Just Leaving One-Shoot
1 Capítulo Único - Portas Finais
Notas iniciais
Estava tudo certo. Planejado. Perfeito.
Eu sabia que teria cobertura. Enquanto o Gordo e o Coronel estivessem fazendo o que pedi, não teria que me preocupar com o Águia. Nem com meus amigos.
Mas eles iriam — eles tinham — que entender. Pelo menos era o que eu esperava, de verdade. Eu iria ficar sem ele. E isso era, sem dúvida, o que mais doía.
Revisei minha fuga — minha saída do labirinto — mentalmente. Minhas bebidas, OK. Cigarros, OK. Sem ninguém para atrapalhar, OK.
Eu não pensava que seria tão fácil passar por tudo isso. Não pensava que não sentiria remorso ao fugir. Mas nada saiu como eu queria.
Eu tinha umas dez garrafas, um maço de cigarros e um tanque cheio de gasolina, e isso quer dizer que eu podia fugir para bem longe, e só voltar quando sentisse uma falta do Gordo que nem mesmo Deus — acho — poderia suportar. Uma comparação horrível, eu sei. Mas teria que servir.
Não queria que tudo desse errado, então entrei no carro e saí a toda velocidade que conseguia. Em pouco tempo, bebi todas as garrafas. Fumei todos os cigarros. Me senti leve. E foi aí que tudo desandou.
Comecei a me lembrar de tudo. Das coisas ruins e das boas da vida. De todos os prazeres que já havia sentido. Tudo. E comecei a separá-los em balanças.
Pensei na minha vida desde que eu me lembro de escolher Alasca como nome — memória boa — até..... Até agora. Eu havia chegado ao meu limite. Precisava fugir. E foi aí que tudo me pareceu claro.
Fugir — para onde quer que seja — e me afastar de tudo e todos, não era a solução. Pessoas passam, memórias não. Mas eu iria fazê-las passar, de um jeito ou de outro. E foi aí que eu vi. Vi seu sorriso e a forma como me olhava, tentando disfarçar sua paixão. A forma quando como olhava para Lara sem um mínimo brilho nos olhos. Me lembrei de quando seu amor por mim começou a fazer sentido. Lembrei de seu toque e de como ele parecia feliz. Lembrei-me de seu sorriso.
Mas eu sabia que essa seria a última vez.
–Gordo. — Falei. Acho que ele iria gostar de saber que minha última palavra dita em alto e bom som fora seu nome. Mas isso não bastava. Uma carta. Não, isso é dramático.
"Gordo,
eu... não sei mesmo como não tinha pensado nisso. Quer dizer, eu tinha, mas não de uma forma real. Eu pensava nisso como uma possibilidade — um acontecimento — distante.
Minha última palavra foi seu nome. Minha última lembrança foi seu sorriso. Meu último desejo foi — e é — você. Não sei como não percebeu. Eu estou apaixonada, e sempre vou estar. Mas agora não adianta, pois o labirinto do qual eu venho tentando sair me mostrou suas portas finais. As portas com as quais eu venho sonhando há anos. Me desculpa.Ninguém sabe ao certo como eu me senti. Ninguém sabe ao certo o porque. Ninguém sabe o que eu pensei, ouvi, falei ou planejei.
Até agora. E eu espero — espero mesmo — que possa me perdoar pelo o que fiz.
Me desculpa. Eu te amo.
Alasca"
E assim, dei meu último suspiro. Um suspiro leve. Um suspiro que eu sabia que seria o que me tiraria um peso dos ombros.
Adeus.
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