Juntos Pelo Acaso - Vondy
5 Capítulo 04 - A Conversa com o Advogado
Notas iniciais
Uma noite mal dormida, era assim que Roberta definiria a noite que teve na casa de sua melhor amiga. Durante a noite toda, ela acordou com algum pesadelo. Nunca dormiu tão mal como hoje, disso pôde ter certeza.
Quando desceu os degraus da longa escada, viu Diego na cozinha.
– Bom dia! — Fala ela, entrando na cozinha. — Tá fazendo o quê?
– Panquecas pro café da manhã.
– Vai me dizer que sabe cozinhar? — Ela zombou.
– Pra alguma coisa as novelas e filmes que fiz deram resultado.
– Não me lembro de ter algum trabalho seu onde você cozinhava. — Roberta fica pensativa.
– A verdade é que aprendi com minha mãe, desde a adolescência sempre gostei de cozinhar.
– Olha só, tá aí uma coisa que eu não sabia ao seu respeito.
Diego não disse nada, apenas colocou a panqueca no prato de Roberta.
– É pro advogado vir hoje de manhã, aqui. — falou ele pegando sua panqueca.
– Hum... — Roberta resmungou — O que será que ele vai falar?
– Palavras! — Diego ri, sem vontade.
– Não me diga! — Ela fala, com sacarmos. — Diego, eu tô com medo.
– Do que?
– Se a gente ficar com Pietro, será que daríamos conta do recado?
– Pelo menos tentaremos, não é?
Roberta fica em silêncio, olhando pro nada. De repente, a campainha toca:
– Deve ser o advogado! — Exclama Diego, e vai atender a porta.
Roberta sai da cozinha e vai até a sala de jantar, durante o pequeno percurso viu fotos dos amigos com o pequeno Pietro demonstrando o como eles eram felizes.
– Sente-se doutor Ramos! – Diz Diego, apontando pra uma cadeira.
Roberta observa o advogado, e quando olha pro seu lado direito, Diego está ali sentando ao seu lado enquanto o advogado estava sentado na frente de ambos.
– Bom como vocês já devem saber, sou o advogado de Mia e Miguel Arango. — Doutor Ramos começa a dizer. — E antes deles morrerem, deixaram claro com quem o filho deles ficaria se algo acontecesse com eles.
– E essas pessoas, seriam a gente? — Diego aponta o dedo pra ele e para Roberta.
– Sim. — Confirma o advogado.
Roberta e Diego apenas se olham.
– Doutor, nós não somos casados. — Diz Roberta.
– Mas os falecidos deixaram claro que é com os dois que a criança deve ficar.
– Nós moramos em um apartamento. — Fala Diego. — Se ficassemos com o Pietro, onde iriamos morar?
– Aqui! — O advogado olha em sua volta — Aqui é casa da criança, e serão vocês que terão que sair da casa de vocês.
– É obrigado ficarmos com ele? — Pergunta Roberta.
– Se não quiserem ele, o Pietro ficará num orfanato até ser adotado.
– Mas tem tantos familiares da Mia e do Miguel! — Fala Diego.
– Segundo eles, a família nunca se importou com eles. E as pessoas que eles mais confiam para criar o filho deles, é vocês! — Explicou o advogado.
– Doutor, teremos um tempo pra pensar sobre o assunto? — Pergunta Roberta.
– Em minha opinião, vocês deveriam pegar o Pietro no conselho tutelar e fazer uma experiência. Caso contrário — se não quiserem mesmo ele. Um dia, ele vai ser adotado por alguém e terá uma família pra cria-lo e ama-lo.
– Supondo que fiquemos com ele. — Fala Diego. — Teria todo um processo pra... — Ele é interrompido pelo advogado.
– Uma assistente social deverá vir vê-los durante alguns meses pra saber como vocês criam ele, e se são realmente capazes pra tamanha responsabilidade. Caso contrário, o Pietro sairá daqui e irá pra um orfanato. — Explica ele.
Roberta e Diego se olham.
– Digamos que a gente fique com o Pietro, teriamos que se casar ou algo assim? — Pergunta Roberta.
– Não. Vocês apenas criariam a criança por pedido dos seus amigos. — Diz ele. — Mas poderão continuar com suas vidas, tendo outros relacionamentos.
– Hum... Eu vou tentar! — Fala Roberta, olhando pro advogado e em seguida para Diego. — Da minha parte, vou criar o Pietro, pois se era isso que eles queriam, eu vou fazer! Eles eram ótimas pessoas, e se confiaram na gente pra isso é porque somos capazes.
– E você, pensa da mesma forma? — Pergunta o advogado para Diego.
– Sim. Farei isso pelo Miguel, pela nossa amizade. Eu amo o Pietro, não teria coragem de deixa-lo em um orfanato! — Responde o cantor.
– Ótimo! Hoje mesmo, vocês poderão pegar a criança no conselho. E não esqueçam que a qualquer dia, a assistente social irá aparecer e meu conselho é que se quiserem mesmo ficar com Pietro, tenham juízo. — Fala o advogado. — Já vou indo, tenham um ótimo dia! — Ele levanta-se.
– Igualmente. — Falaram Roberta e Diego.
Mais tarde...
– Deus do céu, da terra e do mar! — Exclamou Roberta se jogando no sofá.
– O que foi? — Diego apareceu com um copo de refrigerante.
– Nunca pensei que arrumar essa casa seria tão cansativo.
– Pois é, essa casa é enorme! — Fala Diego sentando-se no sofá. — Droga! — Ele gritou.
– O que foi? — Roberta fez uma careta, com raiva por Diego ter gritado em seu ouvido.
– Não está se esquecendo de algo? — Diego arregalou os olhos.
– Acho que não. Já arrumei a casa toda e... — Ela parou de falar — Droga! A gente esqueceu-se de pegar o Pietro.
– Vamos lá, então!
Ambos correram até o carro de Roberta, Diego dirigiu até o conselho tutelar, nenhum nem outro falaram uma palavra se quer. Mais ambos pensaram que já começaram "bem" como responsáveis de Pietro.
Depois de alguns minutos de espera, Roberta e Diego receberam Pietro com um enorme sorriso no rosto.
– Olá garotão! — Exclama Roberta, pegando ele no colo. — Ansioso pra voltar pra casa?
– Oi Pietro! — Diego diz, bagunçando o cabelo do pequeno.
No caminho até em casa, Diego vê pelo retrovisor, Roberta conversando com Pietro, falando sobre tudo que o espera em sua casa. No fundo, ele estava feliz. Pietro lembrava muito seu amigo, e isso foi um dos motivos por aceitar tamanha responsabilidade.
Á noite...
– Diego, por que ele não para de chorar? — Gritou Roberta, da cozinha.
– Não sei. Eu já vi a frauda, e ela tá limpinha. Já dei aquela gororoba que você chama de comida pra ele, e fez com que ele chorasse mais.
– Gororoba você vai ver! — Roberta marcha da cozinha até a sala. — Oi meu amor, o que foi? — Ela pega Pietro no colo, e vê a televisão ligada. — O que está assistindo, Diego?
– Jogo ué! — Ele dá de ombros.
Roberta coloca Pietro sentando ao lado de Diego, e pega o controle remoto.
– O que vai fazer? — Diego perguntou, bravo.
– Vejamos...
Roberta muda para um canal de desenho, e Pietro rapidamente fica quieto e prestando atenção nas figuras coloridas.
– Eu não acredito! – Fala Diego indo até a cozinha.
– Ficou bravo? — Roberta pergunta o seguindo.
– Não. Fiquei impressionado que pelo menos uma coisa você acertou.
– O que você quer dizer com isso?
– Eu não dei aquela gororoba pro Pietro comer, eu dei salgadinhos e ele comeu tudo.
– Eu não...
– Se não me engano, devo ter colocado a frauda errado porque nunca fiz isso na vida, sem contar que no banho ele chorava desesperado.
– Por que está me contando isso, Diego?
– Não sei. Faz apenas quatro horas que estamos cuidando, ou tentando cuidar dele, e de tudo que fizemos só o canal que você acertou, o resto tá tudo errado. Sei lá, será mesmo que fizemos a escolha certa? Será mesmo que vamos conseguir cuidar dele como... Como a Mia e o Miguel cuidavam?
Roberta não responde nada, apenas fica pensando no que acabara de ouvir.
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