Jujubas Apocalipticas
1 Cova de gelo
15/09/1974 – Diário de Shean Heatbord, arqueólogos encarregado:
“Hoje, depois de escavações intensas na geleira, achamos o que parece ser uma caverna, não deveria me dar ao luxo de descrever o local, pois eu mesmo quase não acreditei no que vi e se tentasse tenho certeza seria medíocre comparado ao que de fato era. Era parte da tarde, quando um dos meus melhores amigos, Henri, entrara afobado no posto de operações, e ao que parecia, tinha corrido meia maratona para chegar do local das escavações até aqui:
- Henri, respire homem, estamos no Alasca e você está suando em bicas! – Não era o melhor local de trabalho, mas pelo menos, ser um arqueólogo no Alasca é melhor que ser um no Cairo ou quem sabe em qualquer região com guerrilhas, apesar de ser extremamente chato; depois de ele recuperar o fôlego e tirar o casaco completamente ensopado de suor, voltei minha atenção ao que, possivelmente, ele tinha para falar, alem do mais, ele não desceriam uma encosta íngreme e correria tanto por nada – vamos, me diga que houve.
Depois de mais uma pausa para tomar ar, e de se sentar perto do aquecedor, voltou seu foco para meu rosto, só então notara o assombro que perpassava por sua face, como se tivesse dado de cara com um fantasma, ou algo pior:
- No centro de escavações – ele estava falando tão baixo que mal daria para escutar sua voz, não fosse minha audição aguçada – nós encontramos, por acaso, uma caverna.
Não consegui compreender o valor da situação para tal medo e pavor, que seu rosto, o qual estava devidamente pálido, mostrava:
- Ok, mas o que de mais tem nisso? Porque todo esse estardalhaço? – um frio percorreu minha espinha, como que me avisando para não escutar nem mais uma palavra, ignorar o assunto e voltar para meu chocolate quente, mas como qualquer encarregado, não poderia deixar algo que atingisse psicologicamente um dos meus homens mais corajoso e destemido.
Ele se remexeu no banco, tentando encontrar uma posição confortável no limitado espaço de meu escritório:
- Uns homens entraram e lá dentro havia...... – a ultima palavra não conseguira ouvir, de tão baixo que estava seu sussurro. Inclinei-me no meu banquinho, olhei nos olhos dele e falei:
- Força rapaz, não pode ter sido tão assustador, agora me fale o que havia na caverna. – de relance olhei para minha mesa, feita de puro carvalho, como sempre, desorganizada. Mas, mesmo assim, algo sobre saia a bagunça, uma pequena foto, pequena, porem bem visível, de um garotinho, meu filho. Por um instante tive a impressão de que nunca mais o veria novamente, mal sabia eu, que estava certo.
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