Junho

5 Três pausas antes do chôro


É como se algo fosse fechando aos poucos sem nenhum tipo de controle humano. Qualquer ação que, voluntariamente, for feita não exercerá diferença nenhuma. Há algo sendo consumado e eu não sei o que é.

É difícil não ter controle das coisas. É difícil saber controlar a paciência e ter um pouco de sossego. Tem momentos em que você se encontra em quatro paredes indestrutíveis. Pouco a pouco você se acostuma com isso e isso vai virando seu lar. Você se prende dentro de si. É perigoso esse lugar que você se prende.

Nada soa oníssono ou nada alcança uma nota máxima de alento. São partículas de sofreguidão que entram a toda hora pelos nossos olhos. Eu imagino um futuro sendo um lugar coberto das fantasias que criei. Te tanto fantasiar já não sei mais o que é o futuro. A gente projeta tanta coisa, tanta coisa é lançada e nada parece fazer sentido para você para e analisa tudo aquilo que você arquitetou.

São pedras e mais pedras. Um caminho bastante complicado e angustiante. Em meio há tantos rostos tristes, vejo um face que sempre me foi familiar. Talvez eu tenha visto essa face em um canto da casa que eu sempre vou. É difícil lidar com essa conhecimento e prosseguir achando que tá tudo bem.

O que realmente pode estar bem? A sanidade alheia? Uma hora elas dizem que estão dispostas mas eu acho que a palavra disposta soa muito bonito quando proferida ou digitada em um celular com corretor automático.

Ainda continuo vislumbrando o futuro. Mas há muita escuridão na triste e saturada hora do agora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.