Notas iniciais
Eu aguardava meu elevador chegar, que já estava demorando. Apertei mais e mais vezes no botão, sem paciência. Eu tinha que chegar rápido ao laboratório de criação, onde alguns ovos de dinossauro me esperavam.
E não, eu não estou brincando, é serio. Eu trabalho em um parque temático que clona, cuida e exibe dinossauros, de todos os tamanhos, de todos os tipos.
''Jurassic World''
Um nome simples para um lugar... nada simples. Até mês passado eu trabalhava no McDonalds e agora estou aqui. Pelo o que sei, apenas me contrataram porque meu irmão, Owen, trabalha aqui também. Ele é um cara gente boa e divertido, mas eu não o vejo a quase cinco anos. Foi nessa época que nós abandonamos a marinha, e ele foi trazido para cá, tratando de velociraptors.
Engraçado, né? Agora quem vai tratar de dinossauros e limpar as jaulas deles sou eu. Inclusive, era apenas isso que eu fazia desde cheguei aqui, mas poucos minutos atrás eu recebi uma ligação de um dos cientistas, ele me chamou para o laboratório, pois novos ovos estavam chocando, e como seria minha responsabilidade cuidar deles, a primeira coisa que eles devem ver quando nascem, sou eu.
Eu sei, bem cliché, mas é verdade. A mesma coisa acontece com pássaros, a primeira coisa que eles veem, é a mãe deles, não importa se é verdade ou não, pois para eles sempre será sua mãe. Com dinossauros não é diferente.
Maaaaas, voltando ao assunto do meu irmão, eu ainda não o vi, aparentemente nós trabalhamos em setores diferentes, mas isso não importa muito, ele nem sabe que eu estou aqui, e eu não pretendo contar tão cedo. Ele deve estar ocupado demais tomando conta de quatro velociraptors por ai.
Me tiraram de meus pensamentos quando alguém me pediu licença, eram pessoas saindo do elevador que tanto demorou. Eu rapidamente dei espaço para que as pessoas passassem, entrando logo depois, e apenas eu e mais uma mulher estavamos no elevador.
Ela vestia um jaleco branco e arrumado, tinha cabelos castanhos claros e os olhos azuis. Eu apenas tinha algumas roupas que se usa em expedições e um colete com a marca do parque nas costas, não costumava me arrumar muito.
Eu teria até ficado quieta se essa mulher tivesse parado de me encarar, mas ela me olhava estranho, e eu percebia isso no canto do olho.
''Eh, posso ajudar?'' — Perguntei para a mulher.
''Não lembra da sua prima, Kely?'' — Ela disse.
Ah não...
Karen.
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