Julie e os Fantasmas - Segunda Temporada
3 Cartas na Mesa
Notas iniciais
Espero que gostem.
Daniel tocou as últimas notas de “Meu Louco Mundo”. Julie sorriu. Era bom tocar com ele. Sem Nicolas ali, ela podia ser como antigamente: cantava olhando os olhos de Daniel e ele os dela, dançava junto a ele e se divertia. Quando Nicolas estava presente ela nem olhava para o guitarrista direito, sempre ficava fitando seu namorado e Daniel não se animava muito.
Eles terminaram o ensaio. Julie e Daniel foram para o quarto. Ela pegou o violão e começou a tocar, e ele também tocou algumas músicas. Depois ficaram sentados no chão, ouvindo música juntos. Daniel estava sorrindo.
O celular de Julie tocou. Era Nicolas.
– Oi, Nicolas. O que você quer? – perguntou ela, irritada.
– Só queria ouvir sua voz.
– Ah é? Isso já encheu. – cortou ela. – Eu conheço uma menina com uma voz mais bonita que a minha. Por que não vai ligar para a Larissa?
– Julie, o quê? Para de falar bobagens, eu...
– A gente conversa amanhã, Nicolas. Agora eu tô ocupada.
– Não pode parar o que está fazendo?
– Não. Não vou deixar isso de lado nunca mais. Boa noite. – e desligou o celular.
Daniel levantou-se.
– Com isso você quer dizer...? – perguntou ele.
– Eu estava passando tempo demais com o Nicolas. Nem tinha mais tempo para a Bia, para o Martim e o Félix, e principalmente, para você.
Daniel sorriu.
– Aumenta o volume. – falou ela. Estavam ouvindo música de suas bandas favoritas: Red Hot Chilli Peppers, Kiss... Sabiam as letras de cor, por isso estavam cantando também. O tempo passou voando e logo já era noite.
– Daniel, preciso ir dormir. Tenho aula amanhã, e já são dez horas. – disse Julie, desligando a música.
– Aula. Isso é uma coisa que eu nunca senti falta. – falou ele, sorrindo. – Nunca namorei nos tempos de escola, nunca tive nenhuma aventura, nem nada disso. – ele acrescentou: – A única coisa boa de estar morto é que eu posso fazer o que eu quiser.
– Tecnicamente. – respondeu ela, com um sorriso nos lábios. – Você nem podia estar falando comigo. É contra as regras.
– Eu não segui as regras quando vivo, porque vou seguir agora que estou morto? Além do mais que o Démetrius finalmente nos deixou em paz. – ele sorriu. – É melhor você dormir, Julie. Amanhã você tem que conversar com o panaca.
– Tenho?
– Você disse isso a ele, lembra? Têm que colocar as cartas na mesa, Julie.- ele fez uma pausa e após algum tempo falou: – Você está com ciúmes da Larissa?
– Talvez. – respondeu Julie. – Você tem ciúmes do Nicolas?
– Talvez. – disse ele. – Até amanhã, Julie. – Daniel estava indo embora, quando Julie falou um “espera”. Ele virou-se, e ela disse:
– Hoje foi muito divertido. Obrigada por me animar. Eu estava meio irritada com essa história de Nicolas e Larissa.
– Disponha. – falou Daniel sorrindo e desapareceu. Julie suspirou.
Julie mal estava pronta para ir para a escola quando Nicolas tocou a campainha. Ela abriu a porta e ele simplesmente entrou, sentando-se no sofá.
– O que deu em você ontem? – perguntou ele. -Está com ciúmes da Larissa?
– Nicolas, eu vi vocês. Ela estava segurando sua mão e rindo, e...
– Ela está dando em cima de mim, que seja. Mas se você tivesse sido mais um pouco atenta iria perceber que eu não caí nos braços dela. – ele pegou a mão de Julie e fez ela sentar-se ao seu lado. – Você é minha namorada, Julie. Você é a menina que eu gosto. E nenhuma Larissa vai mudar isso. Acredite em mim.
Julie sorriu e o beijou.
– Então estou perdoado?
– Quase. – ela fez uma pausa. – Já que você sabe que ela está afim de você, não saia com ela. Tudo bem vocês conversarem na escola, mas não saia com ela. Não quero ter que ficar te seguindo sempre.
– Está bem. – Nicolas ficou quieto, e depois disse, como se tivesse lembrado-se de algo. – Ah, Julie. Posso te falar uma coisa?
Ela assentiu.
– Eu me sinto igual a você. Em relação ao Daniel. Preferia que você não ficasse saindo com ele.
– Eu não saio com ele.
– Mesmo assim. Vocês ficam em casa sozinhos às vezes. – ele suspirou. – Quando eu vou poder ver o rosto dele?
– Um dia, talvez. Mas não hoje. É segredo.
– Julie, você me entende? Já que não posso conhecer o cara, quero pelo menos confiar nele. E em você. Sabe, é a mesma coisa que você sente por causa da Larissa: ciúmes. E você desconfia de mim, e eu de você. – ele sorriu. – Mas todo mundo é assim. Não estou te criticando.
Ela sorriu.
– Nicolas, você é o meu namorado. Você é o menino que eu gosto. E nenhum Daniel vai mudar isso. Acredite em mim.
O Daniel não estava visível para Julie, mas ele ouviu cada palavra, e desapareceu quando ela terminou a frase.
Eles saíram para ir para a escola. Encontraram Bia no meio do caminho, e Julie contou à Bia todo o dia anterior. Bia contou-lhe também que ela e o Valtinho tinham ido assistir a um show de rock, que ela havia dito ao dono do lugar sobre os Insólitos, e que ele havia se interessado.
– Então está marcado! A banda vai adorar! Fazia um tempinho que a gente não fazia um show.
– E o melhor, Julie: o lugar é enorme! Vai lotar!
Elas sorriram. Estavam próximos a escola. Quando entraram, Larissa veio cumprimentar Nicolas.
– Eu adorei ontem! Temos que sair mais vezes! – disse ela, sorrindo.
Nicolas pôs seu braço sobre o ombro de Julie.
– Ah, Larissa. Acho que eu não ainda não te apresentei a Julie.
– Eu já falei com ela. – falou Larissa, indiferente.
– Quero dizer, esta é Julie, minha namorada. Sabia disso?
Um sorriso provocante brincou nos lábios de Julie.
– Oh. – disse Larissa. – Você namora ela? – ela fez uma cara de desprezo. – Por favor, Nicolas, você conseguia coisa melhor. – ela riu com desdem. – Mas eu não me importo. Fique com ela. Só lembre-se do que você poderia ter tido. – ela sussurrou algo, e Julie não ouviu suas palavras.
Nicolas suspirou e escondeu um sorriso.
– Por enquanto minha namorada é a Julie. Eu gosto dela, Larissa. Podemos ser amigos, eu e você, só isso.
– Pense melhor. – falou ela, sorrindo. – Tenho que ir, Nicolas. A gente se vê, Julie. Você é uma garota de sorte.
Larissa foi embora, e eles foram para a sala. Julie disse a Nicolas que ele não deveria ser amigo dela e ele concordou. Falou que ela não era seu tipo. Julie sorriu. O professor entrou e começou sua aula.
– Bia, você ouviu o que o Nicolas falou para a Larissa? – sussurrou Julie.
– Claro que sim, eu estava do seu lado, esqueceu?
– Ele disse “por enquanto minha namorada é a Julie.” Será que ele pensa em terminar comigo? – perguntou Julie.
Bia sorriu.
– Julie, para com isso. Um dia vocês vão terminar. É quase impossível casar com seu primeiro namorado. Apesar que eu tenho um primo que casou com a primeira namorada dele.
– Nós vamos terminar?
– Talvez, algum dia. Daqui a uns anos, quem sabe. Mas não se preocupe, Julie. O Nicolas ainda tá muito apaixonado por você.
Julie sorriu.
– Têm razão. É melhor não pensar nisso. O importante é que estou namorando com o garoto que eu realmente gosto, o Nicolas. – e Julie olhou pensativamente para o teto, como se estivesse refletindo sobre suas palavras.
Julie entrou em casa e depois foi para a edícula. Daniel estava sentado e não estava tocando guitarra.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela, sentando-se ao seu lado.
– Eu vou parar de implicar com o Nicolas. – disse ele, em voz baixa.
Ela riu.
– Eu deixo você chingar ele um pouquinho. – ela fez uma pausa. – Mas, sério, Daniel, por que você decidiu de repente parar de implicar com o Nicolas?
Ele balançou os ombros.
– Parece que vocês se gostam muito.
Julie suspirou.
– Nem tanto. Hoje ele disse para a Larissa que por enquanto eu sou a namorada dele. Por enquanto!
– Você não acha que vocês vão casar, não é? – ele sorriu. – O amor é tão imbecil. Um idiota apaixona-se por uma menina e os dois ficam comprometidos: nenhum dos dois sai mais com os amigos, fica com eles, se diverte com eles, nenhum dos dois pode fazer algo sem um grão de desconfiança ou ciúmes. – Daniel permitiu-se a um sorriso tênue. – Ainda bem que eu só me apaixonei duas vezes.
– E quem foram essas duas sortudas? – perguntou Julie, sorrindo.
Ele suspirou e ficou um tempo calado.
– Juliana. – olhou Julie nos olhos e sorriu. – E a outra chamava-se Mariana. Eu realmente a amava. Foi uma pena quando eu finalmente ficar com ela, eu morri. – ele abriu os braços e sorriu novamente. – Namoramos por uns meses, ela me disse que me amava e eu falei o mesmo. Se um dia eu fosse me casar, seria com ela. Eu devia ter-lhe feito a proposta quando tive a chance.- Daniel fez uma pausa. – Mas isso são tempos passados. Ela já deve estar casada, teve ter lindos filhos e talvez seja feliz.
Julie não falou nada por um tempo.
– E depois que você morreu?
– Eu visitei-a algumas vezes. Mas após alguns meses, eu me cansei. Não viraria um escravo preso a ela. – ele suspirou. – Prometi que nunca mais iria gostar de alguém. – Daniel abaixou os olhos. – Até que você apareceu.
Julie abriu a boca para responder, mas seu celular tocou. Era Nicolas. Disse que estava indo para a casa dela. Julie falou que iriam ensaiar e que ela iria ensinar-lhe mais um pouco de violão. Ela desligou o celular e olhou para Daniel.
– Daniel... – começou ela, mas sua voz morreu dentro de sua garganta.
Daniel olhou-a. Era um olhar triste, derrotado, deprimido, cansado... Ele abaixou os olhos e suspirou. Ficou a fitar o chão.
– O Nicolas está vindo para cá. – falou ela, em voz baixa. – Disse a ele que a banda irá ensaiar. Tá afim de tocar?
Daniel recompôs-se e sorriu.
– Sempre é hora de rock.
Julie sorriu e foi para o seu quarto. Trocou de roupa (ainda estava de uniforme) e comeu alguma coisa. Depois foi à edicula, e viu que Martim, Félix e Daniel já estavam fantasiados. Tocaram uma música apenas, “Ponto Final”, antes de Nicolas chegar. Ele sentou-se como habitualmente, ficou ouvindo Os Insólitos tocarem. Só depois que o ensaio acabou é que Julie lembrou-se da novidade.
– Gente, a Bia conseguiu um show dos Insólitos numa casa de show de verdade! E ela disse que o lugar é gigante! Vai lotar! – os quatro abraçaram-se, deixando Nicolas de fora. Pelo menos nisso Julie não iria incluir Nicolas; Os Insólitos eram os quatro: Julie, Daniel, Félix e Martim. E ele não estava incluído.
– Julie. – falou Nicolas. – Eu estava pensando, sabe, tem várias bandas que tem dois guitarristas. Eu estou tocando violão realmente bem. E se eu entrasse para Os Insólitos?
Notas finais
Brigas internas e discussões que poderão levar a resultados terríveis.
Fale com o autor