Notas iniciais
Bem, esta oneshot na verdade é um pedido de um amigo meu, Romulo, que queria que eu escrevesse um shoujo para ele.

Aqui está Romulo, demorei, mas finalmente postei o seu shoujo!

Espero que gostem!

♦ Genova Cipriano ♦

Abri os olhos e os voltei para o despertador que tocava incessantemente ao meu lado. O barulho irritante apenas cooperou para piorar o meu humor.

Em um suspiro pesado, esforcei-me o suficiente para me levantar, voltando em seguida os olhos para a cortina que, desengonçadamente, cobria parte da claridade da janela. O pouco de luz que passava era o suficiente para iluminar meu quarto relativamente bagunçado.

Mesmo a contra-gosto, coloquei-me em pé em um impulso, andando um pouco curvado até o banheiro de meu quarto para fazer, preguiçosamente, a minha higiene pessoal. Não queria estar acordado àquela hora. Na verdade, não estava com vontade de fazer coisa alguma nas últimas semanas. E me lembrar do motivo era pior do que enfrentar um cansativo dia de Segunda-Feira.

Às vezes, ocupar a mente com algo frustrante pode ser a única solução.

[...]

- A humanidade sempre foi marcada por guerras famosas. Digamos que pode ser considerado uma marca registrada da personalidade humana procurar conflitos desse tipo, independente do motivo. — Disse, ajeitando levemente os óculos sobre o rosto, enquanto fitava a turma.

- Etto... Shion-sensei? — Uma voz chamou a minha atenção e então voltei-os para sua respectiva dona.

- Sim, Miki? — Respondi, dando-lhe minha atenção.

- Não acho que seja uma característica humana... Gostar de guerras. — Começou. — Bem, hoje em dia todo mundo é contra isso. Não é à toa que a ONU foi criada, também.

- Concordo. — Disse, cruzando os braços e me preparando para mais uma resposta inteligente. — Entretanto, se não fosse pela constante ameaça de guerras, a ONU não seria criada, certo? Não quero dizer que hoje em dia sejamos assim, claro que não. Hoje em dia nós temos o poder de pensar na consequência de nossos atos. — Dei uma pausa, erguendo as sobrancelhas enquanto ouvia uma leve onda de risadas com aquele comentário. — Mas, até o século passado, nós estávamos pouco nos importando com isso, estávamos? Nós, a humanidade em geral, apenas paramos para realmente pensarmos sobre isso depois da Segunda Guerra Mundial.

Encarei a turma em silêncio por breves segundos, tentando ao máximo conter um sorriso vitorioso. A vantagem de ser um professor é que na maioria das vezes você está sempre com a razão, mesmo quando está errado. Nesse caso estava completamente certo e aquela resposta não deixaria brechas para alguém contradizê-la.

Nunca gostei de lecionar às Segundas, mas aquela turma sempre me deixou confortável e as aulas fluíam sem muitos agentes estressantes. Não teria do que reclamar se não fosse pela falta que uma pessoa em especial fazia naquele momento.

Apenas em me lembrar de seus olhos celestes a me fitar e de seus longos fios róseos que, diga-se de passagem, eram magníficos, faziam-me ficar levemente extasiado ao ponto de entrar em um estado de admiração.

Não consigo entender e muito menos saber como e quando foi que tudo mudou. Mas apenas em me lembrar do último momento...

Sacudi a cabeça negativamente em uma tentativa de tirar tais pensamentos de minha mente. Aquele não era o momento ideal para ficar pensando em como a minha vida pessoal anda definitivamente desolada, afinal, ainda tinha uma aula para terminar.

- Enfim. — Continuei, afastando-me da mesa onde estava encostado, caminhando na direção da lousa. — Hoje daremos início à matéria da Guerra Fria, incluindo a Corrida Espacial e Armamentista entre a antiga União Soviética e os Estados Unidos.

Ouvi alguns alunos pigarreando às minhas costas. Imagino o que devem estar pensando sobre aquela matéria.

- Odeio a América. — Um dos alunos comentou. Apenas suspirei, cansado, antes de responder.

- Todos nós odiamos. — Concordei, começando a escrever os hiraganas sobre a lousa. — Mas precisamos aturar, já que o governo japonês tem uma política amistosa com aquele país.

Não era mentira, e muito menos um segredo que não gostava nem um pouco da América. Não generalizando, apenas os Estados Unidos em especial. Quando você é um professor de história, você aprende coisas que te revoltam e reforçam ainda mais os seus laços de xenofobia* para com os outros países e, principalmente, para com estrangeiros. No meu caso, apenas tinha esse sentimento com os americanos, que se auto-intitulam os "salvadores do mundo".

Crispei os lábios com esse pensamento enquanto um gosto amargo se fazia presente em minha boca. O ego deles falava mais alto que os próprios fatos.

Era tirado de meus devaneios pelo barulho da porta se abrindo. Afastava o giz branco da lousa por um momento apenas para fitar a figura ali parada, sentindo meu coração parar por um momento, juntamente com minha respiração.

Ela estava linda como sempre. O uniforme de marinheiro azul acompanhado com um blazer da mesma cor realçavam seu corpo de tal maneira que poderiam parar qualquer um nas ruas, os fios rosados caíam sobre seus ombros, costas e cintura levemente bagunçados, realçando a cor do uniforme e de sua beleza rústica e jovial, que combinavam perfeitamente com aquele par de orbes celestes que estavam a me fitar cansados. A armação preta de um óculos — que para mim era apenas um acessório — deixou seu rosto com uma expressão mais intelectual, coisa que eu sempre gostei.

Engoli forçadamente a saliva, ainda sem desviar o olhar. Esperava uma resposta por seu atraso, o que me dava alguns momentos livres para admirá-la sem que os outros alunos percebessem minhas reais intenções.

- D-Desculpe-me pelo atraso Shion-sensei. — Começou, enquanto apenas a suave entonação de sua voz fazia todo o meu corpo se estremecer. — O carro de meu pai quebrou e precisei pegar um ônibus.

Virei levemente o meu corpo em sua direção, provavelmente os alunos também estariam esperando alguma reação minha.

Não podia simplesmente mandá-la para a direção, ela não era uma aluna que se atrasava por qualquer motivo e, além disso, eu mesmo não queria prejudicá-la. Não sei se seria errado ou não, mas minha paixão não me permite fazer essas coisas.

- Tudo bem Megurine. — Respondi, indicando com a cabeça a direção de sua carteira. — Espero que isso não se repita.

Com um pouco de esforço, voltei minha atenção para o quadro negro à minha frente, preocupando-me apenas em escrever a matéria sobre o quadro. Não sei se Luka demorou ou não para se sentar, na verdade não queria pensar tanto sobre isso, pelo menos não naquele momento.

Suspirei pesadamente, fechando os olhos por um breve momento. Isso machuca.

[...]

Saindo da sala dos professores, voltei meus olhos para meu relógio de pulso, suspirando levemente em seguida. Estava feliz de certa forma por meu turno ter terminado.

Entretanto, não era uma coisa que deveria considerar veemente. Afinal, quando chegasse em casa provavelmente iria me deparar com lembranças que preciso, com todas as forças, esquecer.

Pela primeira vez um corredor lotado de alunos parecia mais aconchegante do que meu próprio lar.
Permiti-me rir com isso.

Mesmo com meus passos lentos, cheguei ao estacionamento daquele colégio mais rápido do que realmente gostaria. No entanto, meus pés travaram automaticamente ao deparar-me com ela parada em frente ao meu Jeep Commander preto.

Engoli aquilo em seco, fitando com os olhos arregalados aqueles fios róseos que me faziam tanta falta. Ergui levemente a mão esquerda por impulso, queria sentí-los entre meus dedos mais uma vez, mesmo sabendo não ser possível. Fechei os olhos, respirando cerca de três vezes antes de caminhar em sua direção, retirando a chave do Jeep do bolso.

- O que faz aqui Megurine? — Perguntei direto, fazendo-a se voltar para mim em um salto. Tentei ignorar isso. — Não deveria ir para o ponto?

Havia passado direto e estava agora destravando a porta do carro para poder entrar, mas permanecia fitando-a pelo canto dos olhos. Luka parecia hesitar em responder.

- Sim... — Disse, finalmente. — Estava procurando por você, Shion-sensei.

Por um momento prendi a respiração, abrindo a porta do carro e voltando os olhos, encontrando os azuis serenos da rosada a minha frente.

- Pensei que não queria mais me procurar. — Questionei, sentindo aquele maldito aperto no peito aumentar ao me lembrar daquelas duras palavras. Espero não ter deixado transparecer isso.

- Esqueci meu suéter na sua casa. — Respondeu, dando de ombros. — Preciso dele de volta, em breve o inverno vai chegar.

Ah... O suéter.

- Claro. — Murmurei, sentindo aquele aperto doloroso na garganta. — Vamos, entre. Posso te dar uma carona até em casa, assim não vai chegar tarde.

Entrei no carro, esticando o braço e destravando a porta do lado do carona. Não sabia se Luka entraria ou não, mas esperava desesperadamente que sim. Alguns segundos depois aquele perfume inconfundível e inebriante tomava conta do carro.

Fechei os olhos e respirei fundo, aspirando aquele maravilhoso perfume.

- Não faz ideia do quanto senti falta desse perfume... — Murmurei o que era para ser um pensamento, abrindo rapidamente os olhos em seguida e voltando-os para Luka, que encolhia levemente o corpo. — Luka... Vamos conversar...

- Não temos mais nada para conversar Kaito. — Disse ríspida. Ah se ela soubesse como aquilo machucava. — Desista, por favor...

- Por que?! — Me exaltei, virando o corpo em sua direção e franzindo o cenho. — Luka... Apenas me dê um único motivo para desistir de você. Um bem pequeno já serve.

Permaneci olhando-a de cima enquanto seu corpo se encolhia cada vez mais sobre o banco do carro. Aquela visão estava me matando por dentro, mas eu precisava de um motivo, apenas um.

- Eu pego o suéter outro dia. — Respondeu, preparando-se para abrir a porta do Jeep. Trinquei os dentes com isso e estiquei rapidamente o braço, fechando a porta com força e travando-a. Luka voltou seu olhar para mim e então apoiei ambos os braços sobre a porta do carona, pressionando seu pequeno corpo para baixo. — Kaito...

- Responda! — Intimei em um tom de voz duro demais até mesmo para mim. Os azulados de Luka se arregalaram por um momento e então abaixou a cabeça. Suspirei, cansado. — Você, no fundo, não quer que eu desista, não é?

Não houve resposta, então apenas encarei aquilo como um sim.

- Luka... — Murmurei seu nome, levando uma das mãos até seu queixo fino e erguendo seu rosto para mim. — Ainda não é tarde demais... Nós podemos recomeçar, podemos voltar a amar de novo!

Ela não respondeu, apenas permaneceu fitando meus olhos e eu fazia o mesmo, admirando o meu reflexo em seus olhos tão espelhados. Além disso, a quantidade de sentimentos que ali apareciam respondiam a todas as minhas perguntas.

Ela ainda me amava, apenas não queria admitir.

Aproximei ainda mais nossos corpos, colando minha testa com a dela e sentindo nossas respirações se misturarem devido àquela aproximação confortável. Deixava meus lábios entreabertos roçarem levemente contra os finos e delineados de Luka, que também separava-os levemente.

- Luka... — Chamei em um sussurro, fechando os olhos e apoiando uma das mãos sobre sua cintura fina.

- Kaito... — A ouvi murmurar, depositando ambas as mãos em meu peito e subindo lentamente até minha nuca, deixando-me levemente arrepiado. — Essa é a última chance.

Abri um largo sorriso ao ouvir aquilo e então tomava os lábios de Luka para mim, imediatamente pedindo passagem com a língua, que me era cedida sem rodeios. Ah... Aquela boca me fazia tanta falta...

Dessa vez era uma promessa. Não importa o quanto teria que lutar ou de quantas coisas deveria abrir mão por aquele amor. Nada mais importava para mim além de Luka, ela é tudo o que eu mais preciso na vida.

E eu a amarei para sempre, não importando o quanto pagaria por isso.

Notas finais
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