Just A Favor

10 Just A Thank You


Notas iniciais
Sim, eu voltei. Não, não desisti. É, desculpa a demora ♥

Alex's POV

Nem me liguei em onde estacionei, mas Justin reclamou, claro. Ignorei saindo do carro e ele me seguiu. A rua estava escura e um vento frio me fez tremer. Eu não tinha trazido blusa, então cruzei os braços e apressei o passo, ouvindo Justin atrás de mim resmungando algo sobre irmãs loucas. Depois de atravessar a rua dei a volta no prédio e virei para ele com expectativa.

— Sabe onde estamos?

— Atrás de algum lugar? – Ele disse sarcástico tirando o blazer e colocando nos meus ombros. Quase neguei, mas o vento fez eu manter a boca fechada. De certa forma era bom ele ainda não saber. Conservava um pouco da surpresa, acho.

Me virei e puxei a escada de incêndio que caiu com um rangido alto e enferrujado que ecoou pela rua vazia e silenciosa. Senti Justin ficar tenso.

— Pelo amor de Deus, Alex! – Ele sussurrou daquele jeito irritado. – Vamos arrombar o-...

— Shhh. – Pus os dedos na boca dele, sentindo uma corrente elétrica percorrer meu braço. – Não se preocupe.

— Só não quero ser preso. – Ouvi ele dizer, me virando e começando a subir os degraus rapidamente com a segurança da prática constante.

Ele chegou lá em cima também, segundos depois, com alguma dificuldade.

— Quer me contar onde estamos? – Ele ainda estava sussurrando. Era legal de certa forma, dava um ar de segredo. Eu balancei a cabeça, negando, com um sorriso. Com habilidade destranquei a janela em segundos e escorreguei meu corpo para dentro. Fiz um sinal para ele fazer o mesmo. – Eu não me sinto bem com isso. Estamos invadindo uma propriedade privada você sabe. Se algum alarme soar eu-...

— Justin. – Eu o interrompi. Com um suspiro ele subiu no peitoril já janela e pulo para dentro.

Nossos passos ecoaram no piso de madeira da sala vazia. Estava escuro, mas eu não queria acender as luzes. Além de chamar atenção ia estragar o momento. Em vez disso, abri todas as cortinas e deixei apenas a luz suave da lua entrar. Justin ficou parado perto da janela, apenas olhando em volta.

Não havia muito o que olhar, era uma sala simples, ampla e vazia, com um longo espelho em uma das paredes. Um estúdio de dança. Eu dançava ali todas as quartas e sábados, mas não era isso que eu ia fazer hoje. No canto mais afastado havia um piano preto, de cauda.

Fui até ele, e assim que sentei comecei a ficar nervosa. Eu não precisava de partitura, era uma música de composição minha. Não olhei para ele, não podia. Ia perder o pouco de concentração que tinha. Abri a boca para explicar, mas achei que se tocasse, a música ia falar por si mesma.

(https://www.youtube.com/watch?v=Eo1UUBkZAHM)

Tentei fazer minhas mãos pararem de tremer e rezei para que ele não visse isso. Música encheu o ambiente, e eu finalmente me senti mais calma. Respirei fundo e fiz uma introdução um pouco mais longa por que estava insegura quanto à parte de cantar. Mas quando abri a boca as palavras simplesmente saíram. Como sempre. Como cada outra vez que toquei aquilo, sozinha.

Quando cheguei no último acorde acabei errando uma nota, por que as mangas do blazer dele cobriam parta das minhas mãos. Tirei as mãos rápido, interrompendo o final de um jeito bruto e atrapalhado e encolhi as mãos para dentro do casaco.

Quando ergui os olhos eu podia jurar que vi os olhos de Justin molhados. Não que isso fosse difícil, ele chora com filme de herói. Mas ele nunca tinha se deixado tão vulnerável na minha frente. Ele sempre foi o irmão mais velho, mais forte, o protetor. E eu também tinha mostrado uma parte minha para ele que não mostrava a ninguém. Não apenas por que eu queria algo em troca, mas por que achei que ele precisasse saber. Merecesse.

— Nossa... – Ele estava encostado na lateral do piano mais distante de mim, e veio andando lentamente na minha direção. – Quem diria que aquelas aulas forçadas de piano iam resultar em algo assim.

Eu ri, baixinho. Não contei que, apesar de fazer birra e cara feia, eu amava as aulas. Também não contei que tinha feito aquela música quando ele saíra de casa, algo que eu achei que fosse ser um alívio e acabou sendo o inverso. E agora estávamos juntos de novo e eu queria continuar assim. Por que depois de tanto tempo era como se uma peça que estava faltando finalmente fosse colocada no lugar.

Nossa, como eu estava emotiva. Tinha algo errado. Devia ser a música, eu nunca tinha tocado para mais ninguém. Dei de ombros.

— Considere isso o agradecimento. – Mas também tinha um pedido implícito claro. Eu queria ficar. Ele chegou do meu lado e eu me afastei para ele sentar no banco do piano ao meu lado. Ele ficou quieto um tempo, e aí sorriu e olhou pra mim. Mas havia algo mais ali que eu não sabia o que era.

— De nada. – Ele disse, e se inclinou e me beijou. Simples assim. Por ele ser sempre o certinho, nunca achei que ele tomaria a iniciativa. Sorri, no meio do beijo, com o absurdo daquilo tudo. E por que eu estava gostando tanto? Senti a mão dele subindo pelo meu braço, fazendo uma caricia no pescoço até se firmas na minha nuca, me puxando mais pra perto. As mãos dele estavam frias, e um arrepio subiu pelas minhas costas, mas mesmo assim, eu comecei a sentir calor. Apesar das janelas abertas, a proximidade com Justin era simplesmente a centelha que acendia o fogo.

Deixei o blazer deslizar pelos meus ombros e cair, ansiosa pra sentir o toque dele sobre a minha pele. A outra mão dele avançou para minhas pernas e fiquei grata por ter escolhido uma saia hoje. Tinha se provado eficaz no escritório de manhã e agora... Dei um pequeno suspiro encorajando-o a continuar, mas os movimentos dele pareciam ficar mais lentos. Ele parou o beijo e se afastou, encostando a testa na minha.

— Vamos pra casa. – Isso me aliviou um pouco. Então ele concordava, certo? Contra minha vontade ele puxou o casaco de volta para meus ombros e se levantou.

Suspirei de novo, dessa vez contrariada. Me levantei e fui atrás dele. Assim que passamos pela janela, senti o ar frio, e o calor passou. Justin desceu as escadas e eu fechei a janela. Voltamos para o carro em silencio, e eu ainda estava surpresa por ele ter me beijado. Minha boca formigava, ansiosa por mais.

Ele abriu a porta pra mim e deu a volta. Quando ele entrou, esperei ele colocar o cinto como sempre fazia, e ficar irritado por eu não ter colocado ainda. Mas ele só ficou ali olhando pra frente.

— Olha, Alex-... – O que quer que ele fosse dizer foi interrompido pelo toque alto e súbito do celular dele. Ele pulou de susto e eu franzi a testa. Já era tarde. Quem estaria ligando para ele essa hora? Ele pegou o visou e sua expressão mudou completamente quando leu o nome no visor. Ele deslizou o ícone de atender.

— Oi, mãe. – Eu travei. Era agora. Ele ia simplesmente ligar o carro e me levar pra casa, pra minha casa, pros nossos pais. Ele ia fazer isso por que era só o que sabia fazer, seguir ordens. Fazer o certo. Ser o filho perfeito.

— Eu sei, desculpe não ter atendido. Não, estava ocupado. Sim... Sim, ela está comigo. – Ele fez uma pausa. – Tudo bem, eu falo pra ela. Não se preocupe. Tá, também te amo. Tchau.

Ele desligou e largou o celular. Passou uma das mãos no cabelo e suspirou, um clássico sinal de nervosismo. Esperei as palavras que eu sabia que viriam, “me desculpe, mas não podemos mais.... Vou te levar pra casa” e toda essa merda. Era irritante o modo como ele deixava que outras pessoas controlassem sua vida.

— Então... A mamãe quer que você volte.

— Ah, me conte uma novidade.

— Mas... Ela falou que vai deixar você voltar quando você achar que precisa.

— Ela quer que eu admita que eu não consigo, que não sou madura e bla bla bla, tudo que ela fica falando o tempo todo. Não vou dar isso pra ela. Me recuso a voltar e deixar ela estar certa, de novo. Eu vou fazer isso sozinha, mesmo que você não me queira mais lá, mesmo que me bote pra fora, eu vou dar um jeito, não vou-...

— Ei, ei... – Justin me interrompeu suavemente e se virou pra mim. – Eu não vou te colocar pra fora... Nunca poderia.

Ele afastou uma mecha de cabelo do meu rosto me olhando com intensidade. Deixou a mão ali, em meus cabelos e o simples toque dele me acalmou. Me virei para ele e me forcei a olha-lo nos olhos.

— Me deixa ficar. Só mais uma noite. – Ele riu, sem muito humor.

— Sabemos que não é ‘só mais uma noite. ’ Eu sei o que você quer. – Ah, isso me irritava, ele achar que sabia tudo sobre tudo, achar que sabia tudo sobre mim. Nem eu sabia direito o que queria, como ele poderia?

— Ah é? E o que eu quero? – Desafiei.

— Você... Você quer... – Ele se distraiu rapidamente quando me virei para encará-lo. Não esperei para descobrir o que ele ia dizer, apenas cheguei mais perto, até nossas respirações se misturarem. Mas não fui até o fim, apenas fiquei ali, a centímetros de distância e ele se calou. Mas se ele tinha me beijado uma vez, ele podia fazer e novo. Então apenas esperei. E segundos depois a boca dele na minha, provando todas as minhas suspeitas.

O beijo quente foi completamente diferente do que trocamos ao piano, calmo, contido. Esse era exigente, bravo, nervoso. A mão que estava em meus cabelos se fechou, e senti, mais uma vez, a faísca. E eu tinha a impressão que dessa vez, ele não ia parar.

Notas finais
Fica aí um presente de natal. Vejo vcs no próximo, obg por não desistir!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.