Juntos

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Reta final se aproximando...rs

– Sherlock

É nossa última noite no hotel, voltaremos para Londres amanhã. Concordamos que depois de três semanas vivendo em um mundo quase só nosso, era hora de voltarmos à realidade para ver o que aconteceria.

Decidimos que nos despediríamos daqui em grande estilo e faremos como na ilha, uma espécie de luau. O bom é que dessa vez temos algumas facilidades e conseguimos reservar uma tenda já com comidas e bebidas disponíveis, assim como todos os aparatos necessários.

Deixar essa praia não é uma tarefa fácil. Da ilha não tivemos uma opção, ela foi arrancada de nós quando menos esperávamos. Agora é uma escolha nossa... Mas não poderíamos ficar aqui para sempre também.

São muitas lembranças que levaremos daqui, que se misturam com as anteriores. Há tristeza misturada com o sentimento de missão cumprida. Viemos para cá com a ideia de recomeçar e, além de não precisarmos fazer isso, nosso relacionamento se fortaleceu a níveis profundos.

Penso em tudo que vivemos enquanto caminhamos de mãos dadas. Momentos que nunca imaginei que viveria... Minha vida tinha mudado de uma forma que era impossível prever. Hoje não sou só casado com meu trabalho. Sorrio ao pensar nisso.

Chegamos até o local que foi arranjado para nós. Há um tipo de grande sofá com almofadas brancas, e uma mesa arrumada para duas pessoas com alguma comida que não reconheço. Molly dispensa o rapaz que está nos aguardando. Definitivamente não precisamos dele.

Jantamos em um agradável silêncio, quebrado apenas pelas interjeições de Molly ao elogiar a comida. Ela se afasta um pouco da mesa ao terminar a refeição, olhando-me enquanto terminava de beber o conteúdo de sua taça.

– O que você pensou naquela primeira vez em que a calda de chocolate escorreu por meus dedos? — Molly parece divertir-se em fazer essa pergunta.

– Vamos lá, Molly, você sabe o que eu pensei. E por acaso tem a ver com aquele costume que você aderiu de me pegar desprevenido na piscina. E no chuveiro. E na cama. — Suspiro. — Eu sabia que estaria perdido para sempre quando você começou a lamber os dedos.

Meu olhar para ela agora é malicioso e ela ri ainda mais.

– E você, o que pensou?

– O que mais? Que você estava louco, é claro! E também que não seria má ideia eu me aproveitar disso.

– Sabia que sua inocência era falsa... — Eu estreito os olhos... Sempre desconfiei que Molly tentava me seduzir mesmo que sem consciência do que fazia.

– Não era falsa, idiota. Do nada você começou a olhar como se quisesse me comer... — Dou risada e ela percebe o que disse, abrindo a boca para corrigir, mas não antes que eu responda.

– Porque eu queria! — Ela ri, balançando a cabeça pra mim como se não acreditasse. Até parece que ela não sabia. Molly se levanta e puxa minha mão para que eu me deite no sofá com ela.

– A sua doença me assustou muito lá na ilha... Às vezes penso no que teria acontecido se você tivesse morrido... Isso me dá calafrios. — Percebo que o que ela diz é verdade e o corpo dele ainda reage com medo a esse pensamento. Abraço-a ainda mais apertado.

– Eu nunca deixaria você sozinha. E devo muito àquela infecção e os dias na banheira.

– Sherlock... Você é um pervertido.

– E a culpa é toda sua. – De quem mais seria? Quem ficava sexy até mesmo com meus pijamas?

– Aham... Não fui eu que te beijei quando você estava inocentemente dançando. – Ela disse INOCENTEMENTE?

– Inocentemente dançando? Eu que sei. Tão inocente quanto outro dia na festa do hotel...

– Sim, igual aquele dia.

Observo ela se levantar e ir até o aparelho de rádio que está tocando uma música lenta.

– Molls... Já estou pensando que vou estar perdido novamente.

– Parece de ser fraco, Sherlock.

– Fraco? Você bate em mim, Molly!

Ela se vira só para que eu veja que ela revira os olhos para mim com desdém, e continua procurando uma música.

– Você bem que gosta.

Bom, talvez ela tenha razão.

– E também não é nenhum santo, eu ainda tenho marcas.

Talvez tenha razão nisso também.

♫ ♪ ♫

A música começa a tocar e já pelas primeiras batidas imagino o que me espera. Pego uma das almofadas e tampo meu rosto com ela. Mas basta Molly começar a cantar, acompanhando a música para que eu me renda e espie por um dos cantos da almofada.

Baby you should know by now that I'm right... for you

Droga, droga, droga. Por que fui olhar? Agora não conseguia tirar os olhos dela.

Devo ter batido a cabeça de novo. Tortura eterna. Em um círculo. Isso nunca vai acabar... Ainda bem.

Molly se aproxima de mim, ainda dançando, cantando partes da música e me chamando. Espero que ela se aproxime o suficiente e ouço o que a música diz.

Baby please

Oh baby please

Stay with me or cut me free

A puxo para o sofá e ela cai rindo deitada ao meu lado.

Take it or leave it.

É o suficiente para que eu a beije. Acho que é perfeitamente possível imaginar o que desenrolou a partir daí.

–-- --- ---

Já tarde da noite, quando nós já estamos deitados para dormir, Molly está estranhamente silenciosa e distante de mim. Seguro sua mão, preocupado.

– O que foi, Molls?

Ela se vira para mim com os olhos nadando em lágrimas e uma falha tentativa de sorrir. Vejo-a engolir com dificuldades antes de falar, em pausas e com a voz entrecortada:

– Eu tenho medo... Da vida real... Da nossa vida real...

Sei o que ela quer dizer. Ela está sentindo o mesmo que eu disse a ela dias atrás e eu a entendo. Até agora nós não tínhamos voltado para nossas vidas. Saímos do hospital, ficamos separados e quando nos juntamos de novo, ficamos trancados em Baker Street. Depois disso, viemos direto para cá. Não havia casos, hospitais, nem nada disso em meio a nós. Agora teria.

– Molly, nós somos casados agora. E eu cumprirei todas minhas promessas. Nós ficaremos juntos, independente do que vier a acontecer. Faremos mais uma aqui... Se quando estivermos separados por causa do trabalho nos sentirmos mal, procuraremos um ao outro. Seremos prioridades, ok?

– Sim... E precisaremos de celulares novos...

As lágrimas escorriam dos olhos dela, mas agora ela sorria.

– Definitivamente precisaremos, já que os nossos vão ser mais espertos que nós e ficarão por aqui.

Faço com que ela ria e as lágrimas começam a secar. Fico aliviado. Não gosto quando ela chora.

Nós demoramos para dormir. Estávamos sem sono e ficamos até tarde vendo um filme chato, eu deitado com a cabeça na barriga de Molly e ela brincando com meus cabelos. Quando vejo que ela está quase dormindo, a ajeito no travesseiro ao meu lado e a abraço. Prometo baixinho que nossa vida em Londres será tão boa quanto aqui e ela assente sorrindo, já caindo em um sono profundo.