Jovens Escolhas, Complicadas Consequências...
5 Capítulo 4: DÚVIDAS E CONFUSÕES
Notas iniciais
Espero que gostem.
Boa Leitura!
Capítulo 4
POV. EDWARD
O medo é um sentimento de grande inquietação diante de um perigo real ou imaginário.
Quando sentimos medo, o coração dispara e a respiração se torna ofegante. Ondas de calor percorrem todo o corpo, as mãos tremem e a transpiração é tão intensa que qualquer um pode reconhecer as manifestações desse sentimento, considerado, por muitos especialistas, um mecanismo eficiente de defesa.
Durante toda minha vida eu já havia experimentado muitos níveis de medo.
Medo de andar de bicicleta e cair... Medo de nadar no lago da cidade e morrer afogado... Medo de tentar algo com a menina mais gata da escola e levar um fora... Medo de escolher a profissão errada e me arrepender depois...
Mas, nenhum medo, por pior que tenha sido, se comparava ao pavor que eu sentira ao ver a caminhonete de Bella batendo contra àquela árvore.
Quando eu pegara a interestadual para voltar à Forks, logo eu avistara a velha e inconfundível chevy de Bella e ficara feliz em poder acompanhá-la pelo caminho, mesmo que quase não conseguisse vê-la devido a chuva forte que atrapalhava minha visão.
No entanto, minha proteção à distância não fora o suficiente para evitar que um carro maldito entrasse em sua frente e provocasse aquele acidente.
Tudo o que eu pudera fazer fora observar, em pânico, seu veículo se chocar contra uma árvore enquanto eu torcia para que nada de grave tivesse acontecido com ela.
Depois da batida, eu acelerei meu carro pela rodovia molhada e parei ao lado de sua caminhonete, indo imediatamente socorrê-la.
Aquele maldito desgraçado que provocara o acidente nem parara para prestar socorro e eu precisava ajudá-la, pois nada de ruim poderia acontecer a Bella.
A recomendação dos socorristas era para não mexer nas vítimas de acidentes, mas eu era médico e saberia como ajudá-la. Além do mais, não tinha como ficar esperando por socorro quando eu sabia que Bella poderia estar correndo perigo de vida e que uma ambulância demoraria uma eternidade para chegar ali devido ao mal tempo.
Quando eu abri a porta da caminhonete, a cena que eu vi fez com que eu sentisse o gosto amargo do medo na boca.
Bella estava debruçada contra o volante e um filete de sangue descia por suas testa. Ela estava desacordada e seu rosto completamente pálido me assustou bastante.
Tirei o cinto de segurança que ainda a prendia contra o banco e a tomei nos braços, tentando protegê-la das gotas frias de chuva enquanto a levava para meu carro, mas falhando, já que a tempestade se intensificava cada vez mais.
_ Bella? ... Bella, meu anjo... Bella?_ Eu chamava seu nome desesperadamente, tentando fazer com que ela reagisse a algum estímulo para que eu pudesse avaliar sua real condição.
Mas, ela estava desacordada e não respondia ao meu chamado.
Respirei fundo, tentando manter a calma.
Não adiantava ficar desesperado.
Eu precisava estar frio para poder cuidar de Bella como um bom médico faria, independentemente do que eu sentia por ela.
Quando estava prestes a colocá-la no banco do meu carro, ela sorriu suavemente e balbuciou meu nome, fazendo meu coração disparar.
Bella havia me reconhecido, mesmo estando parcialmente desacordada e isso me enchia de alegria.
_ Estou aqui, amor e vou cuidar de você._ Falei, beijando sua testa suavemente e a acomodando no banco do meu carro.
Liguei a luz do teto para verificar seu ferimento e constatei que não era nada profundo.
Tirei minha blusa e pressionei contra o corte para estancar o sangramento. Depois, apalpei seu pescoço, suas costelas, seus braços e suas pernas em busca de alguma fratura, mas parecia que ela não havia quebrado nada.
Suspirei aliviado e a prendi no banco, imobilizando-a da melhor forma possível, pois mesmo que Bella não aparentasse nenhuma fratura era melhor prevenir, evitando que um possível osso quebrado perfurasse algum órgão.
Feito isso, corri até a caminhonete para ligar o pisca alerta e trancá-la devidamente.
Peguei a bolsa de Bella que estava caída no chão da caminhonete e voltei para o meu Volvo rapidamente e manobrando o carro até a estrada e dirigindo com rapidez, mas tomando cuidado para não causar mais um acidente.
Minha meta era levar Bella para o hospital de Forks o mais depressa possível, mas a tempestade não estava ajudando.
Percorri alguns quilômetros e, vez ou outra, escutava Bella gemendo.
Eu sabia que ela estava com dor e esse fato estava me causando uma grande agonia e preocupação.
Não gostava de vê-la sofrendo.
E seus gemidos indicavam que nem tudo estava bem e que deveria haver algum ferimento interno causado pela batida.
A distância parecia ter se duplicado e a chuva não parava nem por um momento, atrapalhando minha visão e minha mobilidade na pista.
Eu não conseguiria chegar ao hospital rapidamente e já estava começando a me desesperar de verdade.
Bella precisava ser atendida e passar por exames para verificar se o acidente não deixara ferimentos internos ou seqüelas graves.
Quando estava quase chegando a Forks, com a chuva se intensificando cada vez mais, me lembrei da minha cabana e suspirei aliviado, sabendo que lá eu teria os instrumentos necessários para socorrer Bella até que a tempestade passasse e eu pudesse levá-la para o hospital.
Essa cabana fazia parte de uma propriedade que meu pai comprara a fim de construir uma casa de campo para passarmos os finais de semana em família, mas que nunca tivera tempo de levar o projeto à diante.
Eu descobrira a cabana e me encantara pela modesta construção, decorando-a do meu jeito e usando-a para fugir da minha realidade, que às vezes, apesar de não ser tão dura, precisava ser deixada de lado.
Emmett a usava para trazer a maioria das garotas com as quais transava e Alice gostava de fazer suas noites do pijama e trazer as amigas para fofocar.
No entanto, apesar de ser a melhor amiga da minha irmã, Bella nunca tinha ido à cabana.
Sempre que minha irmã ia até ali com as amigas, Bella estava envolvida com algum importante projeto da faculdade ou tinha algum compromisso com o namorado.
Eu me sentia muito feliz em ser o primeiro a levá-la até ali, mesmo em condições tão adversas.
Nunca tinha trazido nem mesmo Tanya até a cabana e ela vivia reclamando desse fato, pois afirmava que queria conhecer meu “cantinho especial”.
Mas, eu simplesmente não me sentia a vontade tendo-a ali, pois era naquele lugar que eu mais pensava na menina que agora estava desacordada no banco traseiro do meu carro.
Eu nunca entendera minha fixação por Bella, mas o amor que eu sentia por ela era sincero e me fazia bem, apesar de eu sofrer ao vê-la namorando o meu melhor amigo.
Tudo que eu queria era uma chance para mostrar a ela que eu poderia fazê-la feliz e cuidar dela como nenhum outro homem seria capaz de fazer.
Entrei na alameda de lama, ladeada por grandes pinheiros, que nos levaria até a pequena construção e dirigi com cuidado, até chegar ao grande gramado que ficava em frente a casa.
Estacionei o carro perto da varanda e desci rapidamente para abrir a porta.
Liguei as luzes, que eram movidas pelo gerador que ficava ao fundo da propriedade e por isso, continuavam funcionando, mesmo com a tempestade, e voltei para o carro para buscar Bella.
A tomei nos braços, escutando-a gemer de dor e a levei para a cama embutida no chão que ficava em frente à lareira. Tranquei a porta e corri para o banheiro a fim de pegar o kit de primeiros socorros e voltei para sala, me ajoelhando ao lado do seu corpo inerte e começando os procedimentos.
Liguei a lareira que, graças a bondade e ao dinheiro do meu pai, era elétrica e voltei minha atenção para a menina a minha frente.
Bella continuava pálida e o ferimento de sua testa parecia um pouco maior do que no momento da minha primeira avaliação.
Ela estava molhada e tremendo de frio, mas eu esperava que o calor da lareira fosse o suficiente para aquecê-la.
Desinfetei seu ferimento rapidamente e, para meu alívio, realmente não era nada grave. Tratava-se de um corte superficial que acontecera devido a uma provável batida no para brisas.
Verifiquei mais uma vez as principais partes do seu corpo para procurar fraturas, mas realmente não existia nenhuma, ao não ser alguma possível luxação na região das costelas, já que todas as vezes que eu apalpava ali, ela gemia e se encolhia.
Fiz todos os exames que os poucos instrumentos médicos que eu tinha me permitiam e cheguei a conclusão que, apesar do susto, Bella estava bem e poderia esperar até que a tempestade passasse para ser levada ao hospital.
Mas, ela continuava a tremer de frio e eu constatei que se não tirasse aquela roupa molhada do seu corpo, Bella não conseguiria se aquecer.
Mas, a simples ideia de despi-la, ainda que fosse apenas para evitar que ela morresse de frio, estava mexendo comigo bem mais do que deveria.
Aquela garota ainda era a mesma que bagunçava os meus sentimentos e acionava minha libido e vê-la apenas com as roupas íntimas iria aumentar ainda mais o meu desejo por ela.
Mas, naquele momento eu devia pensar em Bella como uma simples paciente e era exatamente isso que eu faria.
Tirei seu tênis e sua meia e depois comecei a retirar sua calça jeans.
Sua pele pálida foi se revelando e eu engoli em seco, tentando não pensar muito no que eu estava fazendo.
Bella se mexeu um pouco, incomodada com os movimentos e se encolhendo de frio e eu me apressei em concluir a tarefa de despi-la.
Ela tinha um corpo tão lindo que minha vontade era ficar admirando-a, mas ela estava gelada e eu precisava cobri-la.
Nenhuma garota com a qual eu já tenha estado comparava-se a beleza da mulher a minha frente.
Bella era pequena e seu corpo era harmonioso e extremamente perfumado, despertando em mim desejos e anseios que eu jamais imaginei sentir.
Pensar que Jacob tinha livre acesso ao seu corpo me dava muita raiva, mas ao me lembrar da discussão que eles tiveram há algumas noites atrás, eu concluí que talvez nem ele possuísse esse privilégio.
Talvez, eu, nesse momento, estivesse vendo muito mais do que ele vira em todos esses anos de namoro e apesar desse pensamento ser horrível, dada a situação, eu não pude evitar que meu ego masculino se inflamasse com essa constatação.
Mas, apesar dos meus pensamentos serem interessantes, eu precisava cobri-la, pois ela ainda tremia e sua pele já estava adquirindo um tom arroxeado.
Enrolei duas mantas grossas em seu corpo e a acomodei sobre os travesseiros, esperando que o calor da lareira fosse capaz de aquecê-la.
Fui até a geladeira e fiz um sanduíche, pois eu não comera nada o dia todo. Queria que Bella também se alimentasse, mas enquanto ela não recobrasse os sentidos, isso seria impossível.
Voltei para a sala e me sentei ao seu lado, pegando meu celular para avisar meu pai que eu estava com ela e que assim que a chuva parasse, iria levá-la ao hospital.
No entanto, o celular estava mudo e após inúmeras tentativas o desliguei frustrado.
A chuva deveria ter afetado o sinal telefônico e por enquanto estávamos incomunicáveis.
Meu medo era que a polícia encontrasse a caminhonete de Bella e acionasse sua família, deixando-os preocupados.
Mas, não havia o que fazer no momento...
Respirei fundo e me dirigi ao banheiro a fim de retirar minhas roupas molhadas.
Vesti apenas uma calça de moletom, escovei os dentes e voltei para sala, indo me deitar ao lado de Bella.
Ela estava dormindo e eu notei que ela ainda tremia.
Franzi o cenho e pousei minha mão em sua face, para verificar se ela estava com febre, uma vez que o frio já devia ter passado.
Mas, ela ainda estava gelada e eu concluí que seus tremores eram de frio.
Me aproximei de seu corpo e a desenrolei, me deitando ao seu lado e abraçando-a, cobrindo a nós dois com as mantas.
Senti-la tão próxima a mim era o paraíso e mesmo querendo que ela estivesse acordada e consciente para aproveitar esse momento, eu me contentava em apenas tê-la comigo.
Beijei sua testa e a apertei mais um pouco contra mim, tomando cuidado com suas costelas.
Aos poucos, seus tremores foram diminuindo e eu senti que seu corpo se aquecia e relaxava.
Mas, mesmo assim, eu continuei abraçando-a e aproveitando aquele momento roubado do destino.
Não sabia quando teria outra oportunidade de senti-la tão próxima a mim, e, portanto, aproveitaria cada segundo.
Esse era meu prêmio por tê-la resgatado do acidente e eu não deixaria de apreciá-lo intensamente.
**********
POV. BELLA
Meu corpo doía e minha cabeça latejava.
Foram as primeiras coisas que eu notei ao abrir os olhos.
Olhei ao redor atentamente, mesmo com meus olhos cerrados para evitar o incômodo da claridade e cheguei à óbvia conclusão de que eu não sabia onde estava e esse fato me preocupou.
Eu não conseguia me lembrar direito como eu fora parar ali.
Levei minha mão a cabeça e quando notei um pequeno curativo em minha testa, meu coração disparou, me fazendo lembrar do acidente que eu me envolvera na minha volta de Seattle.
Ergui minhas mãos a frente dos meus olhos e constatei aliviada que eu estava viva.
Mas, como será que eu fora tirada da caminhonete?
E porque eu não estava em um hospital?
Porque aquele lugar desconhecido não era um hospital definitivamente.
Nenhum hospital, por melhor que fosse, teria uma lareira elétrica e uma decoração tão íntima e aconchegante.
Suspirei pesadamente, fechando os olhos com força e tentando clarear minha mente para me lembrar o que acontecera após minha caminhonete ter se chocado contra uma árvore.
Alguém me tirara de lá...
Isso era um fato.
Eu só tinha que saber quem era essa pessoa e porque ela não me levara diretamente para o hospital.
Mas, antes eu precisava saber por que eu estava com tanto calor.
Meu corpo estava muito quente e eu sentia como se estivesse dentro de uma fornalha, envolta por labaredas.
Me virei lentamente para me deparar com Edward dormindo tranquilamente e agarrado em meu corpo como se fosse um coala.
O susto que eu levara o vê-lo tão próximo a mim não mudava o fato de que ele era lindo dormindo e eu me peguei sorrindo ao contemplar sua face quase inocente.
Fora Edward que me resgatara da caminhonete ontem.
Agora, depois de vê-lo, eu era capaz de me lembrar de seu corpo quente me segurando contra ele ao me tirar da caminhonete.
Na hora do acidente chovia muito e esse devia ser o motivo pelo qual ele não me levara diretamente para o hospital.
Mas, porque estávamos dormindo juntos aqui na sala?
A resposta devia ser óbvia, mas como minha mente estava confusa, preferia pensar nela mais tarde.
Além do mais, ninguém jamais saberia que estávamos ali daquela forma e isso me aliviava bastante.
Não queria parar para avaliar o porquê eu me sentia tão bem em seus braços e porque eu não conseguia sentir-me culpada por estar abraçada com o melhor amigo do meu namorado.
Escutei meu estômago roncando e me lembrei que desde a hora do café da manhã do dia anterior eu não comera nada.
E se depois de ter me acidentado eu conseguia pensar em comida, isso significava que eu estava bem.
Tentei sair do abraço quente de Edward, mas ele me apertou ainda mais contra o seu corpo e eu gemi ao sentir uma dor aguda em minhas costelas.
Ele acordou imediatamente ao me ouvir gemendo e me encarou com os olhos verdes confusos e embaçados de sono.
– Tudo bem?- Ele perguntou com a voz rouca e eu sorri, assentindo, me sentindo bastante constrangida agora que ele estava cordado.
Uma coisa era estar abraçada a ele enquanto ele dormia...
Outra bem diferente era estar agarrada a ele enquanto ele perscrutava meu rosto com os olhos verdes intensos.
– Sim... Eu só senti uma dor forte na costela, mas acho que é devido a minha batida contra o volante. – Eu falei e ele fez uma careta, levantando-se.
E eu senti meu rosto esquentar a ponto de derreter quando notei que ele não vestia nada da cintura para cima.
Mas, nada se comparava ao constrangimento ao descobrir que eu estava apenas de calcinha e sutiã.
E essa situação inusitada só piorava a cada minuto.
Como diabos eu fora parar de roupas íntimas em uma cama com Edward Cullen?
Edward notou meu constrangimento e se abaixou a minha frente, me encarando atentamente.
– Você estava molhada e eu precisei tirar suas roupas para que se aquecesse, antes que tivesse uma hipotermia. Mas, mesmo sem as roupas molhadas, você continuava tremendo. Por isso, eu me deitei ao seu lado a fim de aquecê-la. — Ele explicou e eu assenti, desviando o olhar de sua expressão intensa.
Mesmo que tenha sido para me ajudar, era estranho pensar que eu dormira a noite toda abraçada a ele.
Nem mesmo com Jacob eu tivera tanta intimidade.
Meu rosto esquentou ainda mais ao pensar em meu namorado.
Jacob não gostaria nada de saber que eu dormira agarrada ao seu amigo, mesmo que fosse para evitar que eu morresse de frio.
– Não se preocupe... Esse será nosso segredo... – Edward falou, adivinhando meus pensamentos e eu sorri sem graça.
– Obrigada... – Eu falei baixinho e ele sorriu, inclinando-se em minha direção e beijando meu rosto.
– De nada... Eu salvaria você quantas vezes fosse preciso. – Ele falou e mais uma vez eu me senti tocada e sem graça com a intensidade de suas palavras.
As conversas que eu tivera com Alice a respeito dos sentimentos que seu irmão nutria por mim me vieram a mente e agora, vendo a forma como Edward me tratava e seu empenho em me salvar e cuidar adequadamente de mim, não tinha como negar: ele era, realmente, apaixonado por mim.
Edward era tão perfeito que às vezes eu me lamentava por não poder corresponder a intensidade dos sentimentos que ele nutria por mim.
Mas, eu estava com Jacob e o amava...
Bem, pelo menos pensava que sim.
Suspirei e me embrulhei melhor na manta, para que nenhuma parte do meu corpo ficasse exposta.
Se bem que isso era bobagem, já que Edward vira bastante do meu corpo na noite anterior ao tirar minha roupa molhada.
– Suas roupas secaram. Estão no meu quarto. Acho bom você tomar um banho quente enquanto eu preparo alguma coisa pra gente comer. Tem tudo o que você precisa no banheiro..._ Edward falou e ficou de pé, estendo a mão para me ajudar a levantar.
Eu aceitei sua ajuda e me levantei, sentindo uma leve tontura.
Eu teria caído, caso Edward não tivesse sido rápido e me segurado.
_ Ei... Tome cuidado... Você se acidentou ontem e ainda está fraca... Tenho certeza de que já faz muitas horas que não se alimenta._ Ele me olhou com censura e eu corei mais uma vez.
_ Acho que só tomei café da manhã... _ Eu falei fracamente e ele balançou a cabeça com os lábios crispados, parecendo um inspetor repreendendo um aluno bagunceiro.
_Você precisa se alimentar melhor, Bella... Ninguém vive só de estudo.
Sorri com suas palavras, pois minha mãe sempre falava a mesma coisa.
_ Certo doutor... Prometo me alimentar melhor. Agora, vou aceitar sua oferta de banho e comida... Depois, preciso avisar meus pais que eu estou bem, antes que minha mãe pire... _ Eu falei e ele sorriu.
_Vou ver se os celulares voltaram a funcionar e eu mesmo ligo pra eles. Depois do café, vou levá-la ao hospital. Eu achei que não houvesse nenhuma fratura, mas essa dor em suas costelas prova o contrário... Sem contar que precisamos tirar uma radiografia da sua cabeça para verificar se essa pancada não foi realmente grave._ Ele falou e eu estremeci ao pensar que teria que ir ao hospital.
Eu odiava aquele cheiro séptico e tinha um verdadeiro pavor de agulhas e remédios.
Fui para o banheiro e me surpreendi ao ver minha roupa extremamente arrumada sobre uma poltrona.
Edward era tão atencioso que, às vezes, eu me perguntava se ele era real.
Tomei um banho demorado e após me arrumar da melhor maneira que consegui, fui em direção à cozinha, de onde vinha um maravilhoso cheiro de bacon.
Edward já estava totalmente vestido, o que eu agradeci.
Seu peitoral a mostra era uma total tentação para a visão feminina.
Esse pensamento era errado de muitas maneiras, mas eu simplesmente não podia controlar as imagens impróprias que apareciam em minha mente envolvendo Edward sem camisa.
Limpei a garganta para anunciar minha presença e ele me olhou sorridente, puxando a cadeira da pequena mesa e me convidando silenciosamente para sentar.
Eu aceitei sua gentileza e rapidamente ataquei os ovos a minha frente...
Estavam deliciosos.
_ Você cozinha muito bem..._ Falei entre uma garfada e outra e Edward deu de ombros.
_ Precisei aprender para não morrer de fome, já que meus irmãos não cozinham... Mas, não sou nenhum chef._ Ele falou e eu ri da simples ideia de imaginar Alice em uma cozinha.
_ É... acho que tem razão. Sua irmã não tem cara de quem gosta de cozinhar...
_ É... Ela realmente não é capaz de fazer o próprio alimento... Alice só pensa em roupas, sapatos, cabelos e unhas... Mas, ela é legal..._ Ele falou e nós rimos.
_ Mas, apesar de todas as suas manias, você a ama, não é?_ Eu perguntei e seus olhos brilharam.
Sempre admirei o carinho que ele tinha pela irmã e por muitas vezes desejei ter um irmão como Edward.
Se bem que eu podia usufruir do seu carinho, mesmo sem ser sua irmã.
Bastava que eu me deixasse levar pelos sentimentos que eu sabia que ele nutria por mim.
Arregalei os olhos ao me dar conta dos meus pensamentos e para o meu total desespero, engasguei com a comida.
Edward se levantou imediatamente e veio me ajudar, dando pequenas batidas em minhas costas para que eu recuperasse o fôlego e voltasse a respirar.
Quando eu finalmente desengasguei, ele se agachou ao meu lado e me olhou atentamente.
_ Está tudo bem?
Eu assenti e senti meu rosto esquentar de vergonha.
Eu era tão idiota, às vezes.
_ Desculpe..._ Eu falei baixinho e ele riu, levantando-se.
_ Tudo bem... Mas, eu confesso que fiquei preocupado. Afinal, você se acidentou ontem e escapou ilesa e eu não podia permitir que morresse afogada com minha omelete..._ Ele disse e eu ri, sendo seguida por ele.
_ Eu estou bem... Não se preocupe. Ainda vou viver bastante.
_ Assim espero..._ Ele falou e colocou os pratos na lava-louça.
Eu o ajudei a arrumar a cozinha e logo nós estávamos trancando a casa e seguindo em direção ao hospital de Forks.
Antes de sairmos, entretanto, eu olhei encantada para a pequena construção e me lamentei por nunca ter aceitado os convites de Alice para passar um tempo na cabana do irmão.
Aquele lugar era mágico.
_ Você pode voltar sempre que quiser..._ Edward falou enquanto eu ainda encarava a casa e eu sorri.
_ Vou aceitar o convite... Adorei sua cabana._ Eu falei e ele sorriu largamente, pegando minha mão e me levando para seu carro.
Fizemos todo o caminho em silêncio, onde apenas a música suave que tocava no moderno aparelho do carro de Edward era ouvida.
Minha cabeça estava doendo um pouco e minhas costelas também estavam incomodando, mas eu não queria, de forma alguma, ter que ir ao hospital.
Mas, pelo visto, Edward não me deixaria fugir disso.
_ Se prepare... Sua família está em peso no hospital e sua mãe está apavorada..._ Edward falou e eu gemi baixinho.
_ Ela deve achar que eu estou toda quebrada...
_ Bem... Ela está preocupada, o que é compreensível, já que você desapareceu desde ontem de manhã... A polícia rodoviária encontrou sua caminhonete e avisou seus pais, mas como eu não consegui telefonar, é natural que eles tenham ficado apavorados.
_ É... Parece que nada deu muito certo ontem..._ Eu comentei e Edward me olhou de soslaio.
_ Eu não penso assim..._ Ele comentou e eu o olhei com curiosidade.
_ Como não?
_ Eu gostei... Apesar do seu acidente, passar a noite com você foi muito bom..._ Edward falou e eu fiquei encarando-o por longos segundos, tentando entender o que realmente ele queria dizer com aquelas palavras.
Quando senti meu rosto esquentar pela milésima vez naquele dia, eu desviei o olhar de sua estranha expressão satisfeita.
Desde quando Edward ficara tão sincero?
Eu ainda era a namorada de seu melhor amigo e ele ainda era comprometido.
Por que ele ficava dizendo essas coisas?
Não falei mais nada durante o resto do caminho e quando chegamos ao hospital eu constatei com tristeza que Edward estava certo.
Meus pais estavam nos esperando e assim que minha mãe me viu, veio correndo em minha direção chorando.
_ Meu Deus, Bella... Você está mesmo bem, querida?_ Ela perguntou, abrindo a porta do carro e me tomando em um abraço efusivo.
E é claro que eu gemi de dor ao sentir minhas costelas sendo apertadas.
_ Pare de apertar a menina, Renée... Não vê que ela está com dor?_ Meu pai falou, me tirando dos braços de minha mãe, o que eu agradeci imensamente.
_ Eu sempre falei que essa história de estudar em Seattle não ia dar certo... Viu o que dá ser teimosa, Isabella Swan? Você poderia ter morrido caso Edward não tivesse a encontrado._ Minha mãe falou chorando e eu revirei os olhos, olhando para Edward que encarava a cena com uma expressão divertida.
_ Mãe, eu estou bem. Relaxa. Foi só um susto._ Eu falei e ela fungou, tocando meu cabelo.
_ Tem certeza? Então porque você está com dor?
_ Por que o susto deixou algumas marcas... Mas, não deve ser nada grave. Vou fazer os exames que Edward sugeriu e depois nós vamos para casa._ Eu falei decidida e ela assentiu.
_ Eu quero acreditar que você não estava bêbada, Bella..._ Meu pai falou de repente e eu o olhei, espantada.
Bêbada?
Às vezes, eu tinha a impressão que meu pai achava que eu era uma alcoólatra, pois todas as vezes que algo um pouco anormal acontecia comigo, ele desconfiava que eu havia bebido.
_ É claro que eu não estava bêbada, pai. Eu já falei um milhão de vezes, mas não custa repetir: Eu. Não. Bebo._ Falei, um pouco irritada e ele continuou me encarando, certamente procurando traços de mentiras em minhas palavras.
_ Gente, depois você conversam com a filha de vocês... Agora, eu preciso levá-la para fazer uns exames._ Edward falou, segurando meu braço e me levando para dentro do hospital e eu o olhei agradecida.
Não queria, de forma alguma, continuar aquela discussão sem sentido com meus pais.
Carlisle e Esme já me esperavam na sala de radiografia e logo eu saía de lá, sendo levada para a enfermaria enquanto esperava os resultados dos exames.
Edward não saiu do meu lado nem um segundo sequer e eu me sentia cada vez mais a vontade diante de sua presença.
Seria fácil me acostumar com seus cuidados.
Suspirei pesadamente, fechando os olhos e me deixando levar pelo meu cansaço físico e mental, tentando ignorar a confusão que os meus sentimentos se encontravam no momento.
Senti um toque suave em meu rosto e abri os olhos lentamente, para me deparar com Edward colocando uma mecha dos meus cabelos atrás da orelha.
_ Oi... Pode dormir. Assim que os resultados saírem, meu pai vem para lhe dar alta..._ Ele falou suavemente e eu sorri, fechando os olhos mais uma vez.
_ Obrigada por cuidar tão bem de mim..._ Eu falei suavemente e senti seus lábios em meu rosto.
_ É sempre um prazer... Eu adoro cuidar das pessoas especiais pra mim._ Ele falou e eu suspirei, adorando sentir o seu cheiro e ouvir suas palavras doces.
Eu era especial para ele e esse fato me encheu de alegria.
O que será que estava acontecendo comigo?
Será que a pancada tinha afetado meu raciocínio lógico?
Aquele era o mesmo Edward de sempre.
Por que de repente eu ficara tão sensível e receptível aos seus carinhos e as suas palavras?
Escutei um barulho na porta e abri os olhos, virando a cabeça e me deparando com Jacob que encarava a mão de Edward em meus cabelos com cara de poucos amigos.
Senti meu sangue gelar, mas o que me deu mais medo não foi a expressão de Jacob...
Foi o fato de não gostar de sua interrupção.
Eu não o queria ali.
E essa constatação me assustou demais.
O que diabos tinha dado em mim, afinal?
_ Interrompo?_ Jacob perguntou e Edward o encarou seriamente.
Ali, se encarando como dois lutadores em um ringue, eles não se pareciam mais com os amigos de longa data e era justamente isso que eu queria evitar.
Não queria que a amizade deles fosse posta a prova por minha causa.
Jacob era meu namorado e por mais que esse fato não tivesse mais o peso de antes, eu precisava aceitá-lo.
Edward era alguém que me ajudara e a quem eu seria eternamente grata pela imensa atenção.
Mesmo que eu tivesse apreciando demais seus carinhos, seus palavras, seu cheiro, seu olhar...
E naquele momento, ao me dar conta novamente do rumo dos meus pensamentos, eu soube que teria que dar muitas explicações.
Explicações a Jacob, aos meus pais e a mim...
Principalmente a mim.
Notas finais
O que acharam?
Edward é fofo, não é?
E o que vcs acham que deu na Bella?
Será que foi a pancada?
Me desculpem pela demora, mas fim de faculdade é uma verdadeira loucura.
Mas, de qualquer forma, espero que tenham gostado e que comentem bastante.
Vou tentar não demorar tanto para postar o próximo.
Beijos e até mais.
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