Juliet and Juliet
6 O inicio a nossa história.
Notas iniciais
Revirei os olhos olhando enquanto via Apollo discutir com Ares sobre a votação da competição dos garotos. Já expliquei mil vezes que não é uma competição, mas eles não entendem.
– Chega- falei ficando de pé- A votação é simples: 0 à 10. É como corrigir uma prova, só que sem a parte das respostas, palavras erradas, traduzir as letras, memorizar as respostas para corrigi-las e não serem em papel- dei de ombros.
– Você acabou de definir o que não é, definitivamente, a correção de uma prova- falou Hecate rindo de leve.
Revirei os olhos.
– Olha só pessoal, é bem simples, ok? Alguma dúvida quanto ao EXERCÍCIO dos garotos que não esteja relacionado a votação?
– Sim- disse Marte- Onde vai ser?
Olhei para Quíron, que sorriu.
– No auditório. Todos se apresentaram lá, sala por sala, até o ultimo. Passaremos o dia fazendo isso, o que quer dizer...
– Sem adolescentes reclamando da vida?- falou Afrodite.
– Sem adolescentes no meu pé do ouvido?- falou Hecate e Perséfone juntas.
– Sem pirralhos me enchendo o saco?- comemoraram Marte, Ares, Apollo e Hipnos.
– Sem correção de prova!- quase gritou Nemesis sozinha.
– Na verdade- falou Quíron- Todas essas coisas estarão lá no dia, só Nemesis está certa. Não precisarão corrigir provas.
Após quase todos comemorarem- Afrodite não comemorou, na parte dela não tem correção de prova-, todos começaram a sair. Até me animei, faltava pouco para eu ir ver Rachel, que provavelmente estava fazendo o exercício que Marte passara para não ficarem sem fazer nada enquanto esperavam ele voltar.
Ares, lembro-me perfeitamente, disse que deixou os garotos fazendo 1000 flexões, 700 abdominais e correndo a quadra 50 vezes. Duvido que um só aluno não tenho feito, Ares é assustador, se ele descobrisse que um deles não fez... já era.
Quando eu estava passando pela porta, para ir embora de vez daquele lugar e ir encontrar Rachel, uma mão segurou meu ombro. Olhei para trás vendo quem era e acabei dando de cara com Quíron, sorrindo gentilmente.
– Senhorita Arellano, será que poderia me fazer um favor?- perguntou ele.
– Faço- virei-me completamente para ele.
– Eu fiquei como substituto dos alunos em história até a senhorita chegar, e eu tinha passado alguns trabalhos para que eles fizessem. Eu só não terminei de corrigir o do ultimo ano, poderia corrigir eles hoje e os entregar a mim ainda hoje?- ele corou de leve ao pedir-me aquilo.
O que ia falar? “Ah, desculpe, Quíron. Não posso, porque marquei de encontrar com minha aluna, que supostamente é a garota com quem eu estou namorando. Aproposito, onde pego minha expulsão do colégio?”.
No mesmo instante abri o meu melhor sorriso e assenti.
– Claro. Lhe entrego assim que terminar.
– Ótimo. Eles estão bem ali- ele apontou para um montinho enorme no canto da sala- Estarei em minha sala com o senhor D até às 18:00, quando terminar, é só deixar lá- então ele se virou e saiu.
– Belo presente para a novata...- murmurei caminhando preguiçosamente na direção da mesa.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem para Rachel, lamentando, mas não poderia ir encontrar-me com ela antes das 15:00 p.m. Tenho certeza de que isso não foi muito animador, mas Rach entenderia... certo?
Peguei o primeiro trablaho. Tinha bem grande: Relatório 2ª Guerra Mundial. E embaixo tinha os nomes Annabeth Chase- sendo esse computadorizado, igual ao título-, Percy Jackson, Thalia Grace e Grover Underwood- os últimos em caneta preta.
Suspirei. Provável que os três tenham esquecido do trabalho e pediram que a menina colocasse seus nomes no trabalho dela, o que, pelo o que vi, ela fez. Corrigi ele em pouco tempo, estudei muito sobre a 2ª guerra, foi algo realmente catastrófico de desumano, mas em compensação... bem, não veio nada de bom nisso.
Corrigi mais uns três trabalhos, até que fiquei com preguiça e bateu uma fominha.
Levantei da cadeira e caminhei para a cantina do colégio, pedi um suco de maça com um esfoliado de frango e queijo. Enquanto sentava-me para comer, meu celular tocou.
– Por favor, não seja Rachel. Por favor, não seja Rachel. Por favor, não seja Rachel- murmurei pegando-o. Não estava pronta para falar com ela... estava com medo da reação dela- Alô- falei temerosa.
– Reyna?- a voz de meu pai invadiu meus ouvidos- Olá, querida. É o papai.
Revirei os olhos.
– Oi, pai- falei mordendo meu esfoliado.
– Querida, só liguei para lhe dizer que hoje iremos almoçar fora. Não você, eu, sua mãe e Hylla. Apenas eu e sua mãe... iremos para uma reunião do partido, temos de falar quanto o Dare, você sabe... politica- falou papai.
Dei de ombros.
– Não me importo, acho que passarei a noite fora mesmo...
– Ok. Te amo, querida. Nos vemos qualquer hora dessas- e então ele desligou.
Terminei meu lanche, levantei e voltei para a sala. Pouco tempo depois, eu estava quase morrendo ao chegar na metade da pilha.
Peguei mais um preparando a caneta vermelha para dar uma nota qualquer, então olhei de quem era: Quione Frozen, Calypso Atlas e Rachel E.... Dare?
– Dare?- fiquei em pé estupefata.
Segurei aquele papel o encarando por um longo tempo, que diria que se passara séculos, mas provavelmente só se passaram 10 segundos. Corri na direção do computador, entrei no site da escola, procurando pela ficha dos alunos- pus a senha do professor, obvio- e procurei pela ficha de Rachel.
Nome: Rachel Elizabeth Dare.
Cursando: Ultimo ano C.
Caí da cadeira ao tentar me encostar- não tinha encosto-, fiquei de joelhos para enxergar aquilo. Por que Dare? Podia ser qualquer outro nome, até Karma eu aceitava, e olha que carma não é legal. Mas Dare?
Minha família inteira é completamente contra os Dare, papai é rival daquele cara à anos, tanto na politica quanto na vida. Papai e o senhor Dare, desde que se entendem por gente, se odeiam. As famílias eram rivais desde, tipo, séculos antes da minha avó!
Imprimi o papel, peguei minha bolsa e sai correndo já discando para Rachel, essa que atendeu no segundo toque.
– Olá, Ro...
– Preciso falar com você. É importante. Onde está?
– Hey, calminha. Por coincidência, estou no colégio. Saindo do vestiário, sozinha. Vou para a sua...
– Fica onde está. Chego ai em pouco tempo.
Desliguei correndo na direção do ginásio. Escondi-me rapidamente quando alguns alunos passaram conversando. Cinco minutos depois, eu invadia o vestiário feminino encontrando Rachel sentada em um banco, as pernas cruzadas com uma bolsa colorida ao seu lado.
Encarei-a segurando-me no armário enquanto procurava ar. Os olhos verdes me encararam, um sorriso fez o canto dos lábios rosados erguerem-se. Rachel levantou-se e caminhou na minha direção, me abraçou pela cintura e me deu um beijo no canto da boca.
– Olá, meu Romeu- falou divertida- Então, o que aconteceu? Parecia desesperada no telefone.
– Rach...- passei por ela passando a mão no rosto desesperada. Olhei para a ruiva, que parecia confusa, mas sustentava um sorriso doce nos lábios. Mostrei-a a ficha dela- Por que não me contou?
– Sobre o que? Meus pais serem casados, eu ter 16 anos na verdade, ou ser a única no clube de pintura da escola?- perguntou ela lendo a ficha.
Bufei, segurando o riso.
– Falo do seu nome, Rachel. Dare... por que não me contou?
– Ah, isso- ela sentou-se no banco- Um dia você iria saber... mas não conte a ninguém, por favor. Sim, sou filha de Edward Dare, um dos deputados, mas eu realmente não quero que saibam disso...
– Essa não é a questão, Rach- sentei ao seu lado- Rachel, eu sou uma Arellano. Arellano’s são rivais declarados de qualquer Dare que exista na face da terra. Não sabe disso?
Rachel me olhou assustada.
– Perdão, como?- ela ficou em pé- Não, é claro que eu não sabia de um absurdo desses. Papai e eu não nos damos muito bem, e eu e minha mãe vivemos nos estranhando por causa de como eu sou e minha opção sexual. Mas... o que isso quer dizer?
Suspirei.
– Rach, só temos duas opções... nunca nos assumirmos e continuar perto uma da outra até quando der, ou pararmos com isso agora mesmo antes que uma de nós se meta em algo perigoso.
Aquela foi a primeira vez em que vi os olhos verdes inundados de lágrimas, a primeira vez que me coração se partiu apenas em ver uma pessoa chorar. Rachel me abraçou e, por eu ser mais alta um poucos centímetros, escondeu seu rosto no meu peito enquanto chorava compulsivamente.
Fiquei sem ação.
O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço?, perguntei-me várias vezes olhando-a desesperada.
– Eu não quero, Reyna. Eu não quero, não quero, não quero- ela disse com a voz abafada. Então a ruiva me encarou- Eu não quero ficar longe de você.
Segurei seu rosto com as minhas duas mãos, abri um sorriso gentil e então segurei seu queixo com o polegar.
– Escuta, ruiva- falei- Eu prometo que não vou ficar longe, não é porque temos um maldito sobrenome que não vamos ficar juntas, certo? E tem mais, eu nem gosto de Arellano mesmo, usarei o Avilla agora. Para de chorar, Julieta.
Rachel fungou.
– Promete?
Sorri divertida.
– Prometo.
Então eu a beijei, puxando-a pela cintura e encostando-a no armário enquanto a beijava. Eu só precisava pensar um pouco... Dare’s e Arellano’s nunca se deram, mas velhas rixas podem mudar, certo? O destino pode estar do nosso lado.
Eu só não podia deixar Rachel, principalmente agora que estou me descobrindo. Eu não deixaria Rachel, não permitira que uma rixa boba me impedisse de ficar perto dela.
– Eu deveria ter seguido a rixa...- beijei sua testa, começando a ficar fria- Vai ficar tudo bem. Eu prometo... de verdade.
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