Jovens Escolhas, Complicadas Consequências...
9 Capítulo 8: MENTE VAZIA
Notas iniciais
CAPÍTULO 8
POV. BELLA
Não existia, no mundo, desespero maior do que acordar nua com um homem também nu e não se lembrar de nada que acontecera na noite anterior.
Tudo bem que não se tratava de qualquer homem.
Era Edward.
Mas, ele não era meu namorado e sim um amigo querido com o qual eu não deveria compartilhar as complicações de um relacionamento amoroso.
Ele era perfeito de muitas maneiras e desde o meu acidente, tornara-se uma pessoa especial para mim, mas isso não significava, de maneira alguma, que eu deveria estar em uma cama com ele agarrado ao meu corpo de maneira tão íntima.
Para estarmos daquela maneira, só uma coisa poderia ter acontecido e eu tremia só de pensar naquela possibilidade.
Por que será que eu não conseguia me lembrar de nada?
“Sabe? Eu acho que você tem que ter cuidado com sua amnésia alcoólica... Daquela vez, todos nós estávamos por perto e você não correu riscos... Mas, você conhece o ditado: bunda de bêbado não tem dono”..._ Lembrei-me da voz de Alice falando a respeito do meu pequeno problema com bebidas e fechei os olhos com força, tentando conter meu desespero crescente.
Por que diabos eu fora me embebedar ontem?
Lembrei-me da discussão com o meu pai e me xinguei mentalmente por me prejudicar ao tentar me vingar de suas palavras ofensivas.
Eu sabia ter bebido bastante naquela maldita boate, mas não me lembrava de nada do que acontecera depois do segundo drink e essa dúvida estava acabando comigo.
Gemi mais uma vez ao sentir minha dor de cabeça piorando e tentei sair dos braços de Edward que ainda estavam ao meu redor.
Deslizei silenciosamente pela cama, enrolando-me no lençol amassado e coloquei os pés no chão, sentindo cada parte do meu corpo protestando aos movimentos.
Olhei ao redor e senti meu rosto ferver quando me deparei com nossas roupas jogadas pelo quarto.
Tentei não pensar muito no motivo de elas não estarem mais cobrindo nossos corpos.
Os lençóis também estavam uma confusão, mas foi só quando eu notei a pequena mancha de sangue entre eles, que meu desespero alcançou o nível máximo.
Eu realmente havia transado com Edward Cullen.
Eu verdadeiramente não me lembrava de nada.
E eu realmente estava ferrada.
_ Amor? Está tudo bem?_ Ouvi a voz rouca de Edward e paralisei no lugar, querendo que um buraco se abrisse no chão para que eu pudesse me esconder e não enfrentar o que estava por vir.
O fato de ele ter me chamado de amor não passara despercebido a mim e isto me incomodava.
Eu gostaria muito de ser o seu amor, mas eu não era.
Eu era apenas a vadia que namorava o seu melhor amigo e mesmo assim fizera sexo com ele.
Continuei em silêncio, sem encará-lo, até que senti um beijo carinhoso em meu ombro.
Eu me afastei do seu toque e encarei o chão, me sentindo extremamente desconfortável com a situação e culpada pelo que havia acontecido entre nós, embora eu ainda não me lembrasse de nada.
Eu me sentia triste, pois sabia que estava prestes a magoá-lo, mas não era algo que eu pudesse evitar.
O que acontecera naquele quarto fora errado e essa situação precisava ser remediada o quanto antes.
_ Bella? O que foi, minha linda?_ Ele perguntou mais uma vez, e o seu carinho ao se dirigir a mim fez com que lágrimas invadissem meus olhos.
Respirei fundo e o encarei e quando nossos olhares se encontraram, ele sorriu pra mim.
_ Você parece preocupada... O que foi?_ Ele perguntou, acariciando as rugas da minha testa e eu fechei os olhos mais uma vez, sem coragem de continuar encarando-o._ Bella?
_ O que aconteceu ontem?_ Eu perguntei baixinho, ainda sem encará-lo e ele ficou alguns segundos em silêncio, antes de erguer meu queixo delicadamente, me fazendo olhá-lo nos olhos.
_ O que? Como assim o que aconteceu ontem?_ Ele perguntou baixinho, mostrando-se confuso, e eu respirei fundo, apertando o lençol que estava em volta do meu corpo e mais uma vez me afastando do seu toque.
_ Só me responda..._ Eu pedi e ele suspirou, passando as mãos pelos cabelos e se levantando para vestir sua cueca que estava jogada no chão ao lado do meu vestido.
Senti meu rosto esquentar ao observá-lo nu, mas não pude evitar fazê-lo, já que Edward era, definitivamente, uma visão belíssima de ser admirada.
Desviei o olhar de seu corpo quando percebi que ele me olhava e respirei fundo, tentando a todo custo controlar o pânico que ameaçava tomar conta de mim a qualquer momento.
Depois de vestir a cueca, ele sentou-se ao meu lado e me encarou mais uma vez, sondando meu rosto com cuidado.
_ Você quer saber o que houve ontem?_ Ele perguntou e eu assenti de leve, engolindo em seco e sentindo o gosto amargo do medo em minha boca._ Pois eu vou te dizer... Nós fizemos amor, Bella... Nós nos entregamos um ao outro nessa cama, nesse quarto e vivemos a noite mais linda de nossas vidas..._ Ele falou calmamente e eu fechei os olhos com força, sentindo as lágrimas que eu quisera evitar invadindo os meus olhos e descendo pelo meu rosto._ Ei... Por que você está chorando? Está arrependida?_ Ele perguntou aflito e eu neguei com um gesto de cabeça, limpando as lágrimas com as costas da mão e o olhando atentamente.
_ Eu não me arrependo, Edward... Eu não me arrependo porque eu simplesmente não me lembro de nada do que aconteceu ontem a noite..._ Eu falei alto, deixando o desespero que eu sentia tomar conta de mim e ele me olhou em choque, enquanto eu simplesmente chorava.
_ O que? Você não se lembra? Como isso é possível, Bella?_ Ele perguntou incrédulo.
_ Eu não sei... Não sei. Quando eu bebo, no dia seguinte, eu geralmente não me lembro de nada do que aconteceu. Eu sei que bebi bastante na boate e então...
_ E então você quer me convencer que não se lembra de nada do que houve entre nós? Quer que eu pense que a noite de ontem não teve nenhum significado? Ah, Bella, por favor..._ Edward falou irritado e levantou-se, indo para a janela e ficando de costas para mim.
_ Eu não quero convencê-lo de nada... Estou dizendo a verdade: eu não me lembro._ Eu falei chorando e ele virou-se em minha direção, me olhando de uma forma que eu nunca vira antes.
Edward estava com raiva, mas mais do que isso... Ele estava profundamente magoado e seu olhar de menino ferido cortou meu coração em mil pedaços.
_ Você tem noção do quanto eu estava feliz ontem? Do quanto me fez bem ouvir que você queria que eu fosse seu namorado? Você me disse que era virgem e que queria se entregar a mim por que éramos perfeitos juntos e por que você se sentia especial ao meu lado. Bella, você não estava bêbada. Ninguém que não esteja sóbrio diria aquelas coisas... Você estava alterada, mas não bêbada e me implorou para que eu lhe tocasse. E eu, como o idiota que sempre fui, atendi ao seu pedido, acreditando que você realmente gostava de mim da mesma forma que eu gosto de você... Eu dormi sonhando com o nosso futuro, que começara no instante em que eu a tive em meus braços. Mas, vejam só... Nada é perfeito, não é mesmo? Hoje você acorda e me diz que não se lembra de nada... Qual será o próximo passo? Reatar com Jacob e ser feliz para sempre?_ Ele gritou e eu me encolhi assustada e envergonhada com suas palavras.
_ Eu... Edward, eu sinto muito. Jamais quis magoar você. Você é muito especial pra mim, um amigo muito querido... Cuidou de mim depois do acidente, alegrando meus dias sempre que podia. Mas, eu tenho namorado e você também tem uma namorada. Isso que aconteceu não podia ter acontecido... Não devia ter acontecido, Edward, e você sabe disso.
_ Amigo? Eu sou seu amigo querido? Sinto muito, Bella, mas minha definição de amigo difere bastante da sua. Amigos não se beijam, não se desejam e não transam. Eu tenho uma namorada sim, mas não me envergonho de dizer que eu sempre quis você... Eu te desejo como minha namorada desde que eu te conheci e isso nunca mudou. Você namora o meu melhor amigo, mas eu perderia a amizade dele se isso me fizesse ter você. Eu abriria mão de qualquer coisa para ter você... Mas, aparece que isso não é e nunca será o suficiente._ Edward disse triste e eu senti um nó em minha garganta ao me dar conta de quanto eu estava magoando-o.
_ Por favor, Edward... Me entenda. Eu jamais quis magoar você. Eu... Você não deveria ter me ouvido ontem a noite... Vamos esquecer que isso aconteceu e seguir com nossas vidas... _ Eu tentei falar, mas ele não deixou.
_ Não. Eu não vou deixar que coloque a culpa em mim pelo que aconteceu. Você queria... Implorou por isso e apreciou cada minuto. Então não me venha com esse papo de culpado e de que eu não deveria tê-la ouvido, por que isso não vai adiantar. Já aconteceu e nada do que você faça ou diga vai mudar o fato de que nós transamos. Mas, fique tranqüila... Não vou ouvi-la nunca mais. Não vou mais me humilhar para ter algo que é inatingível. Cansei, Isabella... Eu cansei. Você pode voltar para Jacob e fingir que nada aconteceu. Pode ignorar isso, já que você nem sequer se lembra. Eu não vou mais procurá-la... Não a quero mais em minha vida. Vou arrancá-la do meu coração nem que seja a força, para que assim eu possa viver de verdade e deixar de lado essa utopia de ter o seu amor..._ Ele falou, dirigindo-se para o banheiro e eu fiquei ali, arrasada por saber que eu o magoara profundamente e que agora, nem mesmo sua amizade eu poderia ter.
Deus!
Como isso pudera acontecer?
Edward era importante para mim, mas eu simplesmente não poderia tê-lo ao meu lado, pois eu tinha certeza que nesse momento ele estava me odiando.
Enxuguei minhas lágrimas e me levantei, pegando minhas roupas do chão para que eu pudesse vesti-las e me sentir menos exposta do que agora.
Quando já estava pronta, fui até a cama para que pudesse tirar aquele lençol sujo de sangue, como se de alguma forma, ao desaparecer com ele, eu pudesse simplesmente apagar o que acontecera na noite passada.
_ Deixe isso aí... Amanhã a faxineira vem e arruma tudo. Pode ficar tranqüila. Não vou expor esse lençol na minha janela a fim de mostrar para o mundo que você é minha... Afinal, você nunca foi, não é?_ Ele falou zombeteiro e eu fiquei me perguntando onde estava aquele Edward carinhoso e gentil que eu conhecia praticamente a vida toda e senti uma dor profunda ao saber que eu o matara.
Fiquei em silêncio, não sabendo o que responder e temendo dizer mais alguma coisa que o magoasse.
_ Eu vou te levar pra Forks agora. Vai querer comer alguma coisa?_ Edward perguntou, enquanto terminava de calçar o sapato e eu neguei com um gesto de cabeça, ouvindo-o suspirar._ Certo... Então vamos.
Eu o segui pelo pequeno corredor, não olhando ao redor para não aumentar minha tristeza e em pouco tempo já estávamos a caminho de Forks.
O dia estava sombrio, frio e chuvoso e eu quase sorri ao constatar que ele combinava perfeitamente com o meu humor.
Edward estava concentrado na estrada e nem por um segundo me dirigiu um olhar ou palavras.
Sua expressão era séria e eu não conseguia definir se ele estava com raiva ou triste.
Eu sabia que era um pouco dos dois e o fato de saber que eu era a culpada pelo seu sofrimento fazia com que eu me odiasse a cada segundo que passava.
Eu não queria que ele saísse da minha vida, mas pelo visto isso seria inevitável e a perspectiva de não vê-lo sorrindo pra mim outra vez era muito triste.
Ele parou em frente a minha casa e eu respirei fundo, não sabendo como agir ou o que dizer depois de tudo o que acontecera e o que fora dito entre nós.
_ Edward, eu...
_ Não diga nada. Não diga que sente muito, pois isso só aumenta a dor e a humilhação que eu sinto nesse momento. Eu pesei que poderia fazê-la gostar de mim da mesma forma que eu sempre gostei de você... No entanto, isso não foi possível. Eu não consegui marcar sua vida como você marcou a minha, e não posso simplesmente culpá-la por isso.
_ Mas, você marcou minha vida, Edward... Você é muito especial pra mim._ Eu falei e ele sorriu de maneira triste.
_ Eu não marquei da forma como eu gostaria, Bella, e eu não posso mais viver assim... Esperando por você enquanto minha vida passa..._ Ele falou e eu suspirei, tentando a todo custo conter as lágrimas que ameaçavam cair novamente a qualquer momento._ Mas, apesar de tudo, eu sempre vou desejar sua felicidade, pois você foi especial demais para que eu consiga odiá-la. Adeus._ Ele falou, se inclinando em minha direção e abrindo a porta do carro para que eu saísse e eu não pude fazer nada ao não ser descer do Volvo e ficar observando seu carro desaparecer ao fim da rua, enquanto as lágrimas, que eu conseguira bravamente segurar na sua frente, desciam em abundância pelo meu rosto.
Fiquei alguns minutos apenas encarando a rua vazia e quando a chuva fina começou a me molhar de verdade, entrei em casa e encontrei minha mãe aflita, falando com alguém ao telefone.
_ Ai, Alice querida, obrigada por sua atenção, mas ela acabou de chegar. Ok... Pode deixar. Beijos!_ Ela desligou o aparelho e veio em minha direção, me olhando preocupada.
_ Filha, que bom que chegou... Eu já estava ficando apavorada. Mas, onde você estava? Por que está molhada? E por que está chorando, Bella?
Eu balancei a cabeça de leve, me negando silenciosamente a contar para Renée o que havia acontecido e ela me olhou ainda mais aflita.
_ Mãe... Eu vou pro meu quarto. Quero ficar sozinha e isso significa sem visitas e sem telefonemas. Por favor._ Pedi me dirigindo para as escadas e senti que ela ainda me olhava preocupada.
_ Mas, está tudo bem, filha?_ Ela perguntou e eu sorri de maneira triste, ainda subindo a escada.
_ Não... Não está tudo bem, mãe... E não acho que vai ficar tão cedo..._ Eu resmunguei, não esperando sua reação às minhas palavras, e me dirigi para o meu quarto, entrando e trancando a porta.
Desabei na cama e chorei...
Chorei por tudo o que aconteceu, pelas lembranças perdidas, pelo fato de ter magoado Edward e perdido sua amizade... Chorei pela confusão que eu armara e por toda a angústia que eu estava sentindo nesse momento.
Chorei por saber que nada seria como antes, por que por mais que não me lembrasse do que acontecera, nada podia mudar o fato de que eu me entregara para Edward e traíra Jacob.
Meu namorado talvez não merecesse tanta consideração pela forma como vinha se comportando ultimamente, mas eu devia respeitá-lo...
Eu devia respeitar nossa amizade e relação de tantos anos e foi exatamente isso que eu não fizera.
Eu traíra Jacob com seu melhor amigo e isso simplesmente não tinha perdão.
Eu deveria tentar esquecer esse fato e seguir em frente, mas eu sabia que não ia conseguir.
Algo mudara em mim e era justamente isso que me fazia chorar de desespero, pois eu não sabia o que seria da minha vida dali em diante.
Meu futuro estivera planejado por um longo tempo, mas agora, ele já não aconteceria da mesma forma.
Minha vida tinha mudado e agora só me restava arcar com as complicadas consequências das minhas escolhas.
**********
POV. EDWARD
Ela não se lembrava.
Bella se esquecera da noite maravilhosa que passamos juntos e nada podia me magoar mais do que esse fato.
O que acontecera na noite de ontem sempre estivera nos meus sonhos desde que eu a vira pela primeira vez.
Durante aquela noite, na qual dormimos abraçados depois de fazermos amor apaixonadamente, eu sonhei com o nosso futuro juntos.
Eu nos imaginei dividindo nossas vidas, nos amando e nos completando de uma forma única.
Constatar que ela simplesmente não se lembrava do que acontecera me deixara irado e profundamente magoado.
Como era possível esquecer-se da sua primeira vez?
Como era possível que os beijos e as carícias que trocamos tenham fugido de sua mente, como se fosse algo tão insignificante?
Mas, o que mais doía, era saber que eu não conseguira conquistá-la.
Bella não seria minha, ao final das contas e agora, não me restava nada, ao não ser tentar seguir com minha vida sem ela.
Sem o seu sorriso, sua timidez e sua amizade.
Senti uma dor profunda e respirei fundo, estacionando meu carro na garagem da casa dos meus pais e entrando sem olhar para os lados, para não ter que cumprimentar ou falar com ninguém.
Tudo o que eu queria no momento era ficar sozinho com minha dor e com a minha decepção.
Eu não via boas perspectivas para meu futuro, mas eu tentaria seguir com minha vida.
A partir de hoje, eu seria outro homem e nessa nova vida não haveria espaço para Isabella Swan.
Eu a arrancaria do meu coração e dos meus pensamentos de qualquer jeito e um dia ela seria apenas a lembrança de uma utopia que nunca pôde ser alcançada por mim.
Eu tinha certeza que este afastamento doeria, mas seria melhor assim.
Esse era o único jeito menos destrutivo de lidar com as complicadas consequências do nosso rápido envolvimento.
Peguei o folheto onde estava descrito o programa de residência médica de Harvard e liguei meu computador, na intenção de me inscrever.
Eu iria para bem longe de Forks e assim, conseguiria garantir que nunca mais cairia em tentação na questão “Bella”.
Ela seria apenas uma lembrança...
Uma doce e inatingível lembrança...
Fale com o autor