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2 Capítulo II - Quadros
Notas iniciais
No capítulo anterior ..
Richard e Edgar começaram a discutir . Sem paciência , bati com a argola de metal na porta .
Sinto que não deveria ter feito isso ..
(...)
Ficamos nos encarando por uns 10 segundos .
– Talvez não tenha ni--
A porta foi devagar aberta . O rangido alto nos fez estremecer , junto com a baixa voz que surgia dali .
– Posso ajudá-los ?
Uma pequena menina nos encarava . Tinha cabelos longos e loiros cacheados , além de dois olhos esmeraldinos . Usava um vertido que a fazia parecer uma boneca . Diria que tinha uns 9 anos .
– N-Nosso ônibus capotou na estrada e estamos procurando ajuda ..
– E um carregador — Me virei lançando um olhar fuzilador para Edgar que se encolheu em protesto . — Se tiver ..
Ela apenas nos encarou , um a um . Com um olhar monótono .
– Não acho que poderão fazer algo , com essa chuva . — Um trovão atravessou o céu . — Entrem .
Adentramos a mansão , receosos . Ela tinha um aspecto do século 19 . Um grande salão , com enormes cortinas empoeiradas , tapetes vermelhos , e uma enorme escadaria , além de velas e candelabros por todo o cômodo . Mesmo assim mantinha um aspecto fúnebre .
– Você .. não quer saber nossos nomes ? — Abbie quebrou o silêncio do local .
– Não será necessário . — A menina respondeu prontamente . Se virou para nós , dando um sorriso equívoco . — Irei falar com meu mestre . Por favor , esperem aqui . — E então subiu as escadarias .
– Buuurr , ela me dá arrepios . — Edgar esfregava freneticamente seus braços .
– Se ela nos matar , a culpa será sua . — Abbie cruzava os braços .
– Minha , por quê ?!
– Porque sim . Aliás , a culpa de estarmos aqui é sua .
– Eu não pedi para ninguém me seguir .
– Como se não precisasse ...
– DISSE ALGO RICHARD ?
– Nada .
– Ei gente .. — Chamei-os para ver um quadro que me chamou a atenção . Era de uma menina , tinha a feição calma . Os cabelos em um corte chanel caía graciosamente sobre seus ombros .
– Ela parece .. um pouco com a Annie . — Abbie ponderou .
– Ehh .. ? Comigo ?
– É verdade . — Concordei . Mas algo me chamou a atenção , metade do quadro estava coberto por uma das cortinas . Quando ia me aproximar para afastá-la , uma voz ressoou atrás de nós .
– O jantar está pronto .
(...)
A sala de jantar variava com tonalidades de azul escuro e dourado . No teto havia um candelabro . A mesa era enorme , assim como a variedade de alimentos .
– Meu mestre não virá se juntar conosco essa noite . Mas pediu para que aproveitassem . — A menina disse sem expressar reação alguma .
Uma garota que aparentava ter uns 14 anos adentrou na sala com uma garrafa . Ela vestia um uniforme de empregada com babados , muitos babados . Tinha o cabelo longo negro repicado , e seus olhos cinzas eram vazios . No olho direito usava um tapa-olho .
Ela nos serviu vinho , e quando foi na minha vez , notei pequenas cicatrizes na pele sob a renda das mangas .
– Desculpa .. mas não bebemos .
A menina de olhos verdes olhou de esgueira para a porta . E lá duas garotas surgiram , igualmente uniformizadas . Agarraram o pulso da menina garota e a arrastaram da sala , enquanto ela gritava desesperada .
Observamos a cena paralisados . Subitamente uma nova empregada nos serviu água . Comemos quietos . Não me contive .
– O que vai acontecer com ela ? Vai ficar bem ?
– O jantar terminou . Irei mostrá-los seus quartos . — Apenas nos entreolhamos .
(...)
– E este é o seu . — Ela parou em frente ao penúltimo quarto do corredor .
– Obrigada . — Entrei no quarto , admirada com o aspecto aconchegante e a enorme cama de dossel . Quando me virei , ela já não estava mais lá .
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Novamente nesse lugar
A porta dessa vez estava aberta e eu já não tinha mais aquelas correntes . Me levantei e andei cautelosamente até a porta . Coloquei a cabeça para fora , olhei para um lado .. e para o outro . Ambos levavam a corredores escuros , me virei procurando um pouco de luz no quarto , mas não achei . Agora , ou eu ficava , ou me arriscava .
Me arrisquei em sair de lá . Quando pisei no corredor , senti pisar em algo . Me agachei para pegar e para minha felicidade , era um isqueiro . Entrei novamente no quarto e peguei a primeira vela que achei , acendendo-a e guardando-o no bolso logo em seguida .
Saí do quarto e decidi pegar o corredor da esquerda . Quanto mais andava , mais extenso ficava o corredor e ao mesmo tempo estreito , já estava descobrindo uma claustrofobia que não sabia que tinha .
Já estava perdendo as esperanças quando consegui enxergar com esforço um ponto de luz . Traduzindo , uma luz no fim do túnel . Não perdi tempo e me pus a correr . A luz ficava cada vez mais próxima , assim como os sussurros mais altos .
– Emma .. Emma ...
A luz de uma vela na parede já era visível , assim como a mulher com um longo vestido longo branco e os cabelos castanhos presos em um coque frouxo . Ela estava de costas para mim , mas de frente para a porta no final do corredor . De algum modo ela emitia um calor tão acolhedor e radiante naquele ambiente assustador .
– Emma ...
Corri para alcançá-la . Porém , o chão caiu e eu afundei em escuridão .
– Emma .....
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– Não ! — Acordei me sentando instintivamente na cama . Agarrando com a barra do grosso cobertor . A sombra da janela iluminada pela lua refletia no chão , junto com os galhos que batiam contra ela devido a ventania .
Enxuguei minha testa com a longa manga do vestido que me emprestaram para dormir . Estava com sede .
Desci devagar da cama , calçando minha sapatilha e indo até a porta . O corredor era somente ilumidado pelos relâmpagos e a lua . O barulho do TIC TAC vindo do relógio era incrivelmente assustador naquele lugar .
Desci a escada que dava para o salão principal , ótimo , a cozinha ficava no corredor à direita . Quando passei o olhar pelo salão , um enorme clarão iluminou a sala me fazendo avistar o quadro de antes .
Movida pela curiosidade , fui até ele . Receosa , puxei a cortina . A outra metade tinha uma garota com cabelos longos abaixo do busto e era um pouco maior que outra menina , porém , seu rosto estava completamente manchado com uma cor escura . Não sabia distinguir o que era , talvez sangue ?
– Aaaaaaaah !
Um grito veio do andar superior , era o de .. Annie !
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