Just... Do Something
1 ... and that will change something too.
Notas iniciais
EU FINALMENTE ENTREI DE FERIAS! (estarei ouvindo um amém irmãos??)
Férias até final de agosto - pk eu ainda vou trabalhar mas enfim, n se preocupem
Há tempo para amar, Há tempo pra descansar, Há tempo pra escrever fanfic!
Essa one eu começei faz uns meses, eu n terminei ela.
Eu meio que me inspirei em Thrity Reasons Why, ent eu quero que vcs leiam com atenção e lá em baixo a gente fala okay? Eu espero que vcs gostem...
Essa one é dedicada à Liids River, aqui tem sua one de aniversário viu? sei que demorou mas está aqui.
Eu demorei pk vc sabe como eu sou.
Se n tiver um pedacinho de mim aki, ent n eh uma one k eu keira postar... então sim, eu passei por algumas coisas estão por aqui... e eu sei que por vezes apenas precisamos de sentir que alguém está por perto....
Você já ouviu falar do efeito bola de neve?
A conduz a B que conduz a C, que conduz a n.
Porém, n é falso, logo A é também é falso.
Isso é a vida de um adolescente… histórias que levam a histórias que levam a outras histórias… Porém, são apenas isso, histórias.
Distorcidas e desfocadas da verdade. Da verdadeira verdade.
Então me deixe contar como um acontecimento A, levou ao acontecimento B, ao C, e por fim ao n…
Eu prometo que você vai refletir no final desse relato aqui…
Que vai olhar para as pessoas que estão passando ou já passaram por isso aqui.
Que vai pensar duas vezes se deve ou não fazer aquilo que está fazendo ou fez alguma vez.
Afinal, ninguém é completamente inocente na vida social adolescente.
Nós sempre queremos participar em algo que nos faça sentir parte de alguma coisa maior… nem que para isso a gente tenha que inventar historinhas bobas sobre os outros correto?
Vamos… se acomode aí… algures no sitio em que está lendo isso.
O meu nome é Percy Jackson, e a história começa como qualquer outro conto adolescente começa… na escola, mais precisamente no dia em que a garota loira que sentava do meu lado começou a namorar um dos caras do time de futebol.
***
Annabeth estava sorridente naquele dia.
Eu podia enxergar o sorriso que insistia a enfeitar aquele rosto. Ela estava sentada na secretária ao meu lado… ou quase.
Tinha um corredor a separar a gente.
Secretárias individuais estavam dispostas sobre a sala. Um grupinho de garotas estava na direita rindo para o celular que uma delas tinha em mãos.
Duas garotas estavam mais atrás, falando e rindo de algo que uma delas havia falado.
E nas ultimas filas o grupo maior de 8 rapazes adolescentes simulavam um jogo de Futebol com a bolsa de Rachel Dare, a namorada de um dos caras.
Annabeth Chase estava sozinha, esperando a amiga.
Elas eram o oposto uma da outra. Acreditem em mim.
Conheci Thália Grace na quarta série e mesmo assim não entendo como ela e Annabeth haviam feito amizade.
Duas garotas diferentes, porém, amigas… coisa rara não é verdade?
Não me interprete mal, mas adolescentes tendem a se juntar em grupos que se identifiquem.
Os deslocados
Os Nerds.
Os doidos
Os populares
Aqueles que fumam, aqueles que cantam… sempre é assim.
"Ai Percy Jackson, isso não é verdade!"
Não? Acredite em mim leitor.
Se numa escola houver gente que se identifique, há 98,8% de probabilidade que eles se juntem. Sempre.
As meninas se juntam quase sempre com meninas.
Os meninos do esporte se juntam com meninos do esporte.
Os caras dos livros tendem a se juntar com outros caras dos livros
Preste atenção e verá que tenho razão.
"Mas Percy! Eu e meus amigos somos diferentes e estamos juntos!"
Você me ouviu? Há 98,8% de probabilidade. Quem sabe você faz parte dos raros 1,2% não é mesmo?
Adiante…. Estou me perdendo do foco.
Annabeth Chase e Thália Grace eram melhores amigas.
Pelo menos era isso que eles falavam no Instagram e Facebook.
E eu acredito nisso.
Aturar Thália Grace não é fácil minha gente, acreditem.
Só uma amizade bem forte pode segurar Thália a alguém.
E pelos vistos, esse alguém é Annabeth.
— E aí Grace – ela sorriu ao ver a morena entrando – Estava pensando que não vinha.
— Pensou errado meu amor – ela sorriu – Aliás já faltei demais esse semestre. Não posso passar do limite de novo.
— Finalmente o bom senso está crescendo em você.
— Meu deus! – ela fez uma expressão dramática colocando a mão sobre o peito– Tem razão, será a puberdade?
E elas riam… sempre riam.
Mas então aquele dia chegou.
Eu estava na fila da papelaria da escola. Como eu me lembro disso?
Foi no dia em que meu Smartphone havia sido roubado.
Dia de merda não é mesmo?
Você está esperando na paragem do ónibus, larga o celular no banco da estação por 4 segundos para pegar a carteira e puf, um ser da discórdia corre na sua direção, pega seu celular e vai embora deixando você puto.
Repito: Dia de merda não é mesmo?
Engraçado… quando somos adolescentes, a vida parece que insiste em conspirar contra a gente.
Enfim, onde eu ia? Ah, biblioteca.
Eu estava na biblioteca indo fotocopiar um molho de fichas e exercícios que Professor Xavier havia pedido.
Eu não entendia aquele homem.
Ele era grosso, um pouco rabugento e irónico.
Mas comigo? Ele era… simpático? Sério, acreditem.
Ele puxava por mim, mais do que puxava pelos outros.
Sorria para mim e me dava conselhos quando me pedia para falar comigo sobre “o quanto a escola entende sua situação”.
Ás vezes isso me deixava com raiva. Lá porque meus pais haviam se separado, não quer dizer que tudo o que eu faça tenha haver com isso.
Acredite em mim.
Adultos não sabem como nos entender.
— O que ele viu nela? – as meninas na minha frente comentavam olhando para o celular que uma delas tinha na mão – O que Luke viu nela?
— Annabeth Chase nem é tão bonita assim – uma delas comentou.
Discretamente me aproximei delas.
— Ela hoje chegou no carro dele – a mais alta comentou de novo olhando para a outra.
— Sério?
— Sim, Martha me contou que eles ficaram naquela festa de há semanas.
— Será que Lily sabe disso? – a outra questionou sacando o celular.
Annabeth estava com Luke? Resposta: Estava.
Casal sensação! por pelo menos 1 semana.
Annabeth e eu eramos amigos. Pelo menos quase isso.
Foi no verão, eu estava procurando um trabalho para ajudar no pagamento da minha carteira de motorista. Então eu comecei trabalhando no MC’Donalds da cidade.
Bem legal não é? Não. Sabiam que maioria dos assaltos ocorre no Mc’Donalds? Então se você preza sua vida, por favor, não trabalhe em um.
Só o cheiro é nojento.
E adivinha quem trabalhou lá depois? Isso mesmo, Annabeth Chase.
Só pelo nome Annabeth Chase dá pra entender que não pertence a um MC’Donalds não é? Ela entrou um mês depois de mim.
E ainda hoje eu não sei se isso foi bom, ou mau.
Uma garota como ela aguentando aquele cheiro? É crime.
— Sempre que alguém entrar você sorri, cumprimenta, e pergunta o que quer.
— Entendi – ela garantiu.
— E você precisa ser educada, mesmo que sejam rudes.
— Sério?
— É eu sei, mas acredite, as pessoas não importam se estão sendo rudes ou não, desde que você seja simpática.
— Nossa – ela me olhou indignada – já aconteceu isso com você?
— Bem mais que eu gostaria – sorri. Passei por ela indo até há pequena maquina de refrigerante – O botão está quebrado por isso, não aperte com força. Quando vir que faltam poucos litros para o suco acabar, me chame eu vou trocar.
— Entendi.
— Você aprende rápido — comentei.
— Sou autodidata – ela sorriu. E eu lembro que fiquei me perguntando como raio um grupinho de células acabou virando aquele sorriso. Acredite, tem pessoas que foram abençoadas pela genética, e Annabeth era uma dessas pessoas.
— A caixa registadora é ali, o balcão aqui, banheiro ali.
— Okay – ela disse olhando em redor com um sorriso confiante – Estou pronta.
—Bem vindo ao inferno! – gargalhei.
A gente ficou meio que amigos.
Na escola raramente falávamos mas sempre tínhamos assunto no emprego.
— Você soube daquela história do Mat? – ela perguntou.
— Matt Wilson? – questionei quando estávamos saindo da aula de Espanhol da senhorita Norton. Annabeth estava com o cabelo atado num rabo de cavalo e usava umas jeans rasgadas que lhe ajustavam às pernas finas juntamente com uma camiseta preta com o sibolo dos Artick Monkeys estampado na frente. Acho que ela gostava de andar desse jeito.
— Eh, estão falando que ele foi pego pelos colegas aos amassos com um cara. – ela riu – será verdade?
— São boatos – eu falei – com certeza.
— Como você sabe?
— Maioria do que corre nesses corredores – apontei para trás com o polegar – são sempre boatos.
— Há mas podem ter um fundo de verdade. – ela chutou.
— Se você o diz.
— Bem vou pro corredor 3, tchau Percy.
— Tchau Annabeth.
— Nos vemos mais tarde no Mc.
— Estarei lá.
E terminava assim.
Quase sempre.
Eu tinha meus amigos, ela tinha os dela. Então nosso tempo dentro da escola era afastado maioria das vezes. Apenas tínhamos uma ou duas aulas juntos.
Semanas foram passando, trabalho e escola se acumulando e simplesmente estava tudo igual ao antes.
Ou quase…
Eu havia entrando na sala primeiro que todo o mundo naquela manhã.
E é aqui que tudo começa.
Acontecimento A… ou talvez seja o 0.A, calma eu já vou explicar.
Tudo a seu tempo.
Eu me sentei na minha secretária. Estava frio naquela manhã, eu lembro porque a mãe de Grover havia me dado carona naquela manhã pra não pegar um resfriado.
Triste vida de quem tem que ficar esperando 1 hora pelo ónibus.
Eu estava mexendo em meu celular, vendo os snaps gravados por alguém aleatório, quando um grupo de garotas entrou aos sorrisos.
Elas se sentaram atrás de mim, falando sobre tudo sem se preocupar se o cara que estava na frente podia ouvir.
Adolescentes… possuidores de um espirito critico destruidor.
— Ele namora ela? – a voz feminina preencheu.
— Sim, ele postou foto com ela no instagram— ela disse. Eu pude ouvir ela desbloqueando a tela do celular.
— Nossa. Isso foi quando?
— Esse fim de semana – outra respondeu. – Acho que os dois chegaram na escola hoje juntos.
— Luke trouxe ela?
— Sim – a menina comentou – Sam viu ela saindo do carro dele quando estacionou no parque da escola.
— Hey Percy – uma delas me tocou no ombro me chamando.
Olhei pra trás, tirando meu fone do ouvido – Eu?
— Você não trabalha com a Annabeth? Annabeth Chase do 11º C?
— hmm… Sim.
— Ela não te falou que namora com o Luke? Ela comentou sobre isso com alguém?
— Não comigo – respondi – porquê?
— Você não soube? – ela me questionou. Pegou no celular de Cassie Andrews e encostou a tela no meu rosto. Luke Castellan havia postado foto com uma menina loira familiar bebendo café ao seu lado. Havia apenas na legenda um coração vermelho e #moments.
Pessoas de hoje não sabe legendar foto sem ser com jogo da velha na descrição de algo não é mesmo?
#OldSchool.
— Viu? – ela me encarou – Estão namorando.
— Bom pra eles – respondi – Quer dizer, normal isso acontecer não?
Ela me olhou com um cara estranha, como se um terceiro braço tivesse crescido em mim naquele momento. Se virou e continuou comentando o quanto a relação de Luke era assunto daquela semana.
Eu não estava nem aí.
Realmente não estava...
Eles não estavam namorado oficialmente.
Acho que eram apenas amigos, ou então estavam saindo apenas. Eu vi Annabeth com ele algumas vezes na escola enquanto os dois falavam ou sorriam.
Mas eles estavam apenas saindo. Ela havia confirmado isso.
— Então? – eu perguntei enquanto vestia meu avental amarelo com um M vermelho marcado no peito e um chapéu igualmente idiota – Ouvi dizer que você e o Luke Castellan estão namorando?
Ela me olhou, enquanto retirava o dinheiro da caixa registadora – Ah, não é bem assim, estamos apenas saindo.
— Humm.
— Onde estão os sacos? — ela perguntou.
Apontei pro armário ao fundo de onde retirou um rolo de sacos de papel os colocando em cima da bancada.
— Então você e o Luke? Estão se dando bem?
— Sim – ela disse dando um sorriso radiante – ele é um cara muito legal.
— Okay.
— Hmm esse sorriso – brinquei, ela me voltou a olhar corada.
— Ah deixe disso Percy.
—Só tenha cuidado.
— Cuidado?
Eu a olhei, a observando.
— Nada… esqueça o que eu falei.
— Percy-
— Deixa estar – sorri – são idiotices minhas. Vá. Vamos abrir já está na hora.
Mal sabíamos que a bola de neve começara a girar nessa mesma hora, quando Annabeth e Luke começaram saindo… ou então quando aquela fotografia começou a circular pelos celulares de todo o mundo nos dias seguintes.
Eu mal havia pousado meu tabuleiro com o almoço nas mesas da cantina.
— Hey Percy – Jason Grace me cumprimentou ao passar por mim. Jason Grace era um garoto raro. Um crânio nas aulas de química, e um jogador furtivo no campo de Basket. Ele sempre fora legal comigo mesmo quando os garotos do time se sentavam ao pé dele nas aulas. A meio do semestre ele havia me escolhido como seu parceiro nas salas laboratoriais.
Algo que eu tenho de agradecer a ele por ter aumentado minha média. Jason Grace também era um amigo chegado do Luke, pelo menos era o que parecia.
Mas a verdade era que eles eram família. E vocês sabem como é ter um familiar na mesma escola que você não?
Você é quase obrigado a se dar bem com ele.
Ter família na escola é como ter uma corrente entrelaçando vocês dois. Sempre juntos, sempre amigos, sempre os dois. Raramente você vê dois familiares afastados na escola. Acredite.
Luke Castellan era primo direito de Jason Grace.
Isso fazia com que os dois quase – atenção eu falei “quase” – sempre estivessem juntos. Acho que Jason se sentia maioria das vezes obrigado a isso. Os dois tinham os mesmos amigos, as mesmas equipes, as mesmas aulas. Parecia até que um era a sombra do outro.
Nesse caso, Luke era a sombra (apesar dele se esquecer disso às vezes).
— Quer sentar com a gente? – Jason sorriu apontando para a mesa os alunos de química conversavam animados – Eles são legais acredite.
— Obrigado mas eu vou ficar por aqui.
— Tudo bem – ele sorriu se afastando.
Eu não tinha nada contra eles.
Eu simplesmente gostava de estar no meu canto.
Eu não era o “excluído”, longe disso… eu estava mais para “invisível”.
Não é algo mau, acredite. 60% dos alunos daqui, estão nesse grupo também.
Nós estudamos, conversamos e participamos. Mas não fazemos a diferença para ninguém aqui.
Eu pousei meu tabuleiro de novo na mesa vazia. Retirei o livro de Matemática e meu caderno me preparando para terminar os exercício de cálculo que teria que entregar aula a seguir.
Quando os telemóveis começaram a tocar um a um, e logo o meu também estava.
Todos interromperam as conversas para checar o que se estava acontecendo.
As “polimensagens” – como Nico as chamava – não era algo incomum.
Sempre tinha uma dessas todas as semanas.
Se não era sobre alguma fofoca a respeito de alguém, era uma foto de algum menino com a cabeça enfiada na privada da escola.
Mas pela primeira vez nesse semestre, era sobre outra coisa.
As garotas começaram a rir descontroladas. Os garotos gritaram eufóricos como se a equipe da escola tivesse marcado ponto nesse mesmo momento. Alguns sussurravam entre si olhando para as telas dos celulares que tinham na mão, enquanto outros apenas se mostravam surpresos abrindo a boca num “O” como se acabassem de ter visto as partes intimas de alguém.
E era exatamente isso que a foto retratava.
As partes intimas de uma garotas por debaixo de um vestido.
E não era preciso conhecer a modelo pra saber quem era.
Porque maioria nunca havia falado com ela… mas esse é o preço de se ser famoso, todos sabem quem você é… ou julgam saber.
Annabeth Chase fora alvo de piadas naquele dia.
A foto tinha sido compartilhada através de uma corrente pelo Wats e Snapchat na qual Luke Castellan havia partilho com dois amigos.
Outro pormenor de Adolescentes: Nós partilhamos tudo... e isso nem sempre é uma coisa boa...
E foi nesse dia que se deu o acontecimento B.
O dia em que a bola de neve dobrou de tamanho…
***
Os pais de Annabeth Chase foram chamados à escola uma semana depois.
Mas isso foi depois do acontecimento C… e esse aqui foi o que desencadeou tudo o resto. Tudo mesmo.
Foi quando eu percebi que tudo tava saindo fora do controle
— Quando vamos fazer aquela partida de RPG? — Nico perguntou do meu lado.
— Hoje à noite? Minha mãe vai fazer horas no Hospital — sorri continuando a caminhar pelos corredores. Nico era uma das poucas pessoas com que eu realmente eu confiava. Todos viviam dizendo que eu e Nico era a cara um do outro.
Nós discordávamos obvio. Outra coisa que adultos não sabem: Parecenças. Eles não sabem identificar parecenças- Acredite eles sempre te acham parecido com alguém que não é nem 1/3 semelhante a você.
É estranho não? É como se achassem semelhanças entre um cabide e um cadeira. Nada haver.
— Beleza então... Hey — a mão de Nico encostou no meu ombro — Que se passa ali?
Automaticamente os meus olhos se dirigiram para onde nico apontava com o indicador. Um monte de alunos se ajuntava no corredor observando algo enquanto riam e cochichavam. Nico foi o primeiro a se esgueirar por entre eles. Eu apenas o segui.
Vantagem de ter amigo pequeno: ele consegue te abrir caminho quando você mero humano de 1 metro e 75 não consegue passar.
Ser pequeno é um dom que eu mais admiro em Nico.
ao inicio eu percebi nada do que estava se passando. Foi apenas quando Nico fez sinal pra o motivo das risadas todas. Um dos armários havia sido vandalizado. Várias embalagens de camisinhas usadas foram colados sobre a porta do cacifo enquanto a palavra "Vadia" estava escrito a batom vermelho bem marcado.
E foi quando ela apareceu.
Annabeth Chase encarou a cena horrorizada. Todos riam e tiravam fotos enquanto a garota observava aquilo triste e desesperada.
"Hey amor quer me ligar?" — alguém gritou por entre o montão de pessoas. "Quanto leva a hora?"
Annabeth caminhou até à porta do armário contendo as lágrimas. Abriu o cacifo pegando em dois dos seus livros, e saiu enquanto as gargalhadas ainda percorriam os corredores
E isso foi o inicio do acontecimento C... mas calma, não termina aqui, nunca termina
Lembra do que eu falei? Que Ninguém é inocente na vida social adolescente?
Eu sei que vocês vão me odiar depois disso… até eu me odeio agora…
Annabeth Chase era agora o assunto do momento. E isso vem com uma consequência, sempre vem.
Quando você é o centro das atenções por coisas boas, todo o mundo quer estar próximo de você.
Porém, quando você é o centro das atenções por coisas ruins, adivinha? Isso mesmo… ninguém quer estar próximo de você… e você fica sozinho.
Sem ninguém… e esse foi o acontecimento C de Annabeth Chase.
Ficar sozinha…
Eu estava saindo da sala logo após o toque das Onze. Só mais uma aula e tudo acabaria.
Pelo menos essa semana…
— Percy – Nico me chamou – Eu vou ao bar, vem comigo?
— Vai andando, eu só vou trocar os livros para a próxima aula. – eu falei.
— Tudo bem! – ele se afastou correndo.
Nico era assim mesmo.
Uma correria bagunçada. E talvez era por isso que ele era meu amigo.
Porque ele era uma bagunça.
Lembra do que eu falei? Que, adolescentes tendem a se relacionar com adolescentes que se identifiquem? Exato.
Eu me identificava com Nico.
Apesar da mesma idade, Nico era muito mais bagunçado que eu… isso e todos os gostos que tínhamos em comum.
Assistíamos as mesmas séries, e ouvíamos a mesma música.
E querem saber? Eu acho que isso era o menos na nossa amizade.
Era mais profunda que isso… era mais que gostos e bagunça. Era algo que nem mesmo eu sabia.
Eu caminhei até ao meu armário. Quando vi a morena conversando com ela.
E se preparem esse é final do acontecimento C…
O acontecimento que mais abalou Annabeth Chase.
— Você quer vir comigo? Podíamos beber um capuchino e ir-
— Melhor não Annabeth – Thália respondeu retirando a mala do armário – Eu vou para casa.
— Ah… tudo bem.
Foi a primeira vez que eu a vi com aquela expressão ao pé de Thália.
Annabeth sorria, gargalhava, ria sempre que estava com a morena por perto.
Ver ela com aquele olhar... não parecia certo.
Aquele comportamento de Thália… também não parecia certo.
Nada parecia certo agora…
— A gente se vê depois sim? – a morena falou nem sequer a olhando nos olhos.
A essa hora o corredor estava quase vazio.
Ninguém estava prestando atenção em mais nada agora.
Só eu.
— Será que a gente se vê? – Annabeth sussurrou para ela.
— … Não sei – Thália a olhou ao fim de un segundos – Não sei mesmo.
— Você está diferente comigo… não perceb-
— Não percebe? – A Grace a olhou num gesto fixo – Não percebe? Uma coisa é você ir ao fundo outra é você me levar junto ok? Não está sendo fácil para mim sim?
— E acha que para mim está? – Annabeth rebateu limpando discretamente uma lágrima que lhe caía pelo rosto – Você acha que é fácil ouvir a escola comentando sobre você?
— Annabeth não torne isso mais difícil do que já é – a morena fechou o armário com força- Por favor.
— Deixa – ela riu sem humor – Pode ir… Não quero que você “se afunde” por minha causa…
— Annabeth não era isso que eu que-… As coisas tão complicadas sim? Não é só você assunto do momento. As pessoas falam de mim também agora. Se você não tivesse se metido com o Luke talve-
— Talvez oque? Eu não era a vadia da estrada? Eu não era o assunto dos corredores? Você não se afastaria? – Annabeth agora chorava dum jeito descontrolado – Eu sei disso tudo okay? Eu sei…
— Me desculpe – a Grace sussurrou virando as costas — eu só… não consigo mais.
E foi embora deixando a loira ali.
Annabeth limpou as lagrimas à manga da sua blusa e olhou em volta me notando.
Vai ficar tudo bem…
Vai melhorar…
Se precisar de algo…
Tudo isso era o que eu queria ter falado no momento.
E era isso que Annabeth precisava ter ouvido.
Mas na vida tomamos decisões erradas. E a minha foi ter ficado calado naquele segundo que ela precisava de ouvir uma das três opções acima.
Ela virou costas e saiu… e a bola de neve agora estava num tamanho colossal.
Um tamanho que quando chocasse com algo… destruiria tudo.
E pior disso… eu agora fazia parte dela. Eu fui parte do acontecimento C.
Há tarde não apareceu, e no sábado a mesma coisa.
Aos domingos eu era parte do primeiro turno.
Eu lembro de estar trocando o deposito do refrigerante quando ouvi a porta se abrindo.
— Desculpe nós ainda não abrimos – falei ainda na arrecadação. Ouvi de novo a porta se abrir, e quando cheguei no balcão apenas vi um uniforme dobrado sobre uma das mesas. Me aproximei analisando a pequena plaquinha de identificação. "Annabeth Chase" ainda estava escrito sobre o papel.
E naquele domingo. A Bola de Neve havia começado a colidir com tudo.
Onde A levou ao B, o B levou ao C e agora levou ao N…
O Final da Bola de neve.
***
Passava pouco das 5 da tarde.
E tudo o que eu pensava era em Annabeth. Havia terminando meu turno no Mc havia uns minutos e tudo o que eu queria era pra casa e dormir tentando esquecer o que havia acontecido.
Porque eu sentia culpa.
— Está tudo bem – eu sussurraria pra ela – As coisas vão se resolver.
— Eu estou sozinha – ela iria chorar,
— Eu estou aqui se você quiser falar. Eu não vou a lugar nenhum. Nunca vou deixar você sozinha.
E terminaria comigo a levando em algum lugar.
Porque eu queria ter feito isso.
Queria ter mostrado pra ela que não estava sozinha.
Bufei pegando na chave destrancando o cadeado da bicicleta.
Eu queria me socar, me xingar, me castigar por tudo.
Porque eu devia ter dito algo. Devia ter mostrado que estava lá quando mais ninguém o fez. Eu queria ter estado ao lado de Annabeth Chase.
No momento em que me sentei sobre o assento senti o celular vibrar
Eu juro que já estava farto de mensagens.
Ignorei, pedalando de volta a casa.
O celular tocou dessa vez anunciando a chamada.
— QUE FOI? — resmunguei pegando no celular.
— Percy?
— Quem é?
— Percy, é a Thália— ela falou desesperada.
— Que? Como arranjou meu numero?— eu estava confuso. Que raio se estava passando?
— Percy isso não importa onde você está?
— Saindo do trabalho… mas que-
— Annabeth está com você?— ela parecia assustada.
— Não ela já não trabalha aqui mas p-
— Percy escute. Por favor! Eu acho que ela vai cometer uma loucura Percy!
E foi quando eu senti como se meu coração tivesse parado de bater naquele segundo. Como se eu já estivesse esperando o pior acontecer… o que estava pra acontecer.
— Percy! PERCY FALA ALGO. EU PRECISO QUE VOCE ME AJUDE EU AINDA ESTOU NA ESCOLA POR FAVOR!
— …. Onde é a casa dela? — perguntei sentindo cada molécula do meu corpo entrar em combustão.
Eu pedalava o mais depressa que podia. Eu não me importava se um carro embatesse contra mim ou não. Eu apenas queria chegar lá antes de acontecer aquilo que eu temia que acontecesse.
A casa dela não era longe.
Porém, era o bastante pra me atrasar e não conseguir chegar a tempo de…de…
FOCO PERCY JACKSON FOCO.
Logo cheguei na sua rua.
"A casa dela é a que tem um murinho de pedra em volta do jardim."
Thália contou. Larguei a bicicleta no passeio correndo até à porta.
— Annabeth! – gritei batendo com força sobre a o metal – Annabeth abre a porta por favor.
Silêncio…
Eu estava assustada. Assustado e desesperado. Eu não queria que aquilo acontecesse.
Não queria.
Tentei forçar a fechadura mas a porta estava trancada.
Pensa Percy Pensa…
Caminhei à uma das janelas de vidro da varanda tentando forçar a entrada. Trancada. Sempre Trancada.
Respira… Respira Percy. Está tudo bem lá dentro.
— Annabeth! – gritei mais alto.
E nada de nada.
Por favor que esteja tudo bem lá dentro.
Olhei em volta, procurando algo que pudesse usar. Peguei num dos tijolinhos do jardim preparando a mira.
— Me perdoe Sr. Chase – e o atirei contra o vidro o estilhaçando por completo.
Os cacos de vidros cobriram o chão enquanto eu adentrava dentro da casa.
— Annabeth? Por favor Annabeth fale algo!
Silêncio…
Corri pela casa procurando pela cozinha e sala. Vazia.
Por favor, Por favor não!
Subi as escadas onde várias fotos estavam penduradas sobre a parede. Abri todas as portas dos quartos que encontrava.
— Annabeth! – chamei de novo correndo pelo corredor.
Pensa Percy! Pensa!
Corri até uma das casas de banho.
— Annabeth? – chamei me encostando à porta de madeira branca – Annabeth por favor destranca a porta. Por favor Annabeth.
NADA. NADA DE NADA.
Me afastei uns centímetros me jogando contra a porta arrebentando com a fechadura. E a única coisa que eu vi foi a garota jogada no chão e uma caixa de comprimidos aberta em sua mão.
— Hey garota – chamei abraçando o seu corpo – Olha para mim, hey! Olha pra mim.
Os seus olhinhos se abriram sonolentos — ..P… Per…cy.
— Isso! Hey não durma sim? Vamos olhe pra mim. Eu estou aqui. A cara molhada e os olhos inchados mostravam sinais de choro.
— Per…Percy?
— Sou eu, eu estou aqui – sorri beijando a sua testa num choro que nem eu entendia – Não adormeça os bombeiros estão chegando sim.
— …. V-Você… entrou – ela suspirou se apagando por longos segundos.
— Seu pai não vai gostar do estrago que fiz – ri sem humor.
— Me perdoe – ela chorou baixinho – Eu… pensei que estava…sozinha.
— Você está não está sozinha… nunca esteve. – sussurrei penteando um dos seus cabelos enquanto a garota adormecia no meu colo. – Vai ficar tudo bem sim? Vai ficar tudo bem.
— Promete? – ela sussurrou.
— Prometo... Você nunca vai estar sozinha.
— Nunca? — ela chorou de novo — Nunca?
— Nunca... me perdoe garota... eu agora estou aqui — chorei, ainda com a moça nos meus braços — Não durma... eu estou aqui.
E logo, o barulho das sirenes se aproximou lá fora.
***
— Aqui tem – falei, entregando a embalagem do hamburger para a senhorita na minha frente – São 3 doláres.
A moça me entregou o dinheiro com um sorriso no rosto pegando no pequeno pacote.
— Obrigada – ela agradeceu saíndo com um sorriso no rosto.
Já haviam passado 2 semanas desde que Annabeth havia tentando aquilo.
As coisas pareciam estar se acertando.
Annabeth mudou de escola 3 dias depois. Depois que se soube o que tinha passado todos começaram a agir como se nada tivesse acontecido.
Como se não tivessem falado ou feito nada, e isso me metia tanta raiva...
Aí está outra característica dos adolescentes. Eles fingem se esquecer das coisas pra que não sintam culpa de nada. Mesmo quando a têm.
Annabeth e suicídio virou tabu naquela escola. Assim como todas as mensagens e prints enviados, tudo isso pareceu cair em esquecimento. Vários cartazes de “Stop Bullying” foram afixados nos corredores e vários professores tiraram minutos das suas aulas para informar o quanto “suicídio não é opção”.
Mas estava tudo errado.
Estavam fazendo tudo errado.
Suspirei. As coisas estavam tomando o seu rumo… pelo menos na medida do possível.
Limpei as mesas sujas de migalhas e ketchup, troquei os sacos dos baldes do lixo e voltei a trocar o depósito do lixo.
A porta se abriu ao fim de uns minutos.
— Precisa de ajuda? – A loira sorriu. – Vamos chegar atrasados.
— É só tirar meu uniforme e podemos ir – sorri olhando para a garota na minha frente.
— Você tem 10 minutos – ela resmungou olhando para o relógio do seu pulso esquerdo. – Espero você lá fora.
Me apressei trocando de roupa e retirando o dinheiro da caixa.
— Pronto – anunciei trancando as portas e guardando a chave – Podemos ir.
Ela sorriu.
Aquele sorriso que me faz perguntar como raio um conjunto de células virou a coisa mais perfeita do mundo.
Aquele sorriso.
A Chase me olhou por uns minutos e se aproximou. A sua mão se entrelaçou na minha enquanto a sua boca gentilmente beijou a minha bochecha e sussurrou baixinho – Obrigada.
— Pelo oque?
— Por ter feito algo – ela sorriu ainda com a mão entrelaçada na minha.
Respirei fundo sentindo a maciez dos seus dedos.
Engraçado… eu sentia como se eles se encaixassem perfeitamente nos meus.
— Eu sempre vou fazer algo – sussurrei beijando suavemente a sua testa.
Ela sorriu de novo começando a se afastar caminhando pela rua.
E eu ia seguir ela… porque era isso que ela queria.
Que eu seguisse ela, e estivesse ao seu lado… sempre.
Lembra do que eu falei no inicio? Que esse relato servia para você refletir?
Então se você leu até aqui, e de repente se lembrou de alguém. Então pegue no celular ou vá ter com essa pessoa… porque talvez ela precise que alguém faça algo por ela.
As vezes basta uma pequena atitude para mudar grandes coisas… nem que seja um simples “estou aqui, vai correr tudo bem” …
Apenas faça algo… e com certeza isso mudará algo também.
Notas finais
Eu meti cada pedaçinho meu aqui, e espero que vc goste
Eu sei que muita gente aqui vem reclamar que isso é "romantizado" demais... e talvez seja.
mas essa é a minha forma de mostrar o quão errado o que aconteceu eh.
Dois dos acontecimentos de Annabeth são veridicos.
A "brincadeirinha" do seu armário onde colaram pacotes de camisinhas usadas, que aconteceu na minha antiga escola com uma garota que acabou se matando dias depois.
E o facto de eu ter ficado sozinho quando eu fui "assunto" do momento. Porque é isso que acontece. Quando todo o mundo se vira contra você, os seus amigos se viram tb...
Ent se vc conhece alguem que já passou por isso... ou ent esta passando. Apenas faça algo.
Ou ent se vc eh das pessoas que está fazendo alguem passar por isso, se auto pergunte uma coisa "Como vc se sentiria se fosse com vc?"
E se vc é quem passa por isso... me manda mp que a gente vai falar sobre isso viu? Eu tou aqui caso queiram conversar, nem que seja pra desabafar e meter todos os medos ca pra fora.
Eu tou aqui...
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