Juntas Pelo Acaso
9 Capítulo 9 - Rotina
Notas iniciais
POV’s Rachel
Eu acordei ainda com um pouco de preguiça, tive que acordar mais cedo do que de costume porque precisava acordar Beth, ele iria voltar para a escola e eu e Quinn tínhamos combinado de acordar mais cedo para acordarmos Beth e aprontarmos ela para a escola. Quando eu acordei tive uma surpresa, eu estava agarrada a alguma coisa, na verdade a alguém, era Quinn, como é que eu fui parar nessa posição, meu coração acelerou.
Eu me mexi um pouco até conseguir ficar de um modo que eu pudesse ver Quinn, eu apoiei meu corpo sobre o meu cotovelo e levantei um pouco, olhei para Quinn, ela estava dormindo, tava tão serena, tão calma, com uma expressão tão suave que chegava a ser angelical, totalmente diferente da Quinn cherrio que ela um dia fora na escola. Os enormes e lindos cabelos eram os mesmos, ela cortou numa fase da escola, mas agora eles estavam enormes novamente, desci meus olhos mais um pouco e me peguei analisando o corpo de Quinn, ela não estava usando coberta, tudo que ela usava era um pijama que realçava o quanto o corpo dela continuava definido mesmo depois de uma filha e depois de tantos anos.
Oh sim, eu sempre admirei a confiança de Quinn, a capacidade que ela tem ou tinha de conseguir tudo o que quer, mas acima de tudo eu sempre admirei a beleza que só ela tinha, e que ainda tem, cada traço dela parece ter sido esculpido, a beleza dela chega a ser angelical. Eu levantei minha mão que repousava sobre a barriga dela e tirei uma mexa de cabelo que estava sobre o rosto dela e minha mão estava repousando sobre o rosto dela. Péssima ideia. Quinn acordou.
– Bom dia Rachel! – Quinn disse abrindo um sorriso, ela estava animada demais para quem tinha acabado de acordar.
Eu não respondi nada, eu me levantei com tanta pressa que acabei caindo no chão. Quinn veio e me ajudou a levantar, eu corei porque aquela era uma reação que eu não esperava, eu achei que ela fosse rir.
– Está tudo bem Rachel? – Ela disse segurando meu braço. – Você se machucou?
– Não, eu estou bem. – Eu disse.
– Uou Rachel, você cai por aí sempre que está bem? – Quinn disse fazendo piada e rindo, aí estava, essa é a Quinn que eu conheço. – Eu não mordo Rachel, eu só te dei um bom dia, desculpa se te assustei, eu não tive a intenção. – e ops, essa é a Quinn nova de novo.
Eu analisei Quinn, ela estava falando sério.
– Tudo bem, eu só, eu só..- Droga, ela tinha me assustado sim.
– Ok, você só estava me encarando enquanto eu dormia. – eu corei, ela percebeu – Não estava bolando nenhum plano maléfico para me matar não né? – Ela disse brincalhona.
– É claro que não sua idiota. – eu falei dando um tapa no braço dela e ignorando a primeira parte do que ela tinha falado.
Quinn ia falar alguma coisa quando Beth a interrompeu.
– Vocês duas estão brigando de novo? – Beth disse cruzando os braços.
– Oh não Beth, não, eu e Rachel estamos bem. – Quinn disse se aproximando dela e pegando nas mãos dela – Não é Rachel? – Quinn me perguntou e eu assenti – E tem mais Beth, eu e Rachel estávamos aqui rindo porque ela caiu de cima da cama.
Beth caiu na gargalhada e Quinn também, eu cruzei meus braços.
– Ok mocinhas, já chega disso, Beth vá se arrumar e desça pra tomar café, Quinn eu vou usar o banheiro daqui e você usa o do corredor, vamos logo. – eu disse autoritária.
Beth cruzou os braços e arqueou uma das sobrancelhas, uma mini Quinn, esse gesto de Beth foi idêntico ao de Quinn.
– Beth meu bem acho melhor fazermos o que a mamãe quer se não ficaremos de castigo. – Quinn disse sorrindo e Beth descruzou os braços.
– Tudo bem. – Beth disse se dando por vencida.
E antes que eu pudesse falar qualquer coisa as duas saíram do quarto. Eu fui para o banheiro, comecei a pensar no que tinha acontecido, eu estava lá olhando Quinn dormir, pelo menos era isso que eu pensava, mas quando ela abriu os olhos parecia que ela já estava acordada a um bom tempo, será que ela percebeu que eu estava secan.., olhando ela dormir? Não Rachel, isso é coisa da sua cabeça, e afinal de contas se ela estava acordada qual é o problema? Você não estava fazendo nada demais, você só estava olhando ela dormir, sim era isso. Parei de pensar e liguei o chuveiro.
Tomei um banho, fiz minha higienização matinal e passei meus cremes, vesti uma roupa e desci. Quando cheguei à cozinha Beth e Quinn já estavam lá, as duas estavam arrumadas, fazendo panquecas e sorrindo, a cozinha estava uma bagunça. Eu parei na porta e fiquei olhando a interação das duas por um momento, depois me aproximei do balcão.
– Panquecas de novo Quinn? – Quinn sorriu como uma criança quando faz coisa errada. – Isso não é bom para Beth, teremos que fazer uma dieta balanceada para...
– Certo, veremos isso depois. – Quinn disse me interrompendo.
– Oh Quinn, não deixe ela cortar todos os doces, por favor. – Beth disse encarando Quinn com uma carinha pidona.
– Verei o que posso fazer. – Quinn disse e piscou para ela que abriu um imenso sorriso.
– Eu deixo vocês duas sozinhas por um minuto e vocês fazem essa bagunça? – Eu apontei para a bagunça na cozinha.
– Desculpa. – Quinn disse sorrindo.
– Não foi um minuto Rach, foram quinze. – Beth disse e sorriu.
Quinn começou a gargalhar e eu cruzei os braços, Beth se aproximou de mim e me deu um abraço, minha indignação passou, eu só abracei Beth, Quinn começou a servir as panquecas e parou quando viu o que estava acontecendo, ela me lançou um sorriso e eu sorri de volta. Beth se afastou do abraço, Quinn continuou servindo as panquecas, comemos e fomos para o carro. O carro que era de Puck e Shelby. Quinn abriu a porta e Beth entrou no banco de trás, eu estava parada na porta do lado do motorista com a chave na mão, Quinn se aproximou de mim.
– Eu dirijo Rachel. – Ela disse e pegou a chave da minha mão.
Eu não disse nada, ela me deu um sorriso e me levou até o lado do banco de passageiro, abriu a porta, eu entrei, ela fechou a porta e dirigiu até a escola. O caminho foi tranquilo, conversamos e até rimos. Paramos em frente a escola.
– Beth, vai ficar tudo bem, eu e Rachel estamos lá na sua casa e você tem autorização para nos ligar se precisar, eu já conversei com sua diretora e ela sabe que você pode ligar. – Quinn disse e sorriu, Beth sorriu de volta.
Eu precisava falar algo.
– É isso aí Beth, estaremos lá se você precisar, nós sempre estaremos aqui. – o sorriso de Beth aumentou um pouco.
– Obrigada Rach e obrigada Quinn. – Beth disse.
– Não precisa agradecer Beth. – Quinn disse e eu concordei, o sorriso de Beth aumentou, ela desceu do carro e entrou na escola.
No primeiro dia de aula Beth não ligou, ela só chorou um pouco quando chegou em casa, mas depois passou, ela sentia saudades dos pais e isso tanto eu como Quinn, sabíamos que ainda ia doer. A semana passou assim, com essa rotina, acordávamos, levávamos Beth para a escola, saímos ou ficávamos em casa quando Beth estava na escola, a buscávamos na escola, passávamos o dia com ela e depois dormíamos. As coisas estavam indo bem entre Quinn, Beth e eu.
Eu tentei não pensar no que tinha acontecido na manhã de segunda-feira, Quinn e eu não tocamos no assunto, e não voltou a acontecer nenhum fato como e de segunda, tudo estava tranquilo. Eu nem sei o porquê de eu ter ficado tão incomodada, eu não tinha feito nada demais.
Durante a semana Quinn e eu também conversamos algumas vezes sobre o futuro de nossas vidas e o de Beth, como iríamos lidar com nossa situação, conversamos, discutimos, mas não chegamos a nenhuma conclusão, como o testamento ia ser lido na sexta resolvemos esperar. A quinta-feira chegou voando, estávamos na cozinha, Quinn preparava o jantar enquanto eu e Beth arrumávamos a mesa, a campainha tocou e eu fui abrir a porta.
– O que está fazendo aqui? — Eu perguntei quando abri a porta.
“Eu estarei aqui sempre, essa é uma promessa que temos o costume de fazer para as pessoas, a questão é que ninguém estará aqui para sempre, ou estará? Aqui no nosso plano, no nosso mundo, ou como você quiser chamar, talvez ela não esteja, mas quem realmente nos ama, sempre, sempre, repito, sempre estará aqui, talvez não fisicamente falando, mas sempre lembraremos dessa pessoa quer por uma música, por fotos, por uma memória que temos, por qualquer que seja a coisa, e é isso que torna cada pessoa eterna, única e imortal, é a diferença que ela fez na vida da gente, é como ela marcou as nossas vidas. Ninguém nunca morre de verdade quando permanece em nossos corações e em nossas lembranças.” AZ
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