Notas iniciais
Migalhas de pão pelo caminho? Ah tah... ¬¬

A noite não demorou a chegar e os pais dormiram. João não havia pregado os olhos, e assim que escutou os roncos do pai levantou da cama e desceu as escadas até a sala.

Com algum esforço começou a amontoar um punhado de lenha ao pé da escada, afinal, já que seu pai queria se livrar dele era justo que o mesmo quisesse se livrar do pai.

Maria logo apareceu com uma cestinha contendo dois pedaços de pão.

-O que está fazendo João?

-Vou e livrar do papai.- Seu olhar era demoníaco.

-É uma pena, vou sentir falta do papai... Mas vou me acostumar sem aquele idiota.- Disse a pequena garota e então foi para a cozinha.

Não demorou para que voltasse com um litrinho de álcool e uma caixinha de fósforos.

-Obrigado.- Disse o mais velho ao pegar os objetos.

-Ei João, por que você não fez o fogo em cima do tapete, no meio da sala?- A garota perguntava, pensando que o fogo pegaria melhor sobre o tapete.

-Porque se o fizer ao pé da escada eles não terão como fugir.

-Ah...- Foi apenas o que a garota disse e, prevendo que precisaria correr, se adiantou para a porta.

João encharcou a lenha com o álcool e riscou um fósforo. Jogou-o de longe e fazendo sinal para a Maria, saiu correndo pela porta, puxando a irmã pela mão. O clarão que se formou dentro da casa era visível do lado de fora pela porta aberta. Mas João e Maria nem o olharam, estavam correndo, se embrenhando cada vez mais no meio do mato.

Embora estivesse já a uma certa distância da casa, ainda puderam ouvir os gritos de Minerva. Se os dois sobreviveram, não fizeram questão de saber.

O fogo não demorou a pegar o tapete da sala e as cortinas da janela. A escada já havia caído, consumida pelo fogo, e a madrasta gritava desesperadamente no andar superior.

-Faça alguma coisa Arthur!- Ela gritava para o pai das crianças.

Mesmo estando pegando fogo por todos os lados, o pai sentiu que deveria descer, pois era o único jeito de salvar a esposa. Se agarrou com as das mãos no que restara da escada e ficou pendurado sobre o fogo. A mulher gritando.

Solto-se e só se ouviu um gemido longo.

Havia caído sobre uma viga em ponta que havia sob a escada, agora esposta em meio as chamas. O liquido quente e vermelho escorreu do buraco na barriga e da boca. A esposa ainda pode ver o marido agonizando na estaca.

Desesperada a mulher saiu correndo para o quarto e se atirou na cama, a qual, devido ao chão estar muito queimado, despencou para o primeiro andar em meio as chamas.

A mulher levou a mão a cabeceira de metal, queimando-a por estar em meio ao fogo. O cheiro de cabelo queimado não tardou a chegar aos seu nariz. Os lençóis já pegava fogo. Era o fim para minerva. Os gritos de dor da mulher puderam ser ouvidos por quase toda a vila, mas quando os bombeiros chegaram apenas encontraram os corpos do casal carbonizado.

Nem vestígio das crianças.