Just Another Case

1 Casas Antigas São Um Problema


San Antonio, Texas.

12/fevereiro/2012.

O céu estava azul e límpido. Se via claramente pelas janelas que haviam naquela sala. Uma era grande e ficava atrás do sofá – e logo ao lado da porta da frente – as outras na verdade eram dois pequenos vidrais. Era uma tarde sonolenta, de pássaros cantando ao redor da casa, mas nem isso tornava o clima naquela casa mais leve. Era uma casa antiga. Muito antiga. E muito grande. Grande demais para alguém viver sozinho nela. E na verdade, era uma daquelas casas antigas que por fora parecem um castelo e por dentro, um labirinto – para os desatentos que entram nela pela primeira vez. Não é de se admirar com o tamanho, ela foi construída e aumentada geração pós geração para abrigar, de uma forma confortável, famílias de numerosos membros. Mas a casa sempre pertenceu a mesma arvore genealógica. Uma família antiga e tradicional. Seu último morador foi Paul Danniels, que morreu há pouco mais de dois anos, deixando-a fechada por todo esse tempo. Mas já não estava. Há poucas semanas a neta do mesmo havia se mudado para a casa. Muito pouco se sabia sobre ela, mas algumas de suas decisões já estavam dando o que falar.

Ela queria derrubar parte da casa.

Uma grande reforma. Um grande recomeço para as duas. Mas a casa era considerada um patrimônio pela população. A casa cresceu com a cidade. E alguns protestos haviam começado por conta disso. Mas já era decisão tomada. Não que ela não tivesse algum receio de derrubá-la. Ela tinha. Embora nunca tivesse estado ali – nem mesmo quando criança, seus avôs tinham uma péssima relação com seu pai – ela sabia que aquelas paredes guardavam tantas histórias que ela nem sequer podia imaginar. Mas uma casa tão grande era desnecessária. Era hora de renovar. Por mais que tal pensamento fosse egoísta de certa forma.

— Uma obra assim pode afetar a estrutura da casa. — dizia o homem de cabelos meio ruivos, um pouco calvo, um engenheiro de Austin que ela havia contratado. — Mas não é um caso perdido, acho que podemos dar um jeito.

Eles subiam as escadas para o segundo andar. A escada de madeira rangia a cada passo. Construções velhas são assim mesmo. Lá embaixo, nos últimos degraus, uma cadelinha grunhia e latia agitada. Uma Cockapoo de pelagem branca e amarela que parecia não ter gostado muito da presença do engenheiro – o que era estranho, a pequena não era de se importar com visitas. Ela parecia não ter coragem de subir os degraus e permaneceu na sala. Quando os dois chegaram lá encima, uma brisa vinda do primeiro andar passou por eles. A janela grande estava entreaberta, esse era o motivo. Mesmo assim a garota arrepiou-se. Aquela casa era escura e fria, muito fria, e não tinha como não se sentir desconfortavel.

— Bem, eu não vou tomar muito mais o seu tempo. — disse o engenheiro. — Vou fazer umas anotações sobre o estado do secundo piso e depois vou até o jardim ver como está a base.

— Fique à vontade. — ela assentiu.

Não demorou para ouvir a campanha tocando. A cadelinha avançou latindo como era o seu costume, dando sinal de alguém à porta. A garota desceu para atender, deixando o engenheiro a fazer seu trabalho. Três garotinhas estavam em sua porta. Bandeirantes. Traziam cestas de biscoitos para vender. A garota comprou um pacote. Depois disso as três foram embora.

A cadelinha olhava para a escada uma vez a cada minuto. Parecia ansiosa. A garota se sentou no sofá enquanto comia – e compartilhava com a amiga de quatro patas – os tais biscoitos. E esperava a volta do engenheiro. Dez minutos, vinte minutos, trinta minutos e nada, nem sinal do engenheiro. Ele disse que eram anotações rápidas e a garota já começava a achar que ele havia encontrado algum impedimento para a construção.

Quarenta minutos depois a garota decidiu subir.

Tudo estava aparentemente bem, embora aquela casa lhe causasse uma sensação que era bastante incomoda. A escada rangendo como sempre. O corredor meio escurecido, mesmo com o sol brilhando lá fora. Ela não sabia onde o engenheiro estava, na verdade. Quando o deixou ele estava no corredor. Mas não haviam muitas alternativas, alguns dos quartos – como o quarto principal, que era dos seus avôs – estavam trancados. Só um ou dois estavam abertos e ela caminhou até uma das portas. E não precisou ir em outros lugares. Ele estava ali.

E estava morto.

Naquele velho quarto haviam respingos de sangue na parede. Havia uma assustadora razão para isso. No ventilador de teto – que ela julgava nem funcionar mais – havia um fio de aço amarrado a uma das hélices. Logo abaixo o corpo jogado no chão. A cabeça estava do outro lado do quarto.

SUPERNATURAL

Sulphur, Louisiana.

Uma semana depois.

Algum veículo buzinou lá fora fazendo Sam acordar. Sonolento, ele esfregou os olhos e encarou o teto daquele quarto de motel por algum tempo. Logo constatou que ainda era madrugada, o quarto ainda estava escuro exceto pela mínima claridade que vinha da tela do laptop de Dean. O mais novo olhou em direção do mais velho que estava sentado atrás daquela mesa em frente ao computador, parecia estar concentrado no que fazia. Ou melhor, via. Olhou para o lado oposto e notou que a cama de Dean estava arrumada. Ele não havia sequer tentado dormir. Ergueu a cabeça para poder visualizar o relógio. Eram 02:47. E Deus, como ele esperava que Dean estivesse no laptop vendo um vídeo pornô qualquer. Por mais estranho que isso pudesse soar. E soava. Mas não, Sam sabia que não era isso. Depois da morte de Bobby Dean estava obcecado. Obcecado em matar Dick Roman. Obcecado por vingança. A história se repetia bem diante de seus olhos. E depois de todas as perdas, ele não podia deixar o irmão se jogar em um poço de ódio sem fim. Não que não quisesse vingar Bobby, ele queria. Mas não ia deixar o irmão assim. Tinham que dar um tempo de Leviatãs o quanto antes possível.

~~ // ~~

Sam viu o irmão sair de dentro do mercadinho com a cara amarrada e uma pequeno embrulho nas mãos. Ele não parecia lá muito feliz. Foi em direção ao carro que não era o Impala, o que piorava muito o seu humor. Era um carro qualquer que estavam usando por causa dos Leviatãs. Não podiam chamar a atenção. E a Baby chamava. Dean abriu a porta do carro e entrou. O mais novo voltou a encarar a tela do laptop com atenção. Havia ficado no carro em meio a uma pesquisa enquanto Dean ia até lá comprar qualquer coisa para comerem. Não que tivessem muita opção. Bufando, Dean jogou o pacote para o banco detrás do carro de forma meio bruta.

O mais novo voltou a encará-lo.

Dean definitivamente estava com cara de poucos amigos.

— O que foi?

— Cara, eu já estou cheio de passar a banana e água! — disse o mais velho em tom quase infantil. — Eu não aguento mais!

— Relaxa, Dean. Nós não temos outra alternativa. — Sam tinha a voz cansada, havia repetido isso ao irmão umas cem vezes desde que ficou claro que a maior parte das coisas que Dean costumava comer não estava mais consumível.

Não se você não quiser virar gado de engorda dos Leviatãs.

— Eu não vejo a hora de arrancar todas as tripas daquele desgraçado! — se referia a Dick. — Um homem não pode viver sem seu cheeseburger! Eu não posso viver sem o meu cheeseburger!

Dean ás vezes era o rei do drama.

— Olha Dean, sei que as coisas não estão boas agora. — Sam começou. — Eu quero acabar com o Dick tanto quanto você, mas não sabemos por onde começar.

— E o que sugere? — perguntou o mais velho secamente. — Sentar e esperar? Fazer tricô? Jogar no Cara ou Coroa?

— Não. — Sam cortou. — Que tal voltar ao trabalho? Arranjar um caso?

— Já temos um caso. — disse o Winchester. — Matar Dick Roman antes que ele mate o mundo inteiro. Ou melhor, almoce o mundo inteiro.

— Eu sei disso, ok? Mas eu já disse, não temos nada agora. — insistiu o rapaz. — Não vai adiantar ficar nessa fixação e deixar o resto de lado. Já estivemos em situações tão ruins quanto esse e nem por isso ignoramos o resto. Essa sua obsessão não é saudável!

— E quando foi que nossa vida foi saudável? — resmungou o mais velho e Sam revirou os olhos, bufando Dean acabou cedendo. — Diz ai qual é a do caso?

Sam respirou fundo antes de começar a explicar.

— San Antonio, Texas. Há uma semana um homem foi encontrado morto em uma casa antiga. Era um engenheiro contratado para uma obra. Parece que a dona quer derrubar metade da casa. E ao que parece, o homem amarrou um cabo de aço no ventilador de um dos quartos e se enforcou. O mesmo cabo atorou o pescoço do cara e arrancou a cabeça. Não há motivo aparente para o suicídio. — pausou, novamente encarou a tela do computador em busca da notícia seguinte. — Mas não parou por ai. Há dois dias um arquiteto se jogou de uma janela da mesma casa. Também sem motivo. E na queda um caco de vidro acabou cravando no pescoço do cara.

— Ambos estavam envolvidos com a obra. — concluiu Dean. — Alguma coisa na casa não gostou nada da ideia.

— É, pode ser.

— E a casa? Alguém mora nela?

— Não encontrei muita coisa sobre a casa. — explicou Sam. — Ela é antiga. Começou a ser construída em 1861. As terras foram doadas por Jacob Bueno, dono de grande parte das terras daquela região na época. A casa aumentou consideravelmente ao longo dos anos e sempre pertenceu a mesma família. Seu último dono foi Paul Danniels, que morreu há dois anos. A casa ficou fechada até agora. A neta dele se mudou para lá há algumas semanas e parece que a ideia da obra não agradou muito também ao pessoal da cidade. A casa já é considerada patrimônio da cidade.

— Uma casa tão antiga deve ter alguma lenda relacionada a ela?!

— Ainda não sei. Mas acho que vale a pena dar uma olhada. — disse Sam.

Dean respirou fundo. Se fosse em outra época ele nem pensaria duas vezes. Sam e ele faziam isso desde pequenos. Caçavam. Ajudavam pessoas. E já estiveram mais de uma vez a beira do fim do mundo e nem por isso esqueceram dos pequenos casos nos quais esbarravam pelo caminho. Sam esperou alguma resposta, mas Dean não disse nada.

Mas do que isso, apenas ligou o carro e acelerou.

~~ // ~~

Quatro horas mais tarde já estavam em San Antonio. Eis uma cidade cheia de lendas, a cidade mais “assombrada” do Texas. Claro que existem milhões de criaturas malignas em todos os lugares, mas isso as pessoas não sabem. O ponto é que devido a devido a guerra de independência do Texas, San Antonio ganhou fama de capital assombrada e várias fotos e vídeo surgem todos os dias. Então, de certa forma, caçadores são bem recebidos por ali.

Embora a própria população nem saiba disso.

O céu estava azulado e o clima estava agradável. O inverno no sul do Texas não é tão chuvoso ou rigoroso. Não que isso pudesse melhorar o humor de Dean. E já não era só os Leviatãs. Era tudo. Saber que algo nele estava errado. Mas não era o momento para reflexões pessoais. Se Dean Winchester entrada em uma caçada, era para não restar nem uma célula da caça para contar a história.

Não foi difícil descobrir o endereço da casa. A casa era até bem famosa. Eles disseram a alguns garotos na entrada da cidade que eram de um jornal e queriam fazer um artigo sobre a casa que ia ser derrubada. Eles prontamente ajudaram, indicaram o caminho. E a casa ficava bem mais longe do que eles imaginavam. Ficava em uma área afastada do centro. Uma área mais rural. E de uma paisagem bela. Sam e Dean ficaram pasmos ao chegarem a casa. Era um enorme casarão ao estilo texano. Haviam muitas arvores em todo o jardim, entre elas, um carvalho de raiz grossa logo ao lado da casa. Os dois estacionaram o carro atrás de um outro carro – um Landau branco e vinho – estacionado também em frente à casa. Essa por sua vez tinha a fachada acinzentada. Deveria não ver uma tinta há anos.

— Vamos usar isso da cidade ser assombrada. — sugeriu Dean. — E dizer que vamos fazer uma matéria sobre as construções antigas e já damos uma olhada na casa.

Dean estava passos à frente do irmão, iam em direção a casa.

— Acha que isso vai funcionar? — Sam franziu a testa.

— Eu sei o que eu faço, irmãozinho. — o mais velho sorriu de canto, chegando à porta e batendo de leve.

No mesmo instante um cachorro começou a latir dentro de casa. Não era o tipo de latido de uma fera sanguinária, com toda a certeza. Mas de qualquer forma Dean odiava cães. Sam não estava ao seu lado agora, ele estava passos mais atrás. Bem mais atrás. Sam observava com atenção tudo a sua volta, ao redor da casa. Havia uma possibilidade de ser bruxaria, afinal o pessoal em San Antonio não estava contente com a reforma. Mas a paisagem ali era bela e natural, nem de perto parecia com as casas que costumavam ser assombradas.

Claro, isso se generalizarmos.

A porta se abriu segundos depois. Uma garota ergueu a sobrancelha encarando Dean pela fresta da porta. Logo atrás dela se escondia um curioso e pequeno cachorrinho. A garota tinha cabelos escuros, longos e lisos. Olhos também escuros. Pele de porcelana, traços delicados. Usava uma saia bordô – que era toda enfeitada com pequenas cruzes douradas – e uma blusa da mesma cor, feita de lã fina. Coturnos pretos, surrados. E algumas bijuterias.

— Pois não? — perguntou, encarava-o atentamente.

— Boa tarde, nós somos... — mas Dean não terminou a frase.

O olhar da morena parou em Sam no segundo em que ele se aproximou de Dean. Algo no olhar dela mudou drasticamente. Estava surpresa.

— Sam? — ela estreitou o olhar.

Dean virou-se para o irmão imediatamente e encontrou-o boquiaberta. Ambos estavam pasmos. Dean por não entender como ela conhecia o irmão. Sam por reconhecê-la.

— Lisa? — ele disse também surpreso, quase não podia acreditar.

— Não acredito! Sam Winchester?! É você mesmo?

Ok, ela não sabia só seu nome. Sabia seu sobrenome. Era mais um motivo para Dean ficar mais curioso.

— Vocês se conhecem? — ele perguntou.

Aliás, isso era óbvio.

— Nos conhecemos em Stanford. A Lisa fazia História. — explicou, Dean alternou o olhar entre os dois que se encaravam com um sorriso fraco. — Éramos muito amigos.

— Eu não sei se te abraço ou te dou um soco! — ela disse indo em direção ao rapaz, abraçando-o. — Porque não me deu notícias, Sammy? — baixou o tom. — Eu fiquei preocupada! Meu Deus... Achei que você tivesse feito alguma besteira depois da...

Ela suspirou e se deteve. Era fácil adivinhar o restante da frase. Depois da morte de Jessica. Separaram o abraço e Sam a encarou com um meio sorriso. Era tão estranho olhar para ela depois de todos esses anos, de tudo o que ele passou desde então.

— Eu sei. Eu devia... — ele também suspirou relaxando os ombros. — Me desculpe.

Ela balançou a cabeça de leve. Nem conseguia explicar o que sentia ao ver Sam de novo depois de tanto tempo. Ele foi a primeira pessoa que ela conheceu no campus, e ela igualmente. Amizade imediata. Demorou alguns segundos encarando-o.

Dean pigarreou, o que a tirou do transe.

— E você agora mora aqui? — Sam perguntou quebrando o silencio. — Pensei que os seus pais fossem de Austin...

— É uma longa história. — ela coçou o pescoço, sem jeito. — Vamos entrar e você aproveita e me diz o que tem feito e o que vocês dois fazem aqui?!

Sam balançou a cabeça positivamente. Por um breve instante os irmãos se encararam, mas não disseram nada. Ela caminhou para dentro da casa seguida por Dean. Sam logo atrás. E como já esperavam, a casa era tão grande por dentro quanto era por fora. Pelo menos a sala atendia as expectativas. A pintura já não estava boa, estava descascando. Havia uma janela grande cuja cortina se balançava por causa de uma brisa leve que soprava uma vez ou outra. Na parte oposta da sala havia uma velha escada de madeira rustica que levava ao segundo andar. Haviam algumas portas que davam para outras partes da casa também. Na sala existiam estantes – algumas com livros, outras com fotos ou enfeites – e alguns sofás, uma mesinha de centro e um carpete que não era tão grande quanto a própria sala.

— Ia esquecendo de me apresentar... — disse Dean ao entrar, estendeu a mão para a garota em cumprimento. — Sou Dean Winchester.

— Dean, o irmão mais velho. Seu irmão me falou muito de você. — comentou Lisa.

— Espero que bem. — o mais velho disse de um jeito brincalhão.

— Claro. — ela sorria. — Ah, e eu sou Monalisa Castellan. Pode me chamar de Lisa se quiser.

— Monalisa? — Dean abriu um sorriso maroto, descarado. — Como a obra de arte?

Sam se mexeu desconfortavel. Não faziam cinco minutos que eles haviam se conhecido e Dean já estava cantando ela?

— Cara, isso para mim seria um insulto. — uma voz surgiu logo atrás de Lisa, uma voz feminina. — Aquele troço é feio que dói. — se referiu a pintura de Da Vinci.

Dean a acompanhou com o olhar. Sam e Lisa também, mas Dean prestava um pouco mais de atenção. A garota era ruiva. Pele clara, com algumas sardas. Expressões bem marcadas. Seus olhos eram esverdeados. Ela não parecia tão delicada como Lisa. Sua calça era de couro – preta, com a jaqueta combinando – e usava uma blusa colorida por baixo. Um par de coturnos pretos, relógio de pulso e anéis extravagantes.

— E você é....? — Dean indagou. — Outra amiga do Sam da faculdade, eu aposto!?

Antes que Sam respondesse a garota negou com a cabeça.

— Não, não. — ela estendeu a mão em cumprimento aos dois. — Mas muito prazer em conhecê-los. Sou Megan Olson. Ou Meg, tanto faz.

— Prazer Meg. — disse Sam. — Eu sou Sam Winchester e esse é o meu irmão Dean.

— Ah, e essa é a Sandy. — Lisa apontou para o agitado cachorrinho que Sam logo se abaixou para fazer carinho.

— Engraçado... — a ruiva comentou com os olhos presos nos Winchester. — Acho que conheço vocês?!

— Conhece a gente? — Dean indagou.

— Eu não sei de onde, mas não me são estranhos. — ela cruzou os braços.

Sam e Dean ficaram tensos no mesmo instante. Eles já haviam virado noticia por ai – e não de um jeito legal – como fugitivos, assassinos e mais um monte de coisas que não eram verdade, claro. Mas vai explicar isso a um civil...

— Talvez esteja nos confundindo com alguém. Não somos daqui. — disse o mais velho.

— São do Kansas. — disse Lisa se metendo na conversa, seu olhar ainda estava preso em Sam. — Eu ainda nem posso acreditar que... — suspirou. — O que vocês fazem por aqui?

— Nós, ah... — Sam titubeou.

— Nós viemos por causa da sua casa, na verdade. — Dean respondeu.

Sam encarou o irmão brevemente. Não estava muito feliz com a mentira. Ele não queria mentir para ela, mas não havia outra saída.

— Minha casa? — Lisa estreitou o olhar.

— Bem, é para uma revista. — continuou Dean. — Sendo a sua casa uma construção antiga, ela faz parte da história de San Antonio. Queremos fazer uma matéria.

Lisa olhou para o mais novo surpresa.

— Não imaginava que você ia acabar trabalhando para uma revista.

— Ah, não. — Dean corrigiu antes que o irmão a respondesse. — Eu trabalho. Sam só está me acompanhando.

— Hum... — sonorizou ela. — Então entrem e sentem-se. Conversamos um pouco, mas infelizmente... — ela se deteve enquanto os quatro caminhavam até os sofás.

— O que foi, Lisa? — Sam indagou.

— Não temos muito tempo.

— Se você está ocupada, voltamos outra hora. — Dean disse prontamente.

Monalisa e Megan trocaram um olhar expressivo.

— Não. — disse a morena. — Não é isso. É que... — novamente se deteve.

— Talvez não seja bom vocês ficarem aqui por muito tempo. — explicou Megan.

Dean franziu a testa enquanto Sam tentava entender a velha amiga, observando-a com muita atenção.

— Como? Não entendo... — comentou Dean.

Monalisa desviou o olhar de Sam e parou no mais velho.

— Você deve ter ouvido falar nas mortes que aconteceram aqui ultimamente... — a voz de Monalisa soava incerta. — As mortes.

Nesse momento Megan soltou o ar como se não quisesse que Monalisa tocasse no dito assunto, mas não disse nada.

— Ouvimos falar. — Dean concordou.

— O que quer dizer? — Sam perguntou à morena.

Lisa sentiu uma onda de frio violenta passar por todo seu corpo. De longe Sam pode senti-la desconfortável. Ele também sentiu-se incomodo, incerto sobre como seguir a investigação. Ela respirou fundo antes de responder.

— Foi estranho. Quer dizer, as mortes, eu não saberia como aconteceu. — Lisa disse e parecia ficar mais nervosa. — É por isso que... — se deteve.

— É por isso que o quê? — perguntou Sam estreitando o olhar.

— Eu chamei a Meg. — respondeu mordendo o lábio inferior. — Sam, promete que não vai rir? — ela lançou um olhar ao amigo, sabia que podiam confiar nele, depois seu olhar foi para Dean. — Prometam os dois que não vão rir? — e voltou a olhar o amigo. — Eu lembro que você me dizia para não pensar nessas coisas.

Sam pareceu entender.

— Que coisas? — Dean olhou do irmão a morena.

— Fantasmas. — respondeu ela. — Lendas. Seu irmão sempre me dizia que eu não deveria acreditar nelas. — Dean olhou sarcasticamente para Sam, que o ignorou. — Mas eu sei que tem algo estranho nessa casa. E é por isso contratei a Meg, ela é.... — hesitou. — Paranormal.

— Paranormal? — Dean repetiu.

O olhar de Dean fixou-se na ruiva.

— Não é isso exatamente. — Megan disse. — Acho que vocês não vão acreditar, eu sei que a maioria não acredita... Eu caço fantasmas.

Sam e Dean se entreolharam.

Notas finais
Landau da Megan
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A Sandy http://www.cockapoopuppies.us/uploads/2/7/3/9/2739107/7293200.jpg?428

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BREVE NOVA CAPA E FOTOS DAS PERSONAGENS
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.