Notas iniciais
Introdução curta, pouca aparição de Pokemon. Nem toda fanfic do Mundo Pokemon tem que começar com uma jornada ou romance, sabiam?

–Calma – dizia um homem de avental branco se aproximando de mim – Eu não vou te machucar.

–Deixe-me em paz! – eu gritei chorando – Eu só quero voltar para casa, voltar para minha mãe.

– E você vai... – respondeu ele num ameaçadoramente calmo – Vai voltar para sua gaiola se não comportar.

O homem tirou uma injeção do bolso e agarrou meu braço magro como osso, embora eu protestasse e tentasse afasta-lo. Ele injetou alguma substância em seu corpo e levantou-se dizendo:

– Viu não foi tão ruim assim, foi? Tente gritar mais baixo hoje, ok? Assim você vai assustar as outras cobaias.

Assim que ele fechou a porta, eu senti meu corpo queimar por dentro. Um golpe no estômago vindo da nada. Retorci no chão gélido, meus membros formavam involuntariamente ângulos estranhos. Parecia que estava em chamas de gelo, atingindo-me em todos os cantos. A cabeça explodia e se continha repetidas vezes, a minha pele queimava e congelava enquanto sofria bruscos e intermináveis choques térmicos. Meu pesadelo diário voltou a me atormentar novamente. Recebia golpes cada vez mais fortes e velozes, a ponto de me levantarem do piso apenas pela força de impacto. Por mais que gritasse e pedisse por socorro, sabia que ninguém viria me ajudar.

Depois do que pareceram horas intermináveis, meu corpo finalmente relaxou. Eu estava fraco demais para fazer algo além de permanecer imóvel no chão, ofegando e tremendo. Senti um refluxo no peito, levantei-me rapidamente e vomitei algo no piso. Sabia que era sangue, sempre fora e sempre seria. Não tinha como escapar desse ciclo vicioso que era minha vida. Nada mudava nem queriam que mudasse. Duas gotas quentes escorreram pelo meu rosto, sequei-as com meu braço o mais rápido que pude. Odiava chorar, me lembrava do quão inútil e fraco eu era. Não conseguia fazer nada além de sofrer. Comecei a socar a parede metálica. Eu só queria ser mais forte. Eu só queria poder mudar minha vida. Eu só queria poder contar com alguém.

Minha mão começou a doer então eu parei, sentei-me no canto da sala e abracei os meus joelhos. De repente os gritos de dor vindo da sala ao lado. Parecia de uma menina, nunca consegui perguntar nem me lembrava. Às vezes, ouvia o som de um menino gritando também, mas jamais os dois juntos. Por mais terrível que possa parecer, eu já tinha me acostumado com isso. Tão acostumado que meus olhos começaram a pesar, estava cansado. Acabei dormindo ali mesmo, com os gritos histéricos e dolorosos de uma garota como canção de ninar.

Passos apressados no corredor me acordaram, quanto tempo havia dormido? Eu não sabia. Três vozes diferentes foi o que eu consegui identificar. Elas eram estranhas para mim, eram mais jovens e energéticas do que das pessoas que estava acostumado. De repente, ouvi a voz de um garoto mais velho que eu dizendo:

– Snor, use Mega Soco!

A porta de metal explodiu e eu vi uma pata gigante meio verde na entrada. A pata sumiu e uma silhueta apareceu na entrada. Pareci extremamente forte e imponente, um manto vermelho cobria seu corpo. O excesso de luz vindo de fora começou a machucar os meus olhos, então eu me virei e fechei os olhos. Ele se aproximou de mim devagar e encostou em meu ombro dizendo:

–Você está bem? Quer sair daqui?

Meu primeiro pensamento foi “Ele deve estar brincando comigo”, mas a seriedade de seu rosto apagou logo essa ideia. Eu concordei com a cabeça e disse apenas:

–Sim.

Tentei me levantar, mas não pude minhas pernas mal aguentavam meu peso. Tentei de novo e fracassei novamente. Antes da minha terceira tentativa, a silhueta me levantou como se não pesasse nada, me colocou nas costas e disse:

– Aguenta um pouco aí, ok? A gente vai tirar você daqui logo. Meu nome é Red.

Eu tentei lhe agradecer, mas assim que saímos da sala que fora minha casa e prisão por tanto tempo, a luz estava tão forte e estava tão fraco que acabei encostando no seu boné vermelho e dormindo de novo.

Notas finais
Caro leitor desconhecido por mim ainda, comente o que achou. Dependendo do feedback eu continuo. Mentira, vou continuar de qualquer jeito, mas diga-me sua opnião