Juntas novamente
3 Ressaca Moral
Notas iniciais
Pov´s Elsa
Nossa já são três horas da tarde – não acredito que possa ter dormido até tão tarde, não que eu tenha dormido muito ou dormido bem, tudo o que eu quero é voltar para Paris, voltar para Panthéon-Sorbonne, há essa hora ainda estaria rindo na Laduree com meu melhor amigo cumprindo sua tradição do chá das cinco como um membro de uma tradicional família inglesa, mas não, eu sou obrigada a ficar aqui, obrigada a voltar a todas essas lembranças, simplesmente não é justo eu precisar assumir a hotelaria Arendell, só porque eu sou Elsa Winters de Arendell ou a princesa Elsa de Aredell – já que é assim que a empresa daqui me cita nas últimas semanas.
Mas não é só isso que me incomoda, mas sim o que eu fiz para Anna, eu não devia ter simplesmente pirado, feito de novo minhas malas e vindo para o hotel com o Marshmellow, eu não devia ter ficado anos em Paris sem ligar, sem visitá-la e muito menos fugido para Londres ou qualquer outra parte da Europa quando eu sabia que ela estaria na França, eu nunca fui a irmã que ela merecia, mas tudo só piorou depois da morte de nossos pais, eu só quero falar sobre isso com uma pessoa, mas eu não posso ligar para ele agora, não quando eu para variar também saí de Paris sem dizer adeus para não ter que explicar sobre porque eu realmente ia abandonar nossos planos de abrir um escritório social de advocacia para sucumbir aos caprichos do meu avô.
Eu preciso ligar para Anna e pedir desculpas, mas ironicamente eu nem sequer tenho o número dela, e eu sei que se ligar para casa eu antes vou precisar falar com o vovô e eu não quero fazer isso agora.
Sorrio quando vejo que não sou só eu que sofro com o jet leg, já que o Marsh está no mais profundo dos sonhos, acaricio levemente meu felino branco que me lembra mais uma vez quem eu mais quero esquecer, já que ele não foi apenas um presente, mas sim um lembrete de que se eu não fizesse amigos eu terminaria sozinha num apartamento cheio de gatos antes dos meus vinte e cinco anos– ele logo ronrona quando passo os dedos pela elegante coleira que ostenta um brilhante floco de neve, já que snowflake iria ser o nome dele, mas mais uma vez não pude ganhar a discussão, eu não costumo de deixar vencer a não ser por ele e claro meu avô.
Tomo um relaxante banho de banheira, coloco um vestido azul escuro de seda e aproveito a temperatura do quarto que estava a uns dez graus ou menos, eu amo o frio.
Pego uma escova prateada e começo a pentear meus cabelos platinados quando ouço um som que está vindo da sala da suíte.
– Tããão fofinho! Como você é lindo, deve adorar abraços quentinhos!! — Vejo um jovem de uns 18 anos, ele usa o uniforme do hotel, e tem uma pele clara como a minha e olhos pretos e brilhantes como seu cabelo, brincando com meu gato – Anda floquinho vem aqui, vou arranjar algo para você comer, só coisa boa! Só coisa boa! — ele pega do carrinho de hotel, que não estava lá por sinal, uns pedaços de algo rosa que eu acho que seja peixe cru e logo que meu companheirinho perspicaz nota, começa a fazer fofices para o estranho que nem nota que estou na porta do ambiente.
Ele continua a brincar com meu gato, e me sinto feliz, pois mesmo quando sou carinhosa com o bichinho não chego a ser tão carinhosa, nunca gostei muito de tocar coisas vivas.
Dou um leve pigarreio e o jovem olha pra mim assustado com meu gatinho nos braços.
– Srta. Arendell, me desculpe, achei que Srta. havia saído, eu sou Olaf.
– E gosta de abraços quentinhos – eu disse rindo – assim como o Marshmellow – ele ficou vermelho.
– É pode se dizer que sim! – disse ele se aproximando e passando o Marsh para meus braços – E Marshmellow é um nome incrível para uma coisinha tão doce!
– Eu sei! Eu adoro, mas nem fui eu que escolhi.
– Ou deve ter sido a Anna, é claro ela é tão brilhante que deve ter tido essa ideia, só alguém tão especial poderia ter pensado nisso!
– Você conhece a Anna? Anna de Arendell? A neta mais nova do Sr. Arendell? Pode me passar o número dela?
Ele riu
– Sim e a Srta. pode se referir a ela como sua irmã sabia?
– E você meu amigo pode se referir a mim como Elsa ou como você!
– Ok Elsa, vim aqui porque a Sra. Gerda trouxe todas essas coisas que chegaram de presente para você no palacete do seu avô, mas como você preferiu vir para cá – ele fez uma breve pausa – ela achou melhor você recebê-los antes do jantar para poder agradecer a quem os enviou antes.
Coloquei novamente o gato nos braços do Olaf — é até estranho ver meu gato interagindo com alguém novo tão rápido, demorou semanas para ele se acostumar comigo e com meu melhor amigo depois que o compramos – fui até o carrinho e logo vi os presentes que os abutres do grupo me enviaram, afinal todos querem ficar bem com a herdeira das propriedades e presidência da rede de hotéis, havia flores e mais flores do Sr. Weselton e sabe se mais de quem, várias caixas de chocolate que nem olhei os nomes nos cartões, e algo me chamou a atenção um balde de champanhe com quatro taças de cristal e um cartão com os seguintes dizeres.
– Apenas para garantir que a minha estimada presidente fique
animada o suficiente para aguentar o show de hoje a noite
Com meus mais sinceros sentimentos
Seu futuro vice-presidente.
Ri com a ousadia do presente e logo abri a garrafa, servi duas taças e ofereci uma ao Olaf.
– Elsa eu estou em serviço, não é ético aceitar — ele disse.
Tomei o conteúdo da minha taça e ri – com certeza já afetada com as doces borbulhas que eu tanto amo, realmente o vice-presidente conseguiu me agradar com o presente.
– Olaf, quem é mesmo o vice-presidente do grupo?
– O Sr. Stoico Berk, mas, ele vai se aposentar junto com seu avô, na verdade o alto escalão foi todo feito para você, acho que o vice-presidente será anunciado hoje no jantar assim como você, sei que no brunch da semana passada ele anunciou Merida Dunbroch como diretora de marketing e Sebastian Berk, o Soluço como diretor criativo da marca... mas o nome do seu parceiro ou parceira está guardado a sete chaves.
– Interessante — disse despejando mais champanhe na taça e vi algo me que deixou em choque, uma caixa enorme com arabescos dourados que eu reconheci instantaneamente, abri e logo vi diversos macarrons da Laduree, que eu deveria estar comendo neste exato momento em Paris na hora do chá – eu não acredito que ele já sabia que eu iria fugir, eu realmente detesto o fato dele conhecer a bagunça da minha mente tão bem, até melhor que eu mesma, leio o cartão elegante escrito a punho, diferentemente do primeiro.
– Sinta o doce gosto da traição e aproveite seu triunfo majestade, eu vou apenas seguir o plano, o nosso plano inicial. Será que você também se esqueceu dele como se esqueceu de dizer adeus
Ps: Sem rancores
Ok isso era demais para mim.
– Olaf você vai beber cada gota dessa taça com sua amiga, e você não trabalha mais para o hotel e sim para mim! É agora meu amigo e assistente pessoal! E são ordens da “Rainha” – rimos com a última frase.
Ele sorriu brindou e disse
– Um pedido de amiga já me convenceria Elsa! Vida longa a rainha – falou levantando a taça.
– Que assim seja – brindamos tomei novamente as minhas amadas borbulhas pois realmente preciso relaxar para aguentar a minha sentença perpétua.
Fale com o autor