Juntos pelo Acaso
7 Sexto passo: Não esqueça os brinquedos do bebê
Notas iniciais
— Oh... – eu havia me esquecido que tinha um encontro com o Ray e que ele deveria estar chegando, tinha esquecido de tudo, na verdade, e isso não era para acontecer.
Fui até o espelho mais próximo e me retoquei, tentando não encontrar o Oliver no reflexo, seria difícil olhar para seus olhos e dizer para mim mesma que aquele beijo tinha sido só técnico.
— É melhor por uma camisa... Ray vai chegar a qualquer instante. – como se fosse mágica, a campainha tocou.
Apressei o passo para porta enquanto Oliver ia atrás de uma camisa, ele tinha ficado irritantemente calado depois do beijo, o que não poderia significar boa coisa, mas não podia ficar pensando nisso agora. Dei uma checada no meu look antes de abrir a porta, estampei um sorriso na cara e encarei Ray. Ele vestia um smoking elegante, com uma gravata azul que aleatoriamente combinava com meu vestido.
— Nossa. – disse ele sorrindo de ponta a ponta – Você é a coisa mais bonita que já vi.
— Coisa? – nós rimos e eu notei que Oliver já havia voltando, quando virei para encará-lo, vi que ele não estava mais brincalhão como antes e isso me deixou com vontade de ficar para fazê-lo não ficar triste.
— Oliver. – Ray cumprimentou-o e rapidamente Queen assumiu uma postura descontraída, pegando Sophie de lado, daquele jeito que eu odiava.
— Grande Ray. – Oliver apertou a mão do meu chefe e piscou pra mim – Não leve-a para nenhum lugar comprometedor, Felicity odeia surpresas.
— Então todo meu plano para hoje a noite foi por água a baixo.
— Vocês podem parar de falar como se eu não estivesse aqui? – perguntei – Oliver, meu número e o de Ray estão na geladeira e de uma médica amiga minha, caso seja preciso. Não me ligue se não for extremamente importante, ok?
— Como se eu fosse estragar a única pessoa que aceita sair com você. – ele ironizou, colocando Sophie na frente como um escudo.
— Há-há, o ultimo que tentou você o assustou. – dei um beijo em Sophie que comia um biscoito nada saudável e me virei para Ray – Vamos?
Ele estendeu o braço e sorriu.
— Vamos.
— Tchau, crianças, não queimem a casa.
— Não façam nada que eu não faria. – gritou Oliver de volta.
***
— Esse lugar é incrível.
Ray tinha me levado para o restaurante mais caro de Star City, levava meses para conseguir uma reserva e mesmo assim você corria o risco de perde-la. Ele tinha mantido uma conversa informal no carro, não entrando em assuntos que eu considerava embaraçosos, como o fato de eu estar morando com Oliver ou sobre a minha vida amorosa. Conversar com ele me fazia lembra o porquê de eu ter criado uma crush por ele, Ray era atencioso, gostava de conversar sobre as mesmas coisas que eu e fazia piadas sobre Doctor Who. O CEO era tudo que eu procurava em um parceiro: tranquilidade, Ray tinha um plano de vida e eu também, não tínhamos o que dar errado.
— Então – começou ele quando nossa comida foi servida – O que achou do restaurante?
— Estou impressionada, venho tentando fazer reservas aqui desde sempre.
— Tenho algumas vantagens por ser dono do lugar.
— Dono? – disse quase gritando
— Culpado, eu conversei com seu amigo Curtis para saber os lugares que você gostava, então ele disse que esse era seu restaurante dos sonhos... Contudo, o único jeito de conseguir uma reserva para hoje foi comprando o estabelecimento.
— Meu Deus, Ray... – quase tossi ao saber o que ele tinha feito, não era possível alguém ser tão perfeito assim, ele tinha que ter algum defeito – Não precisava.
— Ah, não foi nada.
— Jura? – perguntei arqueando a sobrancelha.
— Sou um homem bem rico.
— Estou percebendo.
PVO Oliver
Eles haviam saído há uma hora.
Pelo menos era isso que o relógio dizia que tinha sido, porque para mim fazia um bom tempo que Felicity tinha saído por aquela porta. Eu estava assistindo um jogo aleatório enquanto Sophie brincava com aquele patinho barulhento.
— Então... Você vem sempre aqui? – Sophie me encarou sem entender nada – Você mora por aqui, jura? Aonde você mora? Não acredito, na segunda porta a direita? Eu moro na esquia com o banheiro, como nunca te vi por aqui?
Sophie emitiu um som inteligível e sorriu para mim.
— Sabe, eu gosto de mulheres mais velhas, mas você tomou meu coração. Tenho uma queda por loiras sabe.
Ela começou a tossir logo depois, me estiquei para pegá-la e vi que Sophie estava mais quente que o normal. Levantei com pressa para pegar o número de Felicity, para acabar com seu encontro... Para levar Sophie ao hospital.
— Ela o quê? – perguntou Felicity ao telefone.
— Não posso falar muito, estou dirigindo. – fiz uma curva rápida par esquerda e visualizei o hospital.
— Como ela está, Oliver? – reforçou com uma voz nervosa.
— Está com febre e tossindo. – estacionei rapidamente e peguei meu telefone no viva voz – Já liguei para sua amiga, ela está chegando. Tenho que desligar.
— Tudo bem, estou indo.
— Ok, princesa.
Demorei um pouco para me livrar da cadeirinha e conseguir me livrar daquele patinho dos infernos, não podia fazer barulho no hospital. Apertei o passo para dentro e fui até a recepcionista, ela demorou até levantar os olhos para mim, mas quando o fez, ela exalou lentamente e arrumou o cabelo, presa fácil, pena que tinha uns... Quarenta e cinco anos.
— Olá, docinho. – cumprimentei – Preciso falar com Doutora Snow.
— Claro. – respondeu com um sorriso – Um segundo.
Depois que Sophie tinha sido atendida, ela havia dormido na cama de hospital e eu estava sentada ao lado dela. Nunca tinha pensado que passaria meu sábado à noite cuidando de uma criança, na verdade, nunca achei que passaria noite nenhuma cuidando de uma criança. Contudo, cuidar de Sophie vinham virando uma coisa que eu desejava fazer, não era mais um peso, como eu achei que seria, ela estava virando minha menininha, quem eu iria prender dentro de casas parar não ir em encontros. Quem eu iria embaraçar mostrando fotos antigas.
— Oliver? – uma voz preocupada me chamou na porta.
Olhei para ela tentando transmitir calma, eu sabia que tinha agido como se o caso de Sophie fosse grave, mas não era, só que Felicity não sabia disso e por isso ela deixou Ray no restaurante, podia dizer que tinha sido bem sucedido.
— Boa noite, princesa. – levantei e ela se aproximou de Sophie encostando sua mão no rosto dela – Ela está bem, Caitlin disse que é só uma febre normal, talvez venha o nosso primeiro resfriado por aí.
— Graças a Deus. – ela suspirou e sorriu, ela estava realmente muito bonita, de um jeito que eu nunca tinha visto, não porque ela tinha se arrumado de um jeito diferente, mas eu acho que estava olhando para ela de um jeito diferente – Imaginei milhões de coisas diferentes no caminho para cá, se não fosse o Ray me acalmando...
O plano falhou.
— Espera, Ray veio com você? – ela deve ter percebido minha irritação, porque apontou levemente para a janela, mostrando que Ray estava do outro lado, nos encarando.
— Ele insistiu.
— Que nobre da parte dele. – me joguei de volta na cadeira e tentei não fazer uma careta assustadora para Ray no intuito de assustá-lo.
— Então, sabe quando ela vai poder ir embora?
— Isso eu sei. – Caitlin entrou sorrindo para amiga, depois de alguns abraço e agradecimentos, Felicity deixou que a médica respondesse – De manhã, ela tem que ficar em observação para termos certeza que estamos certos, mas eu creio que sim.
— Que ótimo. Muito obrigada de novo.
— Que isso, é o meu trabalho. – a medica sorriu e olhou para mim – Estou impressionada, senhor Queen, você foi um ótimo pai essa noite.
— Só Oliver, por favor, afinal você salvou Sophie. – sorri de volta, e Felicity sabia exatamente o que eu estava fazendo, porque ela soltou a frase “ela não” movimentando os lábios antes de sair da sala com pressa.
— Que isso, era apenas um resfriado. – não respondi, minha atenção estava toda na cena que estava ocorrendo do outro lado do vidro.
Palmer estava exasperado, dizendo algo e movimentando os braços freneticamente, Felicity estava rindo e de repente ela se inclinou e deu um beijo nele. Tive que juntar todas as minhas forças para não ir lá e arrumar outra desculpa para fazê-la entrar, Felicity tinha me pedido o favor de avaliar o beijo dela, então eu sabia o quanto viciante ele era. Por isso, ver outro homem provando dele me deixou doido.
— Sabe – disse Caitlin chamando minha atenção – Você deveria dizer para ela antes que seja tarde demais.
— Dizer o quê? – perguntei afastando meu olhar dos dois.
— Que está apaixonado. – ela me deu tapinhas amigáveis e saiu da sala sorrindo.
No mesmo segundo, Felicity entrou na sala, não me dando tempo para pensar no que a doutora tinha falado. Eu? Apaixonado? Achei que isso nunca ia acontecer.
— Então – começou ela com um sorriso bobo, seus lábios estavam um pouco manchados de batom – Não ganhou a transa de hoje?
— Nem você, princesa. – olhei para Sophie, ela dormia tranquilamente, abraçada ao patinho, Felicity chegou perto de mim e encostou a cabeça no meu ombro com um suspiro cansado.
— Ela é bem mais importante.
***
Na segunda, Felicity acordou cedo e começou a fazer um barulho horrível pela casa. Levantei com um resmungo, não me preocupando em me vestir, abri a porta com um estrondo e encontrei a porta do quarto de Felicity aberta. Não me importei em bater, entrei com uma carranca, ela se virou para brigar comigo, mas abriu a boca em surpresa e fechou os olhos com as mãos.
— Você está maluco?
Ela se virou e tentou abotoar a blusa rapidamente, o que acabou não dando certo, fazendo que ela se virasse com um suspiro de irritação.
— Eu não estou nu, Felicity.
— Está praticamente. – ela largou o batom que segurava em seu criado mudo e colocou a mão na cintura, me encarnado com uma feição nervosa – Eu nem acabei de me vestir.
— Acho que está precisando de uma ajuda nisso.
Me aproximei dela com um sorriso malicioso e peguei o primeiro botão da sua blusa, começando a fechá-lo, seu peito subia e descia histericamente. Senti que ela segurava a respiração, levantei o rosto para ela e vi que mordia fortemente seu lábio inferior. Aquela imagem estava me deixando louco, me atentei a acabar o que eu tinha começado e olhei para baixo, afim de terminar com seus botões. Quando cheguei na altura de seus seios, tive que me policiar para não prender a respiração ou o controle, não podia forçar nada com ela e não podia mostrar que nunca me segurei tanto na vida.
Eu queria estar fazendo o movimento contrário, contudo, acabei com seus botões e segurei na sua cintura.
— Oliver... – advertiu.
Com uma risada rouca, eu a virei e puxei o zíper da saia para cima, modelando seu corpo com ela. Eu nunca tinha vestido uma mulher antes, era como se o mundo estivesse correndo ao contrário.
— Você ainda está praticamente nu. – disse ela com uma voz quase inaudível.
Felicity não tinha afastado seu corpo do meu, o que me deu uma coragem para chegar mais perto e encostar meu peito nas suas costas, a senti puxar a respiração novamente.
— Ainda estou vestindo você. – aquilo não era para ter saído tão provocativo quanto foi, eu sabia que tinha que me afastar, que ela estava saindo com Ray e que qualquer relacionamento com ela implicaria em coisas mais sérias e eu não sabia como fazer isso – Que tal me passar seu cordão.
Ela esticou o braço, pegou um cordão qualquer e me entregou. Peguei a joia e fiz uma nota mental de comprar uma bem mais bonita para ela, será que eu precisaria de uma desculpa? Ou eu poderia apenas presenteá-la?
Quando terminei de fechá-lo, deixei minhas mãos paradas por um tempo, sem saber o próximo passo. Assim que cansei de lutar, desci meus braços até alcançar sua cintura e a apertei contra mim dessa vez mais forte, minha boca foi suplicante ao encontro da curva do seu pescoço. Felicity de um pequeno gemido antes de esticar a cabeça para trás, me dando mais do paraíso que era seu pescoço.
Sua mão pequena veio de encontro com meu pescoço e o apertou, passando o dedo por entre meus cabelos. Isso fez com que eu me adiantasse até sua orelha e abocanhasse seu lóbulo, fazendo com que ela não conseguisse segurar o gemido. Merda, estava perdendo a porcaria do controle.
Entretanto, Felicity não me afastava, os sons que ela fazia me deixavam mais faminto dela, de retirar toda a roupa que eu havia ajudado a colocar e jogá-la na cama, ou em qualquer lugar que Palmer não pudesse encontrá-la.
Estava preste a virá-la e acabar com toda aquela tensão quando o seu telefone começou a tocar, a loira se afastou rapidamente e pegou o aparelho. Percebi que ela vestia roupas mais arrumadas que o normal e seu cabelo estava com ondas que ela não costumava fazer. Estava se arrumando toda só porque tinha saído uma vez com Ray?
— Sim. – disse ela ao telefone sem olhar para mim, tentei me acalmar para a decepção que seria ela se arrepender – Estarei aí em um segundo, Curtis. – ela fez uma feição impaciente e suspirou – Desculpe, mas vou ter que ser chata, tchau. – Felicity desligou e voltou a se arrumar como se nada tivesse acontecido, passando o batom e o resto da maquiagem – Aquele meu evento é hoje e Thea avisou ontem que não poderia vir hoje.
— O quê? – me joguei na cama, ela ia fingir que nunca aconteceu? Era pior do que ela estar arrependida.
— Eu falei isso com você ontem. – ela terminou a maquiagem e pegou uma bolsa, jogando coisas dentro dela – Achei que poderia não ir trabalhar hoje.
— Eu tenho uma reunião importante com o um Xeique.
— Não é como se você não tivesse faltado compromissos antes. – ela colocou o brinco, pegou a bolsa e saiu do quarto.
Levantei com um pulo e fui atrás dela.
— Auch pensei que tínhamos concordado que eu tinha que mudar de postura.
— Eu não sei o que você vai fazer, só sei que eu te avisei isso desde que concordamos a ficar com Sophie. Se você prestasse atenção no que eu digo...
— Eu presto atenção!
— Sério, Oliver, é a segunda vez que você “acidentalmente não sabe”. – ela fez aspas com as mãos e pegou as chaves do carro.
— Estou me esforçando, você sabe disso.
— Às vezes eu não consigo perceber.
Com isso ela bateu a porta, me deixando com vontade de socar algum lugar, o que eu acabei fazendo na parede.
***
Depois de me vestir e fazer um esforço enorme para vestir Sophie, peguei o telefone com intuito de ligar para Deus e o mundo, para conseguir alguém para cuidar de Sophie. Aconteceu que Deus e o mundo não podia cuidar dela hoje por inúmeros motivos, liguei para todos que conhecia que confiava, mas nenhum deles poderia ficar com ela. Até Shado, que não trabalha, disse que era dia de levar Akio no médico.
No fim, acabei ligando para Lyla, que disse que estava tendo problemas na empresa e teria que levar Sara junto, sendo impossível cuidar de Sophie também. Quando tinha perdido as esperanças e estava atrasado para reunião, Diggle buzinou na porta.
Peguei Sophie com seu bolsa e saí correndo, sem nem lembrar de trancar a porta. Assim que alcancei o carro, Diggle abriu a porta erguendo a sobrancelha.
— Dia de levar os filhos para o trabalho?
— Felicity teve que sair e Thea não pôde vir – coloquei Sophie na cadeirinha e dei a mamadeira – Estava quase sem esperança quando você buzinou.
— Espera – disse Diggle rindo – Você não espera que eu cuide dela por você, certo?
— Qual é, Diggle. Você tem uma filha, não vai ser difícil.
— Eu aguento a minha filha, não sei cuidar das filhas dos outros.
— Vai ter que tentar, senão eu vou te despedir.
— Você precisa de mim para tudo, Oliver, você não vai me despedir.
— Então... – tentei pensar rápido – Vou diminuir seu salário por tempo indeterminado.
— Você não seria capaz. – Diggle entrou no estacionamento da empresa e eu olhei no relógio, faltavam dois minutos.
— Sou bem capaz. Além do mais, Sophie é tão calma que você nem vai perceber e se ela começar a chorar é só dar o patinho.
Assim que ele estacionou, eu abri a porta e sai correndo, não dando tempo para ele dizer não. Tinha chegado quase na hora e o xeique já estava na sala, apressei-me e comecei a falar. Tudo estava indo bem até que ouvi o choro de Sophie, olhei para o lado e vi Diggle entrando com ela, olhei para o investidores pedindo desculpas e fui até ela.
— Cadê o patinho? – Diggle me entregou ela.
— Não estava em lugar nenhum, não vou ficar com ela que não para de chorar faz meia-hora.
— Não acredito que esqueci! – Sophie voltou a chorar e Diggle se afastou.
— Não posso fazer nada, Oliver, se vira.
Com isso, ele se afastou, me deixando com a criança chorando e os investidores me encarando com olhares furiosos.
No final, Sophie só tinha parado de chorar quando achou uma caneta no meu bolso e começou a comê-la. Logo, os xeiques não aceitaram o acordo porque falaram que se eu não consigo cuidar da minha própria filha, eu não conseguiria cuidar de uma empresa.
Quando o expediente terminou, cheguei em casa e Felicity ainda não tinha chegado. Dei um banho em Sophie e a troquei, depois de fazer um jantar rápido tentei fazê-la dormir. O dia foi de maravilhoso para um dos piores dias da minha vida: Felicity me afastou, depois disse que eu não estava tentando o suficiente, mais tarde, perdi o acordo com o xeique e esqueci a porcaria do patinho.
Eu sabia que aquilo não tinha nada a ver com aquilo, ela não tinha pedido para que eu fosse o pai dela, eu estava com raiva de Tommy por não ter me preparado, por não ter me avisado que eu teria que desistir de todos os meus planos de vida e da minha própria rotina para me prender a filha dele.
Quando Sophie tinha acabado de dormir, Felicity chegou, ela parecia cansada, mas satisfeita com alguma coisa. Levantei para colocar Sophie no berço e me adiantei para sair do quarto, fechando a porta.
— Correu tudo bem? – sussurrou ela.
— Não! – massageei as têmporas – Perdi o contrato por causa de Sophie.
— Sinto muito, mas...
— Você sabe que assim eu vou parecer que nunca mudei.
— Eu te avisei!
— Isso não te impede de me ajudar – falei mais alto do que deveria – Vamos acabar sem essa guarda.
— E quem vai cuidar da sua filha?
— Ela não é a minha filha! – gritei, no mesmo momento Sophie começou a chorar.
Felicity me encarou por muito tempo, talvez esperando que eu me corrigisse, talvez tentando acreditar em minhas palavras, por fim, ela se afastou e foi com passos rápidos até a porta do quarto de Sophie. Antes de entrar, ela virou para mim e disse:
— É filha de quem então?
Assim que ela entrou no quarto, eu peguei a moto que estava na garagem e sai.
Demorei um tempo para perceber para onde estava indo. Poderia ter ido para Verdant e achar qualquer mulher para esquecer de tudo o que tinha acontecido, poderia ter procurado Diggle e achar motivos para gritar com ele. Poderia ter ido para casa e aceitado a derrota, mas percebi que estava indo para o cemitério.
Estacionei a moto e andei vagarosamente até o tumulo de Tommy e Laurel, eu não tinha voltado ali desde o dia do enterro e pretendia não voltar, mas a única coisa em que eu conseguia pensar era que eu precisava do meu amigo.
Ajoelhei perto da lápide e comecei a falar, como se de algum modo ele pudesse me escutar. Disse o que estava acontecendo e o que eu queria que acontecesse, disse o que estava me assustando rezando para que de algum modo ele pudesse me arrepender.
Depois de um tempo, parado ali no frio, percebi que eu estava sendo um grande idiota. Se Tommy pudesse me dar um tapa divino, seria naquele momento, ele diria que eu estava sendo um imbecil. Diria que se eu quisesse ficar com Felicity, eu teria que parar de ser medroso e conquista-la, não ter medo do que aquilo poderia me levar, porque eu estava disposto a ter algo com ela. Diria que eu amava Sophie e que nenhuma crise de raiva poderia me afastar dela, eu tinha que assumir tudo e parar de ser um bebê chorão que tentava fugir na primeira dificuldade.
Corri até a moto, disposto a falar para Felicity que eu era o pai de Sophie.
Quando cheguei em casa, abri a porta com intuito de subir as escadas, mas percebi que ela estava sentada no sofá. A loira me encarou séria com o controle na mão, me aproximei devagar, colocando o capacete em alguma poltrona.
— Desculpa – comecei – Eu não tenho sido muito confiável ultimamente, mas eu juro que eu a amo e que nada me impediria de cuidar dela. Ainda mais um contrato idiota.
— Achei que você beberia ou arrumasse alguma qualquer para passar a noite. – disse ela com calma – Mesmo assim eu me recuei a dormir, esperando qual seria sua atitude, estou surpresa que você tenha voltado e bem... Acho que eu grudei uma imagem sua na minha cabeça e estava sendo incapaz de ver que você mudou e está mudando.
Cheguei mais perto e sentei no sofá.
— Não sou perfeito, por mais que as pessoas achem isso. – suspirei com um sorriso – Não deveria ter gritado com você daquele jeito.
— Eu não facilitei, não é mesmo? – Felicity sorriu e me deu a chance de sorrir também.
— Você nunca facilita.
— Somos tão diferentes que às vezes nem sei como convivemos na mesma casa.
— Acho que por isso Tommy e Laurel nos escolheram – ela me olhou com curiosidade – Vamos poder ensinar Sophie a lidar com as diferenças e somos as únicas pessoas que poderiam falar com verdadeiramente os pais dela eram.
— Está aí uma coisa na qual concordamos, Queen.
— Então estamos bem, princesa?
Ela sorriu e corou, me deixando mais feliz.
— Sim, você me surpreendeu e isso me faz ter fé em você, Oliver. – ela alcançou a minha mão e apertou – Você pode fazer tudo o que quiser, não precisa ficar preso no que a sua mãe acha de você.
— Obrigado... Então, o que está vendo?
Ela olhou para frente e sacudiu a cabeça.
— Não faço ideia.
— Ótimo.
Cheguei ao lado dela, Felicity deitou nas minhas pernas e abraçou meu braço. Fiquei um tempo sem reação antes de usar o outro braço para fazer carinho nos seus cabelos. Ela gemeu baixinho e sorriu.
— Mais uma coisa que você me surpreendeu.
— O quê? – perguntei esperançoso.
— Você me acalma.
Fale com o autor