Juntos
11 Capítulo 11
Notas iniciais
– Sherlock
Dormimos ainda mais juntos após todas nossas aventuras. Confesso que sentia dores pelo meu corpo, mas era uma dor que eu gostava de sentir, de me lembrar o porque dela estar ali. Estava um pouco quanto sem forças e acho que precisaria me alimentar bem no dia seguinte para me manter em pé. Diria que precisaria comer como um esportista.
A manhã chegou e com ela os raios de sol que invadiram nosso quarto através da janela. Quem deixou a cortina aberta? Tateio pela cama atrás de Molly, mas não acho. Onde ela se enfiou? Abro meus olhos com dificuldade e vou até o banheiro. Droga, estou ainda mais dolorido que ontem e muito mais do que eu imaginei que estaria.
Peço para que entreguem nosso café da manhã no quarto e começo a procurá-la, já bravo por ela ter saído da cama sem mim, e a encontro na nossa piscina privativa, sentada na borda com os pés balançando na água, olhando para o mar à frente. Ela tem uma expressão serena e um pequeno sorriso nos lábios. O que senti por não vê-la ao meu lado na cama desaparece e eu poderia ficar olhando-a por um longo tempo agora.
Depois de alguns minutos sem que ela notasse a minha presença, eu me sento ao seu lado.
– Hey.
Molly se vira para me olhar e sorri, sua mão indo até meu rosto e me acariciando com leveza.
– Bom dia.
Aproximo-me lentamente dela e a beijo com calma.
– Molls... Seria uma pena se você caísse na água agora...
Ela só tem tempo de me olhar confusa antes que eu a segure e a puxe junto comigo para a água. Nós afundamos e sou obrigado a rir quando, de novo, Molly volta à superfície quase afogada.
– Sherlock! Seu infeliz! Quando você vai perder essa mania de querer me afogar a toda instante??
Isso faz com que eu dê ainda mais risada. Ai, minhas costelas doem com o esforço de rir.
– Hmmm... Talvez nunca!
Molly tenta disfarçar, mas vejo um sorriso querendo sair dela. Sou mais rápido e desvio a tempo da água que ela lança em mim e sou salvo pela campainha avisando que nosso café chegou.
Saio da piscina com um sorriso triunfante no rosto e me enxugo rapidamente.
– Isso vai ter troco, Sherlock!
Tenho um pouco de medo dos trocos de Molly, porque eu sempre saio perdendo nessas brincadeiras.
Recebo nosso café da manhã e levo até a mesa a beira da piscina. Molly já tirou a roupa molhada e está só de biquíni. Desconfio que isso já seja o começo de sua vingança contra mim e fico ainda com mais medo.
Ela sai da piscina e nós comemos com tranquilidade. Pelo menos seria tranquilo enquanto eu fingisse que não via Molly me provocando.
Consigo passar ileso dessa vez e nós caminhamos pela praia após o café. O sol parece sorrir para nós e aproveitamos para entrar no mar. Molly tenta me afogar, mas eu não deixo que isso aconteça, derrubando-a na água novamente. Acredito que minha situação com ela fica mais complicada após esse episódio.
Depois do almoço, nós voltamos para a piscina. Estávamos tomando sol na parte mais rasa, onde a água mal nos alcançava. Molly estava com a cabeça apoiada em minha barriga e eu brincava com os cabelos dela. Tentava ficar atento ao momento em que seria levado para um rodamoinho de emoções de novo.
– Sherlock, você acha que nossa vida em Londres vai ser chata?
Penso por um segundo na pergunta que ela me faz e vejo que é impossível algo se tornar chato quando se tem Molly Hooper por perto.
– Nós teremos que voltar a trabalhar mais cedo ou mais tarde, e isso é chato. Mas arrumaremos tempo para transar em cima da pia da cozinha e no chão da sala, então tudo voltará a ficar bem.
– Adoro sua definição de "bem". — Ela diz, sorrindo para mim.
– Quer melhor que isso?
– Não! — Ouço sua risada e devolvo o sorriso.
– Você já quer voltar para Londres?
– Acho que aguento mais uns dias com você, mas teremos que voltar uma hora.
Ela está certa em sua resposta. Teremos que voltar e esse dia se aproxima cada vez mais. Não gosto nenhum pouco disso.
– Eu tenho medo... — Ops, disse isso sem perceber que estava falando em voz alta. Molly virou a cabeça para mim e percebo que terei que continuar falando. — Tenho medo de sair daqui. Assim como não queria sair da ilha. É isso.
Molly volta a olhar para frente e não fala nada por algum tempo. Já começo a ficar ansioso quando escuto a voz dela:
– Eu também. Mas não vai ser como se houvesse um tsunami dessa vez, não é? Nós chegaremos em Londres, continuaremos juntos e sem dramas, certo?
– Sim, eu espero que sim. — Mexo em seus cabelos e a vejo se arrepiar, isso já me dá ideias, mas as afasto por enquanto. — Você sente falta da ilha?
– Às vezes... Aqui, sinto menos. Mas quando aparecem mais pessoas a nossa volta, eu sinto falta de estar sozinha com você. Isolada de tudo. Era bem mais fácil sermos só nós dois. – O olhar dela se perde, provavelmente lembrando dos nossos momentos na ilha. Eu concordo com o que ela disse e suspiro audivelmente.
– Sinto muita falta disso. De me preocupar só em que canto da casa vou te agarrar.
Ela dá uma rápida gargalhada e vira para mim com uma expressão travessa.
– É mesmo, Sherlock? Devo informar agora que não era só você que pensava sobre esse assunto? E aliás, isso me lembra que eu não fiz nada com você na piscina ainda.
O modo como ela diz o "ainda" me leva a crer que ela prende resolver isso logo. E levando em consideração que nós estamos na piscina, talvez esse "logo" seja realmente logo.
Vejo-a levantar e virar-se para mim.
– Acho que tenho algumas contas para acertar.
Deus, eu estou perdido de novo.
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