Jurada
4 Quem não tem cão...
Notas iniciais
Capítulo sujeito a edição.
Uma onda elétrica se formou no meu corpo assim que o beijo foi se intensificando, borboletas pareciam voar desesperadamente em minha barriga. Seus dedos se enrolavam pelos cachos do meu cabelo enquanto minha mão repousava em seu peito firme.
Um pigarro discreto interrompeu nosso momento de loucura.— Meu nome é Clarice sou terceiranista e responsável pelos recém chegados até a noite do baile.Achei interessante ela não ter dito “humanos” já que vampiros da corte amarem a distinção da sua suposta raça.Clarice era como a maioria dos vampiros, ridiculamente bonita. Não havia nenhuma espinha ou imperfeição nem frizz em seus lindos cachos dourados que pendiam em um coque solto no alto de sua cabeça. A pele era levemente bronzeada, não de sol já que os incomoda e sim natural como se um brilho dourado não se limitasse ao seu cabelo, mas irradiasse pelos poros.Ela com certeza não parecia desconfortável pela cena minha e do Lucas, muito menos de ter interrompido ela.— Peço que me acompanhe até a sala de preparo, lá iremos dar todas as informações sobre o processo e orientações — assim já foi seguindo sem olhar se eu a acompanhava.Um pouco desorientada ainda do beijo me afastei de Lucas acenei um tchau desconcertado e tentei a acompanhar. Não resisti uma olhada para pelo ombro e vi que ele ainda me observava, com uma piscadela acenou e seguiu para qualquer que seja o lugar que deveria ir.Adentramos em uma gigante mansão que quase era como um mini castelo, era o local que usavam até se passar os três anos de adaptação e treinamento. A entrada era triunfal, com grandes pilastras do mesmo material que cobria todas as mansões da cidade um mármore preto. Subimos pelas escadas principais que se dividiam em três corredores largos um em frente outro a direita e outro a esquerda, seguimos reto e entrando em uma porta gigante.Outros dez participantes estavam sentados, Clarice apontou para o único local vazio em um sofá e segui o mais depressa possível procurando não chamar mais atenção para mim mesma, me acomodando ao lado de uma ruiva deslumbrante.— Como já passamos das seis da tarde imagino que posso lhes desejar boa noite.Ainda quando estava sentando reconheci a voz melodiosa de Helena, ela estava a frente da ampla sala recostada em uma mesa de escritório. Vi que eramos cinco homens e seis mulheres.— Imagino que tenham feito uma boa viagem apesar dos contratempos — olhou diretamente para mim e para a pantera que mais parecia uma gata aconchegada aos meus pés.Houveras alguns múrmuros de afirmações pela sala, enquanto outros olhavam com interesse ou até medo animal que me acompanhava, logo que ela levantou o braço todos retomaram ao silêncio.— A propósito devo informá-los que irão encontrar vários dos Amânticos pela cidade. Nenhum deles irá lhe causar mal nenhum a não ser que sejam provocados, costumamos manter todos dentro da cidade tanto para segurança deles quanto de seus donos, logo se acostumarão — ela esperou alguma interrupção ou dúvida e seguiu — como já devem saber a nós vampiros começamos a acordar pela noite então o dia não acabará para vocês. Os funcionários agora irão recolher suas malas e arrumar em seus devidos quartos, lá vocês ficarão durante os próximos três anos que durará o processo de adaptação, receberão aqui aulas de etiquetas, oratória entre outras coisas.Alguns começaram a resmungar e bufar. Helena levantou a mão e o silêncio se restaurou e prosseguiu.— Enquanto isso meninas vocês vão seguir por aquela porta — indicou para a porta logo atrás de nossas costas — e rapazes por esta — indicou a porta que estava as costas dela — lá as costureiras e alfaiates irão tirar suas medidas e preferência para o traje de gala para o tão esperado baile. Aproveitem para pedir o que mais desejam, será a última roupa que usarão como humanos.Helena levantou os braços e bateu as palmas duas vezes, um turbilhão de funcionários entraram na sala e rapidamente recolheram nossas bagagens.— Dispensados.Me levantei e me juntei a fila de moças que se formara em direção a porta.A outra sala não era muito diferente da última, grandes janelas com cortinas pesadas que estavam abertas já que não havia mais sol. Um canto onde uma quantidade considerável de sofás e poltronas com grandes almofadas douradas circulavam uma mesa de centro. No outro lado aguardava uma equipe de costureiras com um centro para medidas parecendo ansiosas para começar o trabalho.A maior parte das meninas foram logo se acomodando no sofá, com exceção da ruiva que sentei ao lado que com paços decididos foi enfrentar sua prova.— Acho que não sei exatamente o que quero vestir — começou uma garota com olhos cor de folha seca e pele morena.— Eu com certeza vou de vermelho — uma moça com traços orientais apontou para as unhas provavelmente recém feitas — nada mais “sexy” do que vermelho.— Não penso que o objetivo é sermos “sexy”, e sim elegantes. Ter classe é sempre a melhor opção — acrescentou outra moça.Assim começou uma leve discussão de qual era a melhor forma de se vestino no baile. A única coisa que me via na mente era como ninguém estava preocupada com a transformação, sim o processo era totalmente seguro já que ninguém reclamara ou rejeitara a mudança, mas ainda era um segredo para todo o reino. Ninguém sabia exatamente como acontecia, só tínhamos uma noção do básico ou boatos de que era necessário que o veneno da mordida se espalhassem pelo corpo.
Quem iria fazer? Faríamos uma fila e uma pessoas sairia mordendo pescoço atrás cima de pescoço até que todos os onze fossem transformados? Ou iriamos receber o veneno de uma modo mais científico, com agulhadas no braço e bolsas de venenos como em um soro? Tremi a hipótese da última opção, odiava agulhas e ironicamente sangue.— Não querem saber como vai ser a cerimônia de verdade? — falei dando voz ao meu medo.Todas ficaram em silêncio e também pensativas. Não era como se o mundo dos humanos não houvessem especulações, apenas que com a falta de certeza o assunto era abafado por toda a glória de ser transformado.— Só torço para que eu não sinta dor — uma tímida voz disse quebrando o gelo de algum lugar do círculo.Procurei a origem do som e vi que se tratava de uma criança, ou pelo menos parecia uma, ninguém que não tenha dezessete anos poderia ser sorteado. Seu rosto era tão pequeno e angelical com grandes olhos verdes e lindos cabelos loiros, se já não soubesse que era humana julgaria que era vampira.— Tenho certeza que ninguém irá nos infligir dor — olhos cor de folha seca disse de uma forma maternal.Realmente olhar para a cara de anjo me fazia querer protege-la.— Próxima!Uma por uma foi sendo chamada enquanto conversas animadas sobre detalhes de vestidos, sapatos e joias eram trocadas pelas meninas nos sofás. Embora o assunto anterior me incomodava preferi fazer como as outras e deixar para lá.Como minha mãe diria “Se está na chuva era para se molhar”.Segui sendo a última a ir para o pequeno centro de medidas.— Então, o que deseja? — Uma senhora de olhos cansados e simpáticos me perguntou.Enquanto isso uma hábil ajudante ia tirando medidas e me girando com um grande bolo de casamento a ser decorado.— Sinceramente não sei, nunca pensei nisso. Sei que odeio babados e franjas, gosto da cor azul e de simplicidade.Senhora foi anotando o que eu disse com seriedade em um caderno.— Azul, nada de babados e simples, mais alguma coisa?— Não, tirando isso está livre para decidir o resto.No mesmo momento um sorriso enorme brotou em seu rosto, me arrependi de ter disso mesmo instante com medo do que ela prepararia para mim, mas senti que seria rude voltar em minha decisão.— Adoro ter liberdade para criar em minhas obras, prometo que não se decepcionará, me chamo Laura.— Lice — falei meu apelido.Com um aceno se retirou e foi para uma mesa cheia de tecidos agulhas e folhas com anotações de cada uma de nós. Vi que fui liberada pela ansiosa moça com fitas métricas e me retirei da sala.Olhei para o longo corredor, não fazia ideia de onde seria o meu quarto, e claramente não confiava nos meu sentidos já que a última vez tinha me conseguido um gato a tira colo.Olhei para baixo e encarei a linda pantera preta de olhos amarelos, era tão silenciosa que às vezes me esquecia que estava comigo.— Você precisa de um nome — falei me abaixando para fazer uma carícia.A mini pantera se inclinou apreciando o carinho na cabeça, sempre tinha gostado de gatos, mas minha mãe nunca tinha me permitido ter dizendo que eram animais traiçoeiros. Discordei até a morte, mas a casa não era minha e de cara perdia todas as discussões.— Anabel o que você acha? — falei.Ela saiu das minhas mãos e começou a ronronar e passar seu corpo pelas minhas pernas, imaginei que tinha acertado.— Certo Anabel, por acaso possui alguma ideia da direção do meu quarto? — falei me sentindo uma boba por conversar com um animal em voz alta.Para minha surpresa ela pareceu entender o que eu disse e seguiu para a escada pegando o corredor da esquerda, com medo de ser responsabilizada por deixa-la por aí a segui. Depois do que me pareceu ser umas três portas comecei a notar que os nomes de cada participante estavam escritos em letras douradas em cada porta.Anabel parou de andar e olho para mim.— Obrigada?Ri peguei ela no colo, ela veio com facilidade era leve por ainda ser pequena, imagino a quão pesada seria ao crescer. Fui andando a procura do meu nome no quarto, e lá estava em uma porta maior no fim do corredor, gravado também em letras douradas.Abri a porta.O quarto era suntuoso, com uma grande cama dorcel encostada a parede da esquerda ao lado uma penteadeira de madeira com detalhes que imagino terem sido talhados a mão, cheia de itens de beleza. Todos os móveis do quarto eram brancos no mesmo estilo da penteadeira.Na outra extremidade, em frente a cama uma lareira se apresentava com uma poltrona ao seu lado. Me imaginei passando invernos lendo livros ao som do fogo queimando. Nunca tinha visto tamanho luxo em um quarto, uma vez que eu dividia o meu desde que Nick nasceu a casa era pequena e só possuía dois quartos.Empolgada me joguei na cama, os lençóis e o colchão pareciam me abraçar de tamanho conforto. Até então não tinha percebido que estava tão cansada, não dormira muito bem na última noite e tirar as medidas demorou tanto que tomou toda noite, logo o dia iria raiar.Distraída vendo os detalhes da madeira entalhada a mão da cama fui pegando no sono, a última coisa que me lembro era pensar quem teria acordaria o Nick para ir para a escola esta manhã.
Notas finais
Obrigada por ler, deixe um comentário se possível. Abraços.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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