Junjou Jealous
2 Surpresa
Notas iniciais
“Usagi-san, você realmente não precisava ter vindo comigo.” Misaki falou, enquanto ele e seu companheiro eram observados por dezenas de pessoas. Todos os frequentadores do supermercado comum queriam saber quem eram as pessoas que chegaram num carro esporte vermelho.
“Do que está falando Misaki? Eu amo vir ao supermercado. Podemos ir na seção dos doces, eu quero comprar alguns biscoitos comuns. Soube que alguns deles tem até forma de ursos!” Disse o escritor, animado como uma criança de oito anos.
“Esqueceu o que viemos fazer? Eu preciso comprar as coisas para o jantar mais tarde!”
“Seja lá o que o Misaki fizer, com certeza vai ficar delicioso, então não se preocupe demais.”
“O-Obrigado...” Misaki ficou bastante envergonhado com o elogio.
“E então... Biscoitos de ursos?”
“SE COMPORTE COMO UM MALDITO ADULTOOO!”
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“Misaki, você ainda está cozinhando? Takahiro já vai chegar, pare de se esforçar tanto, já é o suficiente.”
“Não, eu já terminei tudo, só estou terminando de pegar os copos.” O universitário explicou, mas no instante que suas mãos trêmulas seguraram a bandeja, ela escorregou e quase se espatifou no chão. Por sorte, Usagi foi mais rápido e impediu isso de acontecer, logo depois envolvendo seu adorável moreno num abraço carinhoso.
“Tem certeza que quer fazer isso? Eu não quero te forçar a nada Misaki, se você acha que vai atrapalhar alguma coisa na sua vida, podemos esperar.” O escritor murmurou.
“Desse jeito, o Nii-chan não vai me deixar em paz até eu me mudar daqui. É como você disse antes Usagi-san, vamos resolver tudo de uma vez. Eu pensei muito no assunto, e provavelmente é a melhor escolha, exceto se cause algum problema pra você.” Misaki confessou, e Akihiko segurou seu queixo, deixando os rostos de ambos a centímetros de distância.
“Como finalmente poder admitir o quanto eu amo o Misaki poderia me trazer problemas?” O mais velho aproximou os lábios dos do moreno, logo pedindo passagem com a língua para explorar aquela boca que, em sua opinião, era a coisa mais deliciosa e luxuriante do universo. Poderiam continuar com aquilo por horas, se o barulho da campainha não tivesse atrapalhado.
“P-Parece que eles chegaram...”
“Misaki, eu te amo. E não importa o que acontecer hoje, isso nunca vai mudar.”
“E porque acha que eu estou fazendo isso tudo, seu idiota?” Misaki pensou, enquanto os dois abriam a porta. E lá estavam Takahiro e sua esposa, acompanhados de uma pessoa que não era familiar: Uma bela mulher de cabelos ruivos, usando um vestido preto com um decote exageradamente grande.
“MISAKIII COMO VOCE CRESCEU!” O irmão mais velho abraçou seu caçula.
“Nii-chan, nós nos vimos há uma semana...”
“É, mas quem sabe se eu falar isso, você realmente vai crescer? Brincadeirinha...” Misaki sorriu. Seu irmão continuaria com aquele humor de sempre depois que soubesse de tudo? “Ah Usagi, venha aqui, tem uma pessoa que queremos te apresentar.” O universitário desconfiou. Primeiro seu irmão tinha levado uma completa desconhecida para jantar na casa deles (tinha pegado a mania de Usami de dizer “nossa casa”), mesmo sabendo que o melhor amigo era difícil com as pessoas. E agora, estava obviamente tentando fazer os dois se darem bem? “Essa é a Sue. Ela é uma amiga da Manami que acabou de voltar da França, e como ela está nos visitando, acabamos convidando-a pra vir com a gente.”
“É um grande prazer conhecer um autor tão interessante. Já li várias de suas obras e amo todas elas.” Sue falou, apertando a mão de Usagi.
“Agradeço a gentileza.”
“É... Porque não vamos sentar? O jantar já está pronto, esperem um minuto que eu vou pegar o resto das coisas!” Misaki interrompeu, querendo dar um fim naquela cena, porque estava entendendo exatamente o motivo para aquela mulher estar lá: Takahiro queria fazer ela e Usagi se acertarem. E JUSTO NAQUELE DIA!
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Já na sobremesa, Usagi e Misaki estavam ambos no limite. Se Sue fizesse mais algum comentário do tipo “Para um escritor tão famoso, deve ter difícil sempre ter muitas mulheres atrás de você” ou “Quando estiver esgotado por causa do trabalho, pode me ligar, eu fiz um ótimo curso de massagem na França” era capaz de algo dar muito errado ali.
“Eh... Nii-chan, na verdade, eu tenho uma coisa para contar.” Misaki começou, já estava mais do que na hora de deixar de enrolar.
“Ah, já entendi tudo. Misaki, você marcou esse jantar para contar que já encontrou um apartamento, não foi? Ou melhor, não me diga que está namorando? Quem é a garota, quando vamos conhecer? Vocês vão morar juntos nesse apartamento que você achou?”
“Parabéns Misaki-kun! E Akihiko-san, depois que o Misaki-kun se mudar você provavelmente vai se sentir muito solitário nessa casa não é? Eu posso te fazer companhia...” A mulher ruiva segurou no braço de Usagi, colocando uma das mãos no rosto do escritor.
“DÁ PRA VOCÊ PARAR COM ISSO? NÃO PERCA SEU TEMPO, ESSA VOZINHA IRRITANTE NÃO VAI SEDUZIR NINGUÉM NESSA SALA. E NII-CHAN, O QUE VOCÊ ESTAVA PENSANDO COM TUDO ISSO? SE QUER SABER A VERDADE, EU E O USAGI-SAN ESTAMOS JUNTOS DESDE ALGUM TEMPO DEPOIS QUE EU ME MUDEI PRA CÁ, E É POR ISSO QUE NÃO VOU ME MUDAR!” Misaki explodiu, e logo depois desejou que o chão se abrisse e ele caísse num buraco gigantesco só para não ter que ficar ali. Seu plano era começar o assunto aos poucos, mas tinha perdido completamente a paciência.
“M-Misaki...” Usami se levantou, segurando o braço do outro para tentar confortá-lo, mas no segundo seguinte, Misaki já estava correndo escada acima. Tinha perdido tanto tempo imaginando o jeito perfeito de contar a verdade a Takahiro, mas um medo bobo tinha estragado tudo. E não era o medo de ser odiado pelo irmão, ou da tal Sue acabar roubando o escritor. Era algo muito mais profundo: A vida de Usagi-san não ficaria melhor se ele ficasse com uma mulher ao invés dele? E com esse pensamento, o universitário se trancou no primeiro quarto que apareceu em sua frente.
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