Just Listen

3 Capítulo 1 - Acidente


Notas iniciais
Em primeiro lugar um Feliz Natal, pessoal! Tudo de bom pra vocês e suas famílias =D Segundo, gostaria de agradecer a todos que acompanham e comentam. Adorei cada palavra que vocês me mandaram. Outro, vi que a segunda parte do prólogo ficou meio subjetivo, principalmente a parte da Sakura (sim, ela está loira naquela parte). Então, sim, é a Sakura ali. Espero que me desculpem se não ficou muito claro. Sem mais delongas, Boa leitura

É engraçada a forma como algumas acontecem ao acaso e acabam por dar certo. Como por exemplo um trabalho de literatura ter juntado pessoas com ideais diferentes, porém capazes de trabalhar na mesma sintonia.

A partir daquele dia, as tardes de estudo na casa de Hinata se tornaram mais frequentes. Um dia logo se tornou dois, que logo se tornou uma semana e num piscar de olhos, um ano se passou e a Black Star nasceu.

No começo, Hiashi bateu o pé e se manteve contra. Como poderia sua filha, quem ele investiu tanto desde sempre, perder seu tempo com algo tão frívolo como música? Até tentou convencer Hinata de que aquilo a faria somente perder tempo, porém, diferente do que esperava, a garota implorou para que a deixasse continuar com as amigas.

– A vida de mediocridade é um desperdício para uma vida, Hinata¹.
Mas de nada adiantou, Hinata continuou trazendo aquele grupinho de meninas barulhentas para sua casa e ao vê-las levando aquilo a sério, decidiu deixá-las continuarem a brincar de fazer música.


Era o último dia letivo daquele ano e, apesar de não ser um dia de aula propriamente dito, Sakura estava arrancando os cabelos rosados da cabeça.

Neste dia estava ocorrendo uma festa de arrecadação de fundos para a escola — mesmo esta ser capaz de manter-se muito bem sozinha com a mensalidade dos alunos, na opinião de Tenten — e diversas atrações foram apresentadas para o público durante o dia.

Apesar da peça de Romeu e Julieta ter sido um grande fiasco, a verdadeira atração da noite seria uma amostra de talentos, na qual o vencedor ganhava nada mais nada menos que uma bela coroa de plástico artesanal e uma linda faixa toda trabalhada com lantejoulas e glitter. E mesmo com Hinata e Sakura torcerem o nariz para a tal competição, Ino fora capaz de arrastá-las para o palco.

Ino sempre dava um jeito das pessoas fazerem o que ela queria, pensou Sakura mais tarde com irritação.

E logo atrás das cortinas, Hinata e Sakura tremiam da cabeças aos pés por serem as próximas a pisar no palco.

Ao abrir do cortinado, Ino foi a primeira a entrar, brincando com a família, que se levantou e as aplaudiu de pé feito pais babões que eram. Hinata se encaminhou para o baixo e logo foi seguida por Tenten, que por sorte, ficaria atrás e sentada, escondida atrás daquele trambolho que era sua bateria.

Sakura respirou fundo e foi para o lado de Ino, e se posicionou em frente ao microfone.

– Será que não posso pegar uma dessas cadeiras? — sussurrou ela — acho que vou cair se não sentar.

– É só você focar em um ponto e não tirar os olhos de lá — Ino tentou ajudar a amiga, que estava mais pálida que a parede branca do lugar — fica calma. É só repetir o que fizemos no ensaio, ok?

– Ok — respondeu automaticamente, mas as duas sabiam que não estava tudo bem. Sakura ainda sentia as pernas instáveis, talvez não por conta do nervosismo. Há quanto tempo não comia alguma coisa? Nem ela mesma poderia responder. Apenas torcia para que nenhum mal estar, seja da origem que for, a derrubasse

Por fim, decidiu fazer o que Ino instruíra, respirou fundo e contou até três. No fim da contagem, mandou um sinal à Tenten que bateu suas baquetas fazendo a sua contagem para começarem a tocar.

Como Hiashi previra, não fora lá grande coisa.

As meninas tocavam bem, mas pela menina de cabelo colorido estar visivelmente nervosa, sua voz era tremida em algumas partes daquela música da moda. Mas se tratando de colegiais o público acabou gostando e elas se soltaram um pouco mais tornando a apresentação um tanto melhor.

Quando finalmente aquela barulheira chegou ao fim, o homem levantou-se, pronto para ir embora, porém este não eram os planos da platéia animada, que pediu por mais um som.

Apesar de não ser um homem de sorrisos, sorriu de canto ao ver a cara de espanto das garotas perdidas que não sabiam ao certo o que fazer. Era claro que só tinham ensaiado uma música e não esperavam por aquilo. Porém a loira barulhenta logo tomou o microfone toda sorridente.

– Olá pessoal! Fico feliz que tenham gostado — disse mandando um aceno para os pais, que não largavam a câmera filmadora por nada — iremos tocar agora uma música nossa, que foi escrita pela Hinata — disse apontando para a morena que deu um tchauzinho tímido enquanto olhava para os próprios pés — espero vocês curtam.

Hiashi então viu a filha seguir para o piano no canto do palco, tocando timidamente as notas, seguida pelos demais instrumentos em um som mais calmo e lento que o anterior, assim como a voz da vocalista iniciante, que soara extremamente doce.

Certamente não achou grande coisa.

I miss you

Miss you so bad

I don't forget you

Oh it's so sad

I hope you can hear me

I remember it clearly

Claro que sabia que Hinata tocava perfeitamente e as meninas não eram de todo o mal, porém era tudo muito bobo e adolescente, assim como pensou que seria e por isso nem prestou muita atenção naquela bobagem toda, mas ao encarar a figura da filha, que possuía os olhos tão marejados, pôs-se a ouvir o que a outra cantava.

The day you slipped away

Was the day I found it won't be the same

Na primeira instância, parecia uma música sobre um romance bobo de adolescentes, porém não lembrava-se de Hinata ter tido um romance — Neji não permitiria isso — e por esse motivo, decidiu prestar mais atenção na letra que, de acordo com a loira, fora a sua filha que escrevera.

I didn't get around to kiss you

Goodbye on the hand

I wish that I could see you again

I know that I can't

I hope you can hear me

Cause I remember it clearly

The day you slipped away

Was the day I found it won't be the same

Hinata certamente não queria apresentar aquela letra², pois a achava pessoal demais. Aquilo não era algo para tocar em frente a uma multidão tão grande e principalmente em frente ao pai, sabendo que o homem ainda sentia falta da mulher para quem Hinata havia escrito a música.

I've had my wake up

Won't you wake up

I keep asking why

And I can't take it

It wasn't a fake it

It happened you passed by

Na verdade, escrevera aquelas palavras, ou pelo menos a essência dela, há anos, depois de ver o pai chegar em casa tarde da noite, já embriagado, e servir-se de uma taça de vinho enquanto sentado na mesa de jantar.

Hinata nunca havia visto seu pai chorar, mas lembrava-se com clareza das lágrimas no rosto triste e cansado do homem ao servir vinho em mais uma taça para o ocupante, inexistente, da cadeira de seu lado direito — o lugar que sua mãe costumava ocupar e que estava vazio, assim permanecendo por anos.

Now you're gone

Now you're gone

There you go

There you go

Somewhere I can't bring you back

Hiashi estava em choque. Não mexia nenhum músculo, apenas escutava aquela melodia que lhe penetrava nos ouvidos e levava qualquer pensamento que pudesse ter para longe. Soube que Hinata não se referia a um (im)possível romance e sim à mãe.

A mãe que a abandonara no meio da noite e que deixou somente uma carta como explicação ao marido.

The day you slipped away

Was the day I found it won't be the same

– Com licença — disse o homem ao tentar sair de seu lugar, empurrando quem aqueles que haviam levantado para aplaudir as meninas de pé, coisa que ele nem ao menos se importou em fazer, apenas continuou sua trajetória até a saída do teatro lotado.

I miss you

Estava sem ar e precisava urgentemente ficar um pouco sozinho.

Não ganharam os incríveis prêmios naquela noite, na verdade o grupo de dança — que antes era liderado por Ino — venceu e fez o discurso mais ridículo de todos os tempos, na opinião da loira, que encontrava-se cercada por seus pais que limpavam suas lágrimas.

– Não fique assim, querida — disse Inoichi abraçando a filha na tentativa de acalmá-la — sabe que você é mais talentosa que esse grupo de meninas que mal sabem dançar.

–Caramba! — disse Shikamaru indo de encontro aos pais que bajulavam a irmã — vocês viram só o que aquela ruiva sabe fazer com as pernas? Poxa, eu achava que aquilo era humanamente impossível.

– Calado — Shikaku exclamou entredentes ao acertar um tapa na cabeça do filho — Vocês foram incríveis, não precisa ficar assim por causa de um concurso idiota — sussurrou, voltando-se para a filha.

– Eu nem queria aquela tiara cafona, mesmo — respondeu Ino limpando o rosto vermelho por conta do choro — e aquela faixa ridícula combina com a roupa horrível delas.

– É claro que sim, bebê — Inoichi acariciou os cabelos dourados.

Tenten, mesmo não ganhando, correu alegre para os braços da mãe, que a acolheu prontamente em um abraço apertado enquanto pulavam juntas em comemoração.

– Você estava tão bonita, querida — disse a mulher também entre lágrimas, porém por um motivo diferente de Ino — tocava tão bem. Estou muito orgulhosa de você.

– Você viu? — gritou Tenten entusiasmada — Viu quando pediram mais uma música e então tocamos a nossa? Eles adoraram!

– Como não adorar? — separaram-se e Hana olhou ao redor — Isso pede uma comemoração!

– Vamos tomar sorvete! — sugeriu Tenten entusiasmada puxando a mãe para o círculo que se formara em volta de Ino — O que acham de uma comemoração?

– Achei que vocês tivessem ficado com o segundo lugar. — comentou Shikamaru, que levou mais um tapa, porém desta vez da irmã — Afinal, o segundo colocado é o primeiro perdedor, certo, Barbie?

Hinata saiu então deixando as amigas discutindo com Shikamaru — pode ver Ino olhando muito feio para o moreno — para chamar Sakura, que estava um pouco mais distante do grupo, varrendo os olhos pela multidão, que já se encaminhava para a saída.

– Oi — disse a morena após cutucá-la nos ombros — Tenten quer sair para uma sorveteria.

– Não vai dar — respondeu sem olhar para a amiga.

– Qual é o problema? — perguntou ela fazendo, finalmente, Sakura olhar para si.

– Estou de dieta — disse encarando os olhos azuis — você sabe, sem doces — Hinata revirou os olhos. Sakura vivia de dieta, não importava o quanto dissessem que ela não precisava daquilo.

Se parasse para pensar, perceberia que a garota quase nunca comia e quando o fazia, eram somente poucas porções e geralmente Sakura chamava Tenten para uma corrida após a refeição.
Nunca entendera a fixação que ela tinha com o corpo, porque, diferente de Ino, Sakura fazia de tudo para não chamar atenção. Tirando o cabelo colorido, é claro. Também não entendia o motivo da amiga ter um cabelo tão chamativo.

– Não — balançou a cabeça — por que está chateada? O segundo lugar não é tão horrível assim — Sakura riu sem humor.

– Você viu minha mãe por aqui? — e então Hinata entendeu o problema. Sabia que os pais da amiga estavam se divorciando e as brigas na casa dela eram mais comuns que dias tranquilos — Ela disse que traria Sasori pra me ver.

– Não vi — Hinata respondeu sem graça ao ver a cara da amiga ficar ainda mais magoada, voltando a procurar tanto a mãe quanto o irmão — mas sabe, acho que não deveríamos ter tocado aquela música — Sakura a encarou surpresa — quando finalmente consigo convencer meu pai a vir, estrago tudo — suspirou — ele, praticamente, saiu correndo.

– Era uma música bonita — a rosada deu de ombros — é normal as pessoas se emocionarem. Mas não acho que ele ficou bravo ou coisa parecida — Hinata encarou a amiga afim de respostas, enquanto a outra apontou para a entrada do teatro — ele está vindo aí.

Hinata virou-se bruscamente na direção que Sakura apontava e pode ver seu pai caminhando a passos lentos em sua direção. Seu rosto permanecia calmo, o homem não transparecia absolutamente nada.

Quando foi andar em direção a ele, já ensaiando seu discurso de explicações e desculpas, Ino surgiu atrás de si e abraçou tanto ela quanto Sakura.

– O que estão fazendo aqui? — perguntou ela, escandalosa como sempre, na opinião de Sakura — Kurenai quer nos conhecer!

– Kurenai? — perguntou Sakura enquanto era arrastada de volta para o círculo de familiares, no qual uma mulher acompanhada de um homem se juntara.

– Ela disse que adorou nosso show e que temos um enorme potencial! — comemorou a loira — Vamos tocar nas rádios e sermos famosas!

– Não é melhor ir com calma, Barbie? — brincou Sakura, usando o mesmo maldito apelido que seu irmão lhe dera — Acho que está dando um passo maior que a perna, não?

– Pare de ser pessimista e usar esse seus discursos de gente velha, Testa — reclamou a outra — essa mulher conhece um dono de uma gravadora.

Hinata ficou incomodada com a informação. Claro que ela achava que as amigas eram talentosas, não teriam ido na onda de Ino se não fossem, mas falar de tocar em rádios e fama era algo que nunca havia pensado antes.

Já conseguia imaginar seu pai a afastando de tudo aquilo e fazendo os planos da amiga irem por água abaixo.

– Olá, meninas — sorriu a mulher. Sakura analisou-a, ela era bonita — sou Kurenai, a futura empresária de vocês — riu ela juntamente com o homem ao seu lado, provavelmente seu marido.

– Empresária? — preguntou uma voz severa se juntando ao grupo. Hinata fechou os olhos e rezou aos céus pra que seu pai não dissesse nada de mau agora.

– Estou aqui porque vejo um grande talento nelas — confirmou a mulher — e seria um desperdício deixar que isso passasse batido.

– Certamente — concordou Hiashi — teremos uma conversa mais séria sobre isso em algum lugar adequado, por ora vejo que este não é um bom momento para discutirmos sobre negócios.

– Vamos comemorar! — disse Tenten puxando as amigas para um abraço, fazendo os adultos ao redor sorrirem, sendo contagiados pela alegria do grupo.

Hinata sorriu e agradeceu internamente. Não precisava de uma faixa ou tiara como Ino, somente ver seu pai sorrir e confirmar que ela possuia um grande talento e que aquilo que ela queria fazer não era perda de tempo — como ele antes afirmava ser — já era uma grande vitória.

Talvez a maior depois de todos esses anos.

Dezesseis anos de idade

A Black Star era um sucesso, isso era um fato, pelo menos na mente de Kurenai.

Tudo estava indo muito bem.

Conseguiram alguns shows em lugares pequenos até um dono de uma gravadora conhecê-las. A partir daí as coisas só melhoraram. Uma de suas músicas agora tocava nas rádios e sua empresária — Kurenai — já estava agendado alguns shows em grandes eventos para que as garotas ficassem ainda mais conhecidas.

Quem diria que tudo pudesse dar tão certo? Só sabiam que as pessoas adoravam as letras que Ino Yamanaka e Hinata Hyuuga compunham, cantada pela surpreendente voz de Sakura Haruno, sem contar o incrível instrumental que ficava por parte de Tenten Mitsashi, que surpreendeu muita gente em sua bateria.

Estavam no carro com Kurenai e Asuma, que as levavam para o festival de música, no qual reunia bandas famosas e algumas poucas iniciantes para tocarem em diversos palcos. O espetáculo delas não era o principal, mas só de imaginar mais de dez pessoas cantando junto com Sakura já as deixavam nas nuvens. Tudo estava perfeito.

Estavam cantando a última música que tocava na rádio enquanto Kurenai as repreendia por gastarem a voz a toa e Asuma ria da esposa pedindo para ela relaxar, quando um carro em alta velocidade invadiu a pista na contra mão.

Asuma, ao ver o grande clarão, tentou desviar, mas tudo aconteceu rápido demais e tudo o que pode se lembrar foram de gritos de pavor e um grande barulho.

Hana andava de um lado para o outro enquanto esperava pela volta do médico com os demais na sala de espera. Não podia acreditar que sua filha, seu bem mais precioso, estava em uma cama desacordada, correndo sérios riscos. Quando o médico retornou, foi a primeira a abordá-lo.

– Como elas estão, doutor? — perguntou aflita. O homem suspirou e retirou os óculos.

– Ino e Hinata não sofreram sérios danos — os quatro homens na sala relaxaram suas posturas na cadeira.

– Estão acordadas? — perguntou Hiashi, mesmo sabendo que sua filha não correria risco de vida, ainda permanecia impaciente, queria vê-la e ter certeza de que nada acontecera com ela.

– Não — respondeu o médico — como acidente foi realmente sério, não sabemos ao certo se elas ficarão com alguma sequela, apesar de acharmos que está tudo bem.

– Não estou pagando vocês para acharem alguma coisa! — descontrolou-se o homem. Shikaku tentou tranquilizá-lo, sabia como o homem estava aflito.

– Enquanto Tenten? — perguntou Hana, observando a expressão do médico se tornar mais séria.

– Preciso conversar com você, provavelmente mãe dela, e da outra menina — o médico olhou para os presentes — ela está?

– Somos os responsáveis por ela, já que seus pais não puderam vir — respondeu Inoichi. Temia tanto por Sakura, que acabara por conquistar sua família.

– Certo. — disse o homem de aparência cansada. Eram altas horas da noite e ele mal via a hora de seu plantão acabar — Os casos delas são um pouco mais complicados — Hana sentiu o coração gelar e não protestou quando Shikamaru cedeu seu lugar à ela — por elas estarem nas pontas, seus corpos estão bem machucados. Sakura bateu a cabeça com muita força — Inoichi sentiu o aperto reconfortante na mão do marido que tentava acalmá-lo — e está muito fraca, mas felizmente não teve um traumatismo craniano.

Inoichi agradeceu aos céus pela informação e apoiou a cabeça no ombro do marido, que balançava a perna em um claro sinal de impaciência.

– Ela vai demorar para acordar e quando o fizer, torceremos para que fique bem — o doutor então virou-se para a mulher que limpava as lágrimas do rosto aflito — Tenten estava na parte em que o carro foi atingido e como recebemos a informação de que o outro automóvel chegou a explodir, é possível que seu ouvido tenha sofrido sérios danos, por conta do barulho — a mulher pode sentir seu sangue fugir do rosto a deixando ainda mais pálida — como todos, na verdade — ele então assentiu — estamos fazendo tudo o que é possível, eu volto se houver qualquer mudança — e saiu da sala.

Abriu os olhos e suas orbes arderam com a luminosidade. Sua cabeça parecia que ia explodir e aquela luz branca só fez com que a situação se agravasse. Não pôde enxergar muita coisa, mas soube que estava em um hospital pelo cheiro que lhe embrulhou o estômago.

Olhou ao redor e conseguiu ver a sua mãe chorando descontrolada, acompanhava sua boca se mexer, mas não conseguia ouvi-la de nenhum jeito.

Dobrou o braço e cobriu seus olhos com ele, seu corpo doía e se sentia extremamente cansada e sonolenta, provavelmente efeitos do remédio que usaram nela.

O que tinha acontecido?

Não conseguia se lembrar de nada e por mais que se forçasse a pensar, sua cabeça somente latejava em resposta. Abriu a boca, sentindo-se como se tivesse comido um quilo de areia, precisava de água urgentemente.

– Água — pediu sentindo a garganta arder. Quando não obteve resposta, pediu novamente. Tirou os braços que cobriam os olhos e olhou as pessoa ao redor — ÁGUA! — gritou. Observou sua mãe e o médico conversarem enquanto a encaravam e por mais que se forçasse a ouvir, um barulho chato como uma buzina era o único presente.

Levou as mãos aos ouvidos e tentou fazer com que aquele zumbido extremamente alto e incômodo parasse, porém de nada adiantou. Seus ouvidos ardiam, como se tivessem explodido ou algo similar.

E não ouvia nada.

Nada.

Olhou para a mãe, completamente apavorada. A senhora Mitsashi chorou ainda mais ao ver o pânico refletido nos olhos da filha que repetia a palavra "nada" inúmeras vezes com uma voz rouca.

Uma enfermeira aproximou-se com uma seringa, injetando o conteúdo na garota, o que fez com que ela se acalmasse aos poucos, voltando a dormir.

Notas finais
1 - Essa fala do Hiashi NÃO me pertence. Retirei do livro Maybe someday da Colleen Hoover, uma das minhas inspirações para a fanfic. Eu gostei da frase e decidi trazê-la, meio como uma homenagem. Espero que não seja proibido. 2- Essa é a música da Avril Lavigne - Slipped Away. Podem acompanhar a tradução com a música aqui: http://www.vagalume.com.br/avril-lavigne/slipped-away-traducao.html Acho que é isso, espero não ter me esquecido de nada Próspero ano novo pra todo mundo! Beijos, Até o próximo