Juliet and Juliet

13 O significado de "amor".


Notas iniciais
Oioi. Já li as notas do capítulo anterior- deuses, como é exagerada- e peço desculpas, mais uma vez, pelo atraso. Não pensem que Ana não lê os capítulo, sim... ela ler, mas depois que eu posto, como todo mundo- não dou privilégios, ué. Bem, espero que gostem do capítulo, escrevi com todo o meu coração- depois peguei-o e taquei na parede mahahahahahhaha. Boa leitura e boa noite. Bye.

Minha cabeça doía, parecia girar. Eu não me lembrava de nada, tudo o que eu sabia era que eu tinha batido em algo, mas também não sabia em que. Grunhi ao sentir uma dor na mão direita e algumas pontadas nos nós dos dedos esquerdos.

Abri os olhos com dificuldade, pisquei algumas vezes ao sentir a luz branca invadir meus olhos, quase me deixando cega. Sentei com mais dificuldade do que abrir os olhos, mas logo senti uma mão me ajudar a sentar, não consegui ver quem era, pois minha visão ainda estava um pouco turva.

– Ai- murmurei.

Então uma lembrança invadiu minha mente. Rachel.

– Rachel!- tentei ficar em pé, mas tinha fios por todo o meu corpo e braços me seguraram.

– Hey, calma.

Estanquei no mesmo instante ao ouvir aquela voz doce novamente. Encarei a ruiva, que sorria como sempre, um sorriso brincalhão e ao mesmo tempo carinhoso. Apesar de ter algumas olheiras abaixo dos olhos, estar mais pálida e, eu tenho certeza, ter corretivo escondendo algo no pescoço, minha ruivinha estava ótima.

Soltei o ar com força e me joguei nela, abraçando-a com força e ignorando totalmente o fato de estar- de acordo com o cheiro e os barulhos- em um hospital, onde alguém poderia nos ver. Segurei o rosto dela entre minhas mãos sai distribuindo beijos por todo o seu rosto, parando apenas quando dei um selinho demorado.

– Eu fiquei tão preocupada. Eles fizeram algo com você? Te machucaram? Te feriram?- perguntei tudo de uma vez, logo depois a puxando pelos ombros e abraçando- Fico tão feliz em ter sã e salva em meus braços.

Rachel riu.

– Calminha, Avila- ela me sentou na maca e sorri- Eu estou bem, não se preocupe. Você me salvou, da forma mais heroica que poderia. Temos de nos concentrar em você, não em mim, agora.

Olhei-a estupefata.

– Como assim concentrar-me em mim? Quero saber de você! E por que diabos eu estou na maca e não você?- perguntei vendo vários fios ligados em mim e uma agulha em minha mão esquerda.

Meus dedos mão esquerda estava enfaixados enquanto a mão direita estava totalmente enfaixada, tinham hematomas roxos e vermelhos pelos meus braços e, pelo o que pude ver, pernas.

Rachel sorriu segurando meu pulso esquerdo e o mostrando para mim.

O pulso dela. Enfaixado com uma pequena marca vermelha abaixo. Apesar de estar usando uma blusa de manga cumprida preta, pude ver uma que, no braço, ela tinha outro curativo. Eles a machucaram!

– Desgraçados- murmurei puxando-a pelo braço, a fazendo sentar-se a minha frente na maca- O que eles fizeram com você?

– Nã-não preci-sa-samos falar disso agora. É melhor você descansar, os médicos disseram que...

– O que eles fizeram com você, Rachel Elizabeth Dare?- fui mais firme para ter certeza de que ela responderia.

Rachel abaixou a cabeça, pude ver que segurava as lágrimas. Fechei as mãos o máximo que pude sentindo uma vontade absurda de voar no pescoço daqueles filhos da mãe, arrancar os olhos deles e obriga-los a pedir desculpas pelo o que fizeram com Rachel.

– E-eu estou bem, Ro-romeu- gaguejou Rachel perdendo o tom de animação que ela tinha e tomando uma firmeza mascarando algum sentimento verdadeiro- Eu vou ficar bem. Só preciso saber como você está.

– Rachel- a fiz me encarar-Tira a blusa.

– O-o que?- perguntou ela surpresa.

Eu já estava começando a ter uma ideia do que eles tinham feito, mas precisava ter certeza.

– Tira a blusa!- repeti- Por favor...

Rachel ganhou um brilho desesperado nos olhos, a respiração ficou acelerada e, de repente, os olhos verdes se inundaram de lágrimas.

– Ok, eu te conto! Mas, por favor, não fique nervosa. Os médicos disseram que não pode ficar muito exasperada por conta do que aconteceu.

Ela estava mesmo desesperada que eu me estressasse, mas vê-la daquela forma era que estava me matando. O fato de eu me estressar não mudaria o fato da raiva que eu sentiria assim que soubesse o que eles tinham feito com ela.

Assenti.

Rachel soltou o ar pela boca, fitando as mãos e começando a mexê-las um pouco nervosa. Meu coração se apertou quando uma lágrima caiu sobre as mãos dela.

– E-eles... eles me... eles me obrigaram a...

Puxei para abraça-la enquanto sentia as lágrimas dela se tornarem minhas também. Eu fui a culpada do que aconteceu com ela, eles tinham feito isso com ela por culpa minha.

– Doeu tanto, Reyna- falou Rachel com a voz abafada e embargada- Eles me chamavam de coisas horríveis, além de fazerem coisas que eu não aguentava. Eles me obrigavam a fazer tudo ao mesmo tempo e depois começaram a me bater e... doeu muito, Reyna- ela me olhou.

O rostinho amoroso e carinhoso estava inchado, vermelho e melado; os olhos verdes estavam cercados por vermelho e lágrimas, eles mostravam o quanto ela tinha sofrido; as mãos tremiam enquanto tentava se manter erguida perto de mim. Minha ruivinha estava mais do que sofrendo... ela estava morrendo por dentro.

– Desculpa- falei de repente- Desculpa. Eu devia ter seguido minha ética, eu deveria ter ido embora naquele dia em que nos vimos na festa de Connor, eu deveria ter posto um ponto final nessa história assim que soube seu sobrenome. Rachel, perdoe-me. É tudo culpa minha você estar assim... você ter passado por isso.

A ruiva negou com a cabeça, deitando em meu peito e me abraçando pela cintura da maneira que pôde.

– Eu queria que você tivesse visto como me salvou. Você invadiu aquele food truck, lutou com todos os três caras sozinha, mesmo eles sendo bem maiores que você. Luke e Nico te ajudaram enquanto Will ligou para a policia e as meninas me ajudavam a vestir algo. Os meninos, Luke e Nico, não fizeram quase nada... você que fez tudo. Mas, uma hora, você começou a tremer como se estivesse com frio, o médico disse que você deveria ter parado naquela hora, mas você deu pais um soco no cara com muita força... e então caiu para fora do caminhão. Por sorte, tinha um pessoal do lado de fora e um senhor te segurou. Quando a policia chegou, Thalia e Ártemis foram resolver as coisas com eles enquanto Luke e eu te trazíamos as pressas para cá. Fiquei com tanto medo de te perder...

– Então foi isso aconteceu...- murmurei- Não lembro de absolutamente nada do que aconteceu. Mas, mesmo assim, foi por nós sermos amantes que isso aconteceu. Eu quero você segura Rach- fiz com ela me encarasse- E se a sua segurança é longe de mim... que assim seja.

– Não!

Olhei-a triste, mas dei um sorriso.

– Vai ficar tudo bem. Todo dia vamos nos ver no colégio, ainda irei torcer pelo time nos jogos e para você, minha linda líder de torcida, lá na arquibancada. Mas, para te ver segura e sorrindo, preciso de você longe.

– Não quero!- é serio que ela está fazendo birra em um momento como esses?- Reyna, você foi a coisa mais incrível já aconteceu na minha vida. Nos últimos três meses, tudo o que eu tenho feito era sobreviver... quando te conheci, voltei a viver. Reyna, não percebe? Não quero voltar a sobreviver, agir como se eu fosse apenas um pino de um jogo. Eu quero viver, quero ter sensações e quer amar. Eu quero ficar com você, Romeu.

Neguei enxugando uma lágrima que rolava de seu rosto.

– Somos de famílias rivais, meu anjo. Nada do que aconteceu deveria ter um dia chegado a acontecer... meu pai vai matar quando souber que eu estive envolvida com você, chegar em casa a primeira coisa que ele fará será me trancar com ele em meu quarto e, provavelmente, me bater. Mas terá valido a pena... e eu quero que você fique segura. Há anos Dare’s e Arellano’s são rivais, ainda não somos nós a quebrar essa rivalidade.

Rachel abaixou a cabeça, derrotada.

– Você não... não me ama?

Surpreendi-me com a pergunta.

Amar? Eu não sabia o que significava essa palavra. Amor, para mim, nunca passou de uma simples palavra que fazia todas as pessoas desejarem ter alguém para dizer “Hey, essa pessoa é meu amor”. Em minha opinião, amor sempre foi algo de conto de fadas, pois, na vida real, tudo ao seu redor não passa de palavras sem poder e que podem muito bem serem consideradas algo importante, quando na verdade, não era.

Mas quando me vi sem Rachel naquele incidente, quando percebi que eu estava sozinha e que ela poderia nunca mais sorrir para mim novamente... senti como se eu tivesse tomado um banho de água fria e um tapa na minha cara com uma pessoa gritando em meu ouvido “Hey, o que pensa que está fazendo? Vivendo um conto de fadas? Isso aqui é vida real!”. O pior é que na vida real... não existe essa história de amor.

Novamente, me questiono o que significa amor. Uma vez, quando tinha 10 anos, vi minha mãe e meu brigando e, de repente, ele tirou o cinto e começou a bater nela. Depois que tudo acabou, no dia seguinte, eles estavam agindo como se nada tivesse acontecido. Então papai disse para mamãe “Eu te amo”. Como eu era muito pequena, fui perguntar a Hylla o que era realmente amar uma pessoa... como irmã mais velha, ela deveria ter dito algo bonitinho para uma criança que está iniciando a fase que acredita em amor, mas não. Minha irmã olhou nos meus olhos e disse: “Amar é saber dominar, quem é fraco em uma relação, não sabe amar”. Na hora, senti-me apavorada. Mas com o tempo, percebi que não era isso... mas que amar não tinha uma definição.

Agora, eu me perguntava: o que eu sinto por Rachel é forte, eu quero protege-la de tudo e todos que tentarem fazer mal a ela, eu quero estar com ela todos os dias e quero acordar todas as manhãs vendo-a sorrir me olhando com aqueles grandes olhos verdes me desejando um bom dia. Isso queria dizer que eu a amava?

Como uma garota, que não sabe nem o que é amor, diria à outra o que realmente sente por ela? Pior, ter de ficar tão longe dela para que ela ficasse segura?

Para, Reyna. Não ouse ceder, você precisa mantê-la segura!, pensei.

Então, mesmo com pesar, olhei no fundo dos olhos de Rachel e disse, com todas as letras e com a maior crueldade do mundo:

– Não.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Tenham uma boa noite e... hã, é isso. Bye.