Julgamento
4 Semente da Dúvida
Notas iniciais
–Quando você viu? — Markus suspirou.
– Assim que toquei em suas costas na saída do escritório. — Lexi levou a xícara aos lábios — E você sabe que eu não vi nada. Só senti a culpa absurda que você está carregando.
Enquanto Lexi colocava a xícara no pires, Markus apoiou o queixo em suas mãos cruzadas.
– Eu preciso me controlar. Preciso de ajuda, Lexi. Urgente. — Ele encarava a ruiva, suplicante.
– Markus...
– Por favor.
– Eu não posso. É muito arriscado. Você pode se machucar. Você vai precisar aprender a controlar isso. — Ela colocou a xícara violentamente na mesa.
Markus se encostou nas costas da cadeira, fechando os olhos.
– Eu não consigo! Eu machuquei ela, pelo amor de deus...
– Quer que eu mande Mabruke vê-la? — Lexi se sentiu mal instantaneamente.
– Não adianta, você sabe disso. — O loiro passou a mão pela barba, nervosamente.
Um silêncio incomodo instalou-se no recinto.
– Me diga o que aconteceu. — ela pediu.
– O de sempre. Nós brigamos. Não, nem sequer brigamos, nós "discutimos". Foi o suficiente para desencadear tudo. E quando eu vi, ela estava no chão, apalpando o ombro, a carne exposta e sangrando. Muito. — ele estendeu-se para pegar a xícara — Eu tentei estancar o ferimento, tentei pedir desculpas. Ela me perdoou, claro, mas não diminui a culpa. Eu jamais a machucaria se pudesse. — tirou uma pequena garrafa de prata do bolso interno do casaco e despejou a bebida na xícara.
– Isso é tão indecente... — Lexi comentou, sorrindo com o canto da boca, observando ele encher a xícara com a bebida.
– Foda-se. Eu e você sabemos que você não liga pra isso. E bebe tanto quanto eu, se não mais. — ele grunhiu e guardou a bebida novamente, levando a xícara aos lábios.
Ela riu brevemente.
– Você sabe que se quiser controlar a sua Indução a Necrose precisa controlar a bebida. Aposto que você havia bebido nesse dia, estou certa? — Ela pegou a xícara novamente.
Ele parou a xícara a caminho da boca.
– Sim.
–Então é isso. Controle. A bebida inibe isso em você. — ela levantou uma sombrancelha.
– Por que quando você bebe sua Empatia é amplificada? Isso não faz sentido. Beber te beneficia e me prejudica? — ele apertou a asa da xícara, com indignação.
– Você não entendeu. Acontece a mesma coisa com nós dois. A única diferença é que eu sei me controlar, você não. E eu não posso machucar ninguém, você pode. Minha Empatia aumenta, assim como a sua Indução a Necrose. Mas se eu atingir alguém, não vou machucá-la, você sim. Mas eu consigo encontrar o dispositivo que controla isso em mim. Você só precisa encontrá-lo também. Então, vai poder beber a vontade. — ela riu.
– Isso não é engraçado. — ele retrucou.
– Não mesmo. Perdão. Mas dúvido que você vá parar de beber.
Ele sorriu devagar. E riu também.
–Sim, eu também.
Silêncio novamente.
– O que você quer que eu faça? — ele abaixou a xícara vazia. — Consigo ouvir suas engrenagens girando daqui.
Lexi abaixou sua xícara também.
– Treine. E acho que tenho o trabalho perfeito pra você fazer isso. Depois de tantas mortes, perdemos muitos amigos. Precisamos de rostos novos nessa casa. Semana passada executei uma Sessão na casa dos Montgomery e acho que encontrei mais uma... "aquisição". — Lexi levantou-se, e Makus acompanhou-a.
– Você me mandou não relacionar-me com os Montgomery. Por que você fez isso? — Ele pegou seu chapéu na mesa.
– Eu já suspeitava que o filho deles era um de nós, mas precisava de mais provas antes de entrar em contato. Durante a Sessão, fui capaz de me comunicar com ele no nosso nível. Plantei a semente da dúvida nele, não vai demorar pra que ele chegue.
– Perdão? — Markus começou a segui-la, saindo da sala.
– Mabruke! — Lexi chamou.
O negro apareceu, saindo do outro lado do salão.
– Sim, Srta. Smartchild?
Ouviram-se batidas na porta. Lexi virou-se para Markus, sorrindo.
– Receba o Sr. Montgomery e mande-o encontrar-se conosco em meu escritório, por favor. — Ela começou a subir as escadas com Markus seguindo-a de perto.
– Eu avisei que ele não demoraria a chegar.
Fale com o autor