Juro

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Essa é a minha primeira história de Simplesmente Acontece (Love, Rosie), então espero que peguem leve comigo. Juro faz parte de um projeto de oneshots que estou fazendo chamado Letras e Melodias, onde serão postado diversas histórias de um universo, mas que são completamente independentes, então você não precisa ler as outras para entender o enredo. Serão 26 histórias com diversos casais, inspirados em letras de músicas. Espero que vocês se divirtam com a história e convido a todos para darem uma conferida nas outras histórias. Os casais e as músicas inspiração estarão nas notas finais junto com a playlist da série. Deem uma olhada! Boa leitura...


"Se eu te convidar pra fugir, será que você aceita? Se eu viver pra te fazer sorrir na vibe mais perfeita. Só fechar os olhos e enxergar o futuro. Só nós dois. Arruma as tuas coisas que o depois a gente deixa pra depois"Juro — Banda Ego

Rosie estava tendo um dia péssimo.

Tudo começou com o irritante baile de gala organizado pelos pais para promover o mais novo investimento da família. Um shopping de luxo que será inaugurado em alguns dias, contendo as lojas mais estupidamente caras do país.

Além de ser obrigada a usar roupas desconfortáveis com sapatos de salto alto que pareciam esmagar seus dedos, Rosie precisou lidar com os irritantes sócios de seus pais e toda a falsidade que aquele ambiente de ridiculamente caro tinha a oferecer.

E então, ao final do dia, tudo o que ela mais desejava era voltar para casa, se livrar dos saltos e vestir o seu confortável pijama de samba canção largo e o blusão que daria duas dela dentro.

No entanto, suas preces pareceram ser ignoradas, quando uma forte tempestade começa a cair pela cidade e seu carro simplesmente fura o pneu no meio de uma rua deserta.

Para completar, seu celular tinha descarregado e ela estava sozinha, sem ter qualquer noção de como se troca um pneu de carro no meio de uma chuva torrencial como aquela.

Frustrada, Rosie soca o valente do carro, fazendo-o buzinar. Estava cansada, com fome e odiava a tudo o que vestia naquele momento. E mais do que isso, sentia-se frustrada por saber que mais uma vez, os pais haviam decidido sua vida sem nem ao menos consultá-la.

Sempre foi assim.

Rosie sempre viveu cercada por grades invisíveis. Sendo a única filha de um dos empresários mais poderosos do país, tinha tudo — menos liberdade. O pai decidia seus passos, as roupas que usava, os lugares para onde podia ir e, claro, com quem podia se envolver.

Eles simplesmente decidiram seu noivo.

Greg Egerton, alguém detestável, mas bastante influente, que poderia aumentar ainda mais a fortuna e o prestígio de sua família.

Rosie conhecia Greg desde criança – por exigência dos pais -, e sabia que ele é alguém violento, traidor e nojento. Não foram poucas as vezes em que o viu forçando meninas a se relacionarem com ele e precisou intervir para salvá-las, além de ser um viciado em heroína, que vivia causando problemas aos pais para sustentar o vício.

Ele era a última pessoa que Rosie gostaria de se envolver e menos ainda se casar. Não era justo com ela.

Já tinha sido bastante difícil conseguir sair da casa dos pais e estava lutando para conseguir sua independência. Sabia que possuía privilégios que muitos dariam a vida para ter, mas já estava cansada de ser controlada e usada como um fantoche para aumentar o sucesso dos pais.

As lágrimas descem pelo rosto bonito de Rosie, enquanto ela se perguntava o que deveria fazer. Já tinha tentado de tudo para escapar das teias de sua família, mas nada tinha surtido efeito.

Quantas vezes ela tentou fugir de casa e se esconder de sua família? Rosie já tinha perdido as contas. No fim, sempre acabava sendo pega pelo pai e obrigada a retornar para a rotina que o homem desejava.

Batidas no vidro do carro assustam Rosie, que imediatamente se coloca em alerta. Ela encara a janela e se surpreende ao ver um rapaz com um guarda-chuva, falando algo que ela não era capaz de decifrar.

Por alguns instantes, Rosie reflete se deveria ouvir o que aquele desconhecido tinha a dizer. Ele não parecia perigoso, mas ela não conhecia a região e sabia que os criminosos mais perigosos possuíam as faces mais inofensivas. E, ela estava bastante vulnerável naquela situação.

Mas o rapaz continuava a falar e apontar para a lanchonete de aparência adorável que estava do outro lado da esquina. Ela também conseguia ver que ele estava uniformizado e que no bolso de sua camisa estava a mesmo logo que estampava a placa da lanchonete: um fofo beagle comendo biscoito e o nome Cookies Rocky's brilhando em neon amarelo.

Rosie abre o porta-luvas do carro e pega o spray de pimenta que ela sempre leva consigo para o caso de emergência. Ainda desconfiada, ela prepara a arma e abaixa o vidro do carro somente o suficiente para conseguir escutar o que o rapaz falava.

— Oi! Você está bem? — questiona o rapaz. — Eu me chamo Alex. Trabalho naquela lanchonete e vi que seu pneu furou. Você quer ajuda para trocá-lo?

— Por que está me ajudando? — indaga Rosie, desconfiada.

— Bom, as pessoas devem se ajudar em momentos de dificuldade, certo?

Alex encara Rosie como se a pergunta dela fosse absurdamente estranha. Para ele, era simplesmente lógico que se alguém estivesse precisasse de ajuda, as pessoas oferecessem apoio. No entanto, no mundo de Rosie, ninguém ajudaria sem pedir algo em troca.

— O que você quer?

Novamente, Alex estranha o comportamento da garota, mas imagina que estivesse com medo de confiar nele, já que estava de noite e chovendo muito. Além disso, pelas roupas que ela usava, o rapaz duvidava que ela estava acostumada a andar por aquela região da cidade.

— Nada. Eu apenas fui jogar o lixo fora e vi que você parecia com problemas. Imaginei que precisasse de ajudar. Se estiver com fome, pode ir comendo na lanchonete, enquanto eu troco o pneu do carro e espera a tempestade passar.

Rosie analisa a proposta de Alex.

Ele não parecia mentir e havia um casal na porta com o pequeno cachorro, que Rosie supôs ser o Rocky da logomarca da lanchonete.

Nenhum deles pareciam desejar fazer mal a ela.

— Meu nome é Rosie. Eu... vou aceitar a ajuda — murmura Rosie, ainda desconfiada. — Obrigada.

— Sem problemas! Poderia abrir o porta-malas? Vou verificar se você tem o estepe e o equipamento para trocar o pneu — pede Alex, sorrindo gentil.

Como orientado por Alex, Rosie abre o porta-malas e sai do carro, levando a bolsa que estava no banco do passageiro. Para a surpresa da garota, ele deixa o guarda-chuva com ela e segue para o porta-malas em busca do equipamento para trocar o pneu.

— Você vai se molhar!

Rosie se aproxima e usa o guarda-chuva para proteger Alex e a ela.

— Não se preocupe comigo — responde Alex, pegando o estepe e o kit de macaco para trocar o pneu. — Deveria ir para a lanchonete. Você está se molhando toda. Lá dentro está quente e a Eleven pode te oferecer uma boa refeição para te aquecer.

— Mas...

Rosie se encolhe quando um vento mais forte os atinge e ergue seu vestido. Por reflexo, ela deixa o guarda-chuva cair e pressiona a bolsa contra as coxas para controlar o vestido que levantava.

No processo, Rosie perde o equilíbrio e quase vai ao chão. Habilidoso, Alex consegue segurar o guarda-chuva e a garota, que acaba agarrando a camisa do rapaz com intensidade.

Alex aperta Rosie contra si, garantindo que ela estivesse segura em seus braços. A chuva caia com intensidade sobre eles, mas seus olhos pareciam presos em uma espécie de hipnose que nenhum deles sabia explicar.

Quando um vento mais forte bagunça os cabelos de Rosie, levando-os a cobrir o rosto da garota, Alex finalmente desperta do encanto que sentia pelos olhos cor de chocolate quente que pareciam tão belos quanto as mais belas joias.

— Essa tempestade está perigosa. É melhor você ir para a lanchonete — insiste Alex, voltando a cobrir Rosie com o guarda-chuva. — Vem. Eu vou te acompanhar até lá e volto para trocar o pneu.

Ainda atordoada demais pelo momento, Rosie apenas o segue para lanchonete, sendo alvo dos olhares curiosos do casal que assistia a cena com bastante atenção.

— Eleven, poderia conseguir uma toalha e roupas confortáveis para a Rosie trocar de roupa? — indaga Alex, assim que alcança a lanchonete.

— Claro! Vem comigo, Rosie — responde a proprietária da Cookies Rocky's, dando um sorriso gentil. — Você vai pegar um resfriado se continuar com roupas tão finas.

— Tudo bem — murmura Rosie, ainda presa em Alex.

Eleven ri e entrelaça o braço no de Rosie, guiando-a pela lanchonete. O cachorrinho não demora a acompanhar a dona, deixando Alex sozinho com Mike, o namorado de Eleven.

— Eu não levo muito jeito para tarefas como trocar pneus, mas posso te ajudar — sugere Mike.

— Está tudo bem. Eu consigo trocar sozinho — garante Alex, sorrindo. — Eu volto logo. Enquanto isso, preparar algo para a Rosie comer? Acho que ela pode estar com fome.

Mike assente e Alex retorna ao carro.

Enquanto Rosie se aquecia com a roupa emprestada e saboreava o delicioso chocolate quente que Eleven havia preparado, Alex terminava de trocar o pneu do carro.

A chuva dava sinais de enfraquecer, mas dentro da lanchonete, o tempo parecia ter parado. O cheiro de biscoitos recém-assados, o calor vindo da cozinha, e os risos suaves vindos de Eleven e Mike faziam Rosie se sentir, pela primeira vez em muito tempo, segura.

Com Rocky em seu colo e a música agradável que tocava na lanchonete, Rosie em nada lembrava a garota desconfiada e frustrada que estava tendo um dia péssimo de uma hora atrás.

Quando Alex voltou, as roupas coladas ao corpo denunciavam a chuva que ainda caía. Mas seu sorriso gentil e os olhos atentos estavam intactos, como se todo o frio e desconforto tivessem sido deixados do lado de fora da porta.

— Seu carro está pronto, mas recomendo que procure um borracheiro assim que possível para consertar o pneu furado ou trocar por um novo — aconselha Alex. — Assim que a chuva der uma trégua, você pode ir.

Apesar do sorriso amável, Alex não consegue esconder a decepção ao pensar que Rosie talvez fosse embora tão rápido quanto apareceu.

Ele não sabia explicar o motivo, mas havia algo naquela garota que o atraiu. Talvez fosse o olhar desconfiado ou a beleza quase deslumbrante de Rosie, mas era um fato que Alex queria conhecer um pouco mais aquela desconhecida que possuía um olhar tão feroz quanto o de um tigre.

Rosie olhou para ele por um instante, os olhos ainda marejados pela mistura de frustração e cansaço que sentia desde o começo do dia.

Ela não queria ir embora. Não queria voltar para a frieza da casa de seus pais ou para o mundo monocromático que ela vivia. Mesmo que fosse apenas por algumas horas, Rosie queria esquecer que era a herdeira de Dennis Dunne, o magnata dos shoppings de luxo do país.

Por mais tolo e ingênuo que pudesse soar, ela queria continuar sendo apenas Rosie, a estranha que encontrou um lugar confortável para lanchar, enquanto desconhecidos gentis e incrivelmente bonitos a ajudavam a trocar o pneu furado de seu carro.

— Posso... ficar mais um pouco? — pergunta, quase em um sussurro.

Alex assente.

E, naquele momento, ambos sabiam que algo havia mudado.

Nas semanas que se seguiram, Rosie voltou à Cookies Rocky's sempre que podia. A desculpa era o biscoito amanteigado com gotas de chocolate que ela dizia ser "viciante demais para resistir", mas todos ali sabiam que era mais do que isso.

Rosie continuava a fugir do noivado que seus pais queria forçar com Greg. Ela sabia que era apenas uma questão de tempo até que fosse obrigada a vestir um vestido de noiva mais caro que uma casa, enquanto adentra uma igreja decorada de forma luxuosa em direção ao homem que ela sabia que jamais amaria.

As conversas foram ficando mais longas. No começo, falavam do clima, dos clientes estranhos da lanchonete, dos filmes em cartaz. Depois, passaram a falar de sonhos.

Rosie contou que sempre quis estudar Literatura e se tornar professora, já que amava crianças e gostava de ensinar, mas o pai a obrigou a cursar Administração, dizendo que o sobrenome dela exigia responsabilidades.

O homem foi ao ponto de até mesmo vigiá-la durante semanas só para ter certeza de que ela não cometeria a "rebeldia" de se matricular em outro curso sem o conhecimento dele.

Alex revelou que, apesar de amar cozinhar, nunca pôde fazer um curso de gastronomia, pois precisou começar a trabalhar com quinze anos para ajudar a mãe, que criava ele e os dois irmãos mais novos sozinha.

Eles se entendiam. Na dor, no desejo de liberdade, na vontade de encontrar algo que fosse só deles.

Conforme a amizade deles começou a se aprofundar, ambos começaram a tomar a liberdade de se encontrarem fora do Cookies Rocky's.

Rosie conheceu os amigos de Alex, Jhon Tyree e Steve Rogers, em um festival de música e ela apresentou suas melhores amigas, Jamie Sullivan e Savannah Lynn.

Os toques sutis, mas significativos se tornaram frequentes. Depois vieram os passeios escondidos à beira do lago para olhar as estrelas de mãos dadas, as madrugadas trocando mensagens, e as confissões dos sonhos de um futuro diferente em suas vidas em voz baixa.

Cada vez que estavam juntos, o mundo parecia silenciar.

Eles haviam encontrado um no outro o apoio que precisavam para lutar e não aceitar o destino cruel de cada um.

Certa noite, quando Rosie parecia a ponto de explodir por causa de mais uma discussão com os pais, Alex a convidou para subir no terraço da lanchonete e apreciar a vista. Lá de cima, a cidade parecia menos sufocante.

Acompanhados de diversas guloseimas, uma toalha velha e uma lanterna, eles ficaram deitados lado a lado, observando as estrelas.

— Eu gostaria de ficar aqui para sempre — resmunga Rosie. — Eu... eu não aguento mais, Alex.

— O que aconteceu, Rosie?

Alex se senta e a encara com preocupação, enquanto vê as lágrimas descerem com intensidade pelo lindo rosto da garota que fazia seu coração bater como um louco.

— Meus pais querem me obrigar a casar com Greg Egerton, a pessoa que eu mais desprezo nesse mundo só para ter a chance de aumentar seu império, unindo forças com a família dele, que é magnata no ramo de agropecuária nos país — revela Rosie, chorando ainda mais. — Eu já fiz de tudo para escapar desse noivado, mas... eu não sei até quando eu vou conseguir fugir, Alex. Eu não quero me casar com aquele maldito!

Alex arfa, sem saber o que dizer.

Ele puxa Rosie para um abraço apertado, permitindo que a garota chorasse e colocasse para fora toda a raiva e tristeza que ela sentia. Ela aperta a camisa de Alex e afunda o rosto no peito do rapaz, sentindo-se acolhida pelo calor dos braços que a rodeavam.

A vontade de Alex era de gritar que esse controle absurdo da família de Rosie nem mesmo fazia sentido e que ela era adulta, então eles não podiam ditar como ela deveria viver, mas ele sabia que a vida da garota era muito mais complicada do que ele conseguia imaginar.

— Eu... sinto muito, Rosie. Eu queria poder fazer alguma coisa por você, mas eu sou um completo inútil — sussurra Alex, apertando-a mais contra si, quando ela diminui a intensidade do choro.

— Você não é inútil! — afirma Rosie, afastando Alex apenas para encará-lo. — Eu que sou por não ser capaz de escapar do controle de meus pais. Eu já tenho vinte e um anos! Eu sou maior de idade. Não deveria estar aqui chorando, porque não consigo impedir um casamento maluco planejado pelos meus pais lunáticos.

— Você é incrível, Rosie! É a pessoa mais forte e determinada que eu conheço. Eu sei que você tem lutado com todas as suas forças e que tem feito o seu melhor para escapar do controle de seus pais. Não é sua culpa o que está acontecendo — garante Alex.

Ele observava Rosie como se ela fosse uma preciosa peça de porcelana quebrada, mas que resistia com tanta persistência e resiliência. Ele queria poder colar cada pedaço com carinho. Queria ser capaz de protegê-la e a tirar daquele lugar que a fazia tão mal.

E pela primeira vez na vida, ele realmente odiou ser quem ele era. Como poderia desejar levá-la embora de sua família, quando ele mesmo não era capaz de escapar de sua própria realidade.

Os olhos continuavam a se encarar como se estivesse hipnotizados, assim como ocorreu quando se conheceram no meio daquela tempestade absurda de meses atrás.

O silêncio entre eles era pesado, mas não desconfortável. Era como se o mundo lá fora tivesse deixado de existir. As estrelas acima pareciam respirar junto com eles, testemunhas silenciosas de algo que estava prestes a acontecer.

Rosie ainda estava com os olhos marejados, mas havia uma firmeza em sua expressão. Ela já tinha chorado tudo que podia. Agora, pela primeira vez na vida, o que restava era a decisão de se permitir sentir algo que não tivesse sido imposto por ninguém.

Ela se aproximou um pouco mais de Alex.

O peito dele subia e descia com uma respiração tensa, como se soubesse que aquele instante era precioso demais para ser quebrado com qualquer palavra mal colocada.

— Sabe, quando estou com você, eu esqueço quem eu sou — sussurra Rosie, a voz baixa como se fosse um segredo que ninguém poderia ouvir. — Ou melhor, eu me lembro de quem eu queria ser.

Alex pisca devagar, os olhos fixos nos dela, e por um segundo, hesitou.

— Eu só quero que você seja feliz, Rosie. Mesmo que isso não me inclua — responde Alex, sentindo a voz falhar.

Ele se sentia tão pequeno e insignificante. Não tinha riquezas e nem mesmo tinha terminado os estudos. Alex era apenas um cara normal, que precisava trabalhar incessantemente para pagar as contas e ajudar a mãe.

Mas Rosie balançou a cabeça, lentamente.

— E se incluir?

O mundo pareceu parar.

Alex engole seco e leva a mão até o rosto de Rosie, afastando uma mecha molhada de seus cabelos que ainda caía sobre a testa. Seu toque era leve, quase reverente, como se estivesse tocando algo sagrado.

Ela não recuou.

Ao contrário, inclinou-se um pouco mais.

Os olhos castanhos dela eram intensos como um pôr do sol e buscavam os dele com uma vulnerabilidade que o fez se perder por completo.

— Rosie...

— Me beija, Alex.

E ele obedeceu.

O beijo começou suave, como se ambos estivessem tentando entender o que era aquilo que explodia dentro de seus peitos. Mas, em segundos, tudo se tornou urgente — como se o tempo que perderam antes precisasse ser compensado agora.

As mãos de Rosie subiram para a nuca dele, puxando-o para mais perto, enquanto os dedos de Alex deslizavam por sua cintura, apertando-a com cuidado, como se quisesse ter certeza de que ela era real.

Foi um beijo de entrega, de promessas silenciosas e sentimentos que não podiam mais ser negados.

Quando se separaram, ambos estavam ofegantes, com os olhos brilhando e os rostos corados.

— Uau... — murmura Alex, sorrindo com os lábios ainda quase tocando os dela. — Isso foi real?

Rosie ri baixinho, apoiando a testa na dele.

— Se isso for um sonho, eu não quero acordar — responde Rosie, voltando a beijar Alex.

Após aquela noite, eles começaram a namorar.

Rosie nunca esteve tão feliz. Alex a apoiava e sempre sabia o que dizer para fazê-la se sentir melhor. Até mesmo ir para a empresa dos pais não parecia ser algo tão ruim assim se pudesse estar com Alex no fim do dia, contando sobre as pessoas irritantes que a incomodavam no trabalho e fazendo planos para o futuro.

Infelizmente, a notícia do relacionamento não demorou a chegar aos ouvidos dos pais de Rosie, que fizeram questão de investigar tudo sobre a vida de Alex e até mesmo fazer ameaças para separar o casal.

Vocês pertencem a mundos diferentes, Alex. Desista dessa garota enquanto ainda pode — aconselha a mãe de Alex pelo telefone. — Se o pai dela quiser te matar, ele tem dinheiro suficiente para isso.

— Isso não vai acontecer, mãe — resmunga Alex, limpando o balcão da lanchonete, enquanto apoia o celular no ouvido.

Ele me procurou, Alex! Você tem noção do susto que eu levei ao ter Dennis Dunne na minha casa?! Ele me ofereceu dinheiro para ajudá-lo a separar vocês! Eu nunca imaginei que passaria por uma humilhação como essa! Isso está saindo do controle. Não pode continuar com esse relacionamento que está fadado ao fracasso, filho.

— Eu...

Alex nem sabia o que dizer para a mãe.

Eu sei que pareço está sendo cruel, mas eu estou dizendo isso para o seu bem, Alex. Por mais que lutem, no fim, o dinheiro sempre vai falar mais alto e Rosie vai ser obrigada a se casar com esse outro bilionário, filho. E você, ficará de coração partido e prejudicado por ter ido contra o desejo do pai dela. Vai por mim, pessoas como nós, nunca poderão ir contra pessoas como Dennis Dunne.

A ligação se encerrou e Alex foi incapaz de contrariar a mãe.

Sabia que era perigoso ir contra a família Dunne, mas jamais esperou que o patriarca da família fosse até a casa de sua mãe, que ficava no interior, para ameaçá-la e oferecer dinheiro para separá-lo de Rosie.

A verdade é que Alex estava com medo.

Temia que a mãe e os irmãos acabassem machucados por causa de suas decisões.

Alex não se importava com o que acontecia com ele, mas o assunto era completamente diferente quando se tratava de sua família e Rosie.

E o medo dele não passou despercebido pela namorada, quando eles se encontraram no terraço da lanchonete naquela mesma noite.

— Você está quieto. O que aconteceu? — comenta Rosie, observando o namorado. — Você não disse nada desde que chegamos.

— Não foi nada. Não se preocupe — responde Alex, deixando um beijo carinhoso no topo da cabeça de Rosie.

Ele ainda não tinha tomado uma decisão. Sua mente continuava a buscar uma forma de proteger sua família e garantir que Rosie não acabasse machucada no processo.

— Não mente para mim, Alex. O que aconteceu? — insiste Rosie, afastando-se do namorado. — Eu posso ver que você está escondendo algo sério de mim. Por favor, me fala o que está acontecendo.

Alex hesita.

— Confia em mim.

Diante da súplica de Rosie, o rapaz suspira e assente.

— Minha mãe me ligou hoje e me contou que seu pai foi até a casa dela. Ele ofereceu dinheiro para que ela nos separasse — revela Alex, fazendo Rosie arfar. — Ela ficou bastante assustada, mas felizmente, está tudo bem.

— Não está nada bem — murmura Rosie, frustrada. — Ele não tinha esse direito! Eu... eu sinto muito, Alex! Eu juro que eu nunca pensei que meu pai seria doente ao ponto de ameaçar sua família dessa forma. Eu...

— Ei! Calma! Está tudo bem! — garante Alex, abraçando Rosie.

Ela estava transtornada. Não conseguia imaginar o medo que a família de Alex deveria ter sentido ao ter Dennis Dunne oferecendo dinheiro e exigindo que fizessem Alex terminar com ela.

— Minha mãe e meus irmãos estão bem. A gente sabe que você não tem culpa de nada. Nós vamos dar um jeito. Eu só preciso pensar um pouco no que podemos fazer para...

— Vamos terminar — declara Rosie, afastando-se de Alex.

Ele a encara surpreso.

— O quê...? — balbucia Alex, chocado.

— Nós tentamos, Alex, mas não podemos colocar a vida de outras pessoas em risco por causa da nossa felicidade — fala Rosie.

— Não, Rosie! Nós podemos dar um jeito! — implora Alex, vendo as lágrimas descerem pelo bonito rosto de Rosie mais uma vez.

Os olhos da garota mostravam uma dolorosa certeza. Alex conseguia ver a determinação de Rosie e que ela não voltaria atrás.

— Por favor, Rosie, não faz isso. Não desiste de nós...

— Eu te amo... — sussurra Rosie, beijando-o.

O beijo com o sabor salgado e cruel das lágrimas marcou a despedida deles, arrancando toda a esperança de um futuro feliz e juntos. Era um adeus doloroso e solitário.

Ao encerrar o beijo, Rosie encosta a testa na de Alex, observando as lágrimas descerem pelo rosto bonito do rapaz. Ela acaricia as bochechas, tentando gravar cada detalhe de Alex em seu coração.

E então ela vai embora.

Alex vai atrás, mas Rosie ignora seus apelos e ele é obrigado a vê-la ir embora, enquanto, ironicamente, a chuva começa a cair de forma intensa, exatamente como no dia em que eles se encontraram pela primeira vez.

Dias se passaram e o anúncio do casamento de Rosie e Greg se tornou o assunto mais comentado nas redes sociais e veículos de fofoca. O pai de Rosie tinha feito questão de transformar o casamento da família em um verdadeiro espetáculo.

Enquanto isso, Alex continuava a viver os seus dias como antes, com a diferença que ele agora seu mundo tinha se tornado algo cinza e deprimente. Sem Rosie em sua vida, ele se sentia incompleto, solitário.

E foi em mais um dos dias tristes e deprimentes que Savannah e Jamie apareceram no Cookies Rocky's, extremamente apreensivas e determinadas a fazer Alex lutar por Rosie.

Savannah e Jamie entraram na Cookies Rocky's como um furacão. O sino da porta mal havia soado e ambas já estavam exigindo a atenção de Alex, que lavava os copos com um olhar distante, o pensamento preso na última conversa que tivera com Rosie.

— Alex Stewart, a gente precisa conversar — informa Savannah, com as mãos apoiadas no balcão e os olhos faiscando.

Jamie assente com um ar igualmente determinado.

— Não dá mais para você ficar parado aqui enquanto Rosie está prestes a cometer o maior erro da vida dela.

Eleven aparece

— Você deveria ouvir o que elas têm a dizer, Alex — aconselha a garota, colocando a mão sobre o ombro do amigo. — Eu sei que você também não aguenta mais essa situação.

Alex suspira, secando as mãos em um pano de prato.

— Eu dou conta das coisas por aqui. Pode ir conversar com elas no terraço — sugere Eleven.

Ele não podia negar que também estava curioso para saber o que as melhores amigas de Rosie planejavam.

— Tudo bem — responde Alex. — Por aqui.

Savannah sorri, agradecida.

— Obrigada, El!

A proprietária do Cookie Rocky's sorri e nega qualquer agradecimento, desejando apenas que elas conseguissem trazer de voltar o sorriso para o rosto do amigo que parecia se definhar a cada dia.

Jamie, Savannah e Alex seguem para o terraço da lanchonete, cada um pedido em seus próprios pensamentos. Quando finalmente alcançam o lugar, o rapaz se vira para as garotas e as encara com certo desespero.

— Eu não sei se vocês entenderam. Rosie terminou comigo para me proteger. Eu não posso simplesmente ir atrás dela e colocá-la em mais perigo. Eu posso acabar complicando ainda mais a vida dela...

— Não! — exclama Jamie, firme. — Ela terminou com você porque achou que era a única saída. Mas você sabe tão bem quanto a gente que ela te ama, Alex. E que está destruída com tudo isso.

Savannah se aproxima com passos duros e um olhar repreendedor, tentando fazer Alex enxergar a verdade que ele insistia em ignorar.

— Ela não come, não dorme, não fala com ninguém. Está andando como um fantasma dentro daquela casa. Só aceitou se casar com Greg porque acha que é a única forma de manter você e sua família seguros.

— Então o que vocês querem que eu faça? — pergunta Alex, a voz mais rouca do que pretendia. — Que eu invada a casa dela e a leve embora como se fosse um conto de fadas? A vida real não funciona assim.

— Quem disse que não funciona? — retrucou Savannah. — Vocês se amam. E amor de verdade não aparece todo dia. Se você não lutar por ela agora, vai se arrepender o resto da vida.

Jamie colocou a mão no braço dele, com um olhar mais suave.

— Rosie quer fugir, Alex. Ela só precisa de uma razão. Precisa saber que você ainda está lá, esperando por ela. Nós conversamos com ela ontem. Ela disse que, se você aparecesse naquele portão ao amanhecer, ela iria com você. Mas ela tem medo. Precisa de você para ser corajosa.

O mundo de Alex pareceu parar por um segundo.

As palavras de Jamie ecoaram em sua mente como uma batida forte do coração.

— Vocês têm certeza disso? — murmura Alex com a esperança acendendo aos poucos no olhar.

— Absoluta — responde Savannah. — E ela já separou o vestido que quer usar. Ela sonha com esse momento. Só falta você dizer sim.

— Mas e os pais dela? E o casamento com Greg? Não acho que o Sr. Dunne vai aceitar bem essa situação. Com o poder dele, duvido que a gente consiga ir muito longe. Além disso, ele pode usar a minha família como forma de forçar Rosie a voltar — relembra Alex, apreensivo.

— A mãe dela prometeu nos ajudar — afirma Jamie. — Ela não suporta mais ver Rosie daquele jeito. A única coisa que você precisa fazer é cuidar de Rosie e ficar ao lado dela. Tia Alice e nós cuidaremos para que sua família fique em segurança e que possam se casar.

Alex passou a mão pelos cabelos, o coração disparado.

Ele relembra da chuva da primeira noite, no beijo no terraço, no jeito como Rosie sorria quando comia os biscoitos amanteigados, nos olhos dela dizendo "me beija, Alex".

Pensa em tudo que poderiam ser se apenas tivessem uma chance.

— Então é isso — responde Alex por fim, com a voz decidida. — Eu vou buscá-la, não importa o que aconteça.

Jamie sorri largo, quanto Savannah dá um pulinho empolgado.

— Amanhã ao amanhecer. No portão da mansão Dunne — relembra Jamie do pedido feito pela amiga.

— E depois, direto para o mar — completa Savannah. — Ela quer se casar na praia, vendo o sol nascer.

Alex assente, já com a mente a mil, fazendo planos, organizando o pouco dinheiro que tinha, pensando em cada detalhe. Porque ele sabia que essa era a última chance. E não pretendia desperdiçá-la.

— Se for para escolher entre o mundo e ela... eu escolho ela — murmura Alex. — Sempre foi ela.

E naquele instante, enquanto o sol se punha sobre a lanchonete que testemunhou o começo de tudo, nascia uma nova esperança.

Na manhã seguinte, Alex estava lá.

O céu ainda estava tingido por tons de azul escuro, com as primeiras cores do amanhecer começando a pintar o horizonte. Ele esperava no carro emprestado por Mike com o motor ligado e os olhos fixos no portão da mansão Dunne.

O coração batia rápido, tão alto que parecia ecoar dentro do carro.

Por um instante, temeu que Rosie não viesse. Que tivesse desistido. Que tivesse acreditado, mais uma vez, que precisava sacrificar sua felicidade pelo bem de todos. Mas então, o portão se abriu.

Rosie surgiu envolta em um casaco leve, com os cabelos soltos e os olhos determinados. Nos braços, carregava uma mochila e uma bolsa com o vestido branco que havia separado dias antes.

Quando viu Alex, seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela não hesitou. Entrou no carro e, por alguns segundos, eles apenas se olharam.

— Você veio — comenta Rosie, emocionada.

— Eu jurei que viria — responde Alex. — E não vou embora sem você.

E com um leve sorriso, Rosie assente.

Ela volta a encarar o portão de entrada da mansão e encontra a mãe, vestida em um roupão de seda com os olhos marejados.

Alice não queria dizer adeus, mas ao ver o brilho intenso nos olhos de Rosie ao reencontrar seu grande amor, ela sabia que a filha seria muito mais feliz ao lado de Alex do que com o maldito Greg.

As duas se encaram e com as lágrimas descendo pelo rosto e um sorriso esperançoso em seus lábios, Alice acena e roga aos céus que sua filha pudesse encontrar o destino que tanto almejava.

— Então vamos — pede Rosie, acenando com gratidão para a mãe.

Dirigiram em silêncio pelas estradas que levavam ao litoral.

O céu foi clareando aos poucos, revelando um novo dia. Quando chegaram à praia, o sol já despontava no horizonte, refletindo sobre o mar calmo em tons dourados e cor de rosa.

Savannah, Jamie, Jhon, Steve, Eleven e Mike já estavam lá, junto com o juiz de paz, organizando tudo em segredo.

Um pequeno altar com flores silvestres, um tapete de linho sobre a areia, e uma trilha de conchas levava até o mar. Era simples, mas era perfeito.

Rosie trocou de roupa atrás de um véu de tecido branco montado por Savannah e Jamie. O vestido fluía com o vento como uma extensão do próprio mar. Quando ela caminhou em direção a Alex, descalça e com os olhos brilhando, todos ali prenderam a respiração.

Ele a esperava com um sorriso emocionado e um paletó emprestado por Steve. Quando ela parou diante dele, as mãos se tocaram, os olhos se encontraram, e por um momento, tudo desapareceu ao redor.

O juiz de paz começa a falar sobre amor verdadeiro e esperança sobre uma vida a dois, mas a verdade é que ninguém lembraria das palavras exatas.

O que ficou na memória foram os votos trocados.

— Eu juro — começa Alex com a voz embargada — que vou estar ao seu lado, não importa onde o mundo tente nos empurrar. Que vou rir com você, chorar com você, e amar cada pedaço seu, mesmo nas suas tempestades.

Rosie aperta a mão dele, enquanto as lágrimas de felicidade rolam pelo rosto, relembrando todas as dificuldades que eles passaram para estar ali.

— Eu juro que vou caminhar com você, mesmo quando o caminho for difícil. Que não vou mais fugir do que sinto. Você é o meu lar, Alex. Minha felicidade e o meu destino. E eu escolho você. Sempre — promete Rosie.

Com o sol iluminando os rostos e os amigos aplaudindo com lágrimas nos olhos, eles se beijam. Um beijo de promessas cumpridas e um futuro começando.

E ali, sob o céu aberto, diante do mar, Alex e Rosie abandonaram o medo e qualquer insegurança que existisse sobre o futuro. Agora, só existia o amor. Livre. Verdadeiro. E finalmente deles, assim como o juramento feito naquela linda manhã diante do mar e das pessoas que realmente importavam.

Notas finais
Olá! Obrigada por ter lido até aqui. Eu ficaria muito feliz se você pudesse comentar o que achou. Enfim, espero encontrar você nas outras histórias. Até mais ♥! 01. Apologize - Violet Markey e Theodore Finch (Por Lugares Incríveis) 02. Baby I'm Yours - Anne e Gilbert (Anne with an E) 03. Coffee - Jennie e Lisa - (Blackpink) 04. Dangerous Woman - Diego e Roberta (Rebelde - RBD) 05. Epiphany - Jimin e Jungkook (BTS) 06. Falling - Louisa e Will (Como Eu Era Antes de Você) 07. Goosebumps - Jughead e Betty (Riverdale) 08. High - Alex Parrish e Ryan Booth (Quantico) 09. Intentions - Mike e Eleven (Stranger Things) 10. Juro - Alex e Rosie (Simplesmente Acontece) 11. Kids - Sam e Freddie (iCarly) 12. Last Kiss - Jamie e Landon (Um Amor para Recordar) 13. Mine - Harry e Hermione (Harry Potter) 14. Night Changes - Jhon Tyree e Savannah Lynn (Querido John) 15. One Less Lonely Girl - Daryn e Isabelle (A Vida em um Ano) 16. Pillowtalk - Prielle (Manu e Prince) 17. Quit - Natasha e Steve (The Avengers) 18. Rude - Annabeth e Percy (Percy Jackson e os Olimpianos) 19. Skin - Allie e Noah (Diário de uma Paixão) 20. The Hills - Arya e Gendry (Game of Thrones) 21. Unbroken - Katie e Charlie (Sol da Meia-noite) 22. Velha Infância - Adora e Felina (She-Ra) 23. Watermelon Sugar - Harry e o Lou 24. XO - Peeta e Katniss (Jogos Vorazes) 25. You Can Come To Me - Austin e Ally 26. Zombie - Clarke e Bellamy (The 100)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!