Juntas Pelo Acaso
1 Capítulo 1 - Retornando
Notas iniciais
Capítulo 1 – Retornando
POV’s Rachel
Desliguei o telefone, não pude acreditar na notícia que eu tinha acabado de receber, minhas pernas ficaram fracas, meu corpo parecia estar mais pesado que o normal, tudo parecia rodar.
Após essa notícia eu não teria outra escolha a não ser voltar para Lima, isso não será nada fácil, tem 9 anos que não vou lá, meus pais sempre vem me visitar, minha vida agora é aqui em Nova York, na Broadway, nos estúdios, as coisas finalmente estão dando certo para mim, acabei a faculdade a quatro anos atrás e já protagonizei várias peças, e 3 filmes, o palco é minha vida e as telas dos cinema também, retornar para Lima significa um possível retrocesso, significa relembrar a fase de Rachel a garota sonhadora que pouca gente acreditava ter futuro, significa rever pessoas, relembrar o passado, um passado que eu lutei tanto para manter enterrado.
Meu coração estava um pouco pesado, algumas lágrimas teimosas ainda insistiam em deslizar pela minha face, arrumei rápido a minha mala, peguei um táxi, entrei no avião, sim estou voltando para o lugar que um dia chamei de lar.
POV’s Quinn
Minha mãe que me deu a notícia, eu realmente não esperava que nada disso acontecesse, mas eu preciso voltar para Lima, as coisas realmente mudarão. Um medo percorreu todo o meu corpo.
Tem 9 anos que não vou à Lima, Judy, minha mãe, sempre vem me visitar, nosso relacionamento melhorou bastante desde que ela se divorciou daquele que um dia chamei de pai, Russel nunca foi o pai modelo. Minha vida agora é aqui em Nova York, depois que saí de Yale tive que vir morar aqui, nada melhor do que uma nova cidade para um recomeço e Nova York é a cidade dos sonhos de muita gente, talvez um dia seja a cidade ideal para mim também. Ser engenheira não era bem o meu sonho, mas sinto-me feliz pela decisão que tomei e hoje a minha construtora é a maior de Nova York. Voltar para Lima significa relembrar uma Quinn totalmente vazia, amarga e que decepcionava todos, uma Quinn imatura, inexperiente que magoou muita gente, que fez muitas escolhas erradas.
Arrumei rápido a minha mala, corri para o aeroporto, uma ansiedade e um medo se faziam presentes eu meus pensamentos, sim, eu teria que enfrentar o meu passado, um passado que eu tentei esquecer, mas que ainda me assombra.
POV’s Rachel
Voltar para Lima, estranho. Corri para a casa dos meus pais, eles não estavam, deixei minhas coisas e fui direto para a casa de Shelby. Parei na porta da casa dela, continuava exatamente como eu me lembrava, a última vez que estive ali não foi muito agradável, Shelby não queria participar da minha vida e não participou. Respirei fundo, desci do by Text-Enhance">carro, toquei a campainha. Um homem alto de terno abriu a porta.
– Olá, em que posso ajudá-la?
O homem falou sério.
– Olá senhor, sou Rachel Berry, Shelby era... bem, ela era minha minha mãe.
Minha voz saiu falhando, lágrimas já escorriam pelos meus olhos. O homem desfez um pouco sua postura séria.
– Oh sim, senhorita Berry, entre por favor.
Caminhamos até a sala, sentamos no sofá, na mesinha de centro tinham alguns porta-retratos, não pude deixar de notar que eu estava em um daqueles porta-retratos, haviam várias fotos na verdade, era uma montagem fotos minhas com Beth. Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto. O silêncio que havia foi logo quebrado pelo homem.
– Bom senhorita Berry, eu sou o policial David Scot, encarregado do caso de sua mãe, sinto muito pela sua perda...
Interrompi o senhor.
– Bom senhor Scot, agradeço as condolências, mas gostaria de saber como..como foi o acidente.
Tentei ao máximo segurar as lágrimas.
– Bom senhorita, sua mãe e seu padrasto estavam voltando para casa, eles tinham saído para um jantar na casa de um casal de amigos, quando estavam vindo um caminhão se chocou contra o carro deles e o acidente foi fatal tanto para a senhora Shelby Puckerman quanto para o senhor Noah Puckerman, eu realmente sinto muito pelas suas perdas.
– E Beth?
– Ela está lá em cima no quarto, vou buscá-la.
David subiu e logo desceu com Beth no colo, ela parecia muito assustada, estava com 10 anos agora, os cabelos loiros, os olhos azuis, o sorriso, tudo nela era exatamente como Quinn, ela parecia um anjo.
Ele trouxe Beth até a sala, colocou ela em pé perto de mim.
– Olá Beth, eu sou a Rachel, muito prazer.
Ela deu um sorriso assentindo.
– Eu já te conheço, você é minha irmã, certo?
Eu fiquei surpresa, não imaginei que ela me conhecesse, da última vez que a vi ela era apenas um bebê tinha 1 ano. Chamei ela e ela se sentou do meu lado no sofá.
– Sim Beth, eu sou sua irmã.
– Ótimo, você é a primeira pessoa famosa que eu conheço Rachel.
Ela sorriu timidamente e eu retribui um sorriso.
– Olha Beth se você quiser pode me chamar só de Rach, o que você acha?
– Eu acho ótimo, Rach posso te perguntar uma coisa?
Eu assenti com a cabeça. Ela olhou para o policial sentado no outro sofá e depois me olhou, se aproximou de mim como se fosse me contar um segredo.
– Rach, eu quero a mamãe e o papai.
Meu coração gelou nesse momento, eu realmente não tinha ideia do que fazer, me matou ver a dor nos olhos de Beth e pior foi saber que infelizmente eu não poderia fazer nada para amenizar o sofrimento dela. Ela só tem 10 anos, ela não deveria estar passando por isso, ninguém deveria sentir a sensação de nunca mais ver os pais, que eles não vão mais passar pela porta após o trabalho, que ela não poderá mais abraçá-los, que eles não a colocarão mais para dormir. Tudo isso será extremamente difícil.
– Olha Beth...
A campainha me interrompeu, David seguiu para abrir a porta e eu somente abracei Beth enquanto esperava o policial retornar. Quando ele voltou e se sentou eu não pude acreditar em quem estava ali na minha frente. Eu tinha me esquecido completamente que teria que encontrar com Quinn, trocamos alguns olhares um pouco tensos, Beth ainda estava aninhada no meu colo ela ainda não havia notado que tinha mais alguém ali na sala. Quinn, a garota que me infernizou durante o ensino médio, estava ali, nove anos mais tarde, na minha frente, o cabelo ainda mais comprido que o normal, batia no meio das costas, os olhos verdes, o sorriso branquinho, o corpo escultural, o rosto perfeito, ela estava ainda mais bonita do que no colégio, era uma mulher agora.
“Algumas coisas acontecem sem explicação, às mudanças sempre acontecerão, para o nosso bem ou não. O que a gente pode fazer? Aproveitar cada segundo com a pessoa amada, sorrir o máximo que pudermos, amar intensamente, valorizar sempre as pessoas enquanto elas ainda estão conosco, enquanto ainda podemos abraçá-las, tocá-las, zelar por elas porque um dia a gente pode acordar e entender a importância de cada gesto, de cada palavra, de cada momento. Ninguém é eterno por isso dê valor a quem você ama antes que seja tarde demais, antes que o tempo acabe.” AZ
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