Jugend
1 Eine Abrechnung
Notas iniciais
-Angesichts dieser Flagge Blut... die unsere Führer stellt... Bruder, como estou indo?
O pequeno levantou seus grandes e brilhantes olhos azuis para procurar os do irmão. Estava sentado em sua cama, de pernas cruzadas, um grande livro de capa vermelha aberto em seu colo.
Gilbert, displicentemente sentado no chão e com as costas apoiadas à parede, olhou para seu irmãozinho, deixando sua própria leitura de lado. Sorriu-lhe de forma confortante.
-Está bom... Pratique um pouco mais.
-Ja!
Ludwig voltou sua atenção às páginas, murmurando as palavras para que não incomodasse muito a leitura do irmão, ocasionalmente gaguejava em alguma sílaba mais difícil de pronunciar, mas possuía uma boa dicção para um garoto de sua idade.
O mais velho olhou de forma terna para o pequeno. Na presença de outras pessoas, até mesmo seus pais, não conseguia demonstrar tais emoções, sendo sempre sarcástico e zombador, no máximo.
Mas como não sorrir e ser gentil com um tão aplicado Ludwig?
Ele não sabia o que seu pequeno irmão tinha que lhe cativara desde o primeiro instante que o vira, ainda no hospital, no colo da mãe pela primeira vez após ser limpo de todo o sangue.
Havia se preparado para aquele momento desde que fora avisado da gravidez. Entretanto, no alto de seus oito anos, nunca pensou que fosse emudecer ao ver aquele bebê tão pequeno se remexendo nos braços de sua mãe.
Nunca cogitou que um instinto desenfreado de proteger seu irmão fosse se desenvolver de maneira tão rápida e intensa.
-Bruder, qual o problema?
Gilbert saiu de seus devaneios, encontrando o olhar curioso do menor sobre si.
-Você estava encarando o nada...
O mais velho sorriu.
-Quer vir ler comigo?
Os olhos de Ludwig brilharam ao ouvir a proposta. Rapidamente fechou o livro em seu colo, depositando-o na cama e saltando desta, sentando-se muito próximo ao irmão, ligeiramente debruçado sobre o livro.
Gilbert passou uma das mãos pelos ombros do pequeno, puxando-o para mais perto de forma quase delicada.
-Vamos ler juntos, em voz alta.
-Ja!
-In 1919/20 und auch im Jahr 1921, besuchte persönlich, einige der so genannten “bürgerlichen Baugruppen”.
O mais novo ainda possuía uma leve dificuldade ao ler, mas o mais velho não se preocupava com isso. Estava muito bom, para a idade do pequeno.
E por algum motivo, o cheiro dos cabelos ligeiramente compridos de Ludwig lhe parecia mais interessante do que as páginas, assim como o toque suave da pequena mão sobre seu joelho.
-In der Tat, ich muß gestehen offen, dass, wenn dies geschehen, würde ich mehr Freude im Leben zu haben, lieber nicht mehr und nicht Deutsch.
Levantou a mão que repousava sobre o estreito ombro, a fim de tocar as pontas dos cabelos dourados.
Se ele pudesse simplesmente penteá-los para trás ao invés de cortá-los quando precisasse entrar para a Hitlerjugend, ficaria muito bonito.
Iria lamentar não poder mais alisar aqueles fios macios e que ficavam muito bem no pequeno.
Sentia muita falta de quando mantinha seus cabelos compridos, também.
-Obwohl nicht laut lachen, war es lädt dieses Lachen, mit Auszeichnung und Reserve gedämpft!
-Bruder, o que é Auszeichnung?
-Uma colocação muito boa.
-Ah, entendi!
Gilbert sorriu novamente. Achava a animação do irmão, quando aprendia uma palavra nova, algo realmente adorável.
-Und nur diese...
O menor parou, completamente travado diante de uma palavra tão grande.
-Präsi...den...tscha...fts...wah...len...
-Bom. Agora, diga a palavra inteira.
-Präsiden... tschafts...wahlen...
Gilbert quase riu da expressão insatisfeita do irmão.
-De novo.
-Präsidentschafts...wahlen. Präsidentschaftswahlen!
-Exatamente. Não foi tão difícil, foi?
O menos negou com a cabeça, repetindo “Und nur diese Präsidentschaftswahlen Tisch!”, orgulhoso de si mesmo.
Seu irmão afagou-lhe os cabelos compridos, como se estivesse parabenizando-o pelo feito.
-Muito bom. Mas agora está tarde, vamos continuar amanhã.
-Podemos ler mais alguns parágrafos?
-Não, iremos demorar e nos atrasar para a aula.
O mais velho fechou o livro, entregando-o à Ludwig, que se apressou em guardá-lo cuidadosamente, assim como fez com o livro que havia estado até então sobre sua cama.
Gilbert levantou-se do chão, seguindo até sua cama. Dividiam o quarto, mas não reclamava. Não se incomodava com isso, de qualquer forma.
E sabia que seus pais não tinham como construir um quarto novo naquele momento.
Acomodou-se na cama, murmurando para o menor apagar a luz, o que logo ocorreu. Suspirou relativamente alto, uma mania que tinha quando estava cansado.
Perguntava-se se ia demorar a cair no sono quando sentiu o colchão afundando e algo se encostando em si.
-Lud?
-Só hoje, Bruder. Por favor.
Alguns segundos de silêncio se passaram antes que Gilbert movesse seu corpo para o lado, dando mais espaço ao pequeno. Este se aconchegou contra o corpo mais velho, sentindo um braço passar por cima de si até segurar-lhe o ombro gentilmente.
-Bruder, você está mais forte.
-São os exercícios. Você também ficará assim.
Ludwig apenas murmurou algo que Gilbert não pôde entender, mas que soava como um encerramento à conversa.
A noite fora longa para o adolescente, pois não conseguira dormir direito. Não que o menor tivesse um sono agitado, mas sua mente estava um caos.
Afinal, havia percebido algo ao sentir as mãos pequenas do irmão segurarem a barra de sua camiseta, a respiração compassada contra o pano leve e uma das pernas infantis entrelaçar-se às suas em meio ao sono do menor.
Algo que sabia ser condenável, incorreto e contra as leis do Reich e do Führer.
Mas que parecia estranhamente certo e inevitável a si mesmo.
Não queria pensar nisso agora. Não com Ludwig não sendo mais do que uma criança, mas sabia que no futuro, iria acontecer.
A forma como o loirinho murmurava “Bruder” enquanto dormia e procurava o corpo quente com o seu próprio de forma inocente diziam isso.
Por hora, Gilbert contentava-se em afundar o rosto nas madeixas do menor.
Nunca pensou que fosse maldizer a Hitlerjugend até perceber a falta que aquele roçar suave iria fazer.
Suspirou, fechando os olhos.
-Ja... Heil, Hitler – murmurou de forma sarcástica, aproveitando o toque macio enquanto ainda podia.
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