Ela sempre faz isso, não entendo porque você ainda não se acostumou — respondeu calma. Se pudesse, Tenten tinha certeza que Ino teria a matado só com os olhos.
— Ela tem todos os dias do mundo pra bater pernas e desaparecer, mas custava ser uma pessoa normal só por um mísero dia? — Ao ver que Tenten revirava os olhos em irritação, a loira voltou-se para Hinata, esperando que esta a compreendesse — Não concorda?
— Fique calma, ela sempre volta, não é? — Hinata respondeu nervosa por ter o olhar fulminante sendo direcionado para si.
— Eu estou de saco cheio dessas merdas já — jogou-se na cadeira enquanto cruzava os braços — Sempre temos que conviver e aceitar o drama da Sakura. Será que só eu não aguento mais ter que aguentar essas oscilações de humor dela?
Hinata sabia que tudo aquilo era da boca pra fora. Ino era a que mais se preocupava com amiga de fios coloridos e quando esta apareceu pela porta, Ino foi correndo em sua direção.
— Vou enforca-la! Onde estava? — Perguntou Ino aflita.
— Estou aqui, não estou? E ainda falta meia hora, não sei por que tanto estresse — revirou os olhos indo pegar a garrafa de água que Hinata lhe oferecia.
— Kurenai disse que conseguiu que um amigo produtor de Asuma viesse hoje! — Ino passou de raivosa assassina para animada. Hinata apenas as encarou sorrindo, por dentro, estava tão empolgada quanto Ino — É a nossa chance de ficarmos famosas!
— Só você quer ficar famosa, Ino — retrucou a outra.
— Eu não vou deixar seu mau humor me afetar hoje, fiz uma promessa para mim mesma — cruzou os braços e foi arrumar o cabelo em frente ao espelho. Sakura encarou as duas outras amigas que riam da loira.
— Seus pais vêm hoje? — Perguntou Sakura enquanto abria uma garrafa de água. Sentia sua barriga apertar de fome, já faziam dois dias que seu corpo funcionava basicamente a base de água.
— Acho que sim, Shikamaru estava com pressa — e loira revirou os olhos ao lembrar do irmão — Ele vai acabar engravidando aquela menina antes de fazer vinte anos.
— E você não está com ciúmes deles, está? — perguntou Sakura. Ino virou-se para encarar os olhos verdes que lhe fitavam e depois retornou para a sua figura refletida no espelho.
— Claro que não! Daqui a pouco ele vai ver que aquele cabelo loiro dela é de farmácia e vai me pedir desculpas por todas as vezes que eu falei isso e ele não me ouviu.
Sakura riu um pouco e sentou-se em frente a Ino que começou a passar um de seus milhares de produtos para a pele em seu rosto.
— Sinto saudades de Sasori.
— O aniversário dele está chegando, não é? — Hinata foi até as amigas, enquanto a outra morena levantou e saiu da pequena sala.
— Sim, não marquem qualquer coisa porque vou vê-lo — Sakura obedeceu quando Ino pediu para que ela fechasse os olhos.
— Sem problemas, não acho que Kurenai vai achar ruim se tentarmos nosso melhor hoje e depois irmos aos poucos — respondeu a morena — ainda mais agora que ela colocou na cabeça que deveríamos gravar vídeos para a internet.
— Isso é uma boa ideia, todo mundo usa a internet pra tudo hoje — respondeu a loira — Pedi para o Sai filmar nossa apresentação para colocar no nosso canal, que eu criei esses dias.
— É, acho que é uma boa ideia — respondeu a rosada. Ino e Hinata não perguntaram o motivo da amiga parecer desanimada. Sakura não era a pessoa mais animada do grupo, na verdade ela era bastante quieta se comparada à Ino e Tenten, porém estava mais quieta que o normal. A áurea sarcástica que a acompanhava sempre já não se fazia presente.
Alguma coisa acontecera e fez com que ela ficasse triste, e por mais que a garota tentasse esconder, não conseguia fazer com que brilho retornasse a seus olhos. Quando a loira levantou suas gemas azuis celestes e encontrou os orbes alguns tons mais claros de Hinata, percebeu que a outra também chegara a mesma conclusão.
Deveriam manter os olhos sobre a rosada, pois quando esta se encontrava desanimada, era quando se tornava mais propícia a fazer idiotices, quando a garota se tornava inconsequente.
Desconhecido: Ten? Você está aí?
A morena suspirou mais uma vez. Quando sentira o celular vibrar no bolso da calça jeans, pensava que era finalmente Neji dando um sinal de vida, porém ao verificar o contato desconhecido exibido na tela, percebeu estar enganada.
Era ele, mais uma vez.
Não sabia como ele conseguira seu número, porém fazia dias desde que seu pai mandava mensagens e até mesmo telefonava para tentar falar com ela. E em todas as vezes ela o ignorava, porém ela sabia que sua insistência e teimosia não foram herdadadas da mãe.
Tenten: Me deixe em paz, droga
Tenten: Não quero falar com você
Desconhecido: Vamos conversar
Desconhecido: Liga pra mim
Tenten: Não
Desconhecido: Não faz isso, ainda sou seu pai.
Tenten: Agora você é meu pai?
Desconhecido: Por favor
Tenten: Não posso
Desconhecido: Por que? Sua mae não deixa?
A garota tomou várias respirações antes de responder.
Tenten: Porque sou surda
Tenten: Não posso e nem quero ouvir você
Pôde sentir seu celular vibrar, acusando uma resposta de seu pai, porém ao ver que as meninas saíam da sala, bloqueou a tela e o entregou para Kurenai que já vinha ao encontro de delas.
— Estão animadas? — Perguntou a mulher animada enquanto as empurrava pelo corredor — A propósito, Hinata, coloquei o telão como me pediu — ao ouvir aquilo, Ino virou-se para a morena que deu de ombros.
— Não é só a Tenten que não vai poder ouvir — explicou — achei que seria legal da nossa parte projetar as letras no telão — virou-se para Sakura que andava mais atrás, agarrada a sua garrafa de água — coloquei a letra que me enviou ontem, apesar que gostaria que me enviasse mais cedo da próxima vez.
— Você andou escrevendo? — Perguntou Kurenai parecendo ainda mais animada. Já Sakura, antagonicamente, respondeu como se estivesse falando sobre algo totalmente sem importância.
— Você disse que precisávamos de mais letras — deu de ombros — estou tentando escrever mais — e antes que Kurenai pudesse expelir o oxigênio que sugou para replica-la, adiantou-se — Fica tranquila que não é nada que você desaprove.
Hinata adiantou-se e segurou o braço da mulher enquanto assentia com a cabeça.
— Algo totalmente dentro de sua aprovação — sorriu a morena — ela fala sobre amor, no fim das contas — Kurenai então assentiu tranquila, confiava no talento delas desde que assistiu sua primeira apresentação na escola.
Hinata apenas não comentou com a mulher que, apesar de falar sim sobre amor, não era bem o que ela esperava.
Falava sobre um amor não correspondido.
Era uma despedida. Falava sobre um adeus.
Ao colocarem-se no palco, Sakura passou os olhos rapidamente pela multidão, sentindo as palmas suarem. Ela totalmente detestava ser o centro das atenções, mesmo que, de algum modo, quando começasse a cantar, se transformasse em outra pessoa. Alguém sem problemas ou preocupações. Aquilo sim era de fato extasiante.
Após cumprimentar rapidamente a pequena plateia e agradecer a oportunidade ao dono da pequena lanchonete, a qual se encontrava um pouco mais cheia que o normal, deu um sinal para que as meninas começassem a tocar, Tenten mais atrás em sua enorme bateria, Hinata com um baixo um pouco mais a frente — o suficiente para que não ficasse totalmente a vista — e Ino completamente feliz com sua guitarra cor-de-rosa brilhante logo ao lado de Sakura, uma vez que a loira também cantava junto consigo. Por ser a primeira apresentação na cidade, concordaram em tocar um total de doze músicas, sendo algumas de autoria delas mesmas e alguns covers. Balancearam com músicas mais alegres de outros cantores, pincelando com algumas mais lentas da própria banda.
Goodbye, brown eyes
Goodbye, for now
(Adeus, olhos castanhos
Adeus, por ora)
Kurenai nunca entendia o motivo de Sakura se emocionar tanto enquanto cantava — não que fosse seu sonho de criança ou algo do tipo, a mulher apenas achava que se tratavam somente de canções sobre amores impossíveis ou alguma baboseira de adolescentes — mas achava encantadora a transformação que a menina sofria quando cantava, não parecia nada aquela pessoa rabugenta.
Sakura parecia somente.... Uma menina.
E pelo que pôde perceber, não era qualquer canção que tinha o mesmo efeito nela. Em alguns covers mais alegres, a menina sorria e chegava até mesmo a brincar com algumas das meninas, porém em alguns pares de músicas ela sofria uma metamorfose.
Goodbye, sunshine
Take care of yourself
(Adeus, raio de sol
Cuide de si mesmo)
Lembrou-se de uma vez que Hinata explicou para ela, quando perguntara sobre os significados de algumas das canções, que Sakura escrevera esta em questão para o irmão. Pensava que ela apenas sentisse falta do garoto, já que lembrava da menina viver pendurada no telefone com ele, mas os olhos dela transbordavam tamanha emoção que não parecia algo assim tão banal.
Era como se cada palavra cantada por ela tivesse um sentimento oculto o qual ela só deixava à mostra quando passava as letras para o papel. E isso era um medo secreto de Kurenai. Medo de que a menina percebesse o quanto pessoais seriam aqueles sentimentos e não quisesse mais mostra-los às outras pessoas.
Ela apenas rezava para que isso nunca passasse pela cabeça da menina, não porque elas deixariam de ser famosas ou qualquer coisa estúpida do gênero, mas porque, além de ser um dom magnífico que ela tinha, sabia que era uma das poucas vezes que a menina falava sobre si mesma. Uma das poucas coisas que ela não abandonava após um tempo.
Ela sabia que Sakura encarava suas músicas como uma válvula de escape e isso era bom para ela. Quase como uma terapia que a impedia de sair do controle.
Ela apenas desejava que isso se mantivesse.
Pelo maior tempo possível.
But always know, always know
Always know, that I love you so
(Mas sempre saiba, sempre saiba
Sempre saiba que eu te amo tanto
Eu te amo tanto)
Sakura não se sentia muito confortável em verbalizar sentimentos tão íntimos na frente de tantas pessoas, mas quando em uma apresentação real, tudo parecia melhor. Sua voz se tornava mais melodiosa e afinada, o som que os instrumentos emitiam combinavam perfeitamente e tudo entrava na mais perfeita harmonia.
Era quase como se entrasse num êxtase que ela desejava que fosse eterno, apesar de nunca o serem.
Something always brings me back to you
It never takes too long
(Algo sempre me tras de volta para você
Isso nunca demora muito)
E apesar da calma, cada vez que cantava algo que ela mesma havia escrito, as memórias voltavam para assombrá-la como tivessem sido gravadas a ferro em seu cérebro.
De olhos fechados, lembrava de ter escrito essa letra logo após uma crise na qual comera um bolo quase que inteiro, pelo simples motivo de se sentir triste, porque a menina que se dizia sua amiga, Tayuya, não havia a chamado para sua festa.
Conforme proferia as palavras, lembrava-se de chorar por todas as vezes que se impedira de comer os doces que sua avó fazia, na tentativa de parecer com as outras garotas, seguindo a voz do duende maligno que sussurrava-lhe instruções, que, de acordo com sua voz hiperativa, faria as outras meninas finalmente a tratarem como uma igual.
Tudo em vão. Palavras cheias de veneno, porém vazias de razão.
Elas apenas se tornavam suas amigas quando a época das provas chegava. Após isso ela era descartada como se fosse uma folha qualquer de rascunho. Inútil e sem valor, uma vez que já havia cumprido seu propósito.
You hold me without touch
You keep me without chains
(Você me segura sem o toque
Você me prende sem correntes)
Lembrava de ter se sentado no próprio chão da cozinha e de comer.
Comeu e comeu e comeu e comeu e comeu e comeu e comeu e comeu e comeu e comeu até que pensar que fosse explodir.
E depois de ter se dado conta do que tinha feito, de todo o trabalho perdido, da voz que lhe xingava de fraca e a torturava com seu pior grupo de palavras, desmanchou-se em mais lágrimas. Lágrimas que infelizmente não eram o bastante para borrar a cena para que ela pudesse começar de novo.
A vida não era de dar segundas chances.
E então lembrou-se de correr até o banheiro da sala, aquele mais próximo da cozinha maldita, e colocou tudo o mais rápido que pôde para fora.
Expelindo aquela pasta direto para o vaso.
Mais uma vez.
Dedos provocando ânsias intermináveis.
De novo.
Garganta doendo como se estivesse em chamas.
Novamente.
Correndo direto para os braços do desespero.
Uma vez mais.
Parecia o próprio inferno.
Não queria passar por aquilo de novo nunca mais, portanto cortara ao máximo os alimentos, comendo o mínimo possível e jurou que aquilo nunca ia mais se repetir. Prometera para a voz, prometera para si mesma que seria mais forte da próxima vez.
Não farei. Não farei. Não farei. Não farei. Não farei. Não farei.
Mas faria.
E qualquer partícula minúscula daquelas bolachas sem gosto parecia pesar-lhe uma tonelada no corpo, e então a situação se repetia.
Uma vez e mais outra e uma vez mais.
E então a voz.
A voz que lhe sussurrava era a pior parte.
Sempre a voz que lhe fazia de fantoche por correntes invisíveis que pesavam toneladas, fazendo-a a acreditar que já não era mais aquela responsável por seus movimentos.
Aquela que a fazia sentir como se um par de mãos lhe apertasse o pescoço, impedindo a chegada de ar aos pulmões, mas quando percebesse que ela estava a instantes de apagar, afrouxava o aperto para que recobrasse a consciência só para recomeçar tudo.
Só por maldade.
Para tortura-la aos poucos.
Set me free, leave me be
I don't want to fall another moment
into your gravity
(Liberte-me, deixe-me estar
Eu não quero cair mais uma vez
Na sua gravidade)
Um ciclo vicioso.
Dor sem fim.
Desespero constante.
Ela só queria se ver livre daquele maldito ciclo, quebrar as correntes que lhe prendiam a alma, tirar os pesos que lhe pesavam no tornozelo como se fosse a prisioneira que de fato era.
Is that you're keeping me down
(É que você me mantém pra baixo)
Se livrar daquela gravidade que só a empurrava para baixo.
Mas ela sabia que nunca conseguia se manter no controle por muito tempo. A voz sempre estava no comando.
E não achava que aquilo fosse acabar tão cedo.
Ele encarava maravilhado as palavras que corriam no telão.
Tudo estava simplesmente incrível. Sentia a vibração de cada pancada que a garota de cabelos amarronzados ao fundo dava sobre a bateria, sentia a diversão que elas pareciam estar sentindo até mesmo quando a música era mais calma e melancólica, sentia que ouvia a música como qualquer um presente, mesmo que não a ouvisse de verdade.
E isso não importava, porque ele só tinha essa consciência quando sentia a necessidade de olhar as letras e depois correr seus olhos para o lado, só para ver o espetáculo à parte que eram as reações que as músicas causavam em Sakura, perdendo a letra que ela cantava. E ele só fazia isso porque não era a voz dela que o distraía, e sim ela toda.
A menina não parecia estar à frente de uma pequena multidão e sim em um espaço só dela. O jeito com que ela sorria para si mesma, como se estivesse tendo pensamentos totalmente intraduzíveis às outras pessoas, quase o fazia se sentir culpado por presenciar tal cena. Faziam com que ele quase se sentisse na obrigação de desviar seus olhos para longe dela.
Mas logo que a reação dela se alterava, Sasuke corria os olhos até a tela, odiando por perder sua expressão por instantes, só para ler o motivo da mudança em seus olhos verdes brilhantes. Uma despedida, um pedido de socorro e até mesmo aquela música da festa de aniversário trágica, na qual a garota loira, Ino, fizera questão de que todas usassem um chapéu de aniversário rosa ridículo.
Eram essas, ele reconheceu, todas as que ela escrevera. Não pôde deixar de notar, também, que as letras dela não eram alegres, apenas narravam sentimento ou situações negativas. Isso despertou nele uma agonia inimaginável, uma vontade de levantar da cadeira e capturar o corpo frágil em um abraço e lhe dizer que tudo ficaria bem e que ela não estaria sozinha.
Mas claro que não fez nada disso.
Ao invés, voltou seus olhos para ela e ali os fixou. Pouco importava que sua namorada estivesse logo ao seu lado, pouco importava as mensagens que ele mesmo enviara para que ela se afastasse no dia anterior, pouco importava se ele deveria se manter distante (e estivesse falhando miseravelmente nisso, não que estivesse de fato tentando).
Era apenas impossível. Algo nela era capaz de atrair seus olhos para si, quase como se ela fosse a própria gravidade ou qualquer outra força totalmente oposta a ele que o atraía.
Percebeu quando ela tomou uma respiração mais funda que as demais, quando tombou o rosto um pouco mais pra frente para que o cabelo cor-de-rosa lhe escondesse mais, feito uma cortina cor-de-rosa, e depois quando acenou sutilmente para a menina que segurava um baixo.
Este movimento anormal aos outros fez com que se sentisse mais ansioso para o que estava por vir e aguardou inquieto enquanto ela terminava de arrumar o microfone no pedestal pela décima quarta vez — percebera que ela fazia isso sempre que se sentia nervosa.
De alguma forma, ele sabia que não conhecia aquela letra e, tendo em mente que ela escrevia apenas sobre o que passava ou sentia, não tinha certeza se queria ver.
Não depois do dia anterior.
Algo nos olhos dela o fazia querer levantar e sair no mesmo instante. Imediatamente se sentiu culpado pelo que vinha a seguir.
Mas, pela enésima vez desde que a conheceu, não seguiu sua vontade e permaneceu no lugar.
Quando ela começou a cantar, percebeu que o encarou por poucos segundos antes de fechar as pálpebras. Sabendo que Sakura não deixaria tudo sair, ele se contentou com as palavras e desviou os orbes negras para o telão.
E quando leu aqueles conjuntos de letras sentiu como se cada palavra, cada letra e sílaba, fosse uma pequena navalha jogada contra si, causando arranhões ardentes.
Turn down the lights
Turn down the bed
Turn down these voices
Inside my head
(Apague as luzes
Vá dormir
Apague essas vozes
Da minha cabeça)
Enquanto as palavras saíam, tudo o que vinha em sua mente era a expressão de culpa de Sasuke do dia anterior. Ela nunca esperou por aquilo que passou a se desenvolver entre eles, e até mesmo o pensamento de deixa-lo chateado por ter seu relacionamento destruído por culpa dela a deixava extremamente mal.
Não quando nenhum deles tivera a intenção.
Lay down with me
Tell me no lies
Just hold me closely
Don't patronize
(Deite-se comigo
Não me conte mentiras
Apenas me segure firme
Não me ampare)
O dia anterior a tinha feito pensar. Depois que desceu a rua e relembrou os momentos em que passaram em seu quarto, percebeu que não importava o quanto se esforçasse ou o quanto quisesse, Sasuke não a queria e não seria dela.
Ele nunca a escolheria.
Nunca.
Seus olhos escuros, mesmo quando pareciam arder e pedir por ela, se congelaram num instante e a afastou de modo súbito, magoados, porque pensou que era a namorada quem batia na porta. A namorada que ele não queria perder por qualquer deslize que pudesse a vir cometer na última tarde ou em qualquer outra, eles gritavam com ela em silêncio, pedindo distância, a empurrando para longe, quando tudo o que ela queria era ficar perto.
Aquilo tudo lhe serviu como um belo tapa na cara.
Talvez Sasuke fosse um daqueles caras que vivessem o momento. E ela era apenas uma garota que estava com ele quando rolou um clima propício do qual ele se aproveitou, mas não importava.
Nada importava, porque, independente de Karin, ele não a queria de verdade.
Não fora com ela que ele ficou preocupado.
Nem nunca seria.
Don't patronize me
(Não me ampare)
Para ela bastava.
Depois que ele mandara uma mensagem explicando o motivo de enxotá-la do quarto, tudo o que ela mais queria era dar um soco em sua cara e gritar com ele. Por que ele estava sentindo pena.
Ele tinha pena dela.
Ainda conseguia enxergar as palavras como se estivesse com a tela do celular impressa nas pálpebras.
Sasuke: Desculpe por isso. Achei que poderia ser Karin, mas era apenas minha mãe.
Sasuke: Não seria bom se ela tivesse ideias erradas
Sakura: Vai se foder
Sasuke: ??
Sasuke: Desculpe.
Sasuke: Eu sei que cinco minutos não era o que parecia, mas
Ela percebera que ele não completara a frase de imediato. Isso ela entendia, não sabia também como definir aquilo que tinham, mas, diferente dele, ela queria aquilo.
Sasuke: Olha, prometemos sinceridade, somos amigos, não é?
Sasuke: Me desculpe se deixei você pensar outra coisa, mas
E então as mensagens pararam. Não porque ele parou – não, Sasuke conseguia ser extremamente cruel quando queria, esmagando-a completamente com poucos –, mas porque ela desligou o aparelho.
Fingindo-se de surda.
'Cuz I can't make you love me
If you don't
You can't make your heart feel
Something that it won't
(Pois eu não posso fazer você me amar
Se você não quer
Você não pode fazer seu coração sentir
Algo que você não sente)
Ele não podia devolver qualquer tipo de sentimento que não fosse amizade e sabia que para ela não era o bastante. Aqueles malditos olhos gritavam culpa e ela não queria que ele se sentisse daquela forma.
Porque a pena conseguia ser pior que a rejeição.
Ela estava acostumada a lidar com rejeição, mas não pena. Disso ela não precisava e não queria. E isso foi o que bastou para deixa-la com raiva. Ele não era culpado por sua estupidez, não era culpado por não devolver aquilo que ela sentia.
Eles juraram sinceridade e foi o que ele lhe devolveu. Sasuke falava através de gesto e olhares, ela havia entendido e não iria ser repetitiva, não iria implorar nada.
Here in the dark
In these final hours
I will lay down my heart
And I'll feel the power
But you won't
No, you won't
'Cause I can't make you love me
When you don't
When you don't
(Aqui no escuro
Nestas horas finais
Eu abrirei meu coração
E sentirei a energia
Mas, você não
Não, você não
Pois eu não posso fazer você me amar
Quando você não ama
Quando você não ama)
Com os olhos fechados, engoliu as lágrimas que trilhavam caminho até seus olhos, não iria mais se martirizar. Era hora de encarar a realidade, mesmo que, neste momento, de olhos fechados.
I close my eyes
'Cause then I don't see
The love you don't feel
When you're holding me
(Eu fecho meus olhos
Porque assim não poderei ver
O amor que você não sente
Quando você está me abraçando)
Havia alcançado seu limite. Era hora de colocar um ponto final em toda aquela situação, porque já não era mais saudável para ela mesma. Não sabia como chegou a acreditar que aquilo daria certo.
Não com ela.
Nunca com ela.
Morning will come
And I'll do what's right
Just give me till then
To give up this fight
(A manhã virá
E eu farei o que é certo
Apenas me dê até então
Para que eu desista dessa luta)
Sasuke encarava o telão completamente pasmo. Ele acertara quando pensou que era mais uma letra dela e de fato o era.
Era uma nova.
Uma nova canção que falava sobre ele, sobre ele não devolver um sentimento que ela admitiu ter pela primeira vez. Mas, por mais que tenha a imaginado dizendo àquelas palavras, não pensava que seria dessa maneira.
Na frente de todos, sobre um pequeno palco enquanto lhe dizia adeus.
Enquanto desistia.
Ele sabia que não estava sendo justo com ela, odiava-se por todos os momentos em que errava quando se tratava dela, sabia que devia ter se afastado desde o começo, mas foi impossível para ele não se envolver, e pensar agora que ela estava indo embora, mesmo que não fisicamente, o causava... Dor.
Ele sabia que era o mais certo a se fazer, ela estava sendo mais forte que ele afinal, se afastando quando ele sabia que não ia conseguir. Prezando por si própria quando ele, egoistamente, queria mantê-la para si, igualmente como fizera quando estavam os dois sozinhos em seu quarto. Puxando para perto quando lhe apetecia e a empurrando para longe conforme a situação. Ele se detestou quando parou para pensar em suas ações.
And I will give up this fight
(E eu desistirei desta luta)
Mas aquelas palavras traziam um peso cruel para si. Como um perfeito egoísta, ele não queria perde-la, não queria que fosse embora ou renegasse qualquer pensamento sobre ele.
'Cause I can't make you love me
If you don't
You can't make your heart feel
(Pois eu não posso fazer você me amar
Se você não quer
Você não pode fazer seu coração sentir
Algo que você não sente)
Aquela letra era como um tapa na cara acompanhado de um soco na boca do estômago. Ele não queria que ela desistisse de nada, queria ir até lá e explicar que, apesar de tudo, ele sentia sim, queria dizer que aquelas palavras não eram verdadeiras.
Queria desculpar-se.
Here in the dark
In these final hours
I will lay down my heart
And I'll feel the power
But you won't
No, you won't
'Cause I can't make you love me
When you don't
(Aqui no escuro
Nestas horas finais
Eu abrirei meu coração
E sentirei a energia
Mas, você não
Não, você não
Pois eu não posso fazer você me amar
Quando você não ama)
Talvez fosse a vez dele de bater em sua porta.
When you don't
(Quando você não ama)
— Divinas! Vocês estavam divinas! — disse Kurenai eufórica quando as encontrou. Após a última música, Sakura apenas deixou o microfone no chão e saiu do pequeno palco onde estavam, indo direto para a pequena sala onde estiveram antes da apresentação. O restante das garotas, por outro lado, agradeceu a presença de todos e seguiram a amiga. — E aquela última música foi... — Hinata balançou a cabeça rapidamente para os lados, chamando a atenção da mulher — Bem, as pessoas adoraram.
— E o que seu amigo achou? — perguntou Ino tão eufórica quanto a mulher.
— Não conversei muito com ele, já que não queria atrapalhar, mas só de ver sua expressão tenho certeza de que gostou muito. Não duvido que ele as chame para conversar sobre um possível contrato!
Sakura apenas revirou os olhos para a animação que todas mostravam. Sabia que deveria estar mais feliz, mas apenas não estava no clima para comemorações. Logo quando estava para arranjar uma desculpa para sair dali, seu celular tocou e o nome que a tela exibia a fez sorrir de canto.
— O que é? — Respondera ao pegar o aparelho.
— Onde você está? Tenho uma surpresa para você.
— Não gosto de surpresas — respondeu apática.
— Dessa eu garanto que você vai, é exatamente o que precisa. Estou indo te buscar.
Ao olhar para as amigas que ainda estavam em uma conversa animada com Kurenai, negou a presença dele ali.
— Não, eu te encontro lá — e dito isso pressionou a tecla para encerrar a ligação, virando-se para o grupo que já estava eufórico demais para pouca coisa, em sua opinião — Estou indo, qualquer coisa me mandem uma mensagem.
— Onde pensa que vai? — perguntou Kurenai. Sakura realmente detestava quando a mulher tentava bancar a responsável — Sua mãe disse nada de festas.
— Não é uma festa.... É tipo uma reunião — ela deu de ombros, pegando a mochila que estava no canto — Hinata também vai, não é nada demais.
A mulher encarou a outra e respirou fundo, realmente se a Hyuuga estava junto, não deveria ser nada preocupante.
— Espero que não façam nada mesmo, ainda mais agora que estamos realmente perto de conseguir alguma coisa — disse olhando diretamente para a rosada que assentiu com a cabeça e logo deu meia volta.
— Hey, eu ainda preciso arrumar meu cabelo e trocar de roupa — lembrou Ino tentando fazer com que a amiga voltasse — Sakura!
— Está ótimo assim — respondeu sem olhar para trás. A loira apenas mandou um olhar para Hinata que a olhou apreensiva. Algo não estava certo.
— Você vem, Ten? — Ino perguntou para a morena utilizando também as mãos, esta apenas balançou a cabeça em negação.
— Trabalho de escola — não era bem mentira, mas o que a impedia de sair com as amigas, principalmente com Sakura, era que não suportava o cheiro de álcool. Desde o seu pai, simplesmente não conseguia chegar perto de qualquer garrafa protagonista em festas adolescentes como esta para qual as amigas se encaminhavam e, além do mais, não queria ficar prendendo as amigas quando elas queriam se divertir.
E parecia que Neji havia percebido isso, que ela prendia as pessoas.
Um verdadeiro mentiroso.
Quando chegou, o lugar já estava lotado. As luzes piscantes atrapalhavam seu caminho tanto quanto a multidão agitada que dançava enlouquecida pelo barulho de uma música animada qualquer que ela não se preocupou em se prender à letra. Empurrou corpos suados de seu caminho e desviou de braços bêbados que a convidavam para uma dança sem compromisso e talvez algo mais.
Não foi realmente difícil encontra-lo no meio da bagunça. Seus cabelos vermelhos o destacavam da multidão mesmo quando não era possível enxergar muita coisa – o que a quase fazia duvidar de como levara tanto tempo para enxergá-lo na escola, mas sabia bem quem seus olhos estavam mais interessados em uma outra figura.
— Você demorou — sorriu torto enquanto a observava tomar seu copo e sorver sua bebida sem nem ao menos perguntar o que era.
— O que tem pra mim? — Sentou-se na banqueta ao seu lado, observando o garoto que levou o indicador erguido aos lábios, pedindo silêncio.
— Agora não, você está sendo vigiada — indicou com um sutil movimento de cabeça ás figuras de Ino e Hinata que estavam acompanhadas de Naruto, Sasuke e Karin em uma pequena mesa.
Ela suspirou. Realmente se meteria em problemas com o que quer que Gaara a oferecesse na frente das meninas, que já a olhavam feio pela bebida, e de Naruto, lembrou, uma vez que Kushina estava voltando de viagem.
— Não quero ficar com eles — ele a encarou alguns segundos antes de pedir mais uma bebiba qualquer e entregar a ela.
— Então não fique — respondeu e a puxou por entre as pessoas que dançavam, escondendo-a de seus vigilantes.
— Não conhecemos muita gente por aqui, então não esperava vir — respondeu Ino à pergunta de Karin.
— Sakura não teve esse problema — rebateu a ruiva procurando o cabelo colorido da outra por entre as pessoas, porém não obteve sucesso. A garota simplesmente sumira em questão de segundos, como se desaparecesse.
— Não esperava nada muito diferente — a loira deu de ombros. Sakura era conhecida por sumir de vez em quando, e ela já se perguntava quando iria acontecer de novo. Só esperava que ela não se metesse em problemas — logo ela aparece.
Já Sasuke, por outro lado, estava entendiado. Não gostava de festas, porque não era de beber ou dançar, coisas praticamente obrigatórias em festas como aquela, então como não era capaz de nem ao menos aproveitar a música, e como Naruto estava ocupado trocando pequenas carícias com a morena, restou a ele acompanhar a conversar das outras duas, fazendo com que sua maior vontade fosse revirar os olhos pelas bobagens ditas, porém começou a prestar mais atenção quando viu um sinal conhecido nos dedos de Karin, que encarecidamente não deixou de sinalizar para adicioná-lo a conversa.
— Ela tem estado diferente esses dias, você percebeu? — perguntou Ino, apreciando um pouco de sua bebida doce. Não era tanto de beber, porém o fazia mais que Hinata e menos que Sakura. Ino procurava se manter sóbria quando sozinha com a amiga rosada, pois conhecia a incapacidade da garota de se manter sã em alguma festa, porém quando acompanhada por Hinata ou Tenten, deixava-se aproveitar, uma vez que nenhuma das duas bebia.
— Pra mim ela parece a mesma — a ruiva deu de ombros. Sasuke decidiu então varrer os olhos pelo lugar, observando a frequência com que as luzes mudavam de cor e dançavam pelo salão de acordo com a forte batida que sentia. Sabia que para isso acontecer o som tinha que estar extremamente alto, fazendo com que poucas pessoas no local realmente conversassem, o que de certa forma o tranquilizava e até mesmo o acolhia.
Enquanto continuava sua inspeção, localizou a pequena garota no meio de um outro grupo não muito amigável que ele conhecia muito bem da escola. Os alunos encrenqueiros que foram expulsos de outras instituições e só foram aceitos pelo instituto, uma vez que esta sofreu pressões para receber mais alunos.
E se não estivesse enganado...
Levantou-se e puxou Karin pelo pulso o que fez com que a ruiva o encarasse com os olhos castanhos arregalados.
“Dançar” explicou enquanto ainda a puxava com a outra mão.
Ela ergueu uma sobrancelha em dúvida.
“Sasuke não gostar de dançar” rebateu ela. Ele simplesmente a ignorou e continuou seu caminho para a pista, onde se colocou a dançar com a menina, de forma que ficasse o mais próximo possível do grupo suspeito em que Sakura estava inserida, sem parecer óbvio, porém os indivíduos que com ela estavam, pareceram perceber sua manobra e fecharam um círculo ao seu redor, tampando-a de sua visão.
— O que é isso? — perguntou tomando-lhe o copo da mão de Gaara — cumprindo o acordo que fizeram sobre ela não aceitar a bebida de nenhum dos que os acompanhavam — tomando um gole generoso, sentindo a bebida descer quente e fazer seu estômago parecer cheio de bolhas. Uma das coisas que mais gostava nessas ocasiões era que não sentia fome quando bebia, e como evitava a maior parte do tempo qualquer tipo de comida como se estivesse envenenada, isso fazia com que a sobriedade se esvaísse mais rapidamente, e ela realmente apreciava a maior parte das sensações que a bebida trazia em pequenos goles.
Sentia-se leve, amortecida da realidade. Como se o líquido tivesse algo que a permitisse acionar o botão de desligá-la da realidade, e para ela isso bastava.
— Acho melhor não misturar tanto assim — tomou-lhe o copo novamente, recebendo uma repreensão dos olhos verdes dela.
— Não acho que esteja aqui para dizer o que posso ou não fazer — ela se encostou no balcão e olhou com o canto dos olhos para a pista.
Sem perceber, acabou fazendo um acordo consigo mesma. A cada vez que visse Sasuke tendo qualquer tipo de interação com Karin, ela bebia um gole de sua bebida. Mas após poucos minutos, seu copo já se encontrava vazio e ela passou a beber do copo do companheiro ao lado.
Um olhar. Um gole.
Um abraço. Um gole.
Uma carícia no pescoço e um possível beijo oculto. O restante do copo.
Talvez o álcool não tivesse o seu efeito mágico e tranquilizador de sempre no momento.
— O que foi? — perguntou se colocando em frente à ela, tampando-lhe a visão de propósito — Está bebendo como se fosse alcoolatra.
— Você não é ninguém para falar de mim — ela respirou fundo, tentando manter todo aquele líquido dentro de si — Talvez eu não esteja no clima para festas — escorou-se mais no balcão, pois já sentia as pernas parecerem gelatinas, e virou o rosto para o lado, grata por Gaara tirar Sasuke de sua frente, que parecia esfregar em sua cara o quão feliz e satisfeito estava com Karin.
— Então… — ele olhou para ambos os lados rapidamente e depois tirou algo de seu bolso — Aí está — o pequeno frasco branco da altura de seu indicador não parecia tão ameaçador sem sua etiqueta de identificação e diversas restrições. Ela tomou o pequeno recipiente entre os dedos e abriu a tampa, espalhando vários comprimidos de uma cor que ela não conseguiu identificar devido as luzes multicoloridas em sua palma estendida logo abaixo da boca inclinada.
— O que é? — perguntou interessada, encarando as pequenas formas.
— Apenas pegue — ele tomou dois de sua palma e levou aos lábios, dando o outro a ela. Sakura então tomou o copo novamente de sua mão e sorveu mais que o necessário para empurrar o comprimido para baixo, sendo logo seguida por Gaara.
— Quanto tempo? — perguntou enquanto o encarava, o garoto apenas olhou para o lado observando outro grupo próximo que ria de qualquer coisa, parecendo ter alcançado a máxima felicidade.
— Não muito — respondeu a puxando para a pista.
Estava no quarto em que dividia com Hinata, deitada em sua cama fuçando em qualquer coisa após resolver suas questões de química que estavam pendentes. Após vigiar a cada cinco minutos se a figura do namorado mudava o status para online, o que não aconteceu por mais de duas horas, desistiu e foi fazer qualquer outra coisa.
Quando terminou de responder um e-mail qualquer de Kurenai, verificou que não havia mais nenhuma mensagem não lida e portanto clicou onde indicava a saída do sistema de e-mail, porém, antes de pressionar o ‘x’ logo após para fechar a página, como tinha tempo de sobra até que as amigas retornassem, decidiu verificar o resumo das principais notícias que apareciam em forma de carrossel de slides.
Nada muito interessante ou fora do comum, porém ao ver o sobrenome de umas amigas, decidiu expandir a notícia para verificar o sobre o que se tratava. Pelo pôde perceber, o mercado estava se tornando cada vez mais competitivo o que obrigavam as empresas a formar alianças e investirem caso quisessem continuar lucrando e coisas tão empolgantes quanto.
Porém logo chegou a um tópico que informava sobre uma aliança entre a grande empresa Hyuuga com uma outra extrangeira em que apareciam fotos de um monte de velhos engravatatos comemorando não somente uma aliança comercial como também um noivado.
Quando viu os olhos azuis claros acompanhados de cabelos castanhos longos que emolduravam o rosto sorridente, fechou imediatamente a tela do notebook com uma força além do necessário, porém pouco se importou.
Ele havia prometido, não fora?
Após se livrar do aparelho como se ele fosse o grande culpado, jogou-se na cama e passou a coberta por sobre a cabeça como fazia quando criança. Porém o tecido quente já não oferecia mais a segurança de outrora.
Party girls don't get hurt
Can't feel anything, when will I learn
I push it down, push it down
(Garotas festeiras não se magoam
Não sentem nada, quando eu vou aprender?
Eu vou desmoronar, vou desmoronar)
A música.
Se a perguntassem qualquer coisa, ela não seria capaz de responder.
Só existia a música.
Aquela música barulhenta que não a deixava pensar, não a deixava se lembrar
onde estava ou com quem.
Estava triste? Não lembrava o motivo. Apenas sentia o barulho ensurdecedor vibrar em cada célula de seu corpo enquanto ela se movia juntos com as luzes.
Malditas luzes mágicas que lhe cegavam os olhos ora ou outra conforme acompanhava as pessoas ao redor.
E então ria.
Ria de qualquer coisa.
Ria até a barriga doer.
I'm the one "for a good time call"
Phone's blowin' up, they're ringin' my doorbell
I feel the love, feel the love
(Sou aquela que 'me ligam para se divertirem'
Os telefones ficam tocando, estão tocando na minha porta
Eu sinto o amor, sinto o amor)
Ria do garoto idiota que dançava de um jeito que parecia estar sendo eletrocutado, da cara de pato que uma menina fazia enquanto dançava com outra para depois elaçar seu pescoço e beijá-la de uma forma escandalosa, de uma outra loira que acabou vomitando em seus próprios pés e mesmo assim continuou a virar o copo e chacoalhar o corpo.
Sentia falta disso. Da alegria sem explicação e do barulho que a deixava surda para qualquer tipo de pensamento que exigiam muito de si. A única coisa que ela conseguia fazer ainda, era aceitar o copo que Gaara a oferecia e beber seu líquido até o final.
De uma vez só.
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
(1, 2, 3, 1, 2, 3, beba
1, 2, 3, 1, 2, 3, beba
1, 2, 3, 1, 2, 3, beba)
E repetiu esse processo até que o líquido que sorvia já não descia como brasa ou desse a sensação de bolhas no estômago, bebeu até que aquela tempestade que parecia haver dentro de si evaporasse, lhe dando energia feito combustível para que continuasse a balançar o corpo com os novos amigos.
Throw 'em back till I lose count
(Engulo tudo até perder a conta)
Quais eram mesmo os seus nomes?
De onde saíram?
Não lembrava e nem se preocupou em se esforçar para fazê-lo, apenas Gaara importava. Gaara e suas balas mágicas que tornavam o mundo dela mais colorido a partir da máscara que a fez vestir.
Tudo era tão melhor quando cobria seus olhos com novas lentes.
I'm gonna swing from the chandelier
From the chandelier
I'm gonna live like tomorrow doesn't exist
(Vou me pendurar no lustre
No lustre
Vou viver como se não houvesse amanhã
Como se não houvesse amanhã)
— Gaara, ela ta chapada — riu um garoto qualquer que ela não se preocupou em ver quem era.
— Da mais, da mais, da mais — o outro o acompanhou, mas logo Gaara os afastou com um movimento e a levou mais para o meio da pista de dança, que já não havia mais fronteiras definidas.
Quantas pessoas haviam naquele lugar? Não se lembrava de tantos corpos por metro quadrado.
— Encolheu — informou a Gaara, mas este não lhe fez perguntas, apenas sorriu e acenou com a cabeça concordando, enquanto pegava sua mão para girá-la mais uma vez. O que não foi lá uma ideia muito boa, porque precisou se apoiar em seu corpo suado, pois mesmo que ela já não rodasse mais, o salão continuou a dançar ao seu redor a deixando enjoada.
I'm gonna fly like a bird through the night
Feel my tears as they dry
I'm gonna swing from the chandelier
From the chandelier
(Vou voar como um pássaro pela noite
Sentir minhas lágrimas enquanto elas secam
Vou me pendurar no lustre
No lustre)
Apesar de toda a movimentação, de alguma forma conseguiu localizar os fios de cabelo negro entre os demais dançarinos da noite e perdeu o sorriso bêbado do rosto.
— Eu não quero ver — e ao vê-los se lembrou de seu acordo consigo mesma — Não quero vê-lo com ela.
— Então feche os olhos — respondeu somente perto de seu ouvido para que escutasse.
— Não posso, vou cair — e como para frisar, alguém esbarra nela fazendo com que suas pernas que já se mostravam incapacitadas, não a sustentam, fazendo com que Gaara precisasse ampará-la nos braços.
— Eu te seguro — e como prometeu, o garoto manteve seus braços em torno dela, a sustentando enquanto ouvia a música e tentava balançar em seu ritmo.
But I'm holding on for dear life
Won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full until morning light
'Cause I'm just holding on for tonight
Help me, I'm holding on for dear life
Won't look down, won't open my eye
(E estou aguentando firme pela vida
Não vou olhar para baixo, não vou abrir os meus olhos
Mantenha meu copo cheio até de manhã
Porque só estou aguentando firme essa noite
Me ajude, estou aguentando firme pela vida
Não vou olhar para baixo, não vou abrir os meus olhos)
Após um tempo que não soube dizer se foram horas ou minutos, sentia que sua cabeça voltava ao normal, com pensamentos sóbrios que lhe retomavam a lucidez.
— Está passando mal? — perguntou o ruivo olhando para baixo, para encarar seu rosto. Ela apenas negou, balançando a cabeça de um lado para o outro.
— Eu quero mais — respondeu erguendo a palma estendida.
— Nem pensar. Já provou o seu argumento de que aguenta mais que qualquer outra garota daqui. Não vou socorrer ninguém.
— Não estou pedindo por socorro — rebateu raivosa.
— Tem certeza? — ele encarou no fundo de seus olhos e, diferente dela, Gaara lhe devolvia um olhar bêbado e fora de si, mas o maldito ainda era capaz de lê-la como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
Percebeu sua presença sem nem precisar retirar seus olhos de Gaara, sentia os olhos escuros olhando para si quase que fisicamente, então apenas levou seus dedos para o pescoço do garoto e o puxou para baixo, tomando-lhe os lábios com sabor da última bebida que haviam compartilhado. Ela sabia que o outro não gostava de si, e o sentimento era recíproco — Gaara lhe dava bebidas e ela lhe oferecia sua companhia, já que o outro destestava estar só em suas noitadas — mas nada fez para afastá-la, muito pelo contrário, devolveu-lhe o movimento que se assemelhava a um beijo. Em meio as carícias, a garota tomou-lhe o pote do bolso, afastando-o de si para jogar mais duas pílulas na boca e engoli-las a seco.
— Ainda não experimentamos uma bebiba — ela sorriu enquanto o levava até o bar, sendo chacoalhada em todas as direções devido aos outros que lhe esbarravam.
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
Throw 'em back till I lose count
(1, 2, 3, 1, 2, 3, beba
1, 2, 3, 1, 2, 3, beba
1, 2, 3, 1, 2, 3, beba)
Engulo tudo até perder a conta)
Mais um tempo depois, as luzes a fizeram se sentir ainda mais enjoada, o cheiro de diversas bebidas misturadas passou a lhe embrulhar o estômago e os corpos suados que se debatiam ao redor lhe sufocavam tanto, que começou a empurrá-los para longe até que fosse possível chegar a algum lugar e conseguir respirar de novo.
Quando deu por si, estava parada no meio da área onde ficavam algumas poucas mesas, onde logo foi possível localizar Hinata e Naruto trocando um beijo totalmente nojento. Gaara então tomou-lhe o braço para tirá-la do caminho e a levou para um canto a tempo de impedí-la de vomitar em si mesma.
— Vem, já chega pra você — empurrou-a até uma cadeira e a fez sentar.
— Mas eu ainda nem vi o Sai — choramingou enquanto abanava-se de uma maneira totalmente ineficiente. O ruivo tomou-lhe o rosto com uma mão, pedindo para que ela o encarasse.
— Droga, suas pupilas estão dilatadas — ele a puxou pelo braço, mas ela não o seguiu — Acabou a festa pra você.
— Vai se foder, não preciso que cuide de mim — empurrou as mãos para longe de si e tentou se levantar, não obtendo muito sucesso e caindo na cadeira de novo — Estou com sede, preciso de outra bebida.
— Chega de bebidas, você quer se matar?! — perguntou nervoso, tentado tirá-la do lugar mais uma vez.
— Pare de bancar o responsável que este não é você, Gaara — ela riu e levantou-se com sucesso desta vez, e passou a andar sendo escorada por ele.
— Vem, vamos embora daqui — quando estavam para se dirigir a saída, foram impedidos por uma figura alta de preto. Ao olhar para cima, Sakura perdeu todo o fôlego que nem sabia que segurava.
Naruto também pareceu surgir de nada e então eles gritavam palavras que ela não conseguia compreender, como se falassem outra língua. Ino apareceu com Karin e Hinata veio logo atrás e percebeu que estava levando uma bronca, mas o dedo acusatório de Ino juntamente com sua expressão raivosa a fez com que tivesse um ataque de riso.
Mas algo na expressão de Naruto lhe dizia que não tinha nada de engaçado e que ele estava fulo, a ponto de cerrar os punhos, prontos para bater em algo — ou então alguém, completou ao ver que o loiro encarava Gaara com raiva. Por que estavam tão bravos? Não estavam em uma festa? Deveria ser divertido, não é?
Mantendo os olhos no ruivo, percebeu que ele estava de braços cruzados enquanto ela o usava de apoio como se fosse uma parede. Ele também não parecia mais estar se divertindo, ao invés, encarava seus amigos de uma forma debochada enquanto Ino continuava a berrar seu sermão.
Será que ela a xingaria se Sakura dissesse que não conseguia ouvir nem ao menos uma palavrinha por causa da música alta?
Sun is up, I'm a mess
Gotta get out now, gotta run from this
Here comes the shame, here comes the shame (aaah)
(O sol nasceu, eu estou um caos
Preciso ir embora agora, preciso fugir disso
Lá vem a vergonha, lá vem a vergonha)
E então seu estômago pareceu dar um nó e ela não conseguiu impedir o líquido que subiu em sua garganta, lhe escapando boca afora. Gaara rapidamente se afastou, o que a fez cair para a frente, porém foi amparada por um par de braços fortes que não pertenciam às suas amigas.
— Acho que estou passando mal — disse entre risos. A blusa daquele que a segurava estava completamente suja, pois ela a usou para limpar o rosto.
— Não me diga — rebateu Naruto nervoso — Me diga, o que você tem na cabeça?! — Ela quase o rebateu, dizendo que ele não sabia o que queria, mas quando abriu a boca pra falar, sentiu a ânsia de vômito escalando sua garganta, o que a fez fechar a boca. Aproveitou e também fechou os olhos, aproveitando a música, mas a gritaria do grupo ainda persistia.
— Shh — colocou um dedo em sua boca pedindo silêncio — Está atrapalhando a música — e então seu corpo parou de responder a qualquer coisa exterior e tudo o que sabia era da escuridão que a engoliu em questões de segundos.
Fale com o autor