Juliet and Juliet

20 Minha ultima decisão.


Notas iniciais
Posto logo o outro capítulo. :3 Boa leitura e boa noite.

Acariciei novamente seu rosto enquanto ela dormia tranquilamente. A noite tinha sido bem complicada, mesmo depois de ter conseguido me aguentar em pé, tivemos de correr com Rachel para um hospital- ela foi liberada assim que acordou.

Rachel estava dormindo, depois de eu ter dito a ela que dormiria ao seu lado e ter dado a ela um líquido escuro, alegando ser chá- na verdade era calmante. Minha ruiva tinha surtado completamente, eu nunca tinha a visto daquele jeito e, o pior, eu não sabia como alterar isso. Eu não podia dizer a ela que tudo iria ficar bem, porque nós duas sabemos que não ia. Não importava a nossa decisão... todos os lados sairiam perdendo, não importava como.

Levantei e caminhei para fora do quarto, praticamente me arrastando. Eu não estava com toda a fantasia, mas as calças coladas e a blusa social branca ainda estavam em mim- a blusa com os três primeiros botões abertos. Não podia levar Rachel para casa, poderia ser arriscado, mas também não podia ir para casa. Sendo assim, só tínhamos duas opções: fugir do país sem grana ou ir para a casa de Thalia, onde todos estavam reunidos.

A segunda escolha foi a única que eu consegui aceitar naquele momento.

Na sala, os pais de cada um dos adolescentes estavam lá, assim como o namorado de Silena e os pais do mesmo. Alguns outros familiares também estavam lá- os pais de Thalia apareceram, os de Nico, os de Will, os irmãos de vários, etc.

Assim que apareci, todos me encararam em expectativa. Sentei no sofá ao lado de Luke, que me abraçou pelos ombros.

– Ela dormiu- avisei.

– Precisamos fazer algo!- bradou Poseidon, pai de Percy- Como isso aconteceu, exatamente? Por que meu filho se meteu nisso?

Encarei Luke e depois Ártemis.

– Pensei que tivessem contado para eles...- murmurei.

– Reyna, isso é um pouco complicado, você sabe. Mas eu explicarei depois a eles, precisamos primeiro saber o que decidiu- disse Ártemis com a voz mais doce que eu já ouvi.

Respirei fundo. Eu não deveria ter feito isso.

Meus olhos se encheram de lágrimas no mesmo instante, meu corpo tornou a tremer e eu de repente me via, novamente, sem chão. O que eu diria para aquelas pessoas? Que eu era a professora dos filhos deles e que, por eu ter me envolvido com uma aluna, os adolescentes deles estavam em perigo agora?

– Eu não sei- murmurei- Eu só peço desculpas por meter os filhos de vocês nisso. Eu tentei avisa-los, disse que eles não deveriam entrar nessa, era uma relação mais que proibida e que Thalia, Will, Nico e Zoe já eram crianças suficientes sabendo, mas não consegui faze-los desistir- lamentei encarando-os- Eu sei que fui extremamente irresponsável, minhas atitudes foram egoístas e eu agi sem pensar. Foi realmente algo imprudente. Eu agi muito estouvada, mas eu entrei em desespero quando vi que precisava proteger a mim e a Rachel sozinha... Eu... Eu...- desviei o olhar para os meus pés- Me perdoem.

Senti uma mão pousar em meu ombro. Encarei o dono da mão e dei de cara com Hefesto, pai de Beckendorf- namorado da Silena-, me encarando de modo gentil. Parecia compreender perfeitamente do que eu falava.

– Precisa falar com alguém da sua família. Não pode aguentar tudo isso só.

– Eu não posso falar com a minha família- aleguei- Meu pai é um dos suspeitos por ter feito isso e minha mãe é pau mandado de meu pai.

– Hylla!

Encarei Art.

– Hylla não faria nada, certo? Pare ela é você em primeiro lugar, precisa ligar para ela- falou a ruiva.

– Eu não se...

– Precisa ligar, Rey- disse Luke apertando minha coxa, me passando confiança.

– Ok. Enquanto eu falo com ela, vocês explicam para eles?

– Claro- concordaram.

Levantei e caminhei na direção da mesa de jantar. Peguei meu celular dentro da minha bolsa, que estava em cima da mesa, e caminhei para o jardim. Senti a grama entrar em contato com meus dedos assim que cheguei lá, sentei-me no balanço azul que tinha alguns desenhos do mar e alguns raios, claramente, feitos com faca. Escrito no balanço azul tinha escrito Thalia a força e no verde, o qual eu sentei, tinha Percy. Acho que eles eram bem próximos...

Encarei por longos segundos a tela do meu celular. O que iria falar? “Hey, mana, olha é que eu preciso da sua ajuda. Eu me apaixonei pela minha aluna, que por sinal é uma Dare, a família rival dos nossos pais. Agora eu, ela e mais alguns adolescentes, também meus alunos, corremos risco de vida. Quer entrar nessa também?”. Eu não podia fazer isso com ela... mas também não podia aguentar tudo sozinha.

Digitei os números e logo apareceu a foto de Hylla sorrindo. Posicionei-o em meu ouvido mordendo o lábio inferior e, inconscientemente, me balançando com os pés.

Toque três, quatro, cinco...

– Alô- ouvi a voz de Hylla do outro lado.

– Hylla- um nó se formou em minha garganta. Até eu senti o medo em minha voz, o desespero.

– Reyna? Hey, pequena, o que foi? Está tudo bem? Onde você está? Quer que eu vá te pegar? Quer que eu vá te buscar?- Hylla se desesperou.

– Não, eu estou bem- forcei-me a dizer, mas soltei sem querer um soluço, percebendo, então, que eu estava chorando- Hylla, eu estou com medo.

– Calma, pequena. Me explica o que está acontecendo e onde você está. Vou ligar para o papai e...

– NÃO!- interrompi-a- Não ligue para o papai e nem para a mamãe, Hylla, por favor. Eu te imploro, não ligue para eles!

– Por que? Reyna, você está me assustando!

– Só vem me encontrar... por favor. Eu... eu preciso de você.

– Onde você está?- ouvi ao fundo uma porta de carro se fechar.

– Na casa de Poseidon Jackson. Você sabe... aquele cara rico que todo mundo sempre ouve falar.

– Ok, sei onde fica. Chego em alguns minutos, aguenta firme pequena.

Desliguei o celular, debruçando-me sobre meus braços apoiados em minhas pernas. Senti minhas lágrimas se misturando com meu braço e caindo na grama. Afrouxei, sem querer, a mão e deixei o celular cair na grama.

Eu não sabia o que fazer, eu queria ter uma resposta e a queria agora. Eu queria poder pegar todos os problemas naquele momento, apagar com uma borracha e reescrever um novo começo. Mas o que eu poderia fazer? Nada!

Ergui meu corpo e encarei a janela, ainda com as luzes apagadas, de cortinas azuis e pretas. O quarto de Thalia dava para o quintal e tinha sido nele que eu deixei Rachel dormindo. Minha pequena e inofensiva Rachel; a ruiva que possuía o sorriso mais lindo que eu já vi em toda a minha vida; a garota que possuía os olhos mais belos de todo o mundo, olhos esses que me deixavam ver cada pedacinho da alma daquela garota; a Dare, a tão proibida aluna que por quem me apaixonei.

Como pude ser tão burra?

Ouvi a campainha, o que me fez sair de meu transe e corri meus olhos para a porta que dava para dentro da casa. Instantes depois, ouvi a voz de Hylla. Não sei o que me deu, mas eu levantei correndo e atravessei a sala de jantar a passos largos. Parei na entrada para a sala de visita.

Parada de frente para Art, estava minha irmã mais velha, parecendo aflita.

– Hylla- foi tudo o que eu disse antes de correr na direção da garota, que me olhou.

Joguei em Hylla, a mesma me abraçou afetuosamente. Nos separamos e Hylla segurou meu rosto com as duas mãos, logo depois distribuindo beijos por todo o meu rosto. Então, de repente, ela se separou de mim e me olhou zangada.

– Quer me matar do coração, Reyna Avilla Ramirez-Arellano?- brigou.

– Desculpe. Hylla, preciso lhe contar algo- disse nervosa- A começar, sou lésbica- minha irmã fez uma cara de surpresa com a boca aberta.

– Sa-sabe que não pode falar essas coisas assim, né?- perguntou ela, sentando em uma cadeira que Luke trouxe- Obrigada.

Ajoelhei-me defronte para minha irmã.

Então, eu tomei a decisão. Vendo minha irmã ali, eu percebi o que eu tinha de fazer.

– Eu lésbica, Hylla. E, bem, sabe os Dare?- ela assentiu- Então, minha aluna, Rachel, é uma Dare. Eu não sabia, eu juro que não, mas eu me apaixonei por Rrachel Elizabeth Dare. Eu a amo mais que tudo no mundo. Mas, como você bem sabe, Dare’s e Arellano’s não se dão, nunca s deram... e agora cinco amigos nossos foram levados como reféns por nós estarmos nos relacionando.

– Tá... isso é muita informação para mim- Hylla levou a mão até a testa.

Por incrível que pareça, todos estavam calados nos observando.

– Tem mais uma coisa...

– Mais?- Hylla me olhou chocada.

– Papai é um dos suspeitos... assim como o pai de Rachel. Eles nos deram 72 horas para decidirmos...- não consegui terminar, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.

– Decidirem o que, Reyna?- perguntou Hylla, parecendo mais calma.

Encarei Hylla nos olhos.

– Eles disseram que temos de nos separar... matando uma a outra.

– O que?!- bradou Hylla ficando em pé- Você não concordou com isso, certo? Obvio, que não. Daremos um jeito, vamos conseguir salvar os moleques, ninguém precisa morrer e...

– Hylla- interrompi-a encarando-a já que a mesma finalmente tinha parado de andar- As 72 horas não para nós.

– Não... são?

– Percy Jackson, um dos amigos que mais interagiram conosco, tem apenas 72 horas. Caso o tempo acabe, eles mataram Percy... e depois todos os outros de um por um.

Hylla as mãos a boca totalmente apavorada. Pude ouvir alguns soltarem soluços e algumas mulheres começarem a entrar em uma crise de choro novamente, mas nada que atrapalhasse aquele momento. Era uma coisa baixa.

Fiquei em pé.

– Preciso que me prometa algo- pedi encarando minha irmã, segurando suas mãos- Prometa-me, Hylla, que irá cuidar de Rachel.

– Como?

– Prometa. Rachel é a garota mais linda e ingênua que eu já conheci, ela já passou por muita coisa, não posso faze-la passar por mais essa, sendo um erro meu. Eu não posso permitir que ela e todos os outros sofram consequências dos meus erros. Então, por favor, minha irmã, prometa que irá cuidar de Rachel para mim.

– Reyna- encarei Art, já que minha irmã perdera a fala- Não pode fazer isso. Nós daremos um jeito, não precisa...

– Eu já tomei minha decisão, Art- sorri para minha amiga- Obrigada por tudo, minha amiga.

Soltei-me de Hylla, mesmo sem ela ter falado nada. Encaminhei-me até Luke e o abracei.

– Não precisa fazer isso, pequena- murmurou ele em meu ouvido. Senti as lágrimas de Luke em meu pescoço- Nós podemos...

– Está tudo bem, Luke. Eu só quero te fazer dois últimos pedidos- segurei seu rosto entre minhas mãos, o fazendo me encarar- Cuide delas, entendeu? Todas. E... não se meta em confusões sem mim, ok?

Luke riu fraco, mas assentiu.

Forcei um sorriso e virei-me para os demais.

– Eu trarei seus filhos de volta... eu prometo.

Então caminhei na direção da porta e sai, sem dizer mais nada. Peguei o primeiro taxi que vi.

Encarei a tela do celular de Luke, que eu tirei do bolso dele sem que ele percebesse. Abri em uma conversa com Thalia e comecei a digitar uma mensagem para ela, depois uma para Nico, Will, Zoe, Hylla, Ártemis e, enfim, Rachel. Depois, joguei o celular de Luke pela janela do taxi e me permiti chorar.

Eu sabia para onde eu estava indo e sabia que poderia resolver isso sozinha.

– Com licença, senhor- o taxista me olhou pelo retrovisor- Poderia me falar algo, de modo natural, por favor.

– O que quer que eu fale, senhorita?

– “Está tudo bem, Reyna. Rachel ficará sã e salva, não se preocupe”.

Acho que o taxista sentiu pena de mim, pois logo depois repetiu aquilo de forma afetuosa e gentil, para logo depois parar o carro no centro e dizer que eu não o devia nada- na verdade, por isso eu o agradeci mentalmente mil vezes, pois eu lembrei que tinha deixado a carteira na casa de Thalia.

Suspirei encarando o central Park.

– Vai ficar tudo bem- murmurei forçando-me a entrar no parque.

Notas finais
Deem-me meia hora, estourando uma hora, e o capítulo estará fresquinho nas suas mãos. Boa noite.