Julgamento
1 Único.
Cada soldado demaciano sabia exatamente o que era aquela fria luz azul vinda do meio dos carvalhos que escureciam e aprofundavam ainda mais a vida da floresta, se é que havia alguma vida ali. Os noxianos, do outro lado, se encontravam um tanto confuso com perguntas e dúvidas que ninguém tirava.
Engraçado, não? Demacianos e noxianos não brigavam entre si ou apontavam quaisquer espadas aos berros de guerra. A explicação é válida e singela: seus dois maiores símbolos estavam mortos.
Katarina Du Couteau e Garen Crownguard estavam interligados ao mundo sólido por um único fio de vida que ninguém estava ousando tirar ou desrespeitar, nem mesmo seus irmãos que carregavam a grande culpabilidade de não prestarem proteção o suficiente, como sempre lhes fora ordenado.
Por fim, os Kindred se revelaram diante dos olhos manchados de pavor, ansiedade e exaustão. Foi notável o afastamento para que o caminho fosse liberado. Ninguém queria entrar em contato com os porta-vozes da própria morte, ninguém queria ir embora também.
A Lâmina Sinistra aceitou o abraço da Ovelha, como se fosse uma velha amiga que por muito esperava pela visita. Era verdade, afinal. Katarina havia se encontrado com a morte tantas vezes que não a temia mais, mas ansiava pelo momento em que pararia de ser uma arma de seus povo e líderes para poder descansar cada músculo que tinha contraído em dor.
O Poder de Demacia já foi mais relutante, o orgulho de se manter como um grande guerreiro, moldado desde pequeno, falando mais alto. Foi necessário um sopro do Lobo, apenas, para que ele pudesse ser carregado. Ao fim das contas, a Ovelha podia jurar que ele não estava conformado.
Os soldados haviam se curvado, despedido de seus grandes líderes de tropas e exércitos. Parecia que havia, ali, o fim de uma guerra incessável que fizera com que as duas grandes potências perdessem suas essências por uma herança de batalha que ninguém conseguia terminar. Noxus e Demacia se destruiriam e, ainda, jamais resolveriam seus problemas.
Era um acordo de paz, temporário. A Ovelha deixou claro em seus passos que voltaria para bons abraços enquanto o Lobo aterrorizou em seu olhar a sua volta.
Agora, ambos os Kindred atravessavam a Valoran em outro plano com os dois maiores soldados que existiriam naquele lugar. Não cruzavam com as vidas, apenas viam sombras da mesma; não fazia mais parte daquele mundo e não precisavam mais do contato.
A cada passo, o silêncio da Ovelha parecia curar todos os desentendimentos de ambos, entre si, com outros e consigo mesmos. A cada grunhido, o Lobo lembrava aos soldados o quanto foram bravos e significantes em suas jornadas.
Agora era hora do descanso. Os Kindred havia feito o seu trabalho, um que há muito tempo esperavam para fazer. Katarina e Garen, afinal de contas, eram velhos amigos, fossem para aumentar o número de almas levadas, fossem para recombinar todas as vezes suas partidas.
A luz azul que exalava dos corpos mágicos, antes faiscante, agora parecia ser uma grande esperança e significado de paz. Não era o símbolo da morte, da derrota e da partida, mas o da calmaria infinita que nunca havia os acompanhado. Era ali que entendiam que os temidos Kindred, opostos perfeitos unidos como um só, eram apenas o trajeto, a resposta.
Todos passariam por aquilo, e quem jamais terminaria o trabalho seriam eles. Eles continuariam levando, de boa ou má vontade, aqueles que já tinham terminado a sua hora. Eles eram o começo, fim e meio.
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