Just A Villain

16 O caos que se espalha


Dizem que a ganância te leva a péssimos lugares, e foi justamente isso que aconteceu com Scar, ou melhor, com Owen, como era conhecido antes de rogar sua praga sobre a cabeça do seu irmão que nasceu com sangue real, o que era muito comum entre eles, já que alguns nasciam para ser padrinhos e outros para ser reis, quem culparia o destino? Bem, Owen certamente o culpava e por isso condenou seu irmão e a família a viver como um animal, o que ele esquecera era que tinha o mesmo sangue que Mufasa, e por isso, sua magia voltou contra si, o transformando em uma fera, ou melhor, um leão. Scar não desistiu de prejudicar o irmão, por isso o deu de bandeja para as hienas, depois de afugentar seu sobrinho e o culpa-lo por aquilo. Ainda assim Scar não teve o que tanto queria, poder, o controle, pois fora Sarabi, sua cunhada quem assumira sozinha seu reino de leões, enquanto o pequeno Simba estava desaparecido.

— Que conto ridículo – Owen exclama, jogando o pergaminho no chão.

— Você não pode ter tudo que sempre quis, isso é pior do que qualquer outro conto – Dandara recolhe o pergaminho e o joga de volta na escrivaninha, encarando o garoto de olhos castanhos – você é um verdadeiro miserável.

— Cala a boca – Owen retruca e olha para as mãos – se eu realmente tivesse condenado o Mufasa, não teria afugentado o Simba, teria o dado para as hienas comer, logo quando nasceu, e seria mais fácil fazê-lo com ele sendo um humano.

— Vocês são patéticos – Asafe resmunga rindo, estava deitado na cama, enquanto tinha as pernas apoiadas na parede e a cabeça sobre um travesseiro – todos sabemos que Owen é um fodido, nunca consegue nada, nem sendo ruim dá sorte.

— E você conseguiu o que mesmo? – Owen o desafia com um olhar e Asafe lhe sorri.

— Eu sei de algo que vocês não sabem – Asafe morde o lábio sedutor e se senta, para encarar os dois que lhe olhavam com curiosidade – Balthazar está a solta, e advinha quem não está mais no nosso plano astral?

— Isso não pesa na sua consciência? – Dandara pergunta com o cenho franzido.

— Porque deveria? O que nossos criadores nos deu além de uma vida miserável e um conto de fadas meia boca?

O silencio se estendeu ali, sabiam que no fim Asafe tinha razão sobre aquilo, não haviam parado para pensar, mas ele parecia tão diferente de como era e ao menos faziam ideia do como e quando sua parte ruim tomou tanta parte do seu ser.

— Eu sei o que vocês estão pensando – Asafe retruca e se espreguiça, logo levantando – e de verdade, eu adoro a minha vilania, ela é linda e atraente, como uma mulher seduzente, a minha forma corpórea é tão feia quanto o que tenho dentro de mim.

Os dois lhe franzem o cenho, o amigo parecia estar alucinando, que tipo de conversa era aquela agora?

— Vou deixar vocês pensarem sobre o maldito pergaminho – Asafe caminha até a porta com um sorriso nos lábios, mas olha para os amigos no caminho de saída – não esqueçam de dizer a líder Pandora que o conto de Simba é horrível.

— Você não presta – Dandara retruca.

— Vocês também não – ele dá de ombros e deixa o quarto.

A verdade era uma só, e era certo dizer que Asafe havia sucumbido ao seu alterego, mas mais ainda, ele adorava aquilo e não se arrependia de forma alguma, pois o descontrole em si era mais do que prazeroso, não precisava viver sobre as regras, não precisava fingir ser o que não era, podia mostrar seus poderes e desejos sem se sentir mal se alguém o julgaria, porque ele não se importava.

Belladona olha para a estante e suspira, um novo pergaminho havia sido aberto e sabia que era o de Owen, pois o laranja estava sumindo aos poucos, um pouco menos rápido do que os anteriores, e quando Pandora entrou na sala, se agarrando nas paredes, compreendeu imediatamente.

— Ele arrancou Horam do nosso plano – Pandora aperta o peito e suspira caindo de joelhos – ele vai atrás de Chiang – seus olhos novamente estavam duas cores, Belladona já havia visto algumas vezes, por isso não se abalou.

— O que faremos? – Bella pergunta ajudando Pandora a se sentar.

— Não faremos nada – a resposta não veio da jovem a sua frente, veio de um certo azulado, que estava escorado na parede, ele já estava ali anteriormente com Belladona, mas se mantinha em silencio até aquele momento.

— Como assim? – Kane pergunta confuso, ele também estava presente, apenas confuso demais com a entrada de Pandora.

— Não há o que fazer, ele irá de qualquer forma e é mais forte do que todos nós juntos – Belladona diz, mas vê Declan negar.

— Há alguém aqui mais forte que ele – Declan olha para Pandora e logo para Belladona de volta – mas não é o momento, e ela sabe disso.

— Então sentamos e esperamos? – Kane pergunta, parecia mais lento do que o normal naquele dia.

— Exato, deixaremos o caos se espalhar – Declan lhe abre um sorriso quadrado, que fez o moreno revirar os olhos com a ousadia do outro.

De qualquer forma o caos já estava feito, já estava sendo espalhado e logo seria a hora deles consertar toda uma linha do tempo, mesmo que custasse o seu mundo.

Poneros foi criado por Jumbo, que imaginou naquele lugar as mais belas criaturas, mas tudo precisa de um equilíbrio, e assim como ela criou o lugar, Gamela criou os padrinhos e madrinhas, a face dos desejos de Jumbo, mas fora Grimm quem dera o toque final, criando os contos de fadas, porém Hilla acreditava em destino e o obedeceu quando Mulan foi criada, obedeceu quando lhes mandaram moldar uma guerra, obedeceu até mesmo quando Mochu foi enviado pelos deuses para servir a garota, e sua obediência virou a sua cegueira, pois a partir daquele ponto, teria que obedecer todas as vezes que lhe fosse mandado. E ela se arrependeu daquela obediência, porque a garota que ela dera à luz pela primeira vez morreu, por ser uma maldita escolhida para os contos de fadas, mas ainda assim, não deixou de ser obediente, porque novamente, estava cega pelo destino, que lhe prometera prosperidade, sensação essa que nunca chegara até si.