Just Friends
5 "Não"
Notas iniciais
AUSTIN
Tá legal, o que aconteceu? -pergunto a mim mesmo deitado na cama enquanto deveria está me arrumando- Eu e a Ally quase nos beijamos, e os dois queriam! Eu não posso vacilar com a Ally, não posso nem cogitar a ideia de termos algo, quer dizer, é a Ally, minha melhor amiga, minha irmã... É isso, não vou deixar que aconteça algo, por mais que eu queira, está decidido. Na verdade o X da questão é: por que eu quero?
Balanço a cabeça tentando esclarecer as ideias enquanto me levanto. Entro no chuveiro e canto, é algo que eu amo fazer mas no momento estou fazendo para não pensar em nada do que podia ter acontecido mais cedo.
Depois de vestido e arrumado vou ao quarto da Ally.
Bato na porta e ela fala:
–Pode entrar.
–Oi. -digo meio sem graça ainda, afinal, aquilo deu o que pensar.
–Oi- fala e percebo que não sou o único que está pensando no acontecido.
Só depois disso percebo o quanto vou ter raiva essa noite. A Ally está perfeita... é, essa é a palavra, perfeita. A olho dos pés a cabeça completamente esbabacado. Ela veste um vestido vermelho que é completamente favorável a ela, e desfavorável a mim, quer dizer, o que vai ter de homem atrás dela...De repente passa a minha vontade de sair.
–Austin? -ela estala os dedos perto do meu rosto tentando chamar minha atenção e percebo que estou em uma espécie de transe. Ela me olha com um olhar divertido. -Então, vamos?
–Então Ally, é que do nada eu tô meio ruim sabe, perdi a vontade de ir... Acho que comi muita pizza.
–O quê? Ah não, não, não! Nós vamos pra droga da balada sim! Nem vem, você não fez eu me arrumar toda pra nada ok?
–Sabe o que é...
–Não Austin.
–Mas Ally...
–Tudo bem, se não vai comigo, eu vou sozinha, mas eu não vou ter me arrumado a toa, não mesmo.- ela fala a caminho da aporta. Droga.
–Epa, tá, tá, eu vou.
–Mas você não tá morrendo aí?
–Eu não vou deixar você desse jeito- aponto para ela- por aí com um monte de tarado, humhum.- pronto, falei. Ela me olha com um olhar divertido novamente.
–Assim?- repete meu gesto- Não entendi, desculpa.
–Ah Ally, não me tira a paciência, vamos logo.
Ela solta uma gargalhada gostosa de ouvir.
Ally
Depois do pequeno chilique de Austin, ele nos leva até a boate South Beach, uma ótima escolha pra quem quer se divertir como nós queremos.
Depois de uns vinte minutos conversando sobre a casa nova na fila, entramos no lugar que a mais ou menos um ano não frequentávamos.
Eu particularmente amo esse lugar, é amplo, tem dois sofás enormes em forma de T e o bar serve o que existe de melhor.
Seguida por Austin vou direto ao bar, se queremos mesmo nos divertir, temos que começar com algo forte.
–Me trás duas das mais fortes que tem aí- falo para o barman e ele sorri, indo preparar.
–Ei, vai com calma aí louca, alguém aqui tem que voltar dirigindo pra casa.- Austin fala me desaprovando.
–Ah qualé Moon, podemos voltar de táxi, relaxa tá legal? nada de preocupação por hoje- falo enquanto o barman nos entrega uma bebida azul, martini blue, acho.
–Vem- puxo o loiro para a pista de dança quando começa uma música bem agitada.
Começamos a dançar, e beber mais, e mais, bom, eu. "Alguém aqui precisa voltar dirigindo, e esse alguém com certeza não vai ser você'' foi o que Austin disse quando eu lhe recomendei que bebesse mais, "careta" foi a minha resposta.
Quando tudo está começando a melhorar e Austin está começando a se soltar mais, alguém que eu estou aprendendo a odiar cada vez mais aparece. Kira.
Ela e Austin começam a conversar enquanto bebem e é minha vez de ser responsável. Vou ao bar e peço uma água com gelo afim de passar um pouco o enjoo que começo a sentir, sempre sem tirar os olhos do casalzinho. Austin vem até onde eu estou, mas pelo outro lado, e pede mais bebida. Ele me vê e vem até mim.
–E aí- fala um pouco alto para que eu escute.
–Oi, vejo que encontrou uma amiga- falo e até eu percebo o sarcasmo na minha voz.
–Pois é -ele a olha com os olhos... brilhando? Ah não.
A sua bebida chega e ele a levanta dizendo:
–Ah nossa diversão -e sai. Dirigir né?
Não demora muito para que os dois comecem a se pegar e por algum motivo isso me irrita, ou anima, não sei, só sei que vim pra me divertir e não vou ficar servindo de plateia pra ninguém. Peço uma bebida mais forte e vou para pista de dança.
Conforme a bebida vai fazendo seu efeito, eu vou me soltando. Fico com um cara ou dois... Não sei, sorriu com isso. Não me orgulho nem nada, mas foi pra isso que vim não foi? Me divertir... Meu consciente me diz que eu só fiz isso por que nesse momento Austin está se pegando com alguém que não é a Kira- talvez eu não a odeie tanto agora- e no fundo sei que ele tem razão.
Talvez esteja acontecendo alguma coisa... Desde que o loiro chegou ele está tão... diferente, ou sou eu? O que eu sinto por ele mudou? Dou uma boa gargalhada com isso enquanto afasto o cara com quem eu estava dançando, não, definitivamente não, é só o Austin. Mas tenho que admitir pra mim mesma que agora ele me causa sensações bem estranhas.
Enquanto volto ao bar um cara me puxa, um negro muito alto e bonito, mas eu definitivamente acabei por hoje, digo que não e ele parece não entender.
Começa a passar a mão pelo meu corpo e eu o empurro, ele começa a me puxar para um canto afastado. O banheiro, não, ah meu Deus.
–Sai, eu não quero!
–Vem gatinha, não se faça de difícil -fala e eu o empurro mais.
–SOCORRO! -Começo a gritar o que é tremendamente inútil já que está um barulho ensurdecedor. -O AUSTIN VAI TE MATAR! -Olho para onde Austin estava e então me desespero de verdade, ele não está lá. Chegamos ao banheiro e nada de ajuda. Eu já ia acertar seu amiguinho com um chute quando de repente ele já está no chão e Austin na minha frente, em forma de proteção. Tudo acontece muito rápido e já tem uma plateia enorme, até o dj parou de tocar.
Acho a cena engraçada enquanto todo me olham como se eu fosse louca, com certeza é a bebida.
O cara se levanta e recebe mais um soco, e mais outro, Austin não para, -talvez o muay thay esteja sendo útil agora- e eu riu cada vez mais.
–EU DISSE QUE ELE IA TE MATAR!- e riu mais e mais, até um segurança chegar e colocar nós três pra fora, só então percebo que em nenhum momento Austin dirigiu uma palavra a mim, nada de "Tá tudo bem?". Oh droga, ele vai me matar! O cara vai embora com -provavelmente-, medo de apanhar mais, bom, eu teria.
Austin começa a caminhar com muita pressa, o que significa que ele está com muita raiva.
–Ei — o chamo, mas ele parece não ouvir.
–Aus espera! por favor- ele para e me olha, com os olhos em chamas. Me encolho.
–VOCÊ É LOUCA?- grita. Tá legal, a culpa não é minha, ele não tem o direito...
–A CULPA NÃO FOI MINHA! -respondo com raiva.
–AH É? E FOI DE QUEM?
–DAQUELE IMBECIL! EU DISSE QUE NÃO QUERIA NADA, MAS ELE NÃO ESCUTOU E TENTOU ME LEVAR A FORÇA PRO BANHEIRO- as lágrimas chegam bem perto de escapar -talvez pelo que podia acontecer, por ele está brigando comigo, pela bebida está e deixando com uma puta dor de cabeça... Ou por você está com raiva por ele ter ficado com a Kira, e a loira gostosa.–Me lembra meu consciente.- Mas eu as engulo e permaneço forte.
–E VOCÊ ESPERAVA TER MORAL DEPOIS DE TER PEGADO METADE DA BOATE- O QUÊ?
–METADE? NÃO MESMO! E MESMO QUE FOSSE, PELO MENOS EU NÃO FIQUEI ME PEGANDO COM EX NENHUM! -jogo na cara o que tava entalado, toma essa Moon!
–E PREFERIU FICAR COM QUEM NEM CONHECIA?
–MELHOR DO QUE PEGAR MINHA "EX" VADIA -falo sem tentar desfarçar o sarcasmo.
–NÃO FOI ELA QUE AGIU COMO VADIA! -ele cospe as palavras que são o suficiente pra fazer com que as malditas lágrimas escapem, o olho horrorizada.
–É isso que você pensa de mim? -falo quase sussurrando.
–Não Ally- ele passa a mão pelo cabelo, -me desculpa, eu não quis dizer isso, me perdoa, por favor, foi a bebida...- Agora vem se arrepender!
–A bebida uma ova! -falo e vou em direção aos táxis.
–Ally, para com isso, por favor, você sabe que não foi isso que eu quis dizer.
–Mas foi o que disse. -falo enquanto limpo a última lagrima que vou derramar por essa merda toda.
–Ei -ele me puxa fazendo com que eu vire depressa a bata com tudo no seu peito. Ele levanta meu queixo com a mão para que eu o olhe nos olhos e eu viro a cara- olha pra mim- fala e eu não consigo não olhar. -Me perdoa, por favor, eu fui um idiota, eu só estava com... Ciúmes- ele arregala os olhos, uma revelação para os dois. -é, ciumes- ele repete a palavra, se acostumando com ela.
–O quê?
–Ciúmes Ally, você estava lá, toda gostosa com um monte de caras ao seu redor...
–Por quê?
–Por que você tava toda gostosa? eu não sei, não precisava se arrumar tanto e...
–Por que estava com ciúmes Austin?- refaço a pergunta agora da maneira certa.
–Não sei.-ele fala quase sussurrando
–Eu também estava. -revelo e ele arregala os olhos.
–Por quê?
–Eu não sei- repito da mesma maneira que ele falou.
Só então me toco que estamos perto, muito perto, perigosamente perto... Ele inclina a cabeça para chegar mais perto e eu inclino a minha para cima, fecho os olhos e estou pronta para um beijo tão esperado e desejado quando escuto um frio:
–Não. — Puta merda, eu levei um não, assim, na lata, e do Austin, onde eu enfio minha cara? Olho para o ele e seus olhos estão cheios de angustia, traindo sua fala.
Sem perguntar por que ele vem fazendo isso comigo e agora me diz um não assim, na lata, apenas balanço a cabeça, concordando. Não digo nada por que não consigo mesmo, e saio.
–Ally? -ele me chama com a voz cheia de... dor? e eu o olho.
–Me desculpa, de verdade. Aqui.-ele me dá a chave do carro e eu a pego, volto a andar, agora sem olhar pra trás, com um ''não'' ecoando na minha mente e lágrimas ameaçando cair.
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