João e Maria

16 Por mais cinco anos


Notas iniciais
Amores, esse capítulo é mais curtinho porque ele era originalmente a introdução do próximo, mas eu preferi postar separado porque ele também funciona como um fechamento do anterior. Espero que gostem!! :)

Gael abriu os olhos e vislumbrou Dandara deitada do outro lado da cama, praticamente na ponta. Ele sorriu, contente por ela não ser o tipo de mulher que gostava de dormir agarrada a ele a noite toda. Ele não gostava disso... Talvez por um tempo, enquanto eles estavam pegando no sono... Ele gostara de adormecer com as mãos entre os cabelos dela... Mas a noite toda era demais! Ele agradeceu por ela precisar de espaço próprio tanto quanto ele.

Outra coisa que agradou Gael naquela manhã foi o fato de ela ter dormido sem camisola na noite passada. Eles haviam passado a madrugada se amando até estarem exaustos e adormeceram em seguida. Em algum momento durante o sono, ela empurrou o lençol até a altura da cintura e agora ele tinha a rara oportunidade de aproveitar a visão antes que ela acordasse. Estava sendo um ótimo dia.

Eles estavam no quarto de Dandara, porque na volta da cachoeira ela havia reclamado de fome e lembroi que não havia comida no apartamento de Gael. Ele insistiu que eles poderiam pedir alguma coisa, disse que sua cama era mais macia, mas não adiantou. Dandara argumentou que eles já haviam dormido algumas vezes na casa dele e aquela luta ele perdeu. Contudo, agora Gael apreciava a derrota pelo simples fato de que as cortinas do quarto dela eram de um tecido mais fino e permitiam maior entrada de luz. Mais luminosidade significava que ele podia vê-la com mais clareza. E tinha muito pra ver.

Como se pudesse sentir o olhar do lutador, aos poucos a morena foi despertando. Ao perceber que ele esteve observando-a, ela afundou o rosto no travesseiro e alongou-se. Em seguida, percebendo o quanto seu corpo estava exposto, puxou o lençol até a altura do pescoço, sorrindo para ele e corando de leve.

Merda, ele pensou, embora tivesse que admitir que era extremamente charmoso ela ser tão modesta. Ele sorriu para ela e não tentou esconder o desapontamento.

'Pra que se esconder?'

'Acho que você já viu o suficiente de mim ontem, né?' Colocando seu peso nos braços ela se aproximou e debruçou-se sobre o peitoral dele.

'Estava escuro antes.'

'Ótimo! Não é o que dizem? O escuro é o melhor amigo das mulheres...'

'Ah, pelo amor, isso é pra mulheres mais velhas. Você não tem nada o que se preocupar.' Ele passava as mãos pelos cabelos dela e olhou-se, inquisitivo. 'Quantos anos você tem?' Ele havia acabado de perceber que não sabia. João era da idade da Karina, o que colocava-a na faixa dos 30, mas podia ser qualquer coisa de 30 a 39. Ele não queria arriscar, sabia que era um jogo perigoso.

'Sabia que não é nem um pouco educado perguntar isso?' Ela fingiu estar ofendida. '35. Já estou ficando velha...' Respondeu, brincando.

'Imagina, você ainda serve por mais cinco anos.' Ele brincou e eles riram entre beijos leves.

'O João me denuncia totalmente!' Ele esperou um pouco mas ela não disse mais nada.

'Não vai me perguntar quantos anos eu tenho?'

'Na verdade eu acho que sei... Teria que fazer a conta sobre quando você ganhou o K1 mas...' ela deu de ombros 'tanto faz, eu gosto de caras mais velhos.'

'Mais velhos...' Ele disse, debochando enquanto ela ria e beijava o ombro dele.

'Bem, eu vou fazer 36 daqui a pouco, então a diferença vai diminuir.'

O celular de Dandara apitou enquanto Gael perguntava.

'Daqui a pouco quando?'

'Umas duas semanas... É a Bi.' Dandara apontava para o celular. 'Parece que eles já estão na estrada. Ela disse que tentou te avisar mas acha que acabou a bateria.'

'Acabou-se o que era doce!' O mau humor de Gael, ausente durante os últimos dias, retornara a superfície. Dandara sorriu, percebendo que sentira falta de seu jeito turrão. Ela gostava dele exatamente como ele era. 'Não, não, não, morena, vem aqui,' de joelhos na cama, ele puxou-a pela cintura, e caiu por cima dela, o lençol a única coisa entre seus corpos.

Durante um tempo eles só se olharam. Gael passou a mão pelo rosto de Dandara e ela passava a perna pela cintura dele. 'Não quero dividir você com mais ninguém.'

Ela revirou os olhos.

'Mas agora tem filhos, tem academia, tem Ribalta... Amanhã é segunda feira e tudo volta ao normal...'

'Você sabe que nem tudo precisa voltar a ser como era antes, né?' Ela concordou com a cabeça e Gael sorriu, triunfante. Dandara não resistiu e se entregou a ele, ali, mais uma vez antes dos meninos voltarem. O desejo que sentiam um pelo outro parecia interminável e durante aquele final de semana, por estarem constantemente na presença um do outro, a tentação estava sempre presente. Em pouco tempo eles haviam descoberto propriedades antes desconhecidas da mesa de jantar e das escadas do apartamento de Gael. Descobriram o que eles eram bons em e o que não eram; o que eles fariam e não fariam (a lista do que Dandara não faria era somente um pouco mais longa do que a de Gael, para a alegria dele).

'Posso interpretar isso como um sinal de compromisso?' Ele questionou em voz baixa, segurando-a nos braços. Ela fez que sim com a cabeça e pegou o celular na cômoda. Ele havia apitado novamente mas eles estavam muito ocupados.

'A Bi ta falando que eles vão deixar o João aqui e depois seguir pra sua casa.' Ela levantou a cabeça para encará-lo. 'Acho que é hora de ir...'

'Posso só tomar um banho antes?' Dandara revirou os olhos, rindo, e o beijou como resposta.

**

'Já vai!!!!'

A campainha tocava sem parar como uma tecla de piano pressionada. Saindo do banheiro enrolada na toalha, Dandara abriu a porta para João com os cabelos escorrendo. Emburrado, o menino olhou-a de cima a baixo.

'Sabia. É o lutador, né? Ele tá aí,?' Envergonhada, Dandara fez que sim com a cabeça. 'Você pode avisar pra ele se apressar que o Duca tá esperando lá embaixo.'