Juntas Pelo Acaso
6 Capítulo 6 - A Vida Continua
Notas iniciais
POV’s Rachel
Quinn estava abraçando Beth, com certeza um abraço cheio de saudade e de esperança, de um recomeço, de uma nova chance para tentar fazer as coisas melhorarem entre elas, Beth me surpreendeu quando abraçou Quinn.
Eu realmente fiquei surpresa com as palavras de Quinn, talvez eu estivesse errada, talvez Quinn realmente tenha mudado, sou orgulhosa e sei que ela também PE, ou pelo menos era, agora já não tenho tanta certeza, afinal ela me pediu desculpas por tudo o que me fez, talvez ela esteja mesmo arrependida, talvez eu precise perdoá-la, porque está sendo tão difícil? As coisas não costumavam ser assim, pelo menos não antes do que houve em Nova York, talvez seja hora da antiga Rachel, que via o lado bom das pessoas, voltar, talvez seja a hora de eu confiar novamente em alguém.
Mas porque justamente em Quinn? É uma aposta muito alta a se fazer, ou eu ganho tudo ou eu perco tudo, ou eu e Quinn nos acertamos de uma vez ou ficamos como éramos no colégio, a primeira opção com certeza é melhor e, afinal de contas, eu e Quinn somos adultas agora, deveríamos tentar resolver nossos problemas com um pouco mais de maturidade, não sei porque mas Quinn me tira do sério, e eu acho que tenho o mesmo efeito sobre ela.
– Rachel, Rachel? Você está acordada? Está me ouvindo? – Quinn me tirou dos meus devaneios.
– Ahn? O que? O que você disse? – Beth sorriu um pouco da situação.
– Eu perguntei se você não concorda comigo. – Quinn disse me encarando.
– Oh, concordar com o que? – Eu perguntei sem entender sobre o que ela falava.
– É Beth, Rachel estava mesmo cochilando, eu acho que ela não dormiu bem noite passada, talvez você possa emprestar um daqueles seus ursinhos para ela dormir essa noite, talvez assim ela consiga dormir. – Beth gargalhou com a ideia de Quinn e eu dei um leve tapinha no braço dela fingindo indignação.
De onde é que saiu esse humor de Quinn? Até fazer piadinhas ela estava fazendo, talvez eu deva começar a acreditar que ela mudou mesmo. Antes que eu pudesse falar alguma coisa Quinn começou a fazer cócegas em Beth, que não parava de rir, o sorriso de Quinn estava divino, ela estava radiante, provavelmente aquele deveria ser o sorriso mais sincero e doce que ela tinha dado em anos, eu também tive que sorrir com a interação das duas.
– Pare Quinn – Beth dizia enquanto tentava controlar as gargalhadas.
– Tudo bem, vou parar só porque você pediu com carinho. – Quinn parou de fazer cócegas em Beth e voltou a me encarar.
– Desculpe pela distração Rachel, o que eu queria saber era se você concorda comigo no fato de que eu acho bom Beth voltar para a escola , ela não deve ficar matando aula. – antes que eu pudesse responder Quinn parou de me encarar e olhou para Beth, segurou as mãos dela e continuou falando – Beth vá para o seu quarto trocar de roupa e desça para tomarmos café, eu conversar com Rachel e nós já vamos descer.
Ela deu um beijo na testa de Beth que depois me deu um beijo, pulou de cima da cama e saiu do quarto obedecendo ao pedido de Quinn. Quando ela já tinha saído eu encarei Quinn curiosamente.
– O que é que você tem de tão importante para falar comigo que não pode ser na frente de Beth? – eu perguntei curiosa.
Quinn me olhou nos olhos, sorriu e começou a falar.
– Oh Rachel, não se preocupe, não é nada de mais, é só que eu quero conversar com você sobre a rotina de Beth, eu sei que ela está abalada, mas eu não acho que seja bom para ela ficar em casa, eu acho que ela deve ir para a escola amanhã, ela precisa retomar a vida dela, fazer o que ela fazia antes, talvez seja bom para ela ir para a escola para se distrair, mas eu não acho que eu deva tomar essa decisão sozinha então eu achei melhor conversar com você para chegarmos num consenso e depois conversamos com Beth, o que você acha? – Quinn e perguntou.
Oh sim Quinn é quem está falando monólogos agora, eu não pude deixar de sorrir e Quinn ficou me encarando curiosa sem entender o porque de eu estar rindo.
– O que foi? Eu falei algo de errado? – Ela perguntou.
– Nada é só que eu percebi que não sou só eu que sei fazer monólogos. – Eu falei e comecei a gargalhar e foi a vez de Quinn me dar um tapa no braço.
Quinn me deu língua e eu alisei o local onde ela tinha batido.
–Estamos quites agora. – Ela falou e sorriu vitoriosa. – E então o que você acha sobre Beth voltar para a rotina normal dela?
– Eu acho que concordo com você Quinn, ela precisa mesmo se distrair e voltar à rotina é uma ótima forma de retomar a vida.
– A vida continua certo? – Quinn me perguntou.
– Sim, querendo ou não, a vida continua. – Eu completei um pouco triste.
Quinn estava certa, ficar em casa trancada sem fazer nada não era o que Beth precisava. Então ela iria para a escola e no tempo que ficasse em casa eu e Quinn tentaríamos fazer com que ela se distraísse e se sentisse o mais amada possível, era disso que Beth precisava, de apoio, e era isso que eu e Quinn faríamos.
– Vamos nos arrumar, Beth já deve estar nos esperando. – Quinn disse me tirando dos meus devaneios e se levantando.
– Oh sim, vamos. – Eu respondi e me levantei também.
Trocamos de roupa rapidamente, fizemos uma higienização matinal rápida e descemos para encontrar com Beth. Fomos até a cozinha e ela estava escorada na geladeira um pouco distraída.
– Beth, está tudo bem. – Quinn disse tocando no braço de Beth, eu fiquei parada do lado dela vendo a maneira doce como Quinn tratava ela.
– Não. – Eu enrijeci ao lado de Quinn e ela se abaixou para ficar da mesma altura que Beth.
– O que foi querida, o que você está sentindo? – Quinn perguntou preocupada, eu também estava preocupada, mas eu estava realmente curiosa para saber como Quinn lidaria com a situação.
– Fome. – Beth disse, abriu um imenso sorriso e encarou Quinn e eu – Nossa, se vocês vissem a cara de vocês agora. – Beth disse e começou a gargalhar, eu estava um pouco irritada por ela ter me preocupado, mas aquela era a gargalhada mais doce e sincera que Beth havia dado, para falar a verdade, aquela era a única gargalhada que Beth havia dado desde que tínhamos chegado então eu preferi não repreender Beth por preocupar Quinn e eu.
– É Quinn, parece que você não é a única que sabe fazer piadinhas não. – Eu encarei Quinn e sorri, ela entendeu a piada e sorriu também.
– É, parece que não – Ela falou para mim e depois voltou a encarar Beth — Mocinha, você realmente me deixou preocupada, já que você está com fome eu vou preparar umas panquecas, o que você acha?
– Eu amo panquecas. – Beth sorriu com a ideia de Quinn e eu me espantei com a ideia.
– Ótimo então você e Rachel sentem aqui nesses bancos enquanto eu preparo as panquecas – Quinn apontou para uns bancos altos que tinham perto da bancada no centro da cozinha e eu e Beth obedecemos.
Quinn sabia cozinhar? Desde quando? Isso é realmente uma mudança, talvez seja hora de eu acreditar que realmente essa não é a Quinn que eu conhecia, pelo menos não a Quinn que eu conheci no Colégio, ela realmente está diferente e agora ela é uma caixinha de surpresa e tem me surpreendido e muito.
Comemos as panquecas de Quinn, que por sinal estavam maravilhosas. Fomos arrumar a cozinha e tivemos que arrumar duas vezes porque Quinn e Beth decidiram que era interessante começar uma guerrinha de água que nos deixou encharcadas e eu saí de chata porque no início eu não queria brincar, no fim acabei cedendo, as duas loirinhas sabem ser bem persuasivas quando querem.
Depois de toda a bagunça na cozinha subimos para trocar de roupa e depois fomos para a sala, eu e Quinn tínhamos que conversar com Beth.
– Beth, eu e Rachel tomamos uma decisão. – Quinn começou.
– Que decisão? – Beth perguntou.
– Nós achamos que será bom você voltar para a escola normalmente amanhã, retornar para a sua rotina porque..- eu comecei a falar e fui interrompida.
– Tudo bem. – Beth disse tranquila.
Eu fiquei meio que sem reação.
– É Rachel acho que seu discurso não será necessário. – Quinn falou e começou a rir.
– Olha eu não entendi o que você quis dizer Quinn. – Eu falei um pouquinho irritada e cruzando os meus braços.
– Bom, Rach, o que Quinn quis dizer é que as vezes você fala um pouquinho demais. – Beth disse tentando me fazer entender.
Sim eu tinha entendido que Quinn estava falando sobre os meus “monólogos” só que eu me senti um pouco ofendida, eu nem falo tanto assim.
– Até você mocinha? – Eu perguntei fechando a cara, só que dessa vez era fingimento.
– Oh Rach não fique irritada. Desculpe-me. – Beth disse preocupada.
– Eu te desculpo com uma condição.
– Qual? – Beth perguntou.
– Essa. – Eu falei e comecei a atacar Beth com cócegas, Quinn começou a rir de nós duas.
Depois da guerrinha de cócegas nós três passamos a tarde vendo um filme, eu devo dizer que, apesar das minhas diferenças com Quinn, a tarde tinha sido extremamente divertida e, tanto eu como ela, estávamos mantendo uma paz, uma trégua, porque tudo que importava para nós duas no momento era Beth. Mantê-la bem era nossa prioridade e era exatamente isso que faríamos.
“Sim, sofrer é normal, mas não podemos entregar os pontos, por mais que a gente esteja com o coração quebrado, sofrendo, sentindo uma dor inimaginável, o mundo continua rodando e, a gente querendo ou não, a vida continua, o tempo não para e é por isso que não podemos parar, mais cedo ou mais tarde precisaremos voltar a realidade, voltar a encarar os problemas, voltar a viver, assim é a vida, ela não espera por ninguém. Esperto é aquele que entende a necessidade de voltar a viver, de se reerguer, de sorrir novamente, de arriscar de novo, de encarar a vida de cabeça erguida. O fato de tentar novamente não significa que não estamos mais feridos, o fato de sorrir de novo não quer dizer que já esquecemos quem nos deixou, só significa que apesar de tudo nós sabemos qual é o valor da vida, que a qualquer minuto podemos não mais existir. Acho que a melhor maneira de honrar a memória de alguém é não desistir da vida, é provar que você entende o valor da sua vida, afinal a pessoa que te ama, onde quer que ela esteja, quer o seu bem, e você precisa se reerguer por causa dessa pessoa.” AZ
Fale com o autor