Jovens Escolhas, Complicadas Consequências...
29 Capítulo 28: BEM VINDA, FILHA!
Notas iniciais
CAPÍTULO 28
POV. BELLA
ALGUMAS SEMANAS DEPOIS...
Eu jamais poderia reclamar do destino.
A vida havia sido muito generosa comigo e hoje, diante de tamanha felicidade, eu não me arrependia de todos os problemas que eu tivera que enfrentar para alcançá-la.
Cada lágrima derramada valera à pena e se eu tivesse que reviver o passado apenas para ser feliz da forma que eu era agora, eu o faria com um sorriso satisfeito nos lábios.
Já fazia algumas semanas que Edward e eu havíamos nos mudado para nosso novo apartamento e eu tinha a impressão de estar vivendo um conto de fadas.
Nossa vida estava perfeita.
Havíamos criado uma rotina harmoniosa e no momento, estávamos apenas esperando que nossa filha nascesse para oficializarmos de vez nossa relação.
Sempre que me lembrava do seu pedido de casamento feito naquele restaurante depois da maravilhosa surpresa que nossa família preparara para nós dois, um sorriso imenso tomava conta dos meus lábios.
Ele me surpreendera naquele dia, mas hoje, analisando nossa realidade, eu sabia que o casamento era o caminho certo para nós dois.
E tudo isso porque não havia maneiras de vivermos um sem o outro.
Estar com Edward era natural como respirar e eu me perguntava o porquê de eu ter demorado tanto tempo para perceber que eu era dele e que nenhum outro homem me faria tão bem quanto ele me faz.
Mas, como minha gravidez estava em estágio avançado, resolvemos esperar alguns meses para oficializar nossa união.
Alice, dando lugar ao seu lado festeiro, já começara a resolver alguns detalhes do que, segundo ela, seria um grande acontecimento, mas eu me limitava apenas a observar toda sua agitação, concentrando minhas energias apenas nos preparativos para o nascimento do meu bebê.
Senti um movimento leve em minha barriga e sorri, pousando carinhosamente a mão sobre meu ventre dilatado.
Eu estava imensa e minha barriga era um universo a parte, mas nada apagava o encanto de sentir minha filha se mexer dentro de mim.
Ela era o pedacinho mais lindo do amor que Edward e eu dividíamos e eu não me importava que meu corpo tivesse que se transformar tanto para acomodá-la.
É claro que o fato de eu já não ser a mesma de antes me deixava preocupada, uma vez que eu temia que o desejo que Edward sentia por mim diminuísse.
Mas, ele não se cansava de repetir que eu era linda e que ele me amava, fazendo com que essa insegurança boba fosse deixada de lado, dando lugar à imensa satisfação de ter um verdadeiro príncipe ao meu lado.
Nós havíamos feito amor algumas vezes depois daquele dia em que viemos conhecer nosso novo apartamento e me lembrar dos momentos em que eu passava em seus braços fazia com que a temperatura do meu corpo aumentasse imediatamente.
Carlisle, em minha última consulta, que agora passara a ser de quinze em quinze dias, me liberara para retornar com minha rotina e eu me sentira livre para me entregar ao desejo que sentíamos, sem me preocupar em machucar nossa filha.
Meu corpo respondera bem ao repouso e à medicação ministrada após meu acidente e agora meu bebê já não corria nem um risco de morte.
Com a data do parto se aproximando, nós teríamos que interromper nossa vida amorosa, tanto para não apressar o nascimento de nossa boneca, quanto para respeitar meu resguardo de quarenta dias e, portanto, precisávamos aproveitar todos os momentos que ainda tínhamos para curtir nosso amor.
Sendo assim, nossa vida sexual voltara ao normal, e eu me sentia muito satisfeita com esse fato, mesmo que às vezes estivesse muito cansada para dar a devida atenção ao meu namorado lindo.
Ele entendia, é claro, pois minha gravidez estava em estágio avançado e era normal que eu já não tivesse a mesma disposição de antes.
Mas, isso me incomodava às vezes, fazendo a velha insegurança retornar.
Entretanto, bastava que Edward me abraçasse para que qualquer sentimento ruim fosse deixado de lado e minha felicidade voltasse com força total.
Senti sua respiração quente eu meu pescoço e sorri, me aconchegando melhor aos seus braços.
Hoje era domingo e ele não precisava acordar cedo para ir para a faculdade, o que eu achava ótimo, já que poderia aproveitar sua companhia sem ter limite de horários.
Eu sentia sua falta a cada hora do dia que passava sem sua presença, mas sabia que ele não podia fazer sua vida girar ao meu redor e, assim, aceitava com resignação ficar longe dele durante toda a semana enquanto ele passava horas dividido entre as aulas e a residência no hospital.
_ Bom dia, princesa..._ Ouvi sua voz rouca de sono e meu sorriso se alargou, sentindo meu corpo arrepiar-se quando ele depositou um beijo em meu pescoço.
_ Bom dia..._ Eu murmurei, me virando para olhá-lo e ele sorriu, beijando meus lábios com carinho.
_ Não existe nada mais bonito do que a visão que eu tenho a minha frente nesse momento..._ Ele falou, acariciando meu rosto e eu revirei os olhos para seu exagero.
_ Você acabou de acordar... Deve estar com a visão embaçada ainda._ Eu debochei e ele bufou, acariciando meus cabelos e me olhando seriamente.
_ Um dia, você vai acreditar em minhas palavras e se convencer de que, para mim, não existe no mundo mulher mais bonita que aquela que acorda ao meu lado todas as manhãs.
_ Mesmo ela estando gorda?_ Eu perguntei, fazendo uma careta e ele riu, revirando os olhos beijando minha testa.
_ Amor, entenda de uma vez por todas que você não está gorda. Você está linda.
_ Linda, Edward? Minha barriga está tão grande que eu nem enxergo meus pés..._ Eu reclamei e ele gargalhou.
_ Sério?_ Edward perguntou e eu fiz uma careta, socando seu braço de leve enquanto ele continuava rindo.
_ Para de rir..._ Eu reclamei e ele me abraçou, beijando meu rosto e colando meu corpo ao seu.
_ Você fica mais linda ainda quando está brava. Mas, voltando a falar de sua barriga... Bella, daqui algumas semanas nossa filha nasce e isso vai acabar. Seu corpo vai voltar ao normal e você vai poder ver os seus pés novamente.
_ E se meu corpo nunca mais voltar ao normal? E se eu ficar gorda para sempre?_ Expus meu maior medo e ele sorriu, beijando meu rosto mais uma vez.
_ Isso não vai acontecer por que você seguiu uma dieta rigorosa e se exercitou bastante durante a gravidez. Mas, se você continuar gordinha assim, eu vou continuar te amando. Eu já lhe disse isso, mas volto a repetir: eu amo você e nada vai fazer isso mudar. Seu corpo é apenas uma embalagem, amor. Uma bela embalagem e isso eu não posso negar. Mas, o que te faz ser essa pessoa tão especial é o que está aqui dentro. E é justamente essa parte que eu amo demais._ Ele falou, tocando meu peito de leve, indicando o lugar onde meu coração batia, e eu sorri entre lágrimas.
Por que mesmo ele tinha que ser tão perfeito?
_ Eu também te amo..._ Eu falei baixinho, abraçando-o da maneira que minha barriga permitia e ele riu, beijando meus lábios com carinho.
_ Eu sei, princesa. Mas, eu quero que você pare de bobagens. Você está grávida e é natural que seu corpo mude. Isso não a torna feia nem gorda. Esse fato a torna ainda mais linda, pois é nossa filha que está aí.
_ Eu sei... Mas, é que você sempre esteve cercado de mulheres lindas e eu tenho medo de que se eu mudar muito após essa gravidez, você perca o interesse por mim...
_ Você ouviu alguma coisa do que eu disse até agora?_ Ele perguntou com um sorriso indulgente nos lábios e eu ri, enterrando o rosto em seu pescoço.
_ Eu sei... Mas, não posso mandar na minha insegurança.
_ Você é absurda, princesa. Mas, é por isso que eu te amo. Agora, vamos deixar de lado essas besteiras e aproveitar nosso domingo. Quero tirar muitas fotos hoje..._ Edward declarou animado e eu fiz uma careta.
Já fazia meses que meu namorado, agora noivo, me fotografava constantemente, pois segundo ele, não poderíamos perder nem uma fase da minha gravidez.
Assim, durante todo o dia, ele ficava atrás de mim com uma câmera na mão, retratando toda minha rotina e fazendo uma verdadeira galeria em seu computador, admirando-a sempre que eu não estava por perto e me deixando extremamente irritada e constrangida quando resolvia mostrar aquelas imagens para seus irmãos e amigos.
_ Eu acho que já temos fotos suficientes._ Eu reclamei e Edward riu.
_ Pois eu não acho. Tenho fotos desde que descobrimos a gravidez e quero montar um álbum para poder mostrar a nossa filha como foi o seu desenvolvimento no ventre de sua mãe. Portanto, eu preciso de mais material._ Ele falou e eu suspirei, sabendo que não adiantava discutir com Edward sobre aquelas benditas fotos.
Ele simplesmente não iria desistir.
Superando a preguiça imensa que sentíamos, nos levantamos e, após nosso banho, Edward preparou waffers com calda de mel e chocolate para o café da manhã, enquanto eu tirava e guardava as roupas da secadora.
Tínhamos ajuda de uma faxineira três vezes por semana, mas no resto dos dias dividíamos as tarefas, embora Edward insistisse em fazer quase tudo sozinho para que eu não me cansasse.
Mas, como eu me sentia muito bem ultimamente, eu simplesmente o ignorava e seguia com minha rotina que eu aprendera a amar.
Não era o que eu imaginava para mim há alguns anos atrás, é claro.
Eu sempre quisera terminar a faculdade e começar a trabalhar naquilo que eu amava, antes de assumir a responsabilidade de ser mãe de alguma criança e esposa de alguém.
Mas, eu estava satisfeita com o rumo que minha vida tomara, pois tudo o que acontecera me levara a Edward e ele era, sem dúvida, melhor que qualquer plano que eu fizera um dia.
Depois do café, Edward me puxou para o sofá e ficamos assistindo TV, apenas curtindo a companhia um do outro.
Bem, eu até que tentei prestar atenção em alguma coisa, mas meu noivo não deixava.
Ele passou o tempo todo beijando meu rosto e acariciando meu ventre e, às vezes, era impossível me concentrar em qualquer coisa que passava na tela a minha frente.
_ Qual o sentido de estarmos aqui se você não me deixa assistir nada?_ Eu perguntei, quando ele me virou em sua direção e Edward riu, beijando meus lábios.
_ Eu quero apenas curtir sua companhia, sentir seu cheiro gostoso, tocar sua pele, beijar seus lábios... A TV é só um detalhe._ Ele falou descarado e eu ri, beijando seu rosto.
_ Eu sabia que existiam outros motivos por trás desse convite...
_ Sempre existem. O fato é que eu não consigo ficar perto de você sem tocá-la. Sinto muito, mas o filme nem era tão bom assim._ Ele falou, acariciando minha barriga e eu ri, sentindo nossa filha chutar loucamente em meu ventre.
Era sempre assim quando Edward estava por perto.
Ela nem nascera ainda e já era totalmente apaixonada pelo pai.
Edward Cullen era capaz de fazer esse tipo de coisa com as mulheres a sua volta.
_ Ela está tão agitada ultimamente..._ Eu comentei e Edward sorriu, levantando minha bata e pousando as duas mãos sobre minha barriga.
_ Está perto da hora do nascimento e acho que nossa bonequinha está ficando sem muito espaço.
_ É... Talvez. Mas, ela fica ainda mais agitada quando você está por perto. Acho que nossa filha já reconhece sua voz._ Eu comentei, olhando distraidamente para minha barriga e Edward suspirou feliz, se ajoelhando aos meus pés e beijando meu ventre.
_ É mesmo meu anjo? Você conhece a voz do papai?_ Ele falou com minha barriga, beijando-a apaixonadamente e eu ri, quando senti mais uma série de chutes sob minha pele._ Vou tomar isso como um sim._ Ele falou rindo e eu fiquei olhando-o feito uma idiota, enquanto ele continuava seu monólogo com minha barriga.
Ele ficou fazendo planos, dizendo que ia ensiná-la a andar de bicicleta, a jogar pedras no lago, que ela seria a menina mais linda do mundo e que por isso ele, como pai, seria obrigado a espantar os candidatos que iriam querer namorá-la e, todas as vezes que sua voz cessava, nossa filha se mexia loucamente em meu ventre, como se estivesse pedindo para que o pai continuasse conversando com ela.
_ Eu não vejo a hora de ver o seu rostinho._ Edward falou sonhador, pousando o rosto sobre meu ventre e eu passei a acariciar seus cabelos.
_ Nem eu. Seu pai calculou o nascimento dela para setembro, mas eu queria que fosse antes. Estou ansiosa.
_ Tudo ao seu tempo, amor. Ela sairá quando estiver pronta. E nós estaremos aqui, esperando por ela._ Ele falou, beijando minha barriga mais uma vez e eu sorri, torcendo realmente para que o tempo passasse depressa.
**********
Nosso domingo foi perfeito como tantos outros que passamos juntos.
Almoçamos no mesmo restaurante onde ele me pedira em casamento e passamos a tarde em um parque no centro da cidade, aproveitando o sol, que raramente dava as caras em Seattle.
Edward aproveitou para tirar muitas fotos, importunando várias pessoas que passavam pelo lugar onde estávamos para que tirassem algumas fotos de nós dois juntos.
No fim da tarde, fomos jantar no apartamento de seus irmãos e passamos horas após a refeição jogando videogame e bebendo chocolate quente.
Alice e Rosalie não se cansavam de tocar minha barriga e eu me perguntava o que de tão interessante elas viam ali, já que, apesar de maior, ela continuava a ser a mesma barriga de antes.
_ Eu comprei mais alguns vestidos para ela. Estão na lavanderia._ Alice falou e eu revirei os olhos, não sabendo onde diabos eu guardaria tantas roupas de bebês, já que o closet da minha filha já estava abarrotado de coisas.
_ Ela não vai conseguir vestir esse monte de roupas nem em dez vidas..._ Eu falei e Rosalie riu, enquanto Alice fazia uma careta.
_ Claro que vai. É só não repetir as peças.
_ Quer dizer que meu bebê vai usar uma roupa por dia e eu não posso repeti-las?_ Perguntei incrédula e ela assentiu triunfante._ Alice, pelo amor de Deus, onde está o seu bom senso? Não quero transformar minha filha em uma bonequinha de luxo mimada e consumista e não vou permitir que você o faça. Chega de roupas, por favor.
_ Isso não é justo... Ela é a única sobrinha que eu tenho. Por que eu não posso mimá-la?_ Ela perguntou magoada e eu suspirei.
_ Por que para tudo tem limites, Alice. Eu não tenho nem mais onde guardar as roupas que você dá a ela. Eu agradeço muito sua intenção, mas que tal deixar para comprar mais roupas quando ela for mais velha? Agora, realmente, não é mais necessário._ Eu falei, encerrando o assunto e ela suspirou, fazendo uma careta mais aceitando meu pedido.
Eu não queria parecer mal agradecida, pois eu sabia que Alice amava a sobrinha e só fazia o que julgava melhor pra ela, mas eu realmente não tinha mais onde guardar tantos presentes e alguém precisava colocar um pouco de juízo na cabeça oca da minha cunhada.
E se esse alguém tivesse que ser eu, que era a mãe da sobrinha em questão, que fosse.
Eu só não poderia permitir que ela continuasse gastar tanto dinheiro com roupas que nem eram mais necessárias no momento.
Edward e eu fomos embora ao fim da noite e, na manhã seguinte, eu tive que me segurar para não chorar enquanto nos despedíamos para ele ir para a faculdade.
Eu estava sensível e o fato de ter acordado enjoada e com dores agudas nas costas fazia com que eu desejasse meu noivo ao meu lado o tempo todo, não querendo ter que dividi-lo com aquele bendito hospital.
Mas, como não havia outro jeito, eu aceitei o fato de ficar sem ele e tirei o dia para não fazer absolutamente nada.
Fiquei praticamente o dia todo deitada e se não fosse Rosalie aparecer e me obrigar a ir dar uma volta com ela no parque, eu continuaria esparramada em minha cama por muitas horas mais.
Os outros dias da semana seguiram como uma repetição da segunda e, quando eu menos esperava, já era domingo outra vez.
Naquele dia, fomos para Forks e eu aproveitei para visitar meus pais.
Charlie ainda odiava o fato de eu estar grávida e de ser noiva do cara que ele não considerava ideal para mim, mas pelo menos agora, vendo minha imensa barriga, ele nos tratava com o mínimo de respeito.
Não acreditei quando o vi no restaurante no dia em que Edward me pedira em casamento.
Mas, segundo minha mãe, Edward já havia pedido minha mão ao meu pai e Charlie quisera participar apenas para ter a certeza que eu estava realmente bem e feliz ao lado do homem que eu escolhera e que, em sua opinião, nunca seria o cara certo para sua filha.
Como nada iria mudar o fato de que eu estava grávida de Edward e em breve me casaria com ele, eu pouco me importava com a opinião do meu pai, que nunca, nem em mil anos, iria aprovar minhas escolhas.
Com tanto que ele respeitasse a mim e ao meu noivo, ele podia pensar o que quisesse a respeito do meu relacionamento com Edward.
O que importava era minha felicidade e essa estava garantida.
Não é como se eu não quisesse o apoio do meu pai ou desprezasse suas opiniões, mas Charlie era tão turrão que dificultava qualquer relacionamento saudável entre nós.
Mas, apesar de tudo, nosso domingo transcorreu sem maiores incidentes e ao fim do dia, fomos para a casa de Esme e Carlisle, onde passaríamos a noite para que eu pudesse realizar alguns exames no dia seguinte.
Eu entrara no último mês de gravidez e, nesse momento, era importante iniciarmos alguns preparativos, pois a qualquer momento minha filha poderia resolver dar as caras.
Como eu não queria passar pelo constrangimento de ter meu futuro sogro fazendo um exame de toque em mim, Carlisle contava com a ajuda de outra médica, que era bastante gentil e estava me acompanhado desde o quarto mês de gravidez.
Juntos, eles previram que minha filha nasceria até o dia 20 de setembro e eu sorri quando constatei que faltava menos de um mês para que isso acontecesse.
_ Recomendo que vocês evitem ter relações sexuais nesse período, pois elas podem adiantar a hora do parto. Além do mais, Bella irá se sentir bastante inchada nessas últimas semanas e eu penso que transar pode gerar um imenso desconforto para ela._ Carlisle explicou e eu enrubesci, olhando de canto de olho para Edward e recebendo um sorriso de lamento.
E foi assim que nossa vida íntima foi interrompida.
Mas, como era para um bem maior, não nos importamos muito.
Edward ainda continuava ser a criatura mais perfeita, carinhosa e apaixonada e o fato de estar sendo constantemente abraçada e beijada por ele fazia com que eu não sentisse tanta falta de nossos interlúdios noturnos.
Os dias passaram depressa e agora faltavam apenas duas semanas para a data limite que Carlisle estabelecera para o nascimento de nossa filha.
Eu tivera uma consulta com o obstetra que cuidava de mim em Seattle desde o meu acidente e que seria o responsável por mim no dia do parto e ele confirmara a data prevista por meu sogro, me explicando que eu poderia começar a sentir algumas cólicas e que essas seriam normais, pois eram o anúncio do preparo do meu corpo para o dia do nascimento da minha filha.
Juntos, Edward e eu decidimos que eu teria parto normal, pois seria mais saudável para mim e o bebê, e mesmo estando com medo das tão temíveis contrações eu queria o melhor para minha filha sempre.
Conforme os dias foram passando, eu notava que Edward quase não dormia, sempre preocupado com o fato de que a qualquer momento eu poderia entrar em trabalho de parto.
Minha mala e a do bebê já estavam prontas há semanas e Edward lavava e trocava a água da garrafa térmica todos os dias, estando sempre pronto para qualquer emergência.
A qualquer pequeno gemido que eu soltava, ele já estava ao meu lado, me perguntando se estava tudo bem e se precisávamos ir para o hospital.
Seus cuidados, que antes já eram exagerados, triplicaram e foi só quando eu o ameacei de morte caso ele não parasse de me perseguir como uma sombra que Edward maneirou em sua paranóia.
Minha mãe e Esme também vieram me sondar, mas quando constataram que eu estava realmente bem, voltaram para Forks e pediram apenas para serem avisadas quando eu entrasse realmente em trabalho de parto.
Eu percebi que elas não queriam se intrometer na minha rotina e na do Edward e eu achei isso muito bom, pois no meu estado de irritação atual eu realmente não queria mais ninguém, além do Edward, me monitorando.
No dia 11 de setembro, dois dias antes do meu aniversário, eu acordei me sentindo muito estranha.
Eu fui várias vezes ao banheiro e só após detectar uma coloração estranha na minha urina, comecei a me preocupar.
Como estava sozinha em casa, já que Edward tivera que ir para o hospital e Rosalie, que vinha todas as tardes me fazer companhia, estava em uma sessão de fotos, eu apenas respirei fundo, tentando me acalmar e fui para o quarto, me deitando e torcendo para que nada de grave acontecesse.
Na noite passada, devido às cólicas constantes e incômodas eu quase não havia dormido e, por isso, acabei tirando um longo cochilo, conseguindo recuperar um pouco das minhas energias perdidas.
Fui acordada sentindo uma dor muito forte nas costas e após algum tempo, eu verifiquei que essa dor estava ficando regular, indicando que a hora de meu bebê nascer finalmente chegara.
E foi aí que eu comecei a me preocupar de verdade.
Tentei ligar para Edward, mas seu telefone dava na caixa postal.
Amaldiçoei-o mentalmente e liguei para Carlisle, que, graças ao bom Deus, me atendeu.
_ Bella, querida... Algum problema?_ Ele perguntou solicito e eu ofeguei, sendo atingida por mais uma contração.
_ Eu. Estou. Com. Dor..._ Eu falei pausadamente, respirando com dificuldade.
_ Que tipo de dor?
_ Ela vem das costas e se espalha para a barriga. E está regular._ Eu expliquei e fiquei esperando ansiosa por sua resposta.
_ Já avisou o Edward?
_ Ele está no hospital e o celular só dá na caixa postal.
_ Então faça o seguinte: tome um banho quente e deixe que a água caia sobre suas costas por uns quinze minutos. Isso vai ajudá-la a relaxar. Se troque e deixe tudo pronto que eu vou avisar meu filho e irei para Seattle imediatamente. Estarei com o celular a postos e caso você tenha algum sangramento ou as contrações comecem aparecer em intervalos menores, me ligue imediatamente.
_ Certo. Mas, vem rápido._ Eu pedi, sentindo lágrimas invadirem meus olhos.
Eu estava com medo e queria que Edward estivesse ao meu lado o mais depressa possível.
_ Fique tranqüila, querida. Já estamos indo._ Ele respondeu e, assim que desligou o telefone, eu tratei de seguir suas recomendações.
O banho realmente ajudou a aliviar a dor, mas ficar em pé estava sendo um desafio.
Por isso, finalizei o banho e após me vestir, fui para sala esperar que alguém viesse em meu socorro.
Escutei um barulho de chaves na porta e assim que Edward apareceu em meu campo de visão, eu comecei a chorar de alegria e alívio.
_ Oi, minha princesa. Me perdoe por eu não estar aqui. Mas, vai ficar tudo bem. Meu pai está a caminho e o obstetra que vai cuidar do seu parto já está te esperando no hospital._ Ele falou, me abraçando e beijando minha testa e eu suspirei aliviada, me sentindo segura em seus braços.
_ Está tudo bem. Só me leve para o hospital depressa. Não quero que nada de ruim aconteça a nossa filha._ Eu falei e ele assentiu, pegando as malas e me guiando para a porta de saída.
Chegamos ao hospital em menos de dez minutos.
Fui levada imediatamente para a sala de exames, onde o médico fez o toque e constatou que eu estava com muitos centímetros de dilatação, me mandando imediatamente para a sala de partos.
Eu queria uma anestesia, mas para minha tristeza, ele disse que eu teria que agüentar as dores por mais algumas horas.
Edward não saiu do meu lado por nenhum momento e quando as contrações começaram de verdade, eu desejei que fosse ele a dar à luz a nossa filha.
_ Vai passar, meu bem. Sinto muito não poder dividir essa dor com você, mais saiba que eu estou aqui. E eu te amo..._ Ele falou baixinho, beijando minha testa e eu prendi a respiração, sentindo outra contração tomar meu corpo, me impedindo de respondê-lo.
_ Por que tem que doer tanto?_ Eu perguntei, depois que a dor amenizou e Edward sorriu tristemente, me oferecendo um cubo gelo, que, segundo o médico, me ajudaria a relaxar.
_ Por que a recompensa é muito grande depois. Eu sei que isso não é justo, já que eu também vou receber a recompensa, mas se isso te consola, vê-la sofrendo acaba comigo._ Ele disse e eu tentei sorrir, mas outra dor me atingiu.
Olhei para o aparelho que media minhas contrações e pensei que ele fosse explodir, tamanha foi a intensidade da dor que me atingiu.
E eu continuei nesse sofrimento por longas horas, me perguntando quando essas dores iam finalmente terminar.
_ Bella, a partir de agora, eu preciso que você faça força para baixo. Toda a vez que a contração iniciar, empurre. Em breve você terá sua filha nos braços._ Carlisle falou sorrindo e eu assenti, me preparando para mais uma contração.
Fiz o que ele pediu, imaginando que minha agonia estivesse no fim.
Mas, eu estava enganada.
Foram muitas contrações até que eu finalmente sentisse minha filha deslizando para fora do meu corpo.
_ Que menina linda!_ Ouvi o meu obstetra exclamando assim o choro do meu bebê pôde ser ouvido no quarto e eu caí exausta sobre os travesseiros, recebendo um beijo efusivo de Edward que parecia não se caber de tanta felicidade.
Lágrimas invadiram meus olhos quando eu escutei aquele choro forte e, mesmo estando exausta, eu me vi ansiosa para finalmente segurar minha filha nos braços.
_ E o papai pode cortar o cordão..._ Carlisle falou, entregando uma tesoura a Edward que cortou o cordão umbilical parecendo muito orgulhoso e emocionado.
Depois, ele segurou nossa filha nos braços e a trouxe até mim, me entregando o que, em minha opinião, era o bebê mais lindo do mundo.
_ Meu Deus... Que coisinha mais linda!_ Eu falei, segurando-a no colo e Edward sorriu largamente, passando a mão por seu cabelinho sujo de sangue e beijando seu rostinho pequeno.
_ Ela é perfeita, amor... Perfeita igual a você._ Ele falou, limpando as lágrimas e eu sorri largamente.
_ É tão pequenininha..._ Eu murmurei, beijando seu rostinho e ela parou de chorar, cheirando minha pele e me fazendo rir emocionada.
_ Ela é linda, meninos. Parabéns. E fique tranqüila. Apesar de parecer pequena, ela é uma bebê muito saudável e está no peso ideal._ Carlisle falou, admirando a neta e eu suspirei aliviada por saber que minha bonequinha era saudável.
Eu me vi completamente apaixonada por aquela criaturinha minúscula e frágil e me perguntei como eu pude cogitar por um momento a idéia de dá-la para adoção ou de não deixá-la nascer.
Ali em meus braços estava o que eu poderia chamar de milagre e o fato de ela ser minha e de Edward a tornava ainda mais especial e amada.
_ O pediatra vai examiná-la agora, Bella, enquanto o obstetra termina com você. E filho... Você tem que sair agora._ Carlisle falou, retirando minha filha dos meus braços e Edward assentiu, me beijando apaixonadamente.
_ Eu vou te esperar no quarto. Te amo, princesa..._ Ele falou e eu assenti, me sentindo sonolenta demais para responder.
Depois que ele saiu, eu caí em um sono profundo, me sentindo exausta, mas extremamente feliz.
**********
POV. EDWARD
Nada no mundo me preparara para o sentimento que tomara conta de mim ao segurar minha filha nos braços.
Ela era tão pequena e frágil e ao mesmo tempo tão incrivelmente perfeita que eu me perguntei como era possível eu ser seu pai.
Minha princesinha era linda e isso era perceptível mesmo quando ela ainda estava coberta de sangue por ter acabado de nascer.
Era cedo ainda para dizer com quem ela se parecia, mas pelo que eu percebia agora, enquanto analisava seu rostinho lindo, podia perceber que em suas feições haviam uma mistura perfeita das minhas características com as da Bella.
Ela se mexeu em meu colo, abrindo sua pequena boquinha e colocando a língua para fora e eu sorri feito um bobo, me perguntando quando minha princesa acordaria para perceber que eu e nossa filha estávamos ao seu lado, apenas esperando que ela abrisse os olhos para notar que sua família estava completa agora.
Minha mãe, os pais de Bella, meus irmãos, Jasper e Rosalie já tinham estado no hospital enquanto minha princesa estava na sala de parto.
Todos se emocionaram ao ver nossa filha pelo vidro do berçário e até Charlie, que sempre parecera tão durão, se mostrara comovido ao conhecer a neta.
Mas, como Bella precisava de repouso, pois tinha passado nove horas em trabalho de parto, eles foram embora e prometeram voltar no dia seguinte para poderem visitar minha noiva e conseguir segurar nossa filha no colo.
Eu me recusara a sair do lado de Bella e agora estava ali, segurando nossa filha no colo, e esperando que ela acordasse para ver com clareza a bela criança que fizemos juntos.
Depois de algumas horas, Bella finalmente começou a se mexer e quando olhou para o lado e me viu segurando uma trouxinha rosa, sorriu largamente.
_ Oi..._ Ela murmurou e eu sorri, me inclinando em sua direção e beijando sua testa.
_ Oi... Olha só que veio visitar a mamãe._ Eu falei, lhe mostrando nossa pequenina e ela sorriu, se sentando lentamente e estendendo os braços em minha direção.
_ Eu nem acredito que sou mesmo uma mãe..._ Ela falou, segurando a filha nos braços e eu sorri, beijando seus cabelos.
_ Mas, você é uma mãe. A mamãe mais linda do mundo, por sinal._ Eu falei e ela revirou os olhos, passando o dedo pela testa de nossa filha.
_ Temos que escolher um nome pra ela..._ Bella falou e eu assenti, me sentando a beirada da cama e abraçando-a por trás.
_ Bem, resolvemos que íamos esperar ela nascer para decidirmos qual nome combina mais com ela entre a pequena lista que eu fiz. E aí... Qual vai ser?
_ Eu gosto de Olívia. Acho que entre os cinco que você escolheu esse é o que mais combina com ela._ Bella falou e eu sorri largamente, aceitando sua sugestão, já que eu concordava totalmente com sua escolha.
_ Ok... Será Olívia, então... Até porque, teremos muito tempo para usar os outros quatro nomes._ Eu falei e ela me encarou incrédula.
_ Você ficou maluco? Eu acabei de dar a luz a um bebê e você já está planejando ter mais quatro filhos?
_ Qual o problema? Eu adoro fazer filhos com você._ Eu falei e ela enrubesceu, me dando um tapa no braço.
_ Não diga essas coisa na frente de nossa filha, Edward Cullen... Ela é só um bebê._ Bella me repreendeu e eu ri.
_ Certo. Mas, tenha a certeza que nós vamos falar a respeito de outros filhos. Nós vamos nos casar, esperar até que você termine a faculdade e Olívia seja mais velha. Mas, depois, vamos produzir mais filhos. Eu sempre quis uma família grande.
_ Mas, vamos ter que esperar tudo isso para começar a produção?_ Ela falou de maneira maliciosa e eu ri, beijando seus lábios com carinho.
_ A produção vai ter que esperar. Mas, a pré-produção começa no momento em que seu resguardo acabar..._ Eu falei, beijando seu rosto e ela riu, enquanto nossa pequena Olívia começava a se mexer em seu colo e a soltar pequenos resmungos._ Acho que ela está com fome, amor._ Eu falei e Bella me olhou desesperada.
_ E o que eu faço?
_ Que tal oferecer seu seio a ela?_ Eu perguntei, ajudando-a a desabotoar sua camisola, enquanto ela posicionava nossa filha em seu seio.
_ Vai doer?
_ Você fez todas as massagens que o médico recomendou durante o banho?_ Eu perguntei e ela assentiu._ Então, eu acho que não vai doer muito.
Bella respirou fundo enquanto Olívia procurava desesperadamente pelo seu seio e quando ela finalmente alcançou o que mais queria, abocanhou com vontade, fazendo com que mãe mordesse os lábios a fim de conter um gemido que eu sabia ser de dor.
_ Doeu?_ Eu perguntei, fazendo uma careta de dor e ela assentiu._ Muito?
_ Um pouco. Ela não foi nada sutil. Parece um pouco faminta demais para o seu tamanho._ Bella falou e eu ri.
_ Ela é linda, amor e vai precisar de muito leite para crescer forte e saudável._ Eu falei e Bella sorriu, beijando o rostinho lindo de Olívia.
_ E eu agüento qualquer dor para vê-la feliz..._ Minha princesa falou e foi a vez do meu sorriso se alargar.
Nunca imaginei que minha vida pudesse ser tão perfeita.
Mas, ela era e se eu estivesse para sempre ao lado de minha princesa e de nossa filha, eu sabia que a vida só iria melhorar.
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